Se ele não fosse assim… VIII

ontem fomos outra vez dar ao pedal. a dada altura, já quase a terminar a volta e todos estropiados (35km, not bad), chegámos a uma rotunda no porto de lisboa, que ao fim-de-semana está deserta, e o homem grita:

"FUCK DA POLICE"

e segue em frente. 

já eu, condicionada pelo hábito, tornei à direita. preparava-me para abrir a boca e dizer "quero ver se quando tirares a carta também vais em frente" quando nesse preciso momento ele arrepende-se e trava bruscamente... 

...com o travão errado!

pelo canto do olho vejo-o a mandar um salto de cima da bicicleta e a largá-la no meio do chão. por sorte não se magoou, mas mesmo que se tivesse magoado, eu já não conseguia parar de rir muahhahaha

7 de Abril de 2014, às 23:50link do post comentar ver comentários (1)

Madeira // dia 4

o paúl da serra era outro dos locais que fazia questão de conhecer - um bocado como os balcões, só a pé de cabra é que me sacavam daquela ilha sem eu ter ido lá :D

então ao quarto dia, foi o nosso destino!

a norte, o dia não estava grande coisa.. quando virámos para a serra d'água, descia uma ventania bruta por aquele desfiladeiro abaixo e o céu estava carregadinho de nuvens balofas e escuras.. mau maria!
à saída do túnel da encumeada o cenário não era muito diferente, o que me preocupou um bocado.. ainda assim não me demoveu de subir a encosta aos ziguezagues, por outra daquelas adoráveis estradas regionais que a madeira já me tinha habituado.

..até que a dada altura, já com dois terços da subida feita e a desbravar nevoeiro havia uns bons km’s, dou com o nariz num bloqueio de estrada! 

puta que pariu.. queres ver que aquilo tá tão agreste lá em cima que fecharam o acesso?

comecei logo a ver a coisa andar para trás.. mas, teimosa como sou, enquanto não esgotasse todas as hipóteses de meter os pés no topo daquele monte gigantesco não ia desistir, ora essa!

existiam mais três ou quatro acessos que podia tentar e como já tinha começado a descer a serra pelo lado sul, o mais próximo era pela ponta do sol. só que a minha costela com o.c.d. mandou-me seguir pela ribeira da janela, a norte. podia ser bocadinho mais longe, mas assim aproveitava logo e passava pelo fanal, outro dos sítios que constava na minha to do list. era win-win!

mas antes de nos fazermos às curvas novamente, ainda ficamos ali uns instantes, especados a olhar para os picos da encumeada. fosga-se, que é difícil descolar os olhos daquelas paisagens.. vale a pena passar por ali só pelas vistas.

e siga pa norte a todo o vapor!

não fomos muito longe, mal saímos do túnel da encumeada (novamente lol), decidimos que havia tempo para visitar as grutas vulcânicas de s. vicente. algo que não constava no roteiro (até porque não tinha conhecimento delas), mas acabou por ser uma paragem bastante interessante. não tanto pelas grutas em si, que a visita é curta (apesar de ter sido divertido andar lá a arrastar o cú por um dos canais he he he), mas pela parte pedagógica que se seguiu, no centro de vulcanismo. satisfez-me a curiosidade sobre a formação da ilha \m/

canais de lava

de volta à montanha-russa, apanhei outro desgosto no fanal - tá visto que os deuses devem ter acordado com os pés de fora da cama.. não dava para ver um palmo à frente dos olhos por causa do nevoeiro, nem valia a pena sair do carro.. até guinchei com fúria que aquilo me meteu, que eu sabia bem o que é que estava a perder ali.. vade retro nevoeiro cão!!

muitos mais km's acima, já cansada do branco opaco à minha volta que teimava em não desaparecer e a começar a desanimar, a ver que ia sair dali a chuchar no dedo, quando de repente..

AZUL!!

como que por magia, as nuvens varreram-se e deram lugar a um maravilhoso dia de primavera, sem bafo de vento. uma tranquilidade incrível reinava naquelas paragens.. quem diria, com a bezaranha que estava na base da ilha..

dei um belo dum espectáculo a um grupito que estava a fazer uma photoshoot no cruzamento das estradas, quando encostei e larguei o carro à má fila e me meti aos saltos no meio da estrada, eufórica por estar finalmente ali muhahahah

paul da serra


(quero acreditar que existem pancadas piores :D)

o paúl da serra é um lugar único da ilha, quase nos esquecemos onde estamos - a 1500 metros de altitude, deve ser o único sitio na ilha com mais do que 1m² de chão plano.. UAU! em perfeito contraste com o relevo acidentado que caracteriza toda a ilha, a paisagem ali é muito semelhante à dos planaltos da serra da estrela. alguns montes de linhas macias, vegetação rasteira e árvores nas partes mais abrigadas, e gado à solta. a única diferença é que não existem blocos de granito espalhados por todo o lado.

e lindo.. tão, tão LINDOOOOOO!!

demos umas voltas por lá, e depois fomos à cata de sitio para lanchar. assentámos arraiais num miradouro magnifico (bica da cana), que tinha uma vista que bem.. só visto.. mesmo!

bica da cana

 

se o passeio do dia anterior já me tinha deixado deslumbrada com a beleza daquele pedaço de terra plantado no meio do mar, nem sabia bem como processar aquilo que se estava desenrolar diante dos meus olhos.. só tenho isto a dizer: o universo estava inspirado no dia em que criou a madeira!

uma vista de cortar a respiração para os picos rudemente escarpados do maciço montanhoso oriental, as nuvens fofinhas a atravessar preguiçosamente o imenso vale, e em background o som do canto dos passaritos que ecoava pela floresta que cobria a encosta sob os nossos pés e o murmúrio continuo das pás dos moinhos a cortar o vento...

mágico!

ao fim da tarde ainda palmilhámos até ao ponto mais alto do paúl, também chamado de pico ruivo. a luz forte do entardecer reflectida na neblina ofuscava, e não deixava ver o azul do mar em redor, imagino aquilo em dias limpos.. deve ser coisa para ter de limpar a lagrimazinha de emoção ao canto do olho :D

já ao anoitecer ainda fomos ver as nuvens a roçarem-se pelas encostas da montanha. que maravilha de cenário.. estivemos lá até não ser possível ver mais nada... 


mar de nuvens

 

que sitio do caneco!

I don't always write about bad movies, but when I do…

...é para cascar neles até me sentir vingada pelo tempo que perdi a vê-los, quando podia estar a fazer coisas bem mais interessantes, tipo lavar o chão com uma escova de dentes.

ontem à noite o homem achou que seria divertido ver um filme de sci-fi com um rating merdoso duvidoso no IMDB. ainda assim, dei-lhe o beneficio da dúvida, porque a) nem sempre concordo com os ratings do IMDB, especialmente em filmes do género; e b) um filme com will smith não pode ser assim *tão* mau como isso..

...yé, rite!

ainda nem a meio íamos e eu só já desejava que o monstro comesse a personagem principal para ver se o filme acabava.. WHAT A LOAD OF CRAP!!

é o primeiro filme que vejo em muitos anos, capaz de rivalizar com o battlefield earth. é mau nas horas.

a começar logo pelo titulo, after earth. tão regressa-se à terra pela primeira vez em 1000 anos de ausência forçada, com uma atitude "tanto se me dá, como se me deu"? é o planeta que serviu de berço à humanidade, for chrissake.. é um facto que merecia uns minutos de atenção, de nostalgia, de emoção, ou até mesmo uma homenagem.. qualquer coisa que não fosse indiferença, para isso tinham-se despenhado num calhau qualquer perdido no espaço que ia dar ao mesmo :P

o argumento é do piorio. fraco, previsível, e cheio de inconsistências.. nem vale a pena pegar nos plot holes, que a lista é interminável e não quero morrer de tédio a enumerá-los.. já me bastou o tédio que foi vê-los.


o will smith passou o filme todo encostado a um canto, com o mínimo de interacção possível na história.. claramente os holofotes estavam direccionados para o filho e nada podia interferir.


e não ficou só encostado, como fez um esforço sobre-humano para ser enfadonho, desinteressante, e monótono - sem dúvida alguma, a prestação mais desenxabida do currículo dele até hoje :P


no fundo até é fácil perceber porque é que a acção é totalmente centrada no puto. é um truque cinematográfico, tal como o dos espelhos :D o will e a jada estão perfeitamente conscientes que o filhote tem tanto jeito para representar como uma batata e que se tivesse que partilhar o ecrã com outro actor qualquer, mesmo que fosse a kristen stewart, a sua presença seria vaporizada instantaneamente. 


é mauzinho mesmo.. desajeitado, sem credibilidade, sem expressão nenhuma e incapaz de criar empatia no espectador. passou o tempo todo com cara de quem está à rasca pa cagar e não consegue, porque está no mato e não tem papel higiénico à mão (bastava arrancar um pedaço da nave, btw..) nem a dicção escapa, é doloroso ouvir o puto a falar..


não lhe paguem umas liçõezinhas de representação que não é preciso..


a única "personagem" no filme que foi capaz de arrancar-nos alguma emoção, foi um condor ao morrer… e era CGI! acho que isto resume tudo.


sinto que se tivesse ficado a mesma hora e meia a olhar para uma parede vazia, seria tempo melhor empregue :P 

Madeira // dia 3

MONTANHAS! MONTANHAS! MONTANHAS! quero MONTANHAAAAAAS!

desde que tinha aterrado no domingo de manhã que não me calava com as montanhas. queria era ir subir às montanhas. MONTANHAS!!

(esta será uma boa altura para explicar ao pessoal que caiu aqui de pára-quedas ou para quem ainda não se tinha apercebido, vá, que esta que lêem sofre de uma séria obsessão por montanhas)

ao terceiro dia fui-me a elas. FINALLY!! 

e comecei logo pela mais alta.. podia ter começado logo pela segunda mais alta, mas tive que optar, com receio que o dia não chegasse para tudo.. prioridades, bah!

desci o estreito e subi o funchal acima até ao monte.. a benzer-me em cada curva e a guinchar que nem morta que voltava a passar por ali (ondé que já tinha ouvido isto antes?), e que à vinda iríamos à volta, mesmo que demorasse o dobro do tempo.. queria lá saber*!

chego lá em cima, já tonta das curvas, acende-se a luz da reserva.. #!£@€&% do cabrãoooooo do carro!!
como era pouco provável que existissem postos de abastecimento nos próximos km's, era sensato tratar disso enquanto tinha oportunidade, não fosse ficar apeada no meio de nenhures..

vá toca a descer ate à bomba mais próxima.. lábaixo, no funchal.. GYAHHHHHHH

nota mental: andar sempre de olho no nível do combustível, as constantes subidas deixam os indicadores todos faralhados e é sempre melhor jogar pelo seguro :P

depois da segunda dolorosa subida, estávamos finalmente a caminho do ribeiro frio. a primeira paragem do dia seria no inicio da vereda dos balcões.

há uns anos atrás, andavam uns mupis espalhados pela cidade que promoviam o turismo em portugal, e um deles tinha uma foto espectacular, que nunca soube onde tinha sido tirada e não conseguia identificar a paisagem, nem parecia cá.. até ao dia em que andei a ver fotos da madeira! 

não ia falhar aquele spot nem que soassem as trombetas do apocalipse!

e quando alcançamos o miradouro, no fim do trilho, não me senti defraudada não senhora.. a vista é soberba!

balcões

folgo em saber que nem toda a publicidade é enganosa :D

o miradouro eleva-se a umas boas centenas de metros sobre um vale colossal (excelente para pessoas que sofrem de vertigens e cardíacos também lol NOT!), rodeado pelos picos mais altos da ilha, e a norte é possível observar o oceano.

ainda ficámos por lá um bom bocado a absorver a paisagem. queria queimá-la no cérebro o mais que me fosse possível, para que não se desvanecesse da memória tão cedo. mas eventualmente chegou o momento em que tivemos que nos despedir dos balcões e continuar o passeio.

dali descemos.. e subimos.. e descemos.. e subimos até santana, sempre rodeados de paisagens lindíssimas, que nos fizeram abrandar e parar algumas vezes para admirá-las.

depois da subida alucinante até à achada do teixeira, por outra daquelas estradas arquitectadas pelo demo himself, demos descanso ao carro, que o resto do caminho até ao pico ruivo tinha que ser feito à pata. eram só 2,8km até lá, era na boa.

HA HA HA HA HA HA...

NOT!


existe um pequeno detalhe que não convém descurar: é que caminhar acima dos 1500 metros de altitude, já morde..

JURO que aqueles 2,8km mais pareciam 10… que estopada do caneco!

eu já a cair pró lado, a ganir que o caminho parecia não ter fim, quando às tantas aparece uma indicação: 200 metros até ao pico ruivo.. WAAAAA..... ainda faltam 200 metros para chegar lá acima?? vou morreeeeeeeeeeeeeer XP

stairway to heaven

foram os 200 metros mais PENOSOS da minha vida.. aquilo custou-me pra cacete, era basicamente uma escadaria até lá acima, nem sei como é que aguentei. aliás, sei.. não ia desistir a meia-duzia de metros do meu objectivo.. ké’iss??

quando finalmente cheguei lá a cima, sentei-me à sombra do marco geodésico, com a cabeça entre as pernas, a tentar recuperar o folgo e não vomitar os pulmões, que ainda esteve vai não vai… 

...e depois apareceu-me à frente um cabrão dum francês que vinha a subir aquela merda toda a correr, em t-shit e calções, fresco que nem uma alface. não sem em quem me apetecia bater mais, se nele se em mim, pela minha péssima condição física.

nisto procuro pelo homem. tinha ficado mais abaixo, metido na conversa com um cámone que andava atarantado com um GPS na mão. só podia ser um geocacher.

entretanto veio ter comigo e depois tornou a descer, para ajudar o alemãozeiro a procurar a cache que o sacana tava a revirar tudo quanto era pedra, parecia que andava ao caracol. anda uma pessoa preocupada em não dar nas vistas.. 

depois de chafurdar em tudo o que era rocha e arbusto nas redondezas, lá aparece a cache. deixámos uma geocoin que tinha vindo de sesimbra na semana passada. o alemão não quis levá-la, então ficou lá, à espera de alguém que o faça alcançar o objectivo. 

(a ironia da coisa é que mais tarde, a geocoin foi mesmo parar à alemanha)

ficamos lá um BOM bocado porque a vista é pura… e simplesmente… BRUTAL. não conseguia fechar a boca nem tirar os olhos do horizonte. nem sabia para que lado me virar. o dia estava muito claro mas mesmo assim, o cenário era fantástico, com as nuvens bem abaixo de nós, a circundar as zonas altas da ilha a norte. uma calmaria do caraças, sem vento nenhum. e o silêncio...

a altitude devia tar-me a mexer com os pirolitos, o meu repertório de frases resumia-se a "nunca tive num sitio tão bonito na minha vida"; "isto não é real"; "não tenho objectiva para isto" (11-16 não chegava para açambarcar aquilo tudo num foto e eu não sou grande fã de panorâmicas).. parecia um disco riscado :D

voltarei sem duvida ao pico ruivo porque fiquei obcecada com dois PRs que vão lá ter. mas para percorre-los, tenho que me mexer à séria, se não, faleço pelo caminho.. não tou a brincar!

quando começamos a descer, estava a chegar um casal estrangeiro com uma miúda que teria uns 4 ou 5 anos. primeiro pensamento: fónix, que até a miúda está em melhor forma que eu!!

segundo pensamento: the force is strong in this one, pais hikers e começar esta vida tão cedo.. faith in humanity.. restored

a descida de volta até à achada foi ainda mais espectacular, parecia que estávamos a caminhar sobre as nuvens. aliás, eu estava nas nuvens - assombrada com a paisagem, até me fazia doer a alma.. cum caneco :'D 

Untitled

à vinda fomos pelo outro lado da ilha, em busca de estradas mais fofinhas.

HA HA HA HA HA HA...

NOT!

NOT.. NOT.. NOT.. NOT!

NOT.. NOT.. NOT.. NOT!

* be careful for what you wish for!!

a estrada entre s. jorge e s. vicente não é uma estrada, é uma montanha-russa infernal. nalgumas partes junto à costa, foi escavacada na falésia, tem largura para um carro e meio (se tanto), e "chove" água e pedras.. ai mãe, se me cruzo com uma camioneta da carreira aqui cai-me os tomates.. oh wait!

até me arrepiava só de pensar nas pessoas que são obrigadas a usá-la com frequência..  

mas o melhor ainda estava para vir.. HAHAHAHAH

túneis.. dos antigos!

passámos por dois, um dos quais tive que fazer marcha-atrás até a uma berma porque vinha um carro no sentido contrario e só passa um à vez. lá dentro chovia e não tinha iluminação *MEDO* 

um pouco mais à frente, outro, ainda mais longo que o primeiro.. 

nesse tive a brilhante ideia de aceder os máximos para ver como era por dentro… parecia uma mina, em pedra viva!
tão a ver o puto do sozinho em casa a gritar? éramos nós os dois.

às tantas aquela provação de *apenas* 24km (FFFUUUUUU!!!) acabou e regressámos aos túneis modernos (abençoados túneis) e às estradas largas e sem curvas. thank god!

foi sem duvida das estradas mais pavorosas onde já conduzi, testou-me os limites…

…e ao mesmo tempo, das mais belas por onde já passei. cada vez que circulávamos junto ao mar *sigh* parecia o cenário de um filme de fantasia tornado realidade: escarpas gigantescas, cobertas por vegetação densa, quedas de água por todo o lado, e a neblina da maresia a dar-lhe um toque místico.. man, roça o obsceno!

agora arrependo-me de não ter parado para tirar umas fotos de recuerdo, mas naquele momento só queria sair dali o mais rapidamente possível, para não ter nenhum stress com o carro..

chegámos ao estreito por volta das oito e meia completamente derreados e esfomeados, e aterramos directamente em cima duma mesa no sto antónio, comer outra espetada, desta vez em pau de loureiro - bem boa!

milho frito é que.. thanks, but no thanks..

e ao terceiro dia já me sentia perfeitamente confortável (no shit!) a conduzir por ali, já tinha adoptado os maus hábitos e tudo lol \m/

Madeira // dia 2

dia bonito, mesmo a pedir passeio. inauguramos as hostes em câmara de lobos e seguimos para oeste. a primeira paragem do dia foi logo ali no cabo girão - um dos principais pontos de atracção turística da ilha, mas que sem dúvida merece a visita.

os seus vertiginosos 580 metros de altura dão-nos uma vista incrível sobre a zona de câmara de lobos e funchal, e a plataforma com piso em vidro é tão assustadora como divertida. dá mesmo a sensação que estamos a andar no ar, os cámones tavam todos passados com aquilo hehehe

cabo girão

quem anda por aqui há algum tempo e conhece a minha pancada por falésias, já deve estar a imaginar que eu ali sentia-me como uma criancinha na noite de natal. confirmo :D

dali continuamos o passeio, por entre a via rápida e as estradas regionais, com passagem pela ribeira brava, ponta do sol, madalena do mar e calheta

a zona sul da ilha é um hino à exposição solar, desde que o sol nasce até que se põe. e os habitantes da ilha aproveitam muito bem essa característica, que aquelas encostas estão cheias de casas solarengas, com uma vista do caraças. que inveja!!

a paragem seguinte seria no farol da ponta do pargo. 

a ponta do pargo situa-se no extremo oeste da ilha e como tal, é visita obrigatória. especialmente o farol, que há mais de 90 anos avisa os marujos da proximidade de terra, do alto dos seus 312 metros - é o farol mais alto de portugal.

a imensidão do oceano, que no horizonte funde-se com o céu, dá aquele lugar uma atmosfera muito tranquila e pacifica, pelo menos em dias calmos como aquele que tivemos a sorte de apanhar. e a forma abrupta como a terra pintada de verde termina sobre a água, é poesia para os olhos. a beleza daquelas falésias é qualquer coisa..

ponta do pargo

algo interessante que reparei, é que a ponta parece separar às aguas do oceano, abrigando a parte sul da agitação a norte. adorei aquele sitio, suspiro só de me lembrar dele :)

also, foi ali que fizemos a primeira cache na madeira.


caching

 

o destino que se seguia era porto moniz. quando parámos no miradouro para apreciar a vista antes de descer à povoação, o carro tava a mandar um pivete a ferodo que doía.. pudera, a conduzir sempre em mudanças baixas, e a travar.. acho que nunca consegui a passar dos 50km/h naquela estrada, que tinha tantas curvas que não sei como não desatámos todos a vomitar lol

ainda por cima não havia no dashboard do carro um indicador de temperatura do motor, sempre andava mais descansada… ou então NÃO!!

cheguei a porto moniz toda amassada e já um bocado cansada de conduzir, apesar da distância percorrida não ter sido nada de especial.. mas ali iríamos parar, comer e andar um bocadinho. servia para renovar as forças para continuar o passeio.

porto moniz é uma pequena vila com muito bom aspecto. parece-me um excelente sítio para assentar arrais durante uns dias, a recarregar baterias.


piscinas naturais

 

as piscinas naturais convidam a ficar por ali umas horas, nem que seja pela beleza do cenário. não fomos ao banho, mas havia lá muito bife a marinar nas águas azuis do atlântico, protegidos das ondas pelas muralhas semi-naturais das piscinas.

ofereceu-nos também o primeiro sneak peek da imponente costa norte, que nos deixou ainda mais impacientes para conhecer o resto da ilha.

dali continuamos até s. vicente, felizmente por uma estrada *bem* melhor, e túneis.. tantos túneis.. abençoados túneis!

passámos pela serra d'agua, uma das zonas mais afectadas pelas enxurradas de há quatro anos atrás, mas a povoação pareceu-me recuperada da tragédia, pelo menos não vi sinais de destruição. andam por lá em obras pesadas, suponho que seja para evitar que volte a acontecer algo parecido.

nesse dia conduzi por um dos túneis que mais me tinha aguçado a curiosidade, quando andei a lamber o mapa da ilha, o túnel da encumeada. tem cerca de 3km de comprimento, e graças a ele, a ligação entre a zona norte e sul demora cerca de 20 minutos. MARAVILHA!! abençoados túneis :D

andei o dia todo em redor do paul da serra, um dos sítios que estava doidinha para conhecer. até me doía a alma com a vontade parva que tinha de subir até lá. mas ainda ia ter de esperar mais uns dias..

de regresso ao estreito já me sentia mais confortável naquelas estradas e já dominava o micra como se o conduzisse há anos. isto de me adaptar às coisas com facilidade às vezes dá um jeitaço do caraças \m/

Madeira // dia 1

domingo. o dia começou bem cedo.. à meia-noite! 

entre deixar a casa arrumada e os preparativos finais para as férias (porque como pessoas espertas que somos, deixamos sempre o mais importante para a última da hora, claro), só por volta das 4 da manhã é que disse olá à almofada e encostei-me durante uns minutinhos. não cheguei a adormecer - e ainda bem, que o cabrão do alarme do telemóvel não tocou. tinha sido giro.. NOT!

mais giro ainda era viajar com uma directa em cima - eu, que não funciono sem pelo menos meia dúzia de horas de sono seguidas..

às 6h da manhã estávamos no aeroporto, na fila para o scanner. por essa altura, o homem foi subitamente acometido de um ataque de caganeira tal que até saltava, desesperado com a lentidão dos seguranças e da malta que estava à nossa frente. eu ria-me.. a sina deste gajo :D

às 6h58 as portas do avião estavam fechadas e o bixo estava prestes a fazer-se à pista. aaaah, a pontualidade britânica.

entretanto.. sabes que estás num avião cheio de tugas quando ouves piadolas do género:

- lembra-te, oh nelito, se te sentires mal, podes abrir a janela!
- (ouve-se o "serrote" vindo do fundo do avião) tão.. não consegue engatar a primeira?

isso e o aplauso depois da aterragem, que também não faltou.

gosto muito de voar mas o meu corpo não partilha a mesma opinião.. desta vez até de estômago vazio fui, mas pelos vistos não serve de muito, fico sempre com as entranhas todas num reboliço desgraçado..

por volta as 9 da manhã, o apresentador da BBC o comandante do avião informa que vamos começar a descer dali a uns minutos. não sei como é que o sacana fez aquilo, que os meus ouvidos taparam de tal forma que parecia que estava debaixo de água. não ouvia nada a não ser estática e doíam-me! nenhum dos truques para aliviar a pressão funcionava.. nunca me tinha acontecido tal coisa e já andei umas quantas vezes de avião :/

(e só destaparam totalmente umas valentes horas depois, PQP)

o dia estava lindíssimo e as primeiras vistas panorâmicas deixaram-nos logo impacientes para conhecer a ilha de uma ponta à outra, mas com a esperteza da directa, ia ser complicado começar logo naquele dia..

já com os pés bem assentes em terra, venha daí o meu pópózito - UM MICRA! tá visto que estou condenada a conduzir nissans até ao último dos meus dias :D (espero sinceramente que um deles seja um GT-R! humpf) e bora lá que se faz tarde!

mal entrei na via rápida em direcção a câmara de lobos, e no processo de adaptar-me ao carro - mudanças, travões, luzes e tal, tive um logo cheirinho de como se conduzia por aquelas paragens.. *medo* ia ter que ter muita atenção.. muita mesmo, até porque a rent-a-car tinha acabado de me caçar 800€ no cartão de crédito da franquia para danos em caso de acidente :P

e logo de seguida, no desvio que fiz para o estreito, surge a primeira amostra das estradas que me esperavam nos próximos dias: estreitas, aos ziguezagues, com um declive insano, sem passeio para peões, carros estacionados a ocupar uma das faixas, e condutores afoitos em ambos os sentidos.. ZOMG, ondé que raio estava eu metida??

"EU NÃO QUERO FAZER ESTA ESTRADA DUAS VEZES AO DIA!!" gritava a cada 20 metros, ou então quando me cruzava com outro carro, ou então um autocarro da carreira, ou então quando tinha que fazer uma curva apertada com visibilidade nula…DAMN!!

ai mãezinha, vou-me tão f*der neste sítio… vai ser preciso um milagre para chegar a sábado sem uma mossa no carro..

(felizmente descobri um acesso *bem* mais simpático para o estreito e não voltei a passar por aquela estrada, yay)

depois de muitas voltas e reviravoltas, sem ajuda nenhuma do FdP do gps, que não tinha os nomes das ruas daquele sítio, fomos finalmente resgatados pela cunhada, que veio a pé ter connosco.. conclusão: já tínhamos passado à porta da casa dela e inclusive estivemos parados lá perto durante montes de tempo, feitos bois a olhar pró mapa à procura da rua.. quando ESTÁVAMOS NELA!! cum caneco..

ao almoço demos-lhe logo nas espetadas, no vides. duas, uma de vaca e outra de frango, bolo do caco com manteiga de alho (delicioso!!), milho frito, salada, e batata-frita para acompanhar.. naice, very naice. e muito em conta, imo!

depois de um breve, mas cansativo passeio para ajudar a desmoer o repasto, tive que ir dormir a sesta.. tava acordada há mais de 24 horas e já custava a funcionar, ainda caía pró lado no meio da rua lol


mais tarde fomos a sto. antónio ao centro comercial, fazer compras pá semana e aproveitar para trazer algo que havia ficado completamente esquecido: um carregador de isqueiro para o carro, que é tipo, obrigatório para quando se usa um telemóvel como gps.. com que então, tudo planeado ao milímetro, hem!

e assim se passou o primeiro dia na ilha :)

2 de Abril de 2014, às 22:59link do post comentar(1)

Lost in… Madeira!

estava tudo encaminhado para que as férias da primavera fossem passadas entre a peneda e o gerês - matar saudades dos nossos locais favoritos, conhecer outros, e tratar dos "assuntos pendentes" que vão acumulando a casa visita..

..até que no fim de janeiro, recebemos a notícia de que a cunhada tinha sido colocada numa escola no estreito da câmara de lobos... mudança de planos: siga conhecer a madeira!!

a madeira é um daqueles destinos que nunca ninguém me disse que "tens que ir lá, que aquilo é fantástico".. para falar a verdade nunca ouvi falar grande coisa sobre as características daquele pedacito de portugal, plantado no meio do atlântico, e o que ouvia não era suficiente para me despertar a curiosidade (shame on me, i know, i know).. mas com alojamento à borla e voos em conta graças à easyjet, éramos parvos em não aproveitar a oportunidade. 

tão de modo fazer render ao máximo a nossa visita de seis dias, em vez de irmos às cegas como de costume, decidi fazer o trabalho de casa. vasculhei fotos, guias, foruns, blogs, etc, o que resultou numa checklist com vinte e cinco items, entre pontos de interesse, percursos, gastronomia, etc, tudo que não devia podia perder.

para além dessa lista, elaborei ainda outra, com o material a levar e tarefas que tinham que ser feitas até à partida, tudo planeado ao milímetro para que nada falhasse, nem parecia coisa minha lol

comprámos os bilhetes de avião com 3 semanas de antecedência, algo que detesto fazer porque tenho sempre receio que aconteça alguma coisa à última da hora que me impeça de viajar e depois é dinheiro deitado à rua, mas o preço era demasiado bom para deixar passar.

quisemos também aproveitar a parceria da easyjet com a europcar, que permitia alugar carro por um valor bastante em conta.. mas as regras parvas deles obrigaram-nos a cancelar a reserva e procurar uma rent-a-car que fosse menos picuinhas. 

 

mal assentámos o coiro no chão, não sei se foi por ter os ouvidos completamente tapados pela pressão (tal não foi a bruteza da descida), ou se foi por estar a 1000km de distância da rotina, ou se foi da paisagem que vi da janela do avião, desliguei-me. não queria saber de mais nada, apenas daquele lugar :D

 

andámos (de carro lol) que nos fartámos, subimos aos picos mais altos, descemos aos vales mais baixos, arrastámos o cú por canais de lava de um vulcão extinto, tirámos centenas de fotos (não conseguia tirar o dedo de cima do disparador da máquina, parecia que estava colado com super cola 3), cachámos, ficámos deslumbrados, arrebatados, emocionados, e inspirados pela beleza natural daquela ilha.

 

apesar de ainda ter ficado tanto, mas TANTO para ver e fazer (acabei por chegar à conclusão que tinha feito uma lista demasiado ambiciosa para apenas uma semana), o saldo final foi bastante positivo. esta viagem acabou por servir o propósito de fazer a volta de reconhecimento à ilha, e a próxima será certamente para palmilhar aquilo a pé. é um sacrilégio não caminhar por aquelas veredas, levadas e trilhos...

 

srly, quem diz que a madeira se vê em 3 ou 4 dias está redondamente enganado!

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mirc.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e yada yada, yada... é ler o blog ;)

bucket list

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores: #11 #10 #9 #8 #6 #5 #4

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