Então, eis que do alto dos meus 27 anos, às 17 horas do dia 07 do mês 07 do ano 07, entrei primeira vez num avião (se é que se pode chamar avião aquilo he he), voar era um sonho bem antigo!
Mas não é tudo...
Saltar para o vazio, a 3km do chão, cair a pique a 200km/h durante 30 segundos, e depois planar durante uns seis minutos e curtir o mundo ao meus pés, é uma daquelas coisas cuja sensação é inexplicável...
Não fui sozinha, claro, fui agarrada a um instrutor (salto tandem), que não me deu muita escolha na hora de saltar, chegou-se à porta e cá vai disto!
cabrão por causa das condições meteorológicas que podiam comprometer o salto no dia escolhido, tava já a ver que a coisa ia falhar quando no "dia D" (dois dias antes do salto, altura em que íamos saber se podíamos ou não) o marido me disse que estava marcado, ia tendo um ataque!
Desde esse dia que andei alterada, com os nervos à flor da pele e uma ansiedade desgraçada..uma coisa é nós queremos fazer..outra é irmos mesmo fazer! he he
Quando eu disse em Janeiro que queria fazer uma coisa especial e completamente doida no dia de todos os setes (sete é o meu numero favorito) e que já tinha uma ideia, a ideia era mesmo esta: fazer um salto de queda livre, coisa que já há muito que queria fazer (teria uns 14-15 anos e tinha acabado de ver
este filme quando decidi isso he he).
Os meses passaram-se e acabamos por adiar uma visita a londres por causa do baptismo de voo, porque queríamos que coincidisse com o baptismo de queda livre (o salto tandem, quando não se tem o curso)..Os contactos começaram umas semanas antes, e na quinta, a dois dias da data que queríamos tivemos a confirmação que o salto ia mesmo acontecer. Não cabia em mim de contente...e depois comecei a ficar ansiosa..
As 24 horas que antecederam o salto foram estranhas..parecia que estava a viver em câmera lenta, a registar todos os momentos e todos os pormenores como se fossem os últimos. E o tempo nestas alturas não dá tréguas, passa a correr..
Saímos de casa por volta do meio dia e meio, e ainda passamos pelo Leroy para ir tomar o pequeno almoço (eu já disse que adoramos a pastelaria deles?). Tava um calor desgraçado e a questão do vento ainda me estava a preocupar, apesar de já ter tudo confirmado..
Chegamos a évora por volta das duas e meia, e andamos um bocado às voltas à procura do
aeródromo. Tinha fome mas não conseguia ingerir nada a não ser líquidos (fartei-me de beber agua). Desde sexta que andava com o estômago enguiçado. Não consegui comer nada de jeito ao almoço, nem ao jantar, e hoje o pequeno-almoço ficou a meio..
Uma vez chegados ao
local, fomos lá ter com a malta do aero clube de évora e ver como se iriam proceder as coisas.
Sugeriram-nos que fossemos separados, para que um pudesse apreciar o salto do outro, coisa que não ia acontecer se fossemos os dois ao mesmo tempo. Concordamos, e eu quis que o marido fosse primeiro, se não, o meu salto ia ser desastroso (eu estava com um medo de morte que lhe acontecesse alguma coisa..), ia lá para cima ansiosa e nervosa, e não ia apreciar nada daquilo...
Meia hora depois, eis que
ele aterra. Finalmente, paz interior!
Ele vinha esbaforido, completamente passado com o salto..tinha adorado!
Depois foi a minha vez..
Como o marido já tinha saltado, já tava muito mais descansada. Vesti o fato nas calmas enquanto eles se preparavam para mais um salto, e entretanto vimos a gravação do vídeo do marido (que há-de vir) e chegou a minha hora. Umas breves
instruções de como devo agir lá nas alturas, e siga pa bingo!
Entrei no cessna descontraidíssima. Ainda éramos uns quantos lá dentro e aquilo era a modos que apertado, mas o voo foi divertido. Nada de enjoos, tonturas, vertigens nem ataques de pânico...até tava surpreendida comigo mesma..
Entretanto o avião abrandou e a porta abriu-se e saltou um, depois subiu mais um bocadinho e saltou outro, e nesta altura já eu estava bem amarrada ao instrutor. O salto estava eminente e eu, apesar de estar um bocado mais agitada, continuava calma.. mesmo apesar de já estar pendurada fora do avião!
Senti uma palmada no ombro, era o sinal para cruzar os braços...
WOOOOOSH!
Nem sei bem o que senti quando ele se largou do avião, aconteceu tudo demasiado rápido não deu sequer para pensar. Senti uma reviravolta e quando dei por mim estava a ver o mundo por baixo de mim. A queda-livre é uma sensação estranha, o estômago não dá sinal de vida, não se sente vertigens, não se tem medo, não se ouve ou sente nada a não ser o zumbido nos ouvidos por causa da velocidade da queda e o vento a entrar ferozmente pelo nariz...quase que parece que não estamos no nosso corpo..
Depois senti outra palmada no ombro, era sinal para recolher os braços outra vez para ele abrir o para-quedas. Preparei-me para um esticão valente, mas não senti grande coisa. Quando dei novamente por mim, estávamos a planar, com meio alentejo por baixo dos nossos pés. Eu estava completamente extasiada, não só com a descida, mas também com a vista, que é de cortar a respiração! Ele só me perguntava se estava tudo bem porque eu não parava de dar gritinhos..ainda sugeriu que eu tomasse as rédeas do para-quedas um bocadinho, mas eu não quis, deixa-me lá mazé curtir a vista!
Estava-se tão bem lá em cima...era cá uma paz naqueles céus...
Lá em baixo, era tudo em miniatura e ia ganhando dimensão à medida que descíamos.. parecia que estava a brincar com o google earth he he
A hora de aterrar aproximou-se rapidamente. Preparei-me para a aterragem e
pumba! Perfeita! Correu tudo às mil maravilhas!
Não senti a descarga de adrenalina gigantesca que estava à espera, no fim ficamos com a sensação que soube a pouco e que afinal não é nada do outro mundo (apesar de meter respeito, claro), talvez tenha sofrido mais quando andei no
meteorito no colombo (salto negativo). O conceito assusta um bocado, mas depois de se fazer, ficamos com uma opinião diferente. É realmente uma experiência sensacional, senti todo o tipo de emoções num só dia!
The last but not the least: A malta do aero clube foi impecável, repito,
impecável, em todos os sentidos, muito acessíveis e atenciosos.. e são uns ganda malucos hi hi hi. Tornaram a experiência anda melhor. Um grande
OBRIGADO a eles!
E pronto, jamais irei esquecer-me deste dia enquanto for viva... e era mesmo essa a intenção!
Ah, fotos com fartura
aqui!
(ah, e risquei mais uma coisa na minha
lista)