Le English Breakfast

admito que possa ter um certo fetiche por esta especialidade britânica, mas vá, tenho uma boa desculpa: passei grande parte da minha infância metida nessa autêntica colónia inglesa que é a praia da luz, e por lá era (é!) a coisa mais habitual do mundo - não havia tasco que não servisse english breakfast. e ficava intrigada pela diversidade da comida que que aquela malta enfardava à primeira refeição do dia, especialmente os feijões.. quem é que raio come feijões ao pequeno-almoço?? e tomate??

 

estas coisas na primavera da vida deixam marcas profundas numa pessoa :D

 

and what monkey see, monkey do.. levei uns quantos anos até começar a apreciar os ditos feijões, mas eventualmente aconteceu.. tal como aconteceu com azeitonas, pickles, mostarda, caril, etc.

 

acho a mixórdia muita castiça, apesar de não ser algo que faça com muita frequência porque o english breakfast é na verdade, um AVC servido num prato.. para além da trabalheira que dá a preparar e de ter de decretar o estado de calamidade na cozinha. mas como não há muitos sítios que sirvam disto por cá, por isso às vezes lá tem que ser.

 

não creio que alguém com o mínimo de amor pelas suas artérias tenha coragem para se aventurar nesta sugestão, mas para o caso de haver, aqui fica o processo:

 

- salsichas de churrasco;

- bacon fatiado;

- ovos;

- baked beans;

- cogumelos (usamos sempre dos enlatados, mas desta vez o homem quis experimentar portobello e adorou *);

- tomates frescos;

- gordura de eleição para a chapa/frigideira (óleo, azeite, margarina - pick your poison);

- sal e pimenta qb

 

(não especifiquei quantidades que isso é à vontade do freguês, mas cuidado com as doses!)

 

é mil vezes mais prático se usarmos um tabuleiro grelhador (ou chapa como prefiro chamar), porque se meteremos cada ingrediente na sua frigideira, não há bicos do fogão que cheguem e a loiça suja é over 9000. a chapa açambarca tudo e ajuda a manter a comida quente até à altura de servir.

 

primeiro as salsichas - fazer uns furinhos na pele com a ponta da faca e chapa com elas, normalmente demoram uns 10-15mn a cozinhar. depois os vegetais - o tomate cortado ao meio e os cogumelos e temperá-los com um bocadinho de sal e pimenta (a gordura trata do resto). depois fritar grelhar o bacon a gosto.

à medida que os ingredientes vão ficando com aspecto de estarem cozinhados, é reservá-los na zona da chapa menos exposta ao lume.

entretanto, num tacho à parte (ou no microondas) aquece-se os feijões, e põe-se o pão a torrar. por fim, estrela-se os ovos e serve-se rapidamente, para não arrefecer (q'isto é bom é quentinho).

 

english stroke

 

é garantido que com esta substancial refeição, só voltam a ter fome à hora de jantar!

 

parece fácil mas ainda dá um certo trabalho, cá em casa é sempre feito a dois, um agarrado à chapa e o outro a dar assistência. depois de deixar o repasto assentar, é aproveitar o boost de energia para começar a arrumar a cozinha.. e esfregar o wc.. de alto a baixo.. e as janelas.. e aspirar a casa.. e lavar o chão.. entre outras.. actividades.. muhahahah

 

a versão completa do english breakfast leva uns bolos de batata e uns enchidos, e o pão é frito em vez de torrado - só de pensar até me benzo.. se já custo a despachar esta pratada, nem quem quero imaginar.. acho que o meu estômago fazia as malas e mudava-se lol

 

* não me pronuncio sobre o assunto pois cogumelos não é coisa que aprecio muito, na maioria das vezes deixo no prato e o homem vem atrás e come he he he

Para posteridade

nunca o sapo teve uma homepage tão gira :D

 

 

ide ver, antes que desapareça!

12 de Janeiro de 2015, às 12:07link do post comentar ver comentários (4)(5)

Então Isa, que andaste tu a fazer pela serra? III

aos saltos pelas pedras, a testar o karma

 

jump

 

o dia estava gelado, mas perfeito para passear: solarengo, descoberto, e o vento tinha-se sumido para parte incerta.. nada mexia naquelas paragens, a não ser os aviões que riscavam o céu.. cum caneco, podia estar um frio de cortar à faca, mas eu estava nas minhas sete quintas!

 

não deu para ir à nave da mestra, mas fomos pelo trilho fora ver as vistas. já o conhecíamos de uma caminhada que fizemos em 2010 em torno da lagoa do rossim, e eu andava deserta por voltar a palmilhá-lo.

 

trail

 

amo aquela paisagem, aqueles blocos massivos de granito, aquele chão, aqueles arbustos. amo o cheiro, o silêncio e a calma daquele sítio. gostava de poder carregar no botão de pausa e ficar imóvel ad aeternum, com a vista perdida naquele horizonte fantástico.

 

IMG_20141231_160400-2

 

#YOLO

 

foi o último dia do ano, e foi passado como se quer: muito bem!

 

(btw, quem é que adivinha de onde veio esta minha pancada de andar a saltar pelas pedras, como ilustra a primeira foto? :D)

Então Isa, que andaste tu a fazer pela serra? II

a descobrir a aldeia do pai natal presépio

 

piódão

 

piódão, sítio que andava para visitar há que tempos. é uma aldeia histórica, de casas de paredes de xisto e telhados de laje, que parece ter ficado parada algures no tempo (embora perfeitamente conservada), cravada numa encosta íngreme da serra do açor, paredes meias com a estrela.

 

demorei mais tempo a chegar lá do que contava (quase duas horas :P) e o sol já se estava a esconder por trás da montanha, quando finalmente o casario se revelou ao dobrar da milésima curva. que estopada do caraças.. mas valeu o esforço!

 

percorremos as ruas quase todas até ao cair da noite, apesar do briol que se entranhava nossos ossos e fazia ranger os dentes. a aldeia é adorável, cheia de charme, cada rua, cada fachada, cada recanto é um postal. fiquei tão desgostosa por termos chegado lá já tarde.. duas horas não chegaram, preciso de um dia inteiro lá :)

 

piódão piódão

 

de regresso meti-me por uma estrada ainda mais sinuosa mas que me levou a passar por umas quantas povoações que desconhecia completamente. a serra tá minada de aldeias por aquelas encostas fora. há que tirar ao chapéu às pessoas que conseguem viver tão isoladas do resto do mundo, numa zona tão refundida como aquela, que para lá chegar é o cabo dos trabalhos.

o passeio acabou por servir de volta de reconhecimento, tenho que voltar lá para explorar aquela parte da serra ao pormenor.

 

uma coisa vos digo, pessoas.. quanto mais conheço o nosso cantinho à beira mar plantado, mais apaixonada por ele fico.

Então Isa, que andaste tu a fazer pela serra? I

a contribuir activamente para o aquecimento global :D

 

feijoca

 

isto (e isto também) é um dos principais motivos que me fazem voltar à serra vezes e vezes sem conta.. eu, que nem sou grande apreciadora de migas, devoro este prato com uma sofreguidão tal, que parece que não vejo comida pela frente há semanas. É. TÃO. BOM!

 

o entrecosto e os enchidos grelhados na perfeição.. a doçura da broa ensopada em azeite, com feijocas e couves à mistura.. mmmmm.. só de me lembrar, babo-me toda :D'''

aqui!

Mountain blues...

nunca falha, sempre que volto do monte :/

    1 de Janeiro de 2015, às 21:18link do post comentar

    'Le me

    tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mirc.

    no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

    offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e yada yada, yada... é ler o blog ;)

    bucket list

    'Le liwl

    era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

    muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores: #11 #10 #9 #8 #6 #5 #4

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