No Domingo fomos passear a um sitio onde eu costumava a ir muito com os meus avós, pois eles tinham lá uma horta e costumava a haver matanças de porco de vez em quando. Eu adorava aquele sitio, mas está muito diferente, está ao abandono.
É uma mistura de sentimentos incriveis. Percorrer um
caminho que não percorria havia quase 20 anos, saboreando cada segundo, ver que o velho
"barreiro" ainda tinha água, apesar da seca, ver a
velha alfarrobeira, que tinha um baloiço onde eu me divertia (assim como a minha mãe, bem antes de mim), a cair de velha, sem forças, emaranhada em ervas altas, espinhos e trepadeiras. Ver o
casario abandonado, ver a
casa que outrora costumava estar cheia de gente,
onde deixavam os enchidos no fumeiro, onde faziam as almoçaradas, ver a
casa velha, agora completamente em ruínas, onde eu e o meu tio Paulo costumávamos ir desenterrar "tesouros" deixados por familias que lá tinham morado muito antes, ver o
velho forno onde se cozia o pão, ver o
campo onde o meu tio ia colocar ratoeiras para caçar pássaros, ver os
muros de pedra a desmoronarem-se lentamente, ver ao longe a
casa que me assustava por se parecer com uma cara humana,
ver a vista
abslutamente deslumbrante...voltar a ouvir o chilrear dos pássaros à tardinha, o canto dos cucos, e sentir a brisa fresca e cheia de aromas agradáveis foi fantástico, mas muito melancólico.