Lost in... Amsterdam

antes de mais, um pecanito facto sobre mim: não sou particularmente fã de cidades, prefiro mil vezes o campo, a minha conta no flickr não me deixa mentir. por isso não fiquem admirados por eu não ter parecido deslumbrada pela cidade.

 

amsterdam (centrum) é uma cidade completamente diferente daquelas a que estamos habituados: a arquitectura nada tem a ver com a nossa e mais parece uma vila gigante: edifícios estreitos e nunca muito altos, de tijolo escuro e grandes janelas sem cortinados nem receio de voyeurs.

onde é suposto haver estradas e carros, existem canais e barcos (e barcos-casa também), e os habitantes deslocam-se agilmente em bicicletas gigantes (tal como eles próprios) algo bastante facilitado pela inexistência de elevações no terreno.

 

porque as ruas não o permitem, e as pessoas ou deslocam-se a pé, de bicicleta ou de transportes públicos, grande parte do centrum não tem carros e o ar é pouco poluído. surpreendente a água dos canais, que apesar de parecer suja, não cheira mal. é agradavel passear por lá, apesar daquilo parecer um labirinto sem fim nem principio :D

 

mas, ao que interessa!

 

entrámos pela "porta" principal, a amsterdam centraal, um edifício massivo onde chegam e partem comboios para todo o lado, urbanos, nacionais ou internacionais. dali podemos apanhar uma imensidão de outros transportes públicos, como o metro (numa cidade com tanta água, é incrível como aqueles moços têm 3 linhas de metro e outra em construção!!), eléctrico (os mais novos iguais aos de almada), autocarros, taxis e ferries.

 

dali fomos onde todos os turistas vão: ao posto de turismo, localizado à esquerda da estação. lá compramos um mapa da cidade e bilhetes para uma tour pelos canais.

 

a tour durou cerca de uma hora e levou-nos pelos canais principais e pelo rio amstel. com audio comentário em três línguas que ia apontando os factos históricos e as curiosidades pelo percurso. volta e meia chamavam a atenção para uma parte da cidade que supostamente seria diferente da anterior, mas no fundo, quem vê um quarteirão, fica com a sensação que vê todos, porque os edifícios são muito parecidos.

 

saltamos da tour perto da centraal station e palmilhamos até ao mercado das flores. se soubesse o que sei hoje tinha ido de eléctrico, que aquilo ainda é um esticão do caraças. 

o mercado das flores é fixe. de um lado bolbos, de outro lojas de souvenirs, smart shops, restaurantes. parecia a caparica em hora de ponta (sem as flores e os cogumelos).

 

dali subimos novamente, pela kalverstraat, a rua augusta lá do sitio, mas ON STEROIDS.. tanta, tanta, tanta gente que nem de bicicleta se dava circulado. lojas e mais lojas, e mais lojas. e outra vez mais lojas!

lojas que se repetiam a cada quarteirão (seis h&m entre essa e a rua seguinte, a nieuwendijk, contei eu), e nunca vi tanta cadeia de fast food num sitio só.. mc donalds, burger king, subway, you name it, a cada esquina.. isso e tascas de kebabs e de batatas-fritas, pizzas e sandes. o pivete constante a fritos e kebab era agonizante..
ainda entrei numa camper e numa crocs, mas os preços lá não são mais baixos do que cá.. 

 

passamos pela famosa dam e seguimos pela nieuwendijk, onde paramos para comer qualquer coisa. optamos por lanchar english breakfast, era isso ou hamburgers e kebab.. na holanda, ou paga-se forte e feio, ou come-se mesmo mal :P

 

curiosidade: há gatos em praticamente todas as lojas e restaurantes. dizem que é por causa dos ratos. a avaliar pela massa gorda daqueles fartos felinos, deve existir *muita* vida também debaixo daquela cidade :D

 

ir para norte nestas alturas é um grande fail porque os dias são minúsculos e ou acordamos muito cedo, ou perdemos logo metade do dia. quando terminamos o repasto, às cinco e meia, a noite tinha caído.


a massa humana deslocava-se agora para oeste, e nós seguimos a manada. o destino? red light district!

 

red light, red light, o que é que posso eu dizer de ti? aquilo não tem putas a cada esquina, tem putas a cada janela.. ainda não consegui encaixar muito bem aquele conceito.. não estou de todo familiarizada com a cena da prostituição seja onde for, faz-me muita confusão. mas tava ali, ia conhecer.

 

bom, havia-as para todos os gostos: gordas, feias, novas, velhas, e boas.. mas boas de eu ficar parada em frente à montra.. com inveja do físico delas. 

acho que corremos os becos todos, até aqueles sem saída (que eram onde estavam as melhores), e vimos de tudo. até que decidimos, já que estávamos ali, ir ver um show ao vivo.

 

não apreciámos particularmente a experiência. na verdade senti-me mal por estar ali:

 

a) achei uma roubalhice o que paguei pelo que me foi "servido" (isso ou o PH deu cabo de mim muhahahahah)

b) achei deprimente. pelas expressões dava para ver que ninguém queria estar ali e nem estava a gostar do que estava a fazer.. compreensível.

c) apercebi-me que estava a contribuir para manter uma cena degradante..

 

enfim, não foi minimamente excitante... moving on!

 

ainda entramos numas quantas sex-shops mas também nada do outro mundo. ah, vendem-se lelo's em *todo* o lado!

 

entretanto as ruas fervilhavam. pareciam o bairro alto, mas a uma escala absurda!

ruas, restaurantes, coffee shops, tudo cheio... ouviam-se todas as línguas e mais algumas. aquela zona é definitivamente internacional!

 

por volta das oito da noite já estava cansada daquela confusão e voltamos para haarlem. fomos jantar numa steak house, que são dos melhores sítios para comer por lá. pode-se até considerar que são caras (cerca de 25€ por pessoa) mas palmamos um bife ma-ra-vi-lho-so. valeu mesmo a pena (temos que lá voltar, temos que lá voltar, temos que lá voltar)!

 

no dia seguinte voltamos à carga!

 

não tava de apetites a dar muito a pé, para não me cansar, por isso decidimos comprar um bilhete diário de eléctrico. 7€ cada um, e dava para andar naquilo à vontade.

 

então decidimos dar um saltinho à museumplein, já que toda a gente vai lá. mas museus não são bem a nossa cena, acabamos por não visitar nenhum.. fomos só ver o pessoal a tirar a foto cliché, pendurado nas famosas letras I AMSTERDAM..

 

ficamos mais interessados no mercado de rua, que tínhamos visto pelo caminho, na albert cuypstraat, que parecia não ter fim. lá babamos para cima das bancas de peixe, legumes, fruta, chocolate. nunca tinha visto um mercado daquele tipo ao ar livre. and again... taaaaaaanta gente por todo o lado!

 

dali fomos comer qualquer coisa.. desta vez foi mesmo fast food.. fomos ao burger king da leidseplein, outra praça sobrelotada. enquanto lá estivemos, a comer um hamburguer merdoso voltados para a rua, até dava para ficar tonto com aquele fluxo de pessoas. btw, pagar para ir arriar o calhau à casa de banho do estabelecimento onde estamos a consumir é um epic fail :P tava limpinha, menos mal..
por falar nisso, havia montes de urinóis portáteis espalhados pela cidade.. ca nojo! (bem, mas antes isso do que esquinas empestadas de cheiro a mijo..)

 

entre passear pelas ruas e ir até quase fora dos limites da cidade de eléctrico, ainda houve tempo para os souvenirs. as lojas lá vendem socas de madeira à bocas aos molhos e de todas as cores, bibelots, bolbos de flores, sementes, bongos, dildos.. os ex-libris do país e mais qualquer coisinha.

 

e depois tava na hora de fazer o que é suposto fazer quando se vai a amsterdam: hit the coffee shops!

 

mas isso.. erm..  what happens in amsterdam, stays in amsterdam :D

 

posso apenas adiantar que fiquei com pena de não me lembrar bem de chinatown nem das figures de daft punk que estavam na montra duma comic store (ainda bem que estava fechada) e que o meu homem é "um bom homem" muahaha!

 

ainda vou escrever mais um post, para resumir a experiência no país das tulipas, que este já vai longo he he