Ontem fomos finalmente ver o
Marie Antoinette. Ultima sessão, estávamos praí uns 7 na sala 10 dos cinemas do forum..
Eu gosto muito da
Sofia Copolla, gosto mesmo, e neste caso, só fui ver o filme porque foi ela que o escreveu realizou..pertence ao grupo restrito de realizadores que me conseguem levar para o cinema só por serem quem são. Acho que ela faz uns filmes que não tem nada a ver, diferentes daqueles que o cinema hollywoodesco nos habituou, que nos deixam confusos mas deslumbrados (daí haver tanta gente que não gosta dos filmes dela). Este não foi excepção, tal como eu esperava!
Quem não gosta de spoilers, ou quem não suporta esta realizadora, ou ainda fundamentalistas que não digerem bem opiniões divergentes, faxavor não ler a partir deste ponto!É basicamente a história de uma jovem rapariga, destinada a ser rainha de França, e do seu percurso.
Aos 14 anos ela deixou a família e o seu país, para se casar por razões políticas, com o futuro rei de França. Tem da difícil tarefa de se tentar integrar numa corte que tem tanto de sofisticada como de intriguista, repleta de escândalos e conspirações, e costumes diferentes dos seus, que ela não compreende. A sua maneira de ser não é bem encarada pela corte, o que só dificulta o processo e empurra-a para o isolamento.
Um rígido e monótono protocolo espera-a todas as manhãs: acorda, é vestida por uma porção de gente, depois toma uma refeição num ambiente muito desconfortável, leva seca do padre...até que se começou a deixar deslumbrar pelos prazeres da sua posição, então divide seus os dias a escolher tecidos e novos modelos das suas reais vestes, sapatos, jóias e penteados, rodeada das amigas mais intimas, ou a jogar, sempre com muitos doces e
champagne à mistura. Tem uma pedra no sapato, apesar dos seus esforços, o seu marido parece não desejar consumar o casamento, o que dá dá azo a muitas preocupações e mexericos. Esse facto também cria uma certa distância e desconforto entre o casal que quase que se consegue sentir.
Entretanto, o rei lá se decide e nasce finalmente o primeiro rebento real.
Ás tantas, ela começa a procurar isolamento da corte, num refúgio onde só vai quem ela quer, o que chateia muita gente. A vida parece simples e bela, até que começam a surgir graves problemas..
O filme retrata
Marie Antoninette como a mulher que foi, incompreendida, corajosa mas frágil. Filha, esposa, rainha, mãe, amante..
Todo o
glamour e opulência da corte francesa do século XVIII está lá. Vestes magnificas, com jóias e penteados a condizer. Muitas festas, vícios, muita coscuvilhice e intriga.
Todo este espectáculo visual, é acompanhado por uma banda sonora no mínimo curiosa para um suposto filme de época. Divide-se entre a música clássica e a contemporânea. Essa combinação acaba por conferir uma atmosfera única ao filme, criando momentos de rebeldia e loucura, a roçar a cultura pop.
Foi filmado na sua maioria nos locais originais, no
Palácio de Versalhes e arredores, dando um realismo ao filme que doutra forma não teria sido conseguido (o marido passou o filme todo à procura de candeeiros, cabos, tomadas e caixas eléctricas lol).
Também não faltaram aqueles momentos, normalmente considerados irrelevantes para o decorrer da acção, mas que são quase mágicos, como as cenas bucólicas ou de contemplação, o amanhecer perto do lago, ou os insectos, os pequenos e simples prazeres da vida.
Os planos em que certas cenas foram filmadas são a cereja em cima do bolo.
Gostei do pormenor dos
All Stars no meio de tanto chanato chiquérrimo!
A critica foi um bocado dura com o filme. Apelidou-o de vazio, fútil, aborrecido, de ser pouco preciso nos factos históricos, de não focar os conflitos políticos da época, etc etc..apesar do filme não se ter afastado muito da realidade, dizem que Coppolla retratou a história de uma forma demasiado simpática. Também teve a sua dose criticas relacionadas com a produção em si..
Na minha opinião, não sei o que estavam à espera da Sofia Coppolla, conhecendo os seus trabalhos anteriores. É lógico que ela não ia fazer um filme politicamente correcto. Se assim fosse, eu não teria gostado do filme, porque não ia querer ver uma biografia pura e dura da Marie Antoinette. Eu quero ver uma Marie Antoinette como só a Coppolla a imaginaria: rapariga doce e ingénua, aprisionada no seu palácio encantado (como as virgens e a "Charlotte" no quarto), cujo destino está à mercê de outros, num filme onde no final nada acontece (ela não foi decapitada, tal como "Charlotte" não caiu nos braços de "Bob", apesar de passarmos o filme à espera disso), onde as coisas belas e simples da vida acabam por ser valorizadas. E foi o que vi!
É quase impossível não deixar de fazer comparações com os seus dois trabalhos anteriores, e encontrar semelhanças, pois elas existem e são bastante salientes.
Só houve uma coisa que me fez confusão...aliás, faz-me sempre confusão seja em que filme for. É umas pessoas falarem em inglês sem sotaque e usarem expressões francesas, enquanto outras falam inglês com forte sotaque francês, ou ainda outras que falavam em francês...tipo, já se decidiam..
...e assim termina a maior
review que eu alguma vez já fiz a um filme! Puff!
De marido a 3 de Novembro de 2006 às 10:15
yep tipo o tipo o filme chama-se marie antoinette e não "periodo de frança entre x e x"... e mai nada... o filme é focado na mulher como mulher e pronto! é por isso que é fixe de ver e delicioso de comer! se a gaja fosse decapitada tipo o filme nada me estaria a adiantar sobre a personalidade da pessoa em si... mas a contar-me uma consequencia ou facto histórico da altura... o filme ta fixe... a bacana que arranjou um russo dava-lhe e também o perche ali com fartura para a malta curtir he he (se bem que isso tem a ver com o formato da pelicula, a gente viu tipo em 4:3, aquilo em 16:9 n se veria o perche)
De Anónimo a 5 de Novembro de 2006 às 13:28
"Apelidou-o de vazio, fútil, aborrecido, de ser pouco preciso nos factos históricos" ... sim realmente a critica foi um pouco (mutoo) injusta visto considerar o filme tudo menos vazio (fútil talvez, mas acho que prepositadamente) e em relação à imprecisão histórica, acho que a ideia da Coppola era mesmo essa, mas pronto, o que critica acha é sempre relativo...e para mim foi um grande filme!! ponto final!
De
druida a 5 de Novembro de 2006 às 13:29
ups esqueci-me de assinar a mensagem anterior :s...enfim é minha!
De Mary Jane a 1 de Outubro de 2008 às 22:27
Felizmente,tive a oportunidade de ver este filme. e em relação ao seu lado futil,de facto,esse aspecto é muito bem mencionado e demonstrado, pois naquela época o consumismo era excecivo. desde acessorios as refeições e também tudo liagado á filosofia da arte barroca em que tudo é decorado de forma a porpocionar fascinio aos espectadores.
é um filme devereas interessante e relata bem os factos da historia, quem nao tem conhecimentos sobre esta,paciencia, um adulto deve saber diferenciar quando é que é um bom filme ou não. pois o género de filme(comédia,acção...) nao é o unico factor que deve ser relevante, mas sim todo o conteudo de uma historia,principalmente quando esta é baseada em factos veridicos.
Vanessa Teles.
estudante de Artes.
De Mia a 9 de Dezembro de 2008 às 02:57
Fútil?? Qualquer pessoa que tenha visto o filme como filme e não em busca de uma documentário, compreende toda a profundidade do mesmo!! Uma jovem princesa da Áustria, onde as pessoas são mais afáveis e carinhosas que na França é retirada da sua aos 13 anos para casar com um futuro rei que não conhece, nunca viu e que não nutre qualquer interesse pela sua pessoa.. a pressão de um casamento que leva 8 anos a ser consumado, a necessidade de dar um filho varão a França e a maldade existente na corte francesa, atiram esta jovem para a idade adulta depressa demais e levam-na a esconder-se com excentricidades. a forma como a rainha é retratada ao povo, é a provavelmente das primeiras demonstrações do que uma má informação do povo pode gerar.
As imagens na casa de campo, onde ela tenta educar os filhos como foi educada, são as melhores demonstrações da verdadeira essencia da rainha.
Para mim o filme está muito bem conseguido e a música moderna confere-lhe uma certa graça.
Mia
Estudante de Ciências da Comunicação
Comentar post