...e finalmente retornamos àquele pedaço de paraíso no meio do alentejo!

lá estava, tal e qual como o tínhamos deixado o ano passado. tal e qual que é como quem diz, pois houve umas melhorias nas instalações por aqui e por ali.
chegamos lá já tarde, já pairava no ar o cheiro daquele que é o prato tradicional da galé: frango assado à barrigudo!

o acesso à praia não está tão mau como no ano passado, mas até eles taparem os enormes regos causados pela chuva, é preciso alguma ginastica e equilibro para chegar lá abaixo. isso, ou usar os degraus do outro lado do parque, mas a descer, são francamente assustadores. a parte boa é que aquilo assim desencoraja muita gente a ir para a praia ^^
não posso apanhar sol nas virilhas por causa da dep. a laser. é um bocado chato estar a torrar ao sol com uma t-shirt a tapar-me as partes (o WW pouco o nada cobre, coitadinho), e o bronze fica esquisito, mas é por uma boa causa he he e mesmo assim, para reforçar a protecção, arranjei um SPF 30...mas depois descobri que aquilo tinha o seu quê de auto-bronzeador...não sei o que é pior :P

...e sem televisão, sem internet, sem playstation, é o povão fez as "delicias" da nossa estadia, pois acabamos por ficar atentos a tudo o que se passa à nossa volta:

situação 1:

na segunda noite, as tantas da madrugada, o vizinho de cima abre os pulmões e manda um berro aos vizinhos lá de baixo, que não se calavam:

- CALUDA!

os outros estrebucham, mas reduzem o barulho. e um quarto do parque agradece!

situação 2

nos wc's dos balneários femininos, por volta da meia-noite. entram duas gajas, e uma diz:

- ai pá, tenho que tirar esta "ovelha" de dentro!

situação 3

...e que me enervou até à raiz dos cabelos. balneário das gajas, where else! três pindéricas trintonas, acompanhadas pelas pindéricas das filhas (uma cada). cada uma mete-se no seu balneário, ocupando metade daquela merda à cabeça. as mães ficam cá fora...para passar os frascos de champoo e gel de banho e roupa por entre as meninas! levam demasiado tempo a tomar banho e a gritaria que produzem começa a dar-me dores de cabeça: "OH MÃE PASSA-ME O CHAMPOOOO", "Ò MÃE PRECISO DO GEL. DO GEEEEL", "ÓÓÓ MÃEEEEE ONDE ESTÁS!", "MÃÃÃÃÃÃEEEEEE".... e se fosse todas pro $%%# que as /&)/(/&?

vou pra lá há três anos e nunca apanhei tal rebaldaria e falta de respeito pelas outras pessoas. se não se tinham enfiado nos duches aos pares. eram crianças, for crissake!

começa a formar-se fila para o duche.

depois saem as filhas e entram as mães.

a fila pro duche já chega à rua, o gajedo bufa. memórias do temível mês de agosto emergem-se-me na mente.

entretanto chega a minha vez. não levo muito tempo, até porque estou a morrer de fome.

saio de lá, o que é que encontro? aquelas putas, que não tem outro nome, açambarcaram por completo a bancada dos lavatórios, que ainda é grande.
por ela amontoam-se sacos e mais sacos, frascos e boiões de todo o tipo... e roupa, muuuita roupa. para além da bancada, monopolizam também todas as tomadas para carregarem os telemoveis, e eu preciso duma para secar o cabelo.
levam ali à vontade 15mn. penteiam-se, enchem o cabelo de porcarias, besuntam diferentes partes do corpo com diferentes tipos cremes, perfumam-se, vestem-se, lavam os dentes, lavam os fatos de banho, tudo nas calmas. e que galinhas pá, parecia a feira!

..e eu ali ao lado, claramente a precisar de espaço para terminar o que tinha ido ali fazer. as veias no meu cérebro parece que vão explodir a qualquer momento.

e elas, perfeitamente conscientes da minha presença, ainda diziam umas prás outras: "ai, ocupamos isto tudo, temos que nos despachar!" mas tarem a dizer isto ou tarem-me a mandar ir pastar tinha exactamente o mesmo significado.

finalmente arrumam as tralhas e partem. restou uma outra pindérica, que não pertencia ao grupo. um bocado badalhoca, esta. sempre que ia ao balneário, apanhava a gaja lá, quase sempre nua. uma das vezes, de perna alçada, pé apoiado no lavatório, a espalhar creme...é que se ainda fosse boa...
(minutos antes, tinha apanhado esta "coisa" a regressar da praia, a arrastar a filha de dois anos pelo braço e a prometer-lhe "uma lambada" caso ela não se calasse. a miúda era bem querida, fiquei com pena por lhe ter calhado na rifa uma mãe tão calházona, sempre a gritar com ela e a trata-la mal...)

o marido, que esperava pacientemente por mim, contou-me que cá fora, o gajedo só cascava nas pindéricas. afinal não foi só impressão minha!

situação 4

vizinhos de cima tentam fechar a 3 segundos e não conseguem, o tom de voz em que comunicam vai subindo gradualmente. o marido, habituado a salvar o dia aos campistas donos daquelas tendas, decide ir ajudar.

afinal não consegue dar grande ajuda porque calha aquela tenda ser um modelo novo que se fecha de modo diferente. fica ali um bocado a mandar uns bitaites e depois despede-se, lamentando não ter sido grande ajuda, ao que o vizinho lhe responde:

-nah, ainda bem que viste, se não saíamos daqui à batatada!

situação 5

gajo com ar de pimpalhão, nos seus trintas, com um rolo de papel higiénico na mão, acompanhado pelo pai, típico tuga cinquentão, barrigudo, vestido de alto a baixo à selecção nacional, a uns 10 metros do seu acampamento, grita:

- Ó PAULA! QUANDO EU CHEGAR, QUERO OS CARACÓIS NA MESA, OUVISTE?

íamos com o mesmo destino deles, e minutos depois, quando saio do balneário, ouço a peça, que também vinha a sair, comentar com o pai:

- "foi falso alarme eh eh eh, dei só uma mijinha!"

só não assisti foi à reacção dele, ao chegar ao acampamento, pois a Paula ainda não tinha os caracóis na mesa. faço ideia a indigestão que devem ter apanhado, depois daquele jogo que eu felizmente não vi. mais tarde o marido comentou que eles não fizeram outra coisa no wc se não peidarem-se..

estes campistas foram alvo da nossa curiosidade desde o dia 0, pois tinham um acampamento deveras interessante: tinham uma carrinha com arca frigorífica cheia de comida e apetrechos, uma tenda pequena, e um colchão insuflavel alto no qual dormiam... ao relento! e tinham uma colcha com as cores da selecção! belo festim deve ter tido a mosquitagem praqueles lados lol
...e mais, tavam sempre, sempre, a ver TV
 na maior parte do tempo só costumavam lá estar um casal de cotas, mas volta e meia, a prole aparecia.

deve ter havido mais, mas não me lembro de tudo...acho que vou começar a levar um bloquito de notas e tirar uns apontamentos he he he

e claro, não vejo a hora de lá voltar! hi hi hi

...agora, tenho que aprofundar esta minha teoria de que acampar produz uma série de pesadelos estúpidos, tanto em mim como no marido. é que nunca falha!

19 de Junho de 2008, às 23:25link do post comentar