Trás-os-Montes e Alto Douro // a desforra

no terceiro e último dia de passeio, acordamos como suposto no coração de trás-os-montes, em mirandela.

o que não era suposto foi no dia anterior termos regressado de espanha tão tarde, e o abel não servir jantares aos domingos. e como eu queria *mesmo* ir à posta, tinha que ser à hora de almoço, porque à de jantar contava já ir a meio do caminho de casa.. algo que iria alterar drasticamente o roteiro daquele dia. mas quanto a isso, vacinada já eu estou lol

depois de umas passeatas pelo centro de mirandela, onde ficamos deslumbrados com a serenidade do tua,

 

estava na altura de nos fazermos ao asfalto, ver o que ficou para trás na aventura anterior.

passámos por macedo de cavaleiros, e depois continuamos pela parte rural até à barragem do azibo, para semi-circular a zona. a albufeira do azibo é um sitio porreiro para se passar umas horas. tem praias fluviais, equipamentos aquáticos para alugar, percursos pedestres, etc. percebe-se porque estava tão concorrida naquela bonito dia de primavera.


dali seguimos pela A4 a todo o vapor, lançados a gimonde. chegamos lá por volta da uma e meia e não foi bonito.. estavam mais de 50 pessoas à nossa frente, e já não estavam a aceitar reservas.. é caso para dizer, que nem à terceira foi de vez :P

já que ali estávamos, aproveitamos para dar umas voltas pela aldeia,

 

e depois fui desmistificar os pombais, naquela zona existem bastantes. a maioria estão em terrenos privados, pelo que não me consegui chegar perto de um dos recuperados. mas fiquei satisfeita por ter-me aproximado de um sem ter levado com chumbo no lombo, por invasão de propriedade muhahaha



seguia-se valpaços. provavelmente devido ao feriado, estava completamente deserto. também suspeito que estivesse muita gente em casa, ou espalhados pelas praias fluviais das redondezas, para fugir ao calor. btw, fiquei algum tempo a olhar para este monumento, a tentar perceber se era mesmo assim, ou se estava vandalizado. ri-me um bocado, não se chateiam comigo, valpacenses, não foi por querer :)



terminada a volta por valpaços fiquei indecisa se havia de ir para chaves ou vila real. como já conhecia chaves, meti-nos a caminho de vila real, já orientados para casa.

...e tá visto que ainda não terminamos os nossos assuntos por esta bela região. mental note: visitar trás-os-montes em finais de abril / maio é mais interessante que março. o tempo está mais quente, e as árvores estão começam a ganhar copa, a paisagem está ainda mais bonita!

Se ele não fosse assim… XVII

"o que é que aconteceu práqui no teu roupeiro? parece o armageddon..."

it's funny 'cause it's true :D

22 de Maio de 2016, às 01:28link do post comentar

Saltos y Zamora

a primavera decidiu colaborar e deu de bandeja um dia impecável para passear. a primeira paragem do dia foi muito rápida, em ledesma, para apreciar mais contrastes.



sítio pacato este, no meio do nada. não subimos até à vila porque havia muitos kms pela frente. também é aqui que o tormes começa discretamente a ficar cada vez mais largo, sinal estamos perto da almendra.

a paisagem que se ia desenrolando à frente do nosso nariz era muito familiar, a fazer lembrar as margens do alqueva.



e por falar em paisagens familiares, eis que entrámos em território já conhecido, e sabia exactamente por onde tinha que seguir.

a estrada que sobe ao miradouro da iberdrola é assim a modos que imprópria para cardíacos.. em mau estado, inclinada, com curvas ultra-apertadas, e tão estreita que só passa um carro à vez. temos que ir atentos a duas coisas, se vêem carros na direcção oposta, e onde é que conseguimos parar o nosso em segurança para deixar outro passar. mas nem tudo é mau, pelo menos tem protecções laterais!

quando cheguei ao miradouro, e vi aquela brutalidade em toda a sua graça, só não desatei ao pontapé e chapada comigo própria por não ter ido ali porque.. bom.. estava ali :D



e por termos apanhado uma altura de chuvas, tinha as goelas bem abertas. o spray provocado pela força da descarga de água chegava até cá acima.

de todas as paisagens que vi do douro, nacional e internacional, esta foi a que mais me impressionou. uma majestosa ravina, tão imensa que não cabe nos olhos. faz-nos sentir minúsculos perante a dimensão da natureza.



à vinda, desafiamos um sinal de trânsito e entrámos numa estrada proibida. i regret nothing! se não, tinha perdido isto:



ainda passamos pela povoação que foi erguida para acomodar os trabalhadores durante a construção da barragem. está praticamente deserta e não se percebe porquê, aquilo dava uma estância de férias à maneira.

depois de uma breve paragem para pinchar numa tasca que estava a abarrotar, seguiu-se o outro assunto inacabado: passar pela barragem de almendra. não aconteceu na visita anterior por uma falha de comunicação. o homem não se apercebeu que eu queria passar pela barragem, e eu não reparei a tempo que se calhar não devia ter ido pela esquerda como o GPS estava a mandar, mas sim pela direita. quando dei por mim estava no fundo do leito do tormes e não me apetecia *nada* voltar para trás..

diz que este colosso é uma das maiores obras de engenharia espanholas. não só pela altura e comprimento da barragem em si, 202 e 567 metros respectivamente, como pela quantidade de água que retém no lago artificial. não é tão grande como o do alqueva, mas não deixa de impressionar.



mas a maior particularidade desta barragem hidroeléctrica não são as suas dimensões ou a elegância da sua construção, mas sim, estar descentralizada. existe um túnel com 7,5 metros de diâmetro escavado na rocha, que transporta a água desde o reservatório até à central, situada a cerca de 15km dali, nas profundezas do planalto. 

na central de villarino, por baixo do parque de alta tensão, a água cai 400 metros a pique, gerando o dobro da energia que conseguia se a central estivesse junto à barragem. depois segue para o douro, logo ali ao lado.
e se isto não fosse engenhoso o suficiente, ainda tem a capacidade de quando não está a produzir energia, poder reverter o funcionamento das bombas e sugar água da barragem de aldeadávila, (aka, do rio douro) de volta para o reservatório.

a sério que pagava para ter uma visita guiada às entranhas desta central..



ao consultar o mapa para ver que caminho havíamos de tomar de volta à pátria, diz o homem:

"não acredito que estamos tão perto de zamora e não vamos lá..."

oh amigo, não seja por isso!

...e foi assim que ficamos também a conhecer zamora :D

tal como salamanca, zamora é uma cidade muito antiga, e partilha semelhanças geográficas e históricas. plana e banhada por um rio (o douro), e tem uma bonita ponte romana e uma vasta colecção de monumentos antigos preservados, que pode não ser tão impressionante como a de salamanca, mas é igualmente interessante.

no entanto é mais pequena, tem menos de metade dos habitantes, e menos turistas ainda. o que significa que é bastante mais calma e desafogada. e tem é uma exposição solar e uma luminosidade incríveis.



depois de visitar o castelo, demos um longo e agradável passeio junto ao rio, que se não estivesse tão agitado, seria um autêntico espelho.

de seguida subimos para o centro histórico e foi ali que notei as principais diferenças entre salamanca. as fachadas das casas e arquitectura dos edifícios públicos não é tão homogénea, existe muita mistura de estilos. e por alguma razão, o comercio parece estar em crise. muita loja fechada, ou em liquidação total para encerrar. tive pena deste detalhe.



oito e meia, era tempo de terminar a visita e regressar à estrada. 

entrámos em portugal e fomos directos a gimonde, já a salivar só de pensar na posta do abel. e sabem que mais? pumba, nariz na porta!

oh well, amanhã também é dia.. a parte chata? ter reservado alojamento bastante longe dali, em mirandela. qualquer dia desisto de fazer planos e vou ao sabor do momento.. tínhamos pernoitado em brangança e no dia seguinte seria mais fácil tratar deste assunto.

outra parte muito chata de tentar jantar num sítio relativamente pequeno num domingo à noite (na véspera de um feriado), já não muito cedo: todos os restaurantes que tínhamos assinalados estavam fechados. não foi fixe.

álbum completo aqui

Vai ser giro, vai!

este ano decidi que não ia stressar pelo facto de não conseguir encontrar t-shirts nerds de jeito para gaja.

este ano decidi que durante o verão, vou dar numa de hipster hobo chic!

(seja lá o que isso for)

conto dar bom uso à colecção de jeans esfrangalhados que tenho, que assim de repente, já são mais que os "intactos" (sou fã, nadàfazer!). e tenho andado no processo de adquirir tops a condizer, largueirões e com cortes desajeitados. e acho piada àquela moda das saias-lápis compridas com ténis, apesar da elevada probabilidade de tal coisa assentar-me horrivelmente mal. se calhar até já ganhava juízo.. só que não!

(não há esperança para a minha pessoa muhahahah)

Isa (não) vai ao ginásio

receita para o desastre em 3 actos:

acto 1

estão a ver aquele conselho que nunca falha em qualquer artigo que fale sobre ginásios, de escolher um clube perto de casa ou do trabalho? não pode ser mais acertado. aliás, quem escreve esses artigos podia resumir a palha toda numa só frase:

"se te inscreveres num ginásio que fique longe de casa ou do trabalho, não vais aguentar lá muito tempo!"

é capaz de ser o motivo para 90% dos falhanços. em abril apenas consegui calçar lá três vezes. como as perspectivas em conseguir manter o ritmo das 3x por semana estavam cada vez mais distantes, atirei a toalha ao chão e cliquei no botão de cancelar a adesão, com muita pena minha..


acto 2


escolher um ginásio perto de casa, mas que fecha uma hora mais cedo que o anterior. só que afinar rotinas leva tempo, e já vamos a meio do mês e raramente consigo chegar a casa antes das oito da noite, para fazer hora e meia de malhanço. fazer em casa, tá quieto. não funciona comigo mesmo.


acto 3

trabalhar numa zona pejada de pastelarias deliciosas e não conseguir resistir-lhes... isso e lembrar-me de ir lanchar às seis da tarde... nada fixe...

esperando que isto não demore a atinar novamente :P

18 de Maio de 2016, às 23:48link do post comentar ver comentários (7)

First world problems... IX

ando com os neurónios todos às cabeçadas uns com os outros. a culpa é das ferramentas de trabalho que uso diariamente:

sketch, slack, sourcetree, sublime

passo o dia a usá-las alternadamente, às tantas começo a meter os pés pelas mãos e já não sei qual das ésse-o-quê é que tenho que pegar a seguir. vá lá que não uso o safari nem o spotify.. ainda me dava uma coisa má!

vinte e seis letras no alfabeto, haviam de teimar com o raio do ésse..

13 de Maio de 2016, às 00:00link do post comentar ver comentários (1)

Lost in... Salamanca

a primeira coisa que fizemos ao regressar de trás-os-montes foi descarregar o trilho do GPS. fiquei desgostosa com aquele vazio ao centro. e estava desgostosa por falhar coisas básicas, como o abel e os pombais. e porque em espanha não deixei um assunto inacabado, mas sim dois..

ora o homem, que não me pode ver a remoer, começou a traçar um plano hipotético por cima do mapa.

"tens bom remédio. da próxima vez, pegas na gente e vais directa para espanha. passamos a noite algures por aqui, e no dia seguinte voltas para portugal sempre junto à barragem e vês aquilo TUDO!"

como havia fim-de-semana comprido no horizonte, eu respondi abrindo o google maps, o booking, e o tripadvisor. e foi assim que 24 horas depois do regresso, ficou logo decidida, escolhida, e marcada a desforra. com o bónus de ir conhecer uma cidade que desde há uns anos que me aguçava a curiosidade.

abril foi um reboliço tão grande que não consegui planear praticamente nada para a viagem. a sorte foi que estava marcada com um mês de antecedência, se não, acho que acabaria por nem acontecer. é um truque interessante para meter em prática.

na sexta à noite enfiamos umas tretas para dentro dum saco, e no sábado ao fim da manhã ala que se faz tarde. depois de quatro horas sem tirar o pé do acelerador, salamanca surgia finalmente no campo de visão.

há uma coisa que costumo dizer e garanto que não é mentira: não sou fã de cidades. gosto de aldeias e vilas. cidades, especialmente as movimentadas, fazem-me confusão em vários níveis.. mas existem cidades que me mandam ao tapete. aquela foi uma delas.

para começar, a localização. ao sair de portugal, pela zona montanhosa da serra da estrela, entrei num planalto magnifico, a fazer lembrar o alentejo. uma hora de condução praticamente a direito, com a vista totalmente desafogada em pano de fundo, e uma tranquilidade deliciosa. verde, e verde, e mais verde, aves de rapina a perscrutar os campos lá no alto, gado na descontra pelos imensos pastos. a cidade surgiu no meio daquele plano como um oásis no deserto.

orientei-me pelas cúpulas da catedral para ir directa ao centro. enquanto procurava um sítio onde enfiar o carro, tive o primeiro vislumbre daquilo que me esperava, e começou a baixar ali uma sensação de assombro. carro estacionado, toca a dar corda aos sapatos.

perdi-me nos contrastes.

o coração de salamanca transpira história, quase sentimos o tempo a recuar até às suas remotas origens... a quantidade quase obscena de monumentos impecavelmente conservados, convive paredes meias com edifícios mais modernos, mas que nem por isso destoam. é que para além do notável esforço em manter o estilo pitoresco, e preservar o encanto romântico das fachadas, existe um elemento-chave que liga aquele cenário todo - a cor dourada da pedra utilizada nas construções.

não só ofusca as diferenças entre os edifícios antigos e os novos, como por ser uma cor quente, transmite uma sensação invulgarmente acolhedora. apetece mesmo perder-nos por aquelas ruas e ruelas todas, e não é apenas pela beleza dos edifícios.

la clerecía y conchascatedralplaza de anayapalacio de la salina

alguns detalhes surpreendentes: não há cá painéis a descaracterizar as fachadas, os letreiros são escritos a tinha vermelha na pedra; as placas dos números de polícia serem idênticas em todo o centro; e a decoração dos suportes das caleiras.

pode ser uma cidade muito antiga, esforçar-se por manter um ar quase medieval, mas não tem um feel antigo. a razão é simples: sendo um enorme polo universitário, está tomada de assalto por milhares de estudantes. há gente jovem por onde quer que se aponte os olhos, a curtir a cidade nos tempos livres. a juntar às hordas de turistas, é uma mistura que resulta num ambiente muito animado e descontraído.

puente romanoUntitledhuerto de calixto y melibea

durante a tarde, à medida que as nuvens cinzentas se iam afastando, as ruas iam enchendo cada vez mais. nas zonas mais concorridas chegava a ser difícil andar sem andar a encalhar em alguém. ainda assim, a cidade permanecia limpa, e não havia qualquer vestígio de insegurança.

rúa mayor plaza mayorbeer o'clock

andamos, andamos, e andamos. tentando evitar ao máximo passar duas vezes no mesmo sítio. a cada passo que dava, a cada esquina que contornava, abria-se um mundo novo. sempre com qualquer coisa de fantástico para admirar. duas coisas que eu não conseguia fazer: tirar os olhos de cima e o queixo de baixo. três, se juntar o facto de não conseguir tirar o dedo de cima do disparador da máquina.. de fazer um turista japonês corar de vergonha LOL

para lá do passeo de san vicente e da gran vía, surgia uma cidade absolutamente normal, com outro tipo de movimento, trânsito, e muito menos concorrida pelos turistas.

só paramos quase às oito e meia, e foi porque tínhamos uma reserva num restaurante longe do centro.

uma coisa que aprendi neste salto a espanha, janta-se tarde por lá. quando fiz a reserva, não me ocorreu que às oito e meia, o sol ainda vai alto e era capaz de ser cedo para cenar. parece que só lá prás dez é que eles começam a pensar no assunto. also, explica porque é que há uns anos atrás, a minha reserva no restaurante em madrid ficou sem problemas para as dez e meia, e às onze ainda havia gente à espera de mesa. hum.. agora por isso, será que fui espanhola na minha vida anterior? é que o meu ritmo circadiano está muito melhor ajustado aos horários deles que aos nossos :D

cala fornells paella

do restaurante fomos directos para o hotel, comigo a lamuriar por não ir dar umas voltinhas noturnas pela cidade. mas estávamos cansados, e o dia seguinte ia ser igualmente cansativo. era melhor não arriscar, que uma pessoa já não vai para nova.

claro que passei as duas horas seguintes a engendrar um regresso mais demorado. e depois voltei a atenção para a tv, que estava a passar o alien (o manhoso) dobrado em espanhol muhahaha

álbum completo aqui

 

seguir para a segunda parte >

A última vez

eram quase seis da manhã, eu só já queria aterrar no vale dos lençóis, para encostar a cabeça numa almofada um par de horas antes de ter que me fazer à vida novamente. àquela hora nem pensar que ainda ia esperar por um autocarro, daí que tomamos um táxi, numa zona de bares, que fica de caminho.

o taxista estava muito animado, e não deve ter percebido pela nossa cara que não tínhamos acabado de sair de um bar já valentemente tocados, mas sim de um dia de trabalho que já durava há quase 20 horas. na rádio passava kizomba em altos berros, e mesmo com as nossas cabeças a pender pro lado, ele não. se. calava. com conversa de circunstância. 

por cortesia, não nos manifestamos, provavelmente até ele estaria farto do dia da noite de trabalho e aquilo servia-lhe de escape. o nosso silêncio deveria ser suficiente para dar a dica, só que não... entretanto, a rádio interrompeu a música para passar uma rubrica humorística qualquer. o fulano aumentou ainda mais o volume, e ria-se alarvemente das parvoíces que as colunas do carro iam grunhindo, num ruído quase ensurdecedor para os meus ouvidos já sensíveis ao som. cada km que passava pela janela, tinha um sabor a conquista.

na manhã seguinte instalei uma certa app. temos pena, meus amigos.

Tenho uma cena com Nissans

a sério que tenho.. não é perseguição, é facto mesmo! não basta o meu primeiro carro ter sido um nissan, o terceiro ser um nissan, como sempre, sempre que alugo um, calha-me nissan.

hoje o autocarro nunca mais aparecia, decidimos que era uma boa ocasião para experimentar aquele serviço concorrente que os taxistas adoram (not!). e que carro é que nos calhou?

ah poizé!

e foi da maneira que matamos a curiosidade em relação ao modelo novo :)

27 de Abril de 2016, às 22:25link do post comentar ver comentários (3)

Trás-os-Montes e Alto Douro // dia 5

infelizmente não dava para esticar mais, o algarve estava à nossa espera. não só porque havia um sobrinho prestes a vir ao mundo, como aquele certame magnifico que eu não perco por nada deste mundo, e que me faz ter problemas de espaço na arca frigorifica durante uns tempos, a feira do folar de barão de são joão. grande timing, o do puto!

começamos a longa despedida de trás-os-montes com uma paragem rápida para admirar o castelo do algoso cá de baixo. parece minúsculo, mas não deixa de ter um ar completamente badass. muita coisa marada devem ter testemunhado aquelas muralhas. consigo imaginar gente a rebolar por aquele penhasco abaixo que é uma alegria. até oiço wilhelm screams LOL

castelo de algoso castelo de algoso

depois passamos por vimioso para ir comprar umas alheiras. dali seguimos para a feira do folar de izeda. eu tenho uma "cena" com feiras do folar, tá visto. tinha reparado no cartaz no restaurante em mogadouro e pensei que era uma pena não conseguir ir... mas consegui muhahahh win \m/

a caminho de izeda, uma breve paragem para apreciar a ponte romana. não que tivesse visto poucas nos últimos dias, mas são bonitas e não me matava perder uns minutos, estando tão perto da passagem.

ponte de izeda

aqueles folares é que não são bem a minha cena, salgados e cheios de enchidos, mas é a tradição dali. saímos da feira carregados com dois folares enormes, um pão de azeite, bolos económicos, mel, mais alheiras e um chouriço de mel. tudo caseiro. not bad!

feira do folar de izeda feira do folar de izeda

dali seguimos por estradas de curvas intermináveis até ao tua, algumas duas horas de tortura ao volante. ainda que tivéssemos que fazer umas quantas paragens para apreciar as vistas, que aquilo é pornográfico. mesmo.

Untitled Untitled

quando finalmente cheguei ao topo do tua, cujas curvas quando vistas do mapa, dão assim um certo frescor na barriga, já vinha tão anestesiada que nem dei por elas..

Untitled

para mais tarde recordar, que este vale daqui por uns anos vai estar cheio de água..

e do tua fomos ao pinhão. e eu consegui escolher a pior estrada de todas, por ser a mais curta. uma municipal que segue pelo meio dos socalcos de vinha, onde só cabe um carro (e mesmo assim, o google andou por lá, ah valentes). foi agressivo, mas o pior ainda estava para vir..

quando chegamos a casal de loivos, havia a indicação que pinhão era pela direita.

"mas o GPS diz que é pela esquerda" insiste o homem. 

ora essa, se o GPS diz, quem sou eu para duvidar!

pois... devia ter duvidado, pela longevidade saudável do meu coração...

não sei se alguma vez me vou esquecer do terror que foi descer a rua da calçada. uma rua em calçada já muito polida, estreita, que desce 300 metros quase a pique pelo monte abaixo. eu lembro-me de uma estrada parecida àquela, na madeira. mas muito mais curta e muito menos assustadora. se me falhassem os travões, só parava a meio do douro.. mas lá que era cénica, era!

foi triunfal, para que nunca me esquecesse da dureza daquela terra, e do que sofrem as populações para se deslocarem de uns sítios para os outros. do pinhão até régua, pela nacional 222, conhecida por ser a estrada mais agradável do mundo para conduzir, foi um doce. uma recompensa à maneira pela minha resistência.

n222

paramos em peso da régua para ir comer qualquer coisa, que ainda não tínhamos almoçado e a fome era mais do que muita, e aproveitar para comprar mais recuerdos. desta vez vinho, que o homem não queria sair dali sem um par de garrafas das terras do grifo, a quinta que mais nos impressionou na viagem toda. uma paisagem daquelas tinha que ter um sabor do outro mundo, pena eu não conseguir atinar com vinho :(

e foi ali, sentados no bar da estação de comboios de peso da régua (funny story lol), a "lunchar", que demos a odisseia transmontana por terminada. cansadíssimos, cheios de pena por ter acabado, mas a rebentar de emoção pela épica dimensão do passeio.

achava eu que podia acordar nos confins do norte de portugal, e ir dormir nos confins do sul de portugal, mas ter misturado a viagem de regresso com passeio, foi demasiado. quando cheguei a casa às onze da noite já tremia por todos os lados e não era de frio. tinha que descansar umas horas antes de fazer mais três centenas de km..

notas finais, em jeito de resumo:

a quem goste de turismo da natureza, aconselho plenamente uma demorada viagem por trás-os-montes e alto douro. tem áreas incríveis de paisagem em estado bruto, áreas agrícolas cuidadosamente geridas, vida selvagem, transborda história e tradição, as gentes são genuínas e gastronomia deliciosa.

o meu roteiro foi definitivamente ambicioso para o cinco dias, e apesar de ter tentado optimizar a viagem ao máximo, existem sempre coisas que nos escapam. ou porque demoramos mais tempo nalgum sitio e fica tarde, ou porque surgiu mais um ponto de interesse, ou porque demoramos mais tempo nas deslocações que o suposto, entre outros detalhes que não temos em conta quando se planeiam viagens.

as duas zonas que mais tinha interesse em conhecer, o montesinho e douro internacional, merecem ser devidamente desfrutadas. três dias no montesinho seria o ideal, já o douro internacional + planalto mirandês, precisa de quatro ou cinco. e apesar de ainda assim ter conseguido ver muita coisa, (como é costume) regressei com a sensação que ficou muito para trás.. algo que não é necessariamente mau :)

sofri um bocado ao volante, com tanta curva e subida e descida, e estrada apertada. mas adorei cada minuto, cada um dos mil quilómetros, assim como cada golfada de ar puro que inspirei, cada vista que queimei nas retinas. voltava (voltei!) para lá a correr :D

apesar dos inúmeros cantinhos que ainda me faltam pelo meio, é uma honra conhecer portugal de norte a sul, de de este a oeste. era um desejo antigo, que finalmente vejo realizado. temos um país fantástico, vale tão a pena explorá-lo.

last but not least, o registo fotográfico completo da passeata está no sítio do costume

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mirc.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e yada yada, yada... é ler o blog ;)

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'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora.
a versão actual levou tempo a cozinhar mas ficou awesome toda cheia de modernices: web fonts, svgs, media queries, e css3. aviso já que os browsers antigos não vão achar piada nenhuma :D

para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores: #10 #9 #8 #6 #5