Praia da Bordeira

fica na carrapateira, mas chamam-lhe bordeira por causa da ribeira com o mesmo nome que contorna o areal, e desagua no extremo sul da praia. é outra das minhas praias de infância e dela guardo muitas memórias, de arraiais familiares e dias de verão intermináveis. é uma praia linda, quase selvagem, com um areal enorme, cheio de dunas, e uma paisagem incrível.

não é das melhores praias para fazer "praia". costuma ser ventosa, tem o típico mar agreste das praias do sudoeste, e a temperatura da água é pouco convidativa a mergulhos. salvo à maré cheia, quando o leito da ribeira costuma encher, e transforma-se numa espécie de piscina natural que rouba o protagonismo ao oceano.

curiosamente, é desta ribeira à maré-cheia que tenho as melhores recordações. da malta a atravessá-la a muito custo para chegar ao areal, às vezes com água a dar pela cintura, carregados de tralha e putos assustados às cavalitas :D

os surfistas adoram-na. e os pescadores também. é vê-los corajosamente à beirinha das arribas, a tirar sargos da água, uns atrás dos outros. é também raro o ano que aquelas arribas magnificas não dêem más noticias...

praia da bordeira praia da bordeira mar corvo pescadores pescadores bordeira

mas o que eu gosto mesmo, mesmo, são daqueles cinco kms de linha costeira escarpada que separam esta praia, da praia do amado, a sul. a paisagem é de suster a respiração, sobretudo durante o inverno. quando as ondas gigantescas esbarram violentamente contra as falésias e projectam-se vários metros no ar. 

existem vários miradouros onde podemos parar uns bons minutos, para apreciar a vista. para quem gosta de dar à sola, existe um percurso circular, que faz parte do trilho dos pescadores da rota vicentina. fiz parte dele, há uns anos, e não me importava de repetir.

Lost in... Pedralva

no fim-de-semana passado estive na terrinha e para aproveitar a tarde fantástica de domingo, peguei no homem e fomos ver as modas até às praias da carrapateira.

quis ir pelo caminho mais pitoresco, que é como quem diz, aquele que se faz por estradas de terra batida pelo meio dos montes, para fazer uma paragem na pedralva. já lá tinha passado há uns anos, mas foi ao início da noite e não deu para ver grande coisa desta pequena aldeia perdida na serra algarvia, recuperada há uns anos para se tornar numa espécie de complexo turístico.

de um monte de ruínas abandonadas, nasceu um conjunto de casinhas rústicas, muito castiças, e muito branquinhas. vista ao de longe, parece um oásis resplandecente na encosta do monte. para compor o retrato bucólico, não faltam gatos nem animais de quinta.

pedralva pedralva pedralvapedralva pedralva pedralvamedronhosvasogato

diria que para ser ainda mais charmosa, só lhe falta mesmo ruas mais floridas.

deu para perceber que é um sítio muito calmo, onde se vive muito devagar. a localização é brutal, ali paredes-meias com o parque natural do sudoeste alentejano e costa vicentina, e praias incríveis na vizinhança, que serviram de inspiração para o nome das casas. é atravessada com alguma frequência por forasteiros que andam a percorrer o caminho histórico da rota vicentina, e que encantados, acabam por abrandar para apreciar o casario :)

Wax happens

certa vez, duas pessoas enfiaram-se numa banheirada cheia de espuma fofinha e delicada, e velas nos rebordos para dar aquele ambiente romântico ao cenário. às tantas, alguém se entusiasma e manda um biqueiro numa vela, espalhando cera liquida por todos os lados - cera essa que solidifica quase instantaneamente ao entrar em contacto com o frio das superfícies...

PÂNICO!! E AGORA?? COMÉ QUE VOU TIRAR ESTA BOSTA??

calma... respira fundo... relaxa... o google há-de iluminar o teu caminho para a solução!

no dia seguinte meti mãos à obra. combinei três técnicas que encontrei logo nos primeiros resultados, e demorou-me apenas uns minutos a limpar aquela bodega toda. primeiro raspei o grosso da cera com um cartão de plástico, tipo aqueles de fidelização que dão nas lojas. o cartão é fixe porque não risca o chão, nem os azulejos das paredes, nem as loiças do wc. apanhei as aparas com papel de cozinha. de seguida, peguei no secador de cabelo e "aqueci" a área afectada, enquanto ia passando um pano de limpeza com um produto desengordurante (usei sonasol verde). foi como se nada tivesse acontecido ali, não sobrou cera para contar a história.. pena lol

pronto.. se vos acontecer, já sabem como resolver. also, mais cedo ou mais tarde, vamos ter que erguer uma estátua em honra do google :D

9 de Outubro de 2017, às 19:45link do post comentar ver comentários (4)(4)

Nihon...go!

aulas de japonês. eis algo andava para acontecer há mais de 15 anos, ou seja, desde que vim cá para cima. só que tem sido uma daquelas coisas adiadas indefinidamente, ou porque o tempo não dá para tudo, ou porque fica fora de mão, ou porque cenas - as desculpas esfarrapadas do costume.

de um momento para o outro, o homem lembrou-se que queria começar o curso este ano. pesquisou, perguntou, e decidiu. estava mesmo determinado. já eu não tava com feeling prá coisa, mas nada que o impedisse de ir sozinho.

chateou-me até mais não para ir também, e eventualmente venceu-me pelo cansaço.. como eu sei o que a casa gasta, e sei que vai ser muito difícil (se não impossível) atinarmos com os horários para encaixar as aulas e o estudo, não quis ter nada com o assunto, ele tratou de tudo. se a coisa se falhar, não quero cá responsabilidades lol

sinceramente estou um bocado de pé atrás. não sei se tenho cabeça (ou melhor, memória) para me meter a aprender uma língua nova..

não que o japonês seja totalmente novidade para mim. ali pelos vintes, um bocado empurrada pelo anime&manga, comecei a tentar aprender por conta própria. sacava lições na net, arranjei livros de actividades e dicionários para me ajudar, e passava os intervalos das aulas a decorar as tabelas e hiragana e katakana e a tentar decifrar mangas em japonês. ainda tenho algum vocabulário na ponta da língua, e a esperança secreta que o meu cérebro consiga ir à cave e encontrar alguma coisa por baixo das camadas de pó. nunca deixei de ver anime na versão original nestes anos todos, o que ajuda a manter familiaridade com a língua (apesar de estar longe do ideal.. é como os putos passarem horas em frente ao disney channel e depois começarem a falar igual às personagens histéricas das merdas que vêem, cheios de tiques irritantes).

fast forward até à primeira aula,

apresentações feitas, malta, digam olá à tabela de hiragana! say whaaaaat...?? logo na primeira aula, assim a frio? que selvagem! pois é, temos uma semana para emborcar aqueles 46 "rabiscos"... e o FDP do meu cérebro não se lembrava de 98% daquilo... até me doeu a barriga... ainda vai ser mais desafiante do que temia.

hiragana

há malta de todas as idades na turma, e duas pessoas mais velhas que eu e o homem, vamos ver como a coisa corre para os quatro mais cotas. a professora é japonesa e fala 50/50 tuga/japonês. dá um jeito do caraças conhecer algumas das palavras que ela está sempre a usar.

daqui a 9 meses veremos se aquilo do "burro velho não aprende línguas" é verdade ou não :D

7 de Outubro de 2017, às 16:45link do post comentar ver comentários (13)(6)

Batatas-fritas

tão e conta lá, tal correu essa resolução de não comer batatas-fritas até fim do verão?

 

é lógico que não ia conseguir lol

 

mas não foi mau de todo, vá.. nesses 102 dias (que na verdade foram 108, quando me desafiei já não comia batatas há 4 dias + 2 dias depois da data terminar) aconteceram cinco incidentes (sim, mantive registo):

três deles no b temple, mas em minha defesa, apenas toquei em batatas-doces fritas!!

outro foi no irish&co, os gajos têm uns bifes afogados em molhanga de cerveja preta muita porreiros, e servem até altas horas. era uma da manhã, e eu tava cansada, e a morrer de fome, e tinha os químicos do cérebro todos descompensados.. isso.. apesar de ter pedido uma dose de legumes à parte, acabei por comer metade das batatas fritas às rodelas que acompanhavam o dito bife. tinham um ar demasiado delicioso para desperdiçar.

o último foi na tasquinha, em santa luzia, no prato flagship da casa, polvo à tasquinha (uma espécie de carne de porco polvo à alentejana). batata frita aos cubinhos faz parte, seria uma afronta da minha parte não comé-las.. a sério, eram capazes de não comer estas batatas?

polvo a tasquina

(não acardito lol, comiam e ainda choravam por mais!!)

não toquei em batatas-fritas de pacote (apesar de ter comido tiras de milho duas vezes, não conta!!) por isso tudo, acho que até me portei bem. já percebi que consigo sobreviver sem comer batatas-fritas (pelo menos durante 20 dias), e vou continuar a evitá-las. não quer dizer que não coma de vez em quando, duas ou três vezes por mês não há-de fazer mal nenhum. antes isso que duas ou três vezes por semana, né?

tenho andado cheia de desejos por umas tyrrells levemente salgadas, mas enquanto tiver forças para resistir à tentação, não vou ceder... pelo sim pelo não, vou manter-me afastada do corredor dos snacks :D

4 de Outubro de 2017, às 17:00link do post comentar ver comentários (3)(1)

Dezasseis

us

até a sogra me dá os parabéns, por aturar o filho há tantos anos muahahaha

na verdade, ele é que devia receber os parabéns por me aturar há tantos anos :D

acho que estamos quites ♥

Meh

não estou preparada para o outono. vou hibernar. acordem-me quando chegar abril.

22 de Setembro de 2017, às 21:02link do post comentar(3)

The Deuce

atenção atenção, nostálgicos dos anos 70

saudosos do vinyl? ainda não recuperados do desgosto do seu cancelamento? então vão gostar de saber há uma nova série retro no pedaço. só que em vez de música e editoras, é sobre prostituição e porno. a coisa promete!

tem um ambiente ainda mais decadente e sombrio que o do vinyl, e é um bocadinho mais "pesada" e gráfica. já li por aí que a recriação do ambiente de new york do inicio dos anos 70 está bastante fiel, mas isso não posso confirmar porque lamentavelmente não estive lá. mas posso confirmar que os cenários, o guarda-roupa e os props estão soberbos, e parecem-me muito realistas.

ainda mal começou e a HBO já a renovou para uma segunda season.. vamos lá ver se não acaba cancelada como a outra.

21 de Setembro de 2017, às 18:00link do post comentar ver comentários (4)(1)

Down the memory lane... IRC

(porque a malta à medida que vai ficando idosa gosta cada vez mais de perder-se as avenidas da memória) há uns dias a conversa escorregou para o IRC, e a criação dos serviços da PTnet, e os tempos dourados da internet por dial-up. o IRC era um fenómeno, e talvez das coisas que mais nostalgia trazem a quem viveu a internet naquela altura. era um sítio muito fixe para se estar. a malta entrava, chamava a lista de canais, e juntava-se àqueles cujas as temáticas ou locais interessavam. aos poucos entrava-se nas conversas do canal, mandávamos umas bocas uns aos outros, e depois as conversas continuavam em privado,

oi
ddtc
m/f
idade

quantas amizades e relações não começaram assim?

depois havia as novelas. cada canal tinha as suas. principalmente por causa da "ditadura" dos OPeradores, e da sede pelo poder. o @ era a coroa, o simbolo da elite, e o fruto mais apetecido. logo a seguir vinham os +voice, (que tecnicamente não valiam de nada, a não ser que o canal fosse moderado) mas a malta não se importava de lamber o cu aos OPs só para esta mais acima na lista de nicks. quem tinha voice era sinal que tinha friends in high places, literalmente.

às vezes aconteciam rixas épicas, e a malta acabava kickada ou banida. alguns revoltavam-se, criavam novos canais, levando consigo outros dissidentes. também havia muita guerrilha. um exemplo disso eram os takeovers. a malta organizava-se, desatavam a floodar todàgente que estava no canal para fora da rede, e depois um dos atacantes tornava-se OP e concedia a graça aos compinchas. enquanto a ordem não era restaurada pelos donos do canal, eles tinham os seus 15 minutos de glória, que eram aproveitados para mudar a descrição do canal, e talvez encher aquilo com bonecada em ascii art.

haviam uns users que estavam sempre ligados, dia e noite, sempre muito quietos e pouco participativos. só respondiam se nos metêssemos com eles. eram os bots, o seu propósito era ajudar a manter o canal. alguns tinham truques porreiros.

ocasionalmente acontecia uma cena (pouco) fixe, chamada netsplit. quando a malta começava a abandonar os canais em massa, era sinal que um dos nós da rede se tinha desligado e estávamos isolados. nesta altura também havia corrida para ser OP do canal, que durava enquanto a rede não era restabelecida, o que podia durar uns minutos.. ou umas horas.. ou uns dias.

longas noitadas agarrados ao teclado, a conversar ou a kitar o cliente de IRC, com comandos e cenas, para automatizar o acesso, tipo identificar o nick e entrar nos canais habituais. entretanto começaram a aparecer uns scripts que vieram apimentar as coisas. metiam na mão de qualquer pato bravo a possibilidade de nukar e floodar aquele user que não morríamos de amores, era uma animação :D

de quando em quando, ou porque a rede estava instável ou porque a PTnet estava adormecida e estávamos simplesmente aborrecidos, íamos até lá fora, à undernet, ou à DALnet, ou à EFnet, ver as modas. mas era chato estar sempre a alternar entre servidores.

depois haviam as famosas jantas e os meets, organizados pelos canais, onde a malta tinha oportunidade de conviver fora da rede com as pessoas que estavam por trás dos nicks. muitos acabavam por descobrir que afinal a _V4n3SsA_ não tinha cabelo comprido, nem olhos azuis, nem vestia copa 34DD. era, de facto, loira e media 1.80m, mas tinha demasiado pêlo na cara  e uma corcunda pouco atraente.

grandes tempos *suspiro*

apercebi-me, de repente, que fez por estas alturas 20 anos que me liguei à net e ao IRC pela primeira vez. mais de metade da minha vida.. não vou cair no cliché de rematar isto a dizer que estou velha.. tipo ya, tá todàgente morta de saber isso.. vou cair sim no outro cliché, aquele sobre a rapidez com que o tempo passa, sem darmos por nada. 20 anos é MUITO tempo.. mas na minha cabeça, nem por isso..

o IRC ainda existe, mas já está muito distante daquele IRC que conhecíamos e amávamos, mesmo com todos os defeitos que tinha. it's true what they say, tudo tem o seu tempo :')

Salada Coleslaw

adoro couve crua. a-d-o-r-o!! não tem explicação.. e que melhor desculpa para consumir este humilde vegetal, se não numa saladinha coleslaw?

existem montes variantes, mas a base tem *sempre* que ter couve, se não, não é coleslaw. o resto dos vegetais pode variar, por exemplo, pode-se usar cebola, pimento, e até maçã. para o molho também existem mil e uma variantes. é preciso experimentar umas quantas até descobrir qual é a vencedora. a minha favorita não leva maionese, aviso já!

então, para três ou quatro pessoas (ou duas gulosas), precisamos de, 

1/4 couve roxa 
1/4 couve branca
1 cenoura grande

e para o molho:

200 gr de iogurte grego natural
1 colher de sopa mel
1 colher de sopa de vinagre de sidra
1 colher de sopa de limão
1 colher de chá de mostarda dijon (opcional)
sal e pimenta preta moída q.b.

i know, right.. sinceramente também acho um milagre uma mixórdia destas funcionar.. mas funciona, prometo lol

como fiz durante o fim-de-semana, tive tempo para fazer uma apresentação toda pipi. behold,

salada de bacalhau

usar uma faca afiada, ou uma mandolina, ou um robot de cozinha para cortar finamente a couve em juliana, e ralar a cenoura. botar tudo numa taça alta.

noutra taça, misturar todos os ingredientes do molho. se forem medricas cautelosos como eu, vão querer fazer isto aos poucos. primeiro coloco aquilo que sei que não falha, o iogurte e o mel. o resto vou adicionado em pequenas quantidades e testando o sabor do molho à medida, para me certificar que não exagero em nenhum ingrediente, pois se tal acontecer, pode ser uma dor de cabeça para compensar.. uma vez exagerei no vinagre e não foi fixe.. anyway, é quase certo que vão ter que afinar as quantidades dos ingredientes, portanto aquelas que descrevi na lista são meramente indicativas, sorry about that..

mexer muito bem a mistela com uma vara de arames/batedor, e quando estiver no ponto, envolver com os vegetais. costumo usar as mãos, como uma selvagem :D

salada de bacalhau

antes de atacar a salada, convém deixá-la descansar no frigorífico pelo menos meia-hora, para o molho amolecer a couve. et voilà!

salada de bacalhau

yummy :D''''

ah é verdade.. depois de enfardar esta deliciosa iguaria, existe uma pequena probabilidade de ficarmos com a actividade intestinal aumentada. é totalmente natural e inofensivo (excepto talvez para o nosso olfacto, e o de quem nos rodeia lol). fyi, couve é dos vegetais mais saudáveis que podemos fornecer ao nosso corpinho. vale a pena sacrificar o nariz!

18 de Setembro de 2017, às 10:00link do post comentar ver comentários (1)(2)

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mirc.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e yada yada, yada... é ler o blog ;)

bucket list

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores: #11 #10 #9 #8 #6 #5 #4

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