Gerês // dia 1

acordei com o hóme cravado na sanita, a vomitar as entranhas.. muito provavelmente cortesia da sande que tinha comido no dia anterior, na AE. começamos bem.. not :P

 

na estalagem, o pequeno-almoço é servido numa sala com uma vista panorâmica de cortar a respiração. não conseguia descolar os olhos do horizonte, enquanto me questionava quanto tempo precisaria eu para calcorrear aqueles gigantes de granito todos (..e se teria tin-tins para tal).

 

por volta da hora de almoço, o marido já estava a sentir-se melhor mas como as minhas pernas ainda estavam doloridas da mini-maratona não quis meter-me em grandes aventuras. por isso em vez de nos equiparmos para a serra, decidimos ir conhecer duas das aldeias mais castiças ali da zona: pitões das júnias e tourém

 

entretanto, mal entrámos na estrada experienciámos aquilo que se iria tornar o prato principal do dia: engarrafamento de vacas!

vaquinhas

 

one does not simply go through a herd of cattle.. é preciso esperar que elas reparem que estamos ali e decidam afastar-se para o outro lado da estrada.. normalmente é coisa para demorar.

este primeiro encontro teria corrido bem, se não fosse o cão que vinha a acompanhar a manada, meter-se a correr desarvorado atrás do carro durante umas boas cententas de metros... ODEIO quando os cães fazem isso. é um perigo para eles e para o condutor.. vai na volta é por causa disso que encontrámos tantos a "coxear"..

 

à entrada da aldeia, esperar que a manada número 3 e 4 passassem. era eu a recuar e elas a virem cada vez mais para cima.. às tantas desisti e deixei-me estar quietinha.. fechar o vidro que não quero cá cumprimentos.. e pedir aos santinhos que não se roçassem no carro nem me arrancassem um espelho.. não tenho medo delas, sei que são animais pacificos.. tenho é muita estima pelo meu carrinho!

 

antes de me cruzar com a manada número 5 mudei de direcção e entrei numa rua que ia ter ao mosteiro e à cascata, que por ser mais longe, ficou para o fim. 

os incêndios não têm dado tréguas à serra.. a paisagem está desoladora..

quando chegámos a meio do caminho para a cascata, eis que surge uma escadaria de madeira.. fixe!


NOT!

 

aquela provação nunca mais tinha fim, o meu reino por um caminho de cabras.. depois chegámos finalmente ao miradouro e a vista era isto:

cascata de pitões das júnias

whaaaa... ficamos desiludidos. claro que ficamos! 

então descemos aquilo tudo para ficar tão longe da cascata, que pitosga como ando, custava a vê-la? siga lábaixo!

 

se este tivesse sido um inveno decente, não tinhamos conseguido aproximar-nos tanto.. corre praí aos niveis de agosto..

cascata de pitões das júnias

 

pronto. descer não foi dificil... e subir?

 

quando alcançamos o miradouro já vínhamos os dois todos estropiados, com os bofes a sair por fora. agora *só* faltavam umas quantas centenas de escadas até apanharmos o caminho de volta ao carro.

parecíamos umas tartarugas.. arrastámo-nos a muito custo escadaria acima, a ter que fazer paragens a cada lanço. távamos exaustos e mortos de sede.. é que para piorar a coisa, tava um calor dos diabos.

 

dizer que estávamos em péssima condição fisica é estar a ser simpática.. os próximos dias adivinhavam-se tramados!

 

por sorte, no topo da escadaria corria um regato de água límpida, e foi mesmo ali. queria lá saber donde vinha.. era água e tava bem fresquinha, exactamente o que estávamos a precisar!

 

lição nº1 do dia: mesmo que o passeio seja curto, levar sempre uma puta duma garrafa de água atrás!

 

depois de recuperados daquela estafa, fomos até à aldeia, morder o ambiente. não se via ninguém nas ruas, mas tivemos uma interacção interessante com os nativos, num café/restaurante. aquela malta não se acanha, mesmo na presença de estranhos :D

pitões tem uma localização fora do comum. é cercada por uma muralha natural de granito cujas formas que impõem um certo respeito. ao por-do-sol aquela aldeia é qualquer coisa.. mas sobre isso falo no post mais à frente. 

 

próxima paragem: tourém

tentámos entrar pelas "traseiras", através duma estradita que sai directa de pitões, mas ao chegarmos à aldeia galega de requiás, acagacei-me* e achei que o carro não passava naquelas ruas tão estreitas. decidi meter a marcha-atrás e retomar o acesso "oficial".. temos pena! 

(entretanto fui ao google maps e o carro do street view andou por lá, o destemido.. segui o trajecto e não me arrependo de ter voltado atrás :D)


tourém 

é uma aldeia espantosa, provavelmente repleta de história. para começar, fica situada num apêndice que rompe por espanha adentro. pôe-nos a pensar como conseguiram os habitantes dalí manter aquele pedaço de território português, ao mesmo tempo que mantêm relações sãs com os vizinhos galegos.. tem um acesso para portugal e três para espanha. é brutal!

as casas mantêm a traça original e estão bem conservadas, o que lhe dá aquele charme de aldeia perdida no tempo. pena a cota da barragem de salas estar tão embaixo, seria o postal perfeito.

 

a expressão popular "fica atrás do sol posto" assenta que nem uma luva a tourém.

uma grandessíssima falha da nossa parte foi durante a estadia na parada do outeiro fartármo-nos de passar por lá, sem nunca pararmos para ir explorar. ficámos-lhe a dever uma visita mais demorada.

 

foi ali onde apanhámos os engarrafamentos mais assustadores. entrámos pela aldeia adentro, já a medo porque naquelas ruas só passa um carro de cada vez, e demos de caras com as manadas número 5, 6 e 7 do dia.. só viamos vacas pela frente. e mais uma vez a isa rezava aos santinhos para que o cascas saisse dali sem mazelas, a mirá-las pelo retrovisor e a ver que faltava um bocadinho assim para ter que entrar em despesas.. a cada passada que elas davam junto ao carro, toda eu tremia.

 

lição nº2 do dia: não entrar com o carro em tourém às seis da tarde!

 

depois de circularmos a entrada em espanha a norte, demos o dia por terminado. de regresso passámos pela manada número 8 do dia.. esta era muito diversificada. não só vinham vacas como também ovelhas, cavalos, e burros.. tudo muito descontraído da vida :D

o verdadeiro inconveniente das vacas andarem nas estradas nem é tanto os engarrafamentos, com isso posso eu muito bem.. o problema é o rasto de bosta que elas deixam por onde passam. quando o carro atropela as "minas", aquilo é projectado para todo o lado e ficamos com esterco agarrado até às entranhas do carro.. ao fim do dia tava todo badalhoco, coitado..

anyway, as estradecas por onde andei naquele dia deixaram-me deliciada. estreitas, piso em condições aceitáveis, sem muito movimento, curvas q.b. e uma paisagem lindissima w00t

nessa noite jantamos bacalhau assado!

 

* já tou queimada com essa coisa de meter o carro em sítios por onde ele custa a passar e/ou não passa mesmo, é que tira-lo da ratoeira é o cabo dos trabalhos, não ganho para o susto.. assim de repente vem-me à memória castelo de vide, évora, alegrete, loriga, gibraltar, e o parque de estacionamento do saldanha residence.. agora quando me cheira que a coisa vai ficar apertada, dou logo meia-volta ao cavalo, fim de história!