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03
Novembro
2006

Ontem fomos finalmente ver o Marie Antoinette. Ultima sessão, estávamos praí uns 7 na sala 10 dos cinemas do forum..

Eu gosto muito da Sofia Copolla, gosto mesmo, e neste caso, só fui ver o filme porque foi ela que o escreveu realizou..pertence ao grupo restrito de realizadores que me conseguem levar para o cinema só por serem quem são. Acho que ela faz uns filmes que não tem nada a ver, diferentes daqueles que o cinema hollywoodesco nos habituou, que nos deixam confusos mas deslumbrados (daí haver tanta gente que não gosta dos filmes dela). Este não foi excepção, tal como eu esperava!

Quem não gosta de spoilers, ou quem não suporta esta realizadora, ou ainda fundamentalistas que não digerem bem opiniões divergentes, faxavor não ler a partir deste ponto!

É basicamente a história de uma jovem rapariga, destinada a ser rainha de França, e do seu percurso.
Aos 14 anos ela deixou a família e o seu país, para se casar por razões políticas, com o futuro rei de França. Tem da difícil tarefa de se tentar integrar numa corte que tem tanto de sofisticada como de intriguista, repleta de escândalos e conspirações, e costumes diferentes dos seus, que ela não compreende. A sua maneira de ser não é bem encarada pela corte, o que só dificulta o processo e empurra-a para o isolamento.
Um rígido e monótono protocolo espera-a todas as manhãs: acorda, é vestida por uma porção de gente, depois toma uma refeição num ambiente muito desconfortável, leva seca do padre...até que se começou a deixar deslumbrar pelos prazeres da sua posição, então divide seus os dias a escolher tecidos e novos modelos das suas reais vestes, sapatos, jóias e penteados, rodeada das amigas mais intimas, ou a jogar, sempre com muitos doces e champagne à mistura. Tem uma pedra no sapato, apesar dos seus esforços, o seu marido parece não desejar consumar o casamento, o que dá dá azo a muitas preocupações e mexericos. Esse facto também cria uma certa distância e desconforto entre o casal que quase que se consegue sentir.
Entretanto, o rei lá se decide e nasce finalmente o primeiro rebento real.

Ás tantas, ela começa a procurar isolamento da corte, num refúgio onde só vai quem ela quer, o que chateia muita gente. A vida parece simples e bela, até que começam a surgir graves problemas..

O filme retrata Marie Antoninette como a mulher que foi, incompreendida, corajosa mas frágil. Filha, esposa, rainha, mãe, amante..
Todo o glamour e opulência da corte francesa do século XVIII está lá. Vestes magnificas, com jóias e penteados a condizer. Muitas festas, vícios, muita coscuvilhice e intriga.
Todo este espectáculo visual, é acompanhado por uma banda sonora no mínimo curiosa para um suposto filme de época. Divide-se entre a música clássica e a contemporânea. Essa combinação acaba por conferir uma atmosfera única ao filme, criando momentos de rebeldia e loucura, a roçar a cultura pop.
Foi filmado na sua maioria nos locais originais, no Palácio de Versalhes e arredores, dando um realismo ao filme que doutra forma não teria sido conseguido (o marido passou o filme todo à procura de candeeiros, cabos, tomadas e caixas eléctricas lol).
Também não faltaram aqueles momentos, normalmente considerados irrelevantes para o decorrer da acção, mas que são quase mágicos, como as cenas bucólicas ou de contemplação, o amanhecer perto do lago, ou os insectos, os pequenos e simples prazeres da vida.
Os planos em que certas cenas foram filmadas são a cereja em cima do bolo.

Gostei do pormenor dos All Stars no meio de tanto chanato chiquérrimo!

A critica foi um bocado dura com o filme. Apelidou-o de vazio, fútil, aborrecido, de ser pouco preciso nos factos históricos, de não focar os conflitos políticos da época, etc etc..apesar do filme não se ter afastado muito da realidade, dizem que Coppolla retratou a história de uma forma demasiado simpática. Também teve a sua dose criticas relacionadas com a produção em si..
Na minha opinião, não sei o que estavam à espera da Sofia Coppolla, conhecendo os seus trabalhos anteriores. É lógico que ela não ia fazer um filme politicamente correcto. Se assim fosse, eu não teria gostado do filme, porque não ia querer ver uma biografia pura e dura da Marie Antoinette. Eu quero ver uma Marie Antoinette como só a Coppolla a imaginaria: rapariga doce e ingénua, aprisionada no seu palácio encantado (como as virgens e a "Charlotte" no quarto), cujo destino está à mercê de outros, num filme onde no final nada acontece (ela não foi decapitada, tal como "Charlotte" não caiu nos braços de "Bob", apesar de passarmos o filme à espera disso), onde as coisas belas e simples da vida acabam por ser valorizadas. E foi o que vi!
É quase impossível não deixar de fazer comparações com os seus dois trabalhos anteriores, e encontrar semelhanças, pois elas existem e são bastante salientes.

Só houve uma coisa que me fez confusão...aliás, faz-me sempre confusão seja em que filme for. É umas pessoas falarem em inglês sem sotaque e usarem expressões francesas, enquanto outras falam inglês com forte sotaque francês, ou ainda outras que falavam em francês...tipo, já se decidiam..

...e assim termina a maior review que eu alguma vez já fiz a um filme! Puff!



02
Novembro
2006

Um FW vindo de uma colega trazia, entre outras, esta bela foto:



Eu realmente gostava de ter um gato em full-time só para ver se ele e o furas também seriam tão amigos...é que em part-time a coisa não vai lá!
Ainda no fim-de-semana passado, o furas apanhou o gato a comer umas peles de frango (que tinha roubado do lixo) e não foi de modas: fez-se ao gato (basicamente, atirou-se a ele de boca aberta) e roubou-lhe o petisco! O coitado do gato bem que tentou resgatar o snack, mas o ar ameaçador do furas era demasiado intimidador: olhos esbugalhados, focinho arrebitado tipo "queres porrada, é?", com um bocado da pele pendurado na boca... hilariante! Depois de uns minutos a fazer frente ao gato, pegou nele e bazou pa outras bandas, para saborear as peles descansado..


Isa, às 20:30 // interessa-te?

01
Novembro
2006

Era um prato que tinhamos na ementa do restaurante, e que apesar de ser o mais caro (na parte da carne), era dos que mais saída tinha. Eu era simplesmente maluca por ele! Tava sempre a cravar à cozinheira ou à minha mãezinha que mo fizesse.
Era uma espécie duma variante do Bife à Portuguesa. Só que em vez de batata cozida era frita, levava um molhinho qualquer, e como não podia deixar de ser, o belo do ovo estrelado a cavalo!
Entretanto desapareceu da ementa, e eu raramente passei a come-lo...e há que anos que me apetece o belo do "bife à casa"!

Então, ontem não fui de modas. Tava-me a apetecer forte e feio, e perguntei ao marido se não se importava de dar uma "facadinha" na dieta dele, para saborear comigo uma das formas que mais gosto de comer bife. Ele disse que não se importava e eu comecei a planear a coisa, sem lhe dizer o que era.
Claro que tive a minha dose de dificuldades:

- Problema nr 1: onde é que vou eu desencantar frigideiras de barro aqui!
- Problema nr 2: quem é que vai comprar o bife, pois saio tarde e não me apetece de forma alguma ainda ir ao Jumbo..

Opá, mas tenho aqui o El Corte Inglés pertinho.. há-de ter alguma coisa que me safe a coisa, e mais, tem supermercado! Parece-me perfeito!

Saío quase às oito, em direcção ao dito. Já que estava lá, aproveitei e passei logo pela secção da apple, para ver se havia novidades, que ainda não comprei a minha prenda de anos. Não havia, segui em frente.
Ora deixa cá descobrir onde é que eles vendem as tralhas para a cozinha. Piso 5... EIXXXXX! É por isso que eu não curto do El Corte...lá subi.
Para minha felicidade, dei logo de caras com uma ilha de loiça em barro..mas para minha infelicidade, todas as peças tinham um aviso, que as deviamos mergulhar dentro de água durante 12 horas, antes de irem ao fogo. Veio-me logo à memoria os montes de frigideiras que estalavam e abriam-se ao meio durante a preparação, no restaurante, umas das razões que levou à extinção desse prato. Bem...mas eu não tenho 12 horas..tenho 2 no máximo! Huston, we have a problem!
Procurei uma colaboradora. Perguntei-lhe por pratos de loiça que aguentassem chama directa. A rapariga correu tudo e nada...Oh boy.."Olha, levo as de barro e rezo para que não me arruinem o jantar..." disse-lhe eu. Lá peguei (e paguei) naquilo e fui à procura do elevador, porque descer 6 pisos em escadas rolantes não tá com nada!
Saí mesmo em frente ao supermercado. Nunca lá tinha ido mas adorei a variedade. peguei nas coisas que queria, e ala pá caixa..uma enorme seca esperava-me, apesar de ter apenas 4 pessoas à frente e estar numa caixa rápida..dass!

Faltava um quarto pás nove quando apanhei o metro. Barco às nove e um quarto. Bus às nove e trinta e cinco. Cheguei a casa eram quase dez..vá lá que a vontade de cozinhar aquilo não tinha esmorecido... cansada como estava, até me admirei!

Enfiei logo as frigideiras em água. Entretanto, telefonei pá mãezinha para rever uns pormenores. Ela já não se lembrava muito bem de como faziam o molho, então decidimos que podia exprimentar uma daquelas bases de molho da Vaqueiro, coisa que tenho sempre em casa.
Perguntei-lhe então das frigideiras. Chegamos à conclusão que eu podia experimentar meter aquilo um bocado no forno, podia ser que desta forma, o choque térmico não fosse tão violento e elas aguentassem a chama..a ver vamos!
Assim fiz, liguei o forno a 140º, e enfiei-as logo dentro, para irem aquecendo lentamente. Depois fui subindo gradualmente até aos 180º.
Descasquei as batatas, cortei em rodelas, temperei o bife, pús logo a mesa, meti os restantes ingredientes/utensilios logo a jeito, porque a segunda fase daquele prato requer muita rapidez, se quisermos que fique no ponto.
Notei que me tinha esquecido do alho..bolas! Bem, alho em pó desenrasca...bah!

Ok, uma vez que as batatas estavam fritas, e a base de molho estava quase pronta, eis que chega a hora de passar o bife por uma frigideira bem quente.
Com uma rapidez e dinâmica de impressionar, e sem ajuda (porque não quis), ponho os bifes na frigideira, saco as duas frigideiras de barro que estavam no forno, ponho-as em cima dos respectivos bicos, volto o bife, ponho um bocado de margarina nas frigideiras e acendo os bicos. Pego nos bifes, espeto-os nas frigideiras de barro, acendo o fogo da frigideira dos ovos, ponho as batatas às rodelas em redor dos bifes, ponho um ovo a estrelar, coloco o molho e o presunto em cima dos bifes, que a esta hora já estavam a fervilhar. Boto o ovo a cavalo, estrelo o outro, boto-o a cavalo. Polvilho com salsa. Não caibo em mim de contente: as frigideiras de barro estão a aguentar a chama sem problemas, e os bifes têm um aspecto deliciosol! Deixa-las estar mais uns momentos para apurar, e PRONTO! Saco-as bem a borbulhar para cima dos pratos de apoio.

VITÓRIA!!! As frigideiras não se partiram e os bifes estavam deliciosos! O do marido desapereceu em menos de nada!
Pelos vistos, ainda não perdi as minhas skills de cozinheira-dona-de-casa. Faço um prato pela primeira vez e é um sucesso (como de costume, modéstia à parte). Se bem que os bifes não estavam exactamente como os de antes, pois o molho era diferente, mas para a próxima vou mazé exprimentar a não por molho nenhum, a margarina e o "sumo" dos bifes deve servir perfeitamente!

Então, concluimos que, para fazer esta receita, precisamos de:
(para 2 pessoas)

- Duas frigideiras de barro (ou parecido);
- Dois bifes (eu comprei de novilho);
- Duas batatas grandes (ou 4 mais pequenas);
- Duas (ou mais) fatias e presunto;
- Dois ovos;
- Dois dentes de alho;
- Salsa picada q.b.;
- Manteiga;

Temperam-se os bifes como de costume (ao vosso gosto, portantos..eu gosto de usar pimenta preta, sal, limão ou vinagre.. ), descasca-se e corta-se as batatas às rodelas.
Fritamos as batatas, (podemos fazer um molhito como eu fiz), metemos as frigideiras de barro ao lume, com um bocado de margarina e um alho esmagado em cada, salteiam-se os bifes noutra frigideira bem quente, passamos o bife para as respectivas frigideiras de barro, coloca-se as batatas em redor (cuidado com as queimadelas nos dedos), coloca-se as fatias de presunto, (o molho, se o tivermos feito), coloca-se dois ovos estrelados, e para o toque final, polvilhamos com salsa! As minhas dificuldades já as devem ter lido he he

Atenção que os pratos de barro ficam mesmo quentes, pelo que quando os tiramos do fogo, devemos ter logo um prato raso com um guardanapo à mão de semear!

Eix...tanta lengalenga para postar uma receita! LOL

Bife à Casa

..e bom apetite!



 

Entretanto

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Esta que vos escreve
tem idade suficiente para ter juízo, mas nem sempre parece. diz que ganha a vida a fazer sites e passa 80% do dia agarrada a computadores e à internet. é geek até à raiz do ultimo cabelo e orgulha-se disso!

algarvia desertora, plantou-se algures na margem sul e vive há uma eternidade com um gajo que encontrou na net.

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Lost in Wonderland
o pink overload até podia sugerir que este é o tipico blog de gaja, mas passam-se coisas muito estranhas por aqui, por isso deixo isso ao criterio de cada um.

anyway, nasceu a 16 de Janeiro de 2003, e esta é a sua 9ª versão. a anterior permaneceu online durante 4 anos. fartou-se de rodar por essa internet fora e não só!

não é suposto funcionar em internet explorer 6 pois recuso-me a continuar a pactuar com browsers pré-históricos, por isso, se ainda o usam, ganhem juizo e actualizem-se!


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