Madeira // dia 3

MONTANHAS! MONTANHAS! MONTANHAS! quero MONTANHAAAAAAS!

desde que tinha aterrado no domingo de manhã que não me calava com as montanhas. queria era ir subir às montanhas. MONTANHAS!!

(esta será uma boa altura para explicar ao pessoal que caiu aqui de pára-quedas ou para quem ainda não se tinha apercebido, vá, que esta que lêem sofre de uma séria obsessão por montanhas)

ao terceiro dia fui-me a elas. FINALLY!! 

e comecei logo pela mais alta.. podia ter começado logo pela segunda mais alta, mas tive que optar, com receio que o dia não chegasse para tudo.. prioridades, bah!

desci o estreito e subi o funchal acima até ao monte.. a benzer-me em cada curva e a guinchar que nem morta que voltava a passar por ali (ondé que já tinha ouvido isto antes?), e que à vinda iríamos à volta, mesmo que demorasse o dobro do tempo.. queria lá saber*!

chego lá em cima, já tonta das curvas, acende-se a luz da reserva.. #!£@€&% do cabrãoooooo do carro!!
como era pouco provável que existissem postos de abastecimento nos próximos km's, era sensato tratar disso enquanto tinha oportunidade, não fosse ficar apeada no meio de nenhures..

vá toca a descer ate à bomba mais próxima.. lábaixo, no funchal.. GYAHHHHHHH

nota mental: andar sempre de olho no nível do combustível, as constantes subidas deixam os indicadores todos faralhados e é sempre melhor jogar pelo seguro :P

depois da segunda dolorosa subida, estávamos finalmente a caminho do ribeiro frio. a primeira paragem do dia seria no inicio da vereda dos balcões.

há uns anos atrás, andavam uns mupis espalhados pela cidade que promoviam o turismo em portugal, e um deles tinha uma foto espectacular, que nunca soube onde tinha sido tirada e não conseguia identificar a paisagem, nem parecia cá.. até ao dia em que andei a ver fotos da madeira! 

não ia falhar aquele spot nem que soassem as trombetas do apocalipse!

e quando alcançamos o miradouro, no fim do trilho, não me senti defraudada não senhora.. a vista é soberba!

balcões

folgo em saber que nem toda a publicidade é enganosa :D

o miradouro eleva-se a umas boas centenas de metros sobre um vale colossal (excelente para pessoas que sofrem de vertigens e cardíacos também lol not!), rodeado pelos picos mais altos da ilha, e a norte é possível observar o oceano.

ainda ficámos por lá um bom bocado a absorver a paisagem. queria queimá-la no cérebro o mais que me fosse possível, para que não se desvanecesse da memória tão cedo. mas eventualmente chegou o momento em que tivemos que nos despedir dos balcões e continuar o passeio.

dali descemos.. e subimos.. e descemos.. e subimos até santana, sempre rodeados de paisagens lindíssimas, que nos fizeram abrandar e parar algumas vezes para admirá-las.

depois da subida alucinante até à achada do teixeira, por outra daquelas estradas arquitectadas pelo demo himself, demos descanso ao carro, que o resto do caminho até ao pico ruivo tinha que ser feito à pata. eram só 2,8km até lá, era na boa.

HA HA HA HA HA HA...

NOT!


existe um pequeno detalhe que não convém descurar: é que caminhar acima dos 1500 metros de altitude, já morde..

JURO que aqueles 2,8km mais pareciam 10… que estopada do caneco!

eu já a cair pró lado, a ganir que o caminho parecia não ter fim, quando às tantas aparece uma indicação: 200 metros até ao pico ruivo.. WAAAAA..... ainda faltam 200 metros para chegar lá acima?? vou morreeeeeeeeeeeeeer XP

stairway to heaven

foram os 200 metros mais PENOSOS da minha vida.. aquilo custou-me pra cacete, era basicamente uma escadaria até lá acima, nem sei como é que aguentei. aliás, sei.. não ia desistir a meia-duzia de metros do meu objectivo.. ké’iss??

quando finalmente cheguei lá a cima, sentei-me à sombra do marco geodésico, com a cabeça entre as pernas, a tentar recuperar o folgo e não vomitar os pulmões, ainda esteve vai não vai… 

...e depois apareceu-me à frente um cabrão dum francês que vinha a subir aquela merda toda a correr, em t-shit e calções, fresco que nem uma alface. não sem em quem me apetecia bater mais, se nele se em mim, pela minha péssima condição física.

nisto procuro pelo homem. tinha ficado mais abaixo, metido na conversa com um cámone que andava atarantado com um GPS na mão. só podia ser um geocacher.

entretanto veio ter comigo e depois tornou a descer, para ajudar o alemãozeiro a procurar a cache que o sacana tava a revirar tudo quanto era pedra, parecia que andava ao caracol. anda uma pessoa preocupada em não dar nas vistas.. 

depois de chafurdar em tudo o que era rocha e arbusto nas redondezas, lá aparece a cache. deixámos uma geocoin que tinha vindo de sesimbra na semana passada. o alemão não quis levá-la, então ficou lá, à espera de alguém que o faça alcançar o objectivo. 

(a ironia da coisa é que mais tarde, a geocoin foi mesmo parar à alemanha)

ficamos lá um BOM bocado porque a vista é pura… e simplesmente… BRUTAL. não conseguia fechar a boca nem tirar os olhos do horizonte. nem sabia para que lado me virar. o dia estava muito claro mas mesmo assim, o cenário era fantástico, com as nuvens bem abaixo de nós, a circundar as zonas altas da ilha a norte. uma calmaria do caraças, sem vento nenhum. e o silêncio...

a altitude devia tar-me a mexer com os pirolitos, o meu repertório de frases resumia-se a "nunca tive num sitio tão bonito na minha vida"; "isto não é real"; "não tenho objectiva para isto" (11-16 não chegava para açambarcar aquilo tudo num foto e eu não sou grande fã de panorâmicas).. parecia um disco riscado :D

voltarei sem duvida ao pico ruivo porque fiquei obcecada com dois PRs que vão lá ter. mas para percorre-los, tenho que me mexer à séria, se não, faleço pelo caminho.. não tou a brincar!

quando começamos a descer, estava a chegar um casal estrangeiro com uma miúda que teria uns 4 ou 5 anos. primeiro pensamento: fónix, que até a miúda está em melhor forma que eu!!

segundo pensamento: the force is strong in this one, pais hikers e começar esta vida tão cedo.. faith in humanity.. restored

a descida de volta até à achada foi ainda mais espectacular, parecia que estávamos a caminhar sobre as nuvens. aliás, eu estava nas nuvens - assombrada com a paisagem, até me fazia doer a alma :'D 

Untitled

à vinda fomos pelo outro lado da ilha, em busca de estradas mais fofinhas.

HA HA HA HA HA HA...

NOT!

NOT.. NOT.. NOT.. NOT!

NOT.. NOT.. NOT.. NOT!

* be careful for what you wish for!!

a estrada entre s. jorge e s. vicente não é uma estrada, é uma montanha-russa infernal. nalgumas partes junto à costa, foi escavacada na falésia, tem largura para um carro e meio (se tanto), e "chove" água e pedras.. ai mãe, se me cruzo com uma camioneta da carreira aqui cai-me os tomates.. oh wait!

até me arrepiava só de pensar nas pessoas que são obrigadas a usá-la com frequência..  

mas o melhor ainda estava para vir.. HAHAHAHAH

túneis.. dos antigos!

passámos por dois, um dos quais tive que fazer marcha-atrás até a uma berma porque vinha um carro no sentido contrario e só passa um à vez. lá dentro chovia e não tinha iluminação *meeeeeedo* 

um pouco mais à frente, outro, ainda mais longo que o primeiro.. 

nesse tive a brilhante ideia de aceder os máximos para ver como era por dentro… parecia uma mina, em pedra viva!
tão a ver o puto do sozinho em casa a gritar? éramos nós os dois.

às tantas aquela provação de *apenas* 24km (FFFUUUUUU) acabou e regressámos aos túneis modernos (abençoados túneis) e às estradas largas e sem curvas. thank god!

foi sem duvida das estradas mais pavorosas onde já conduzi, testou-me os limites…

…e ao mesmo tempo, das mais belas por onde já passei. cada vez que circulávamos junto ao mar *sigh* parecia o cenário de um filme de fantasia tornado realidade: escarpas gigantescas, cobertas por vegetação densa, quedas de água por todo o lado, e a neblina da maresia a dar-lhe um toque místico.. man, roça o obsceno!

agora arrependo-me de não ter parado para tirar umas fotos de recuerdo, mas naquele momento só queria sair dali o mais rapidamente possível, para não ter nenhum stress com o carro :/

chegámos ao estreito por volta das oito e meia completamente derreados e esfomeados, e aterramos directamente em cima duma mesa no sto antónio, comer outra espetada, desta vez em pau de loureiro - bem boa!

milho frito é que.. thanks, but no thanks..

e ao terceiro dia já me sentia perfeitamente confortável (no shit!) a conduzir por ali, já tinha adoptado os maus hábitos e tudo lol \m/

Se ele não fosse assim… VIII

ontem fomos outra vez dar ao pedal. a dada altura, já quase a terminar a volta e todos estropiados (35km, not bad), chegámos a uma rotunda no porto de lisboa, que ao fim-de-semana está deserta, e o homem grita:

"FUCK DA POLICE"

e segue em frente. 

já eu, condicionada pelo hábito, tornei à direita. preparava-me para abrir a boca e dizer "quero ver se quando tirares a carta também vais em frente" quando nesse preciso momento ele arrepende-se e trava bruscamente... 

...com o travão errado!

pelo canto do olho vejo-o a mandar um salto de cima da bicicleta e a largá-la no meio do chão. por sorte não se magoou, mas mesmo que se tivesse magoado, eu já não conseguia parar de rir muahhahaha

7 de Abril de 2014, às 23:50link do post comentar ver comentários (1)

Madeira // dia 2

dia bonito, mesmo a pedir passeio. inauguramos as hostes em câmara de lobos e seguimos para oeste. a primeira paragem do dia foi logo ali no cabo girão - um dos principais pontos de atracção turística da ilha, mas que sem dúvida merece a visita.

os seus vertiginosos 580 metros de altura dão-nos uma vista incrível sobre a zona de câmara de lobos e funchal, e a plataforma com piso em vidro é tão assustadora como divertida. dá mesmo a sensação que estamos a andar no ar, os cámones tavam todos passados com aquilo hehehe

cabo girão

quem anda por aqui há algum tempo e conhece a minha pancada por falésias, já deve estar a imaginar que eu ali sentia-me como uma criancinha na noite de natal. confirmo :D

dali continuamos o passeio, por entre a via rápida e as estradas regionais, com passagem pela ribeira brava, ponta do sol, madalena do mar e calheta

a zona sul da ilha é um hino à exposição solar, desde que o sol nasce até que se põe. e os habitantes da ilha aproveitam muito bem essa característica, que aquelas encostas estão cheias de casas solarengas, com uma vista do caraças. que inveja!!

a paragem seguinte seria no farol da ponta do pargo. 

a ponta do pargo situa-se no extremo oeste da ilha e como tal, é visita obrigatória. especialmente o farol, que há mais de 90 anos avisa os marujos da proximidade de terra, do alto dos seus 312 metros - é o farol mais alto de portugal.

a imensidão do oceano, que no horizonte funde-se com o céu, dá aquele lugar uma atmosfera muito tranquila e pacifica, pelo menos em dias calmos como aquele que tivemos a sorte de apanhar. e a forma abrupta como a terra pintada de verde termina sobre a água, é poesia para os olhos. a beleza daquelas falésias é qualquer coisa..

ponta do pargo

algo interessante que reparei, é que a ponta parece separar às aguas do oceano, abrigando a parte sul da agitação a norte. adorei aquele sitio, suspiro só de me lembrar dele :)

also, foi ali que fizemos a primeira cache na madeira.


caching

 

o destino que se seguia era porto moniz. quando parámos no miradouro para apreciar a vista antes de descer à povoação, o carro tava a mandar um pivete a ferodo que doía.. pudera, a conduzir sempre em mudanças baixas, e a travar.. acho que nunca consegui a passar dos 50km/h naquela estrada, que tinha tantas curvas que não sei como não desatámos todos a vomitar lol

ainda por cima não havia no dashboard do carro um indicador de temperatura do motor, sempre andava mais descansada… ou então NÃO!!

cheguei a porto moniz toda amassada e já um bocado cansada de conduzir, apesar da distância percorrida não ter sido nada de especial.. mas ali iríamos parar, comer e andar um bocadinho. servia para renovar as forças para continuar o passeio.

porto moniz é uma pequena vila com muito bom aspecto. parece-me um excelente sítio para assentar arrais durante uns dias, a recarregar baterias.


piscinas naturais

 

as piscinas naturais convidam a ficar por ali umas horas, nem que seja pela beleza do cenário. não fomos ao banho, mas havia lá muito bife a marinar nas águas azuis do atlântico, protegidos das ondas pelas muralhas semi-naturais das piscinas.

ofereceu-nos também o primeiro sneak peek da imponente costa norte, que nos deixou ainda mais impacientes para conhecer o resto da ilha.

dali continuamos até s. vicente, felizmente por uma estrada *bem* melhor, e túneis.. tantos túneis.. abençoados túneis!

passámos pela serra d'agua, uma das zonas mais afectadas pelas enxurradas de há quatro anos atrás, mas a povoação pareceu-me recuperada da tragédia, pelo menos não vi sinais de destruição. andam por lá em obras pesadas, suponho que seja para evitar que volte a acontecer algo parecido.

nesse dia conduzi por um dos túneis que mais me tinha aguçado a curiosidade, quando andei a lamber o mapa da ilha, o túnel da encumeada. tem cerca de 3km de comprimento, e graças a ele, a ligação entre a zona norte e sul demora cerca de 20 minutos. MARAVILHA!! abençoados túneis :D

andei o dia todo em redor do paul da serra, um dos sítios que estava doidinha para conhecer. até me doía a alma com a vontade parva que tinha de subir até lá. mas ainda ia ter que esperar mais uns dias..

de regresso ao estreito já me sentia mais confortável naquelas estradas e já dominava o micra como se o conduzisse há anos. isto de me adaptar às coisas com facilidade às vezes dá um jeitaço do caraças \m/

I don't always write about bad movies, but when I do…

...é para cascar neles até me sentir vingada pelo tempo que perdi a vê-los, quando podia estar a fazer coisas bem mais interessantes, tipo lavar o chão com uma escova de dentes.

ontem à noite o homem achou que seria divertido ver um filme de sci-fi com um rating merdoso duvidoso no IMDB. ainda assim, dei-lhe o beneficio da dúvida, porque a) nem sempre concordo com os ratings do IMDB, especialmente em filmes do género; e b) um filme com will smith não pode ser assim *tão* mau como isso..

...yé, rite!

ainda nem a meio íamos e eu só já desejava que o monstro comesse a personagem principal para ver se o filme acabava.. WHAT A LOAD OF CRAP!!

é o primeiro filme que vejo em muitos anos, capaz de rivalizar com o battlefield earth. é mau nas horas.

a começar logo pelo titulo, after earth. tão regressa-se à terra pela primeira vez em 1000 anos de ausência forçada, com uma atitude "tanto se me dá, como se me deu"? é o planeta que serviu de berço à humanidade, for chrissake.. é um facto que merecia uns minutos de atenção, de nostalgia, de emoção, ou até mesmo uma homenagem.. qualquer coisa que não fosse indiferença, para isso tinham-se despenhado num calhau qualquer perdido no espaço que ia dar ao mesmo :P

o argumento é do piorio. fraco, previsível, e cheio de inconsistências.. nem vale a pena pegar nos plot holes, que a lista é interminável e não quero morrer de tédio a enumerá-los.. já me bastou o tédio que foi vê-los.


o will smith passou o filme todo encostado a um canto, com o mínimo de interacção possível na história.. claramente os holofotes estavam direccionados para o filho e nada podia interferir.


e não ficou só encostado, como fez um esforço sobre-humano para ser enfadonho, desinteressante, e monótono - sem dúvida alguma, a prestação mais desenxabida do currículo dele até hoje :P


no fundo até é fácil perceber porque é que a acção é totalmente centrada no puto. é um truque cinematográfico, tal como o dos espelhos :D o will e a jada estão perfeitamente conscientes que o filhote tem tanto jeito para representar como uma batata e que se tivesse que partilhar o ecrã com outro actor qualquer, mesmo que fosse a kristen stewart, a sua presença seria vaporizada instantaneamente. 


é mauzinho mesmo.. desajeitado, sem credibilidade, sem expressão nenhuma e incapaz de criar empatia no espectador. passou o tempo todo com cara de quem está à rasca pa cagar e não consegue, porque está no mato e não tem papel higiénico à mão (bastava arrancar um pedaço da nave, btw..) nem a dicção escapa, é doloroso ouvir o puto a falar..


não lhe paguem umas liçõezinhas de representação que não é preciso..


a única "personagem" no filme que foi capaz de arrancar-nos alguma emoção, foi um condor ao morrer… e era CGI! acho que isto resume tudo.


sinto que se tivesse ficado a mesma hora e meia a olhar para uma parede vazia, seria tempo melhor empregue :P 

Madeira // dia 1

domingo. o dia começou bem cedo.. à meia-noite! 

entre deixar a casa arrumada e os preparativos finais para as férias (porque como pessoas espertas que somos, deixamos sempre o mais importante para a última da hora, claro), só por volta das 4 da manhã é que disse olá à almofada e encostei-me durante uns minutinhos. não cheguei a adormecer - e ainda bem, que o cabrão do alarme do telemóvel não tocou. tinha sido giro.. NOT!

mais giro ainda era viajar com uma directa em cima - eu, que não funciono sem pelo menos meia dúzia de horas de sono seguidas..

às 6h da manhã estávamos no aeroporto, na fila para o scanner. por essa altura, o homem foi subitamente acometido de um ataque de caganeira tal que até saltava, desesperado com a lentidão dos seguranças e da malta que estava à nossa frente. eu ria-me.. a sina deste gajo :D

às 6h58 as portas do avião estavam fechadas e o bixo estava prestes a fazer-se à pista. aaaah, a pontualidade britânica.

entretanto.. sabes que estás num avião cheio de tugas quando ouves piadolas do género:

- lembra-te, oh nelito, se te sentires mal, podes abrir a janela!
- (ouve-se o "serrote" vindo do fundo do avião) tão.. não consegue engatar a primeira?

isso e o aplauso depois da aterragem, que também não faltou.

gosto muito de voar mas o meu corpo não partilha a mesma opinião.. desta vez até de estômago vazio fui, mas pelos vistos não serve de muito, fico sempre com as entranhas todas num reboliço desgraçado..

por volta as 9 da manhã, o apresentador da BBC o comandante do avião informa que vamos começar a descer dali a uns minutos. não sei como é que o sacana fez aquilo, que os meus ouvidos taparam de tal forma que parecia que estava debaixo de água. não ouvia nada a não ser estática e doíam-me! nenhum dos truques para aliviar a pressão funcionava.. nunca me tinha acontecido tal coisa e já andei umas quantas vezes de avião :/

(e só destaparam totalmente umas valentes horas depois, PQP)

o dia estava lindíssimo e as primeiras vistas panorâmicas deixaram-nos logo impacientes para conhecer a ilha de uma ponta à outra, mas com a esperteza da directa, ia ser complicado começar logo naquele dia..

já com os pés bem assentes em terra, venha daí o meu pópózito - UM MICRA! tá visto que estou condenada a conduzir nissans até ao último dos meus dias :D (espero sinceramente que um deles seja um GT-R! humpf) e bora lá que se faz tarde!

mal entrei na via rápida em direcção a câmara de lobos, e no processo de adaptar-me ao carro - mudanças, travões, luzes e tal, tive um logo cheirinho de como se conduzia por aquelas paragens.. *medo* ia ter que ter muita atenção.. muita mesmo, até porque a rent-a-car tinha acabado de me caçar 800€ no cartão de crédito da franquia para danos em caso de acidente :P

e logo de seguida, no desvio que fiz para o estreito, surge a primeira amostra das estradas que me esperavam nos próximos dias: estreitas, aos ziguezagues, com um declive insano, sem passeio para peões, carros estacionados a ocupar uma das faixas, e condutores afoitos em ambos os sentidos.. ZOMG, ondé que raio estava eu metida??

"EU NÃO QUERO FAZER ESTA ESTRADA DUAS VEZES AO DIA!!" gritava a cada 20 metros, ou então quando me cruzava com outro carro, ou então um autocarro da carreira, ou então quando tinha que fazer uma curva apertada com visibilidade nula…DAMN!!

ai mãezinha, vou-me tão f*der neste sítio… vai ser preciso um milagre para chegar a sábado sem uma mossa no carro..

(felizmente descobri um acesso *bem* mais simpático para o estreito e não voltei a passar por aquela estrada, yay)

depois de muitas voltas e reviravoltas, sem ajuda nenhuma do FdP do gps, que não tinha os nomes das ruas daquele sítio, fomos finalmente resgatados pela cunhada, que veio a pé ter connosco.. conclusão: já tínhamos passado à porta da casa dela e inclusive estivemos parados lá perto durante montes de tempo, feitos bois a olhar pró mapa à procura da rua.. quando ESTÁVAMOS NELA!! cum caneco..

ao almoço demos-lhe logo nas espetadas, no vides. duas, uma de vaca e outra de frango, bolo do caco com manteiga de alho (delicioso!!), milho frito, salada, e batata-frita para acompanhar.. naice, very naice. e muito em conta, imo!

depois de um breve, mas cansativo passeio para ajudar a desmoer o repasto, tive que ir dormir a sesta.. tava acordada há mais de 24 horas e já custava a funcionar, ainda caía pró lado no meio da rua lol


mais tarde fomos a sto. antónio ao centro comercial, fazer compras pá semana e aproveitar para trazer algo que havia ficado completamente esquecido: um carregador de isqueiro para o carro, que é tipo, obrigatório para quando se usa um telemóvel como gps.. com que então, tudo planeado ao milímetro, hem!

e assim se passou o primeiro dia na ilha :)

2 de Abril de 2014, às 22:59link do post comentar(1)

Lost in… Madeira!

estava tudo encaminhado para que as férias da primavera fossem passadas entre a peneda e o gerês - matar saudades dos nossos locais favoritos, conhecer outros, e tratar dos "assuntos pendentes" que vão acumulando a casa visita..

..até que no fim de janeiro, recebemos a notícia de que a cunhada tinha sido colocada numa escola no estreito da câmara de lobos... mudança de planos: siga conhecer a madeira!!

a madeira é um daqueles destinos que nunca ninguém me disse que "tens que ir lá, que aquilo é fantástico".. para falar a verdade nunca ouvi falar grande coisa sobre as características daquele pedacito de portugal, plantado no meio do atlântico, e o que ouvia não era suficiente para me despertar a curiosidade (shame on me, i know, i know).. mas com alojamento à borla e voos em conta graças à easyjet, éramos parvos em não aproveitar a oportunidade. 

tão de modo fazer render ao máximo a nossa visita de seis dias, em vez de irmos às cegas como de costume, decidi fazer o trabalho de casa. vasculhei fotos, guias, foruns, blogs, etc, o que resultou numa checklist com vinte e cinco items, entre pontos de interesse, percursos, gastronomia, etc, tudo que não devia podia perder.

para além dessa lista, elaborei ainda outra, com o material a levar e tarefas que tinham que ser feitas até à partida, tudo planeado ao milímetro para que nada falhasse, nem parecia coisa minha lol

comprámos os bilhetes de avião com 3 semanas de antecedência, algo que detesto fazer porque tenho sempre receio que aconteça alguma coisa à última da hora que me impeça de viajar e depois é dinheiro deitado à rua, mas o preço era demasiado bom para deixar passar.

quisemos também aproveitar a parceria da easyjet com a europcar, que permitia alugar carro por um valor bastante em conta.. mas as regras parvas deles obrigaram-nos a cancelar a reserva e procurar uma rent-a-car que fosse menos picuinhas. 

 

mal assentámos o coiro no chão, não sei se foi por ter os ouvidos completamente tapados pela pressão (tal não foi a bruteza da descida), ou se foi por estar a 1000km de distância da rotina, ou se foi da paisagem que vi da janela do avião, desliguei-me. não queria saber de mais nada, apenas daquele lugar :D

 

andámos (de carro lol) que nos fartámos, subimos aos picos mais altos, descemos aos vales mais baixos, arrastámos o cú por canais de lava de um vulcão extinto, tirámos centenas de fotos (não conseguia tirar o dedo de cima do disparador da máquina, parecia que estava colado com super cola 3), cachámos, ficámos deslumbrados, arrebatados, emocionados, e inspirados pela beleza natural daquela ilha.

 

apesar de ainda ter ficado tanto, mas TANTO para ver e fazer (acabei por chegar à conclusão que tinha feito uma lista demasiado ambiciosa para apenas uma semana), o saldo final foi bastante positivo. esta viagem acabou por servir o propósito de fazer a volta de reconhecimento à ilha, e a próxima será certamente para palmilhar aquilo a pé. é um sacrilégio não caminhar por aquelas veredas, levadas e trilhos...

 

srly, quem diz que a madeira se vê em 3 ou 4 dias está redondamente enganado!

Na semana passada aprendemos que...

- a geografia da madeira é avassaladora;
- o pessoal constrói casas, estradas e miradouros nos sítios mais incríveis que se possa imaginar, e cultiva-se nas encostas até aos limites do possível;

- conduzir na madeira não é para meninos;

- a madeira é uma montanha-russa gigante;
- o preço da gasosa é igual em toda à ilha;

- os túneis rodoviários são qualquer coisa de espectacular, sejam os modernos ou os antigos;

- come-se bem e barato na madeira;
- as "meias de leite" são "chinesas";

- na madeira há lagartixas em vez de pombos;

- tudo fica melhor no bolo do caco;

- apesar dos extensos campos de bananeiras, é quase impossível encontrar à venda bananas da madeira maduras;

- as batatas doces da madeira não são amarelas como as de aljezur mas são tão ou mais doces;

- todà comida confeccionada na madeira leva alho.. melhor, todo o alho confeccionado na madeira traz comida a acompanhar :D

- a poncha potente é na serra d'àgua.. also, a de maracujá é mais gulosa que a tradicional;

- os tugas não gostam de montanhas;

- continuamos em péssima forma física.. ou então aquelas montanhas são de facto, agressivas;

- a ilha pode não ser muito grande mas tem duas zonas completamente distintas, sul e norte;
- e que pode estar um dia radioso de primavera a sul e um temporal medonho a norte;

- o tempo vira com uma facilidade assustadora;

- no curral das freiras, um dos pontos de atracção turística mais famosos, não existe nada para ver ou fazer.. nem curral, nem freiras (a não ser uma de cartão para enfiar a cabeça prá fotografia).. mas sempre se pode admirar a paisagem enquanto se come umas broas de castanha;

- o pessoal esmera-se no que toca a manter a ilha limpa e muito bem cuidada (fiquei realmente impressionada com este aspecto);

- a ilha está muito bem adaptada ao turismo, e a baixa do funchal tem tantos estrangeiros por m2 como uma qualquer cidade algarvia costeira;

- a madeira tem das paisagens mais bonitas de portugal;

 

portanto, nos próximos tempos vão levar com madeira aqui no blog até a vomitarem pelos olhos, porque eu fiquei completamente rendida a esta ilha maravilhosa e os seis dias que lá estive vão ter que ser todos muito bem documentadinhos \m/

30 de Março de 2014, às 17:35link do post comentar

Pancas da serigata III

se a primeira era a mais curiosa e a segunda a mais antiga, esta é a pancada que deixou de ser pancada.

quando a sôdona macaca veio cá para casa, apercebi-me que era capaz de ser desconfortável para o bichito, coitadito tão piqueno e frágil, comer agachado no frio chão de mosaico. então comprei um tapete para botar por baixo do prato dela. tempos depois, comecei a reparar que andava sempre a tirar o tapete de cima do prato.. ca raio..?

apercebi-me nos entretantos, que sempre que ia comer, a rapariga terminava o repasto com o mesmo gesto que usa para enterrar as poias na caixa de areia, e comecei a pensar se aquilo não seria alguma mensagem que ela estaria a tentar passar, ao tapar o prato..

fiquei indignada. atão quer dizer, essa ração que me custa os olhos da cara é para ti, o mesmo que merda. ok, mensagem recebida. não gostas disso e eu até consigo perceber porquê, mas esquisita como és, tás tramada, que não sei que mais te dê para comer :/

e os meses passaram e ela sem perder o hábito.. até que há umas noites atrás vi um documentário sobre gatos que dismistificou completamente esta pancada: é instinto! quando lhes sobra comida, os felinos tentam escondê-la para que os outros que andem nas redondezas não lhes venham fanar o pitéu..

AHHHHHHHHHHHHHHHHHH tão é por isso que a sacana da gata quando acaba de comer e deixa comida na taça (que é, tipo, sempre!), mete-lhe o tapete em cima!

opá, e eu a mandar vir com o bixo este tempo todo, por achar que ela andava a praticar terrorismo psicológico com os donos... sim senhora!

23 de Março de 2014, às 00:54link do post comentar ver comentários (1)

Qual Nokia 3310 qual carapuça...

o verdadeiro telemóvel indestrutível é o iphone 3G!

uma hora às voltas dentro da máquina de lavar roupa, juntamente com calças de ganga e casacos, detergente, amaciador... SOBREVIVEU!

...o universo não quer mesmo que o meu homem compre um tlm novo :P

 

fica a dica, quando meterem o vosso telefone a lavar ou deixarem-no cair acidentalmente dentro da sanita ou da banheira, o truque é enfia-lo num saco de arroz durante um dia ou dois \m/

21 de Março de 2014, às 00:16link do post comentar ver comentários (6)

Olha outro fim-de-semana!

vá, só mais este :D

 

no sábado madrugámos (leia-se, acordamos às sete e meia), aviámos o farnel, pegámos na tralha de caminhada e fizemo-nos à estrada. 

 

o destino do dia era sesimbra, e o objectivo, ir conhecer o centro de cabos submarinos. ÒZANOS que queria visitar aquilo.. òzanos.. nunca se tinha proporcionado, até que há uns dias atrás, atravessou-se-me no caminho uma oportunidade para tal. não escapou!

 

acontece que tenho assim uma pequenina pancada por essa história dos cabos submarinos. a ideia de que os oceanos e mares são atravessados por milhares de quilómetros de cabos, que transportam quantidades obscenas de dados à velocidade da luz, ligando (quase) todos os continentes entre si, fascina-me de sobremaneira.

ainda mais incrível é a tecnologia que suporta aqueles cabos.. máquinas, computadores, e km e km de fiarada, a processar e encaminhar dados non stop pelos quatro cantos do mundo. foi um privilegio ter estado naquelas instalações, que são a nossa principal porta de entrada do tráfego internacional de internet e telefone. 

 

o homem já lá tinha estado, numa visita de estudo escolar, mas já nada estava como ele se lembrava. depois apercebeu-se que já tinham passado 20 anos e até lhe apareceu uma ruga nova na testa :D

 

terminada a visita, estava na hora de ir atacar a serra. estavam três opções em cima da mesa: uma caminhada de 18km pelo cabo espichel; uma caminhada de 12km pela serra do risco ou um powertrail  de 5km com 12 caches, por uma parte da serra que ainda não conhecíamos. ganhou a última opção.

 

que passeio brutal rendeu aquele curto powertrail. metade do caminho junto à falésia, e a outra metade mais para dentro, pelo matagal, mas sempre com o mar à vista. adoro, adoro, adoro!!

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e quero lá voltar antes de verão começar, para tratar dos dois que ficaram por fazer, apesar de já conhecer grande parte deles.

 

a única coisa chata do dia foi uma dor de cabeça que me apareceu logo de manhã, e que foi aumentando de intensidade ao longo do dia. o sol e a claridade do dia não ajudaram nada e quando cheguei a casa, já não via nada pela frente. não me dava uma destas há bastante tempo.. fónix..

 

atirei-me para cima do sofá, pedi uma toalha molhada ao homem para por na testa e arrochei durante umas horas. quando acordei o pior já tinha passado mas mesmo assim ainda me chateou o resto da noite. 

 

no domingo acordei um bocado zonza mas depois do pequeno-almoço a coisa compôs-se. mais tarde, e com o dia a pedir isso mesmo, resolvemos tirar as biclas do mofo e fomos dar ao pedal pelo quintal.

 

e pedalámos que nós fartámos - saímos de casa às três da tarde e regressámos às oito, completamente esfalfados. doía-me tudo e mais alguma coisa lol (segundo as contas do homem, andámos cerca de 19km, entre voltas e voltinhas). e mesmo assim, ainda arranjei força (e coragem) para me meter com limpezas..

 

a noite terminou comigo a dar a sentença de morte ao iphone 3G do marido. pedi-lhe roupa para lavar e não me apercebi que trazia "brinde" num dos bolsos. eu bem que tinha o feeling que ia haver água envolvida no falecimento do iphone.. só não foi o meu, nem aconteceu numa sanita LOL

 

fui-me deitar cheia de dores nos joelhos e hoje acordei toda entrevada.. a idade é uma coisa tramada :/

 

meanwhile, atingimos a meta das 200 caches. já nos tínhamos deixado esta vida, mas recentemente voltou, com o propósito inicial: servir de cenoura para tirar o cú de casa e meter-nos a andar.. não estou particularmente agradada com o cenário actual do geocaching, existem demasiadas caches e a grande maioria sem propósito nem brio na sua elaboração, parece que servem apenas para os números.. mas não vou gastar energia com o assunto, é uma causa perdida (e foi precisamente isso que provocou o nosso afastamento da actividade há uns anos atrás) :P

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mirc.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e yada yada, yada... é ler o blog ;)

101 coisas em 1001 dias - parte III

faltam 28% done

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 15 de janeiro, no longínquo ano de 2003.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora.
a versão actual levou tempo a cozinhar mas ficou awesome toda cheia de modernices: web fonts, svgs, media queries, e css3. aviso já que os browsers antigos não vão achar piada nenhuma :D

para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores: #10 #9 #8 #6 #5