Dormir no carro é fixe!

poupa-se uma porrada de guito em alojamento (não tenho ideia de quanto pode custar uma dormida na mais modesta das pensões num destino de praia em pleno agosto, mas suponho que por menos de 50€/noite não arranje grande coisa), e temos liberdade de ir para onde nos apetece sem preocupações. insatisfeitos com o local? basta soltar as amarras!

 

mas tem as suas desvantagens..

 

o cascas até pode ser espaçoso e nós dois pigmeus que cabem em qualquer cochicho, mas a coisa requer logística, agilidade e paciência. mas o carro foi caro, só tem mais é que render, né? :D 

 

rebater os bancos, encher e acomodar o colchão é o menos. quando chega a hora do sono é que são elas!

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a rotina "pré-dormida" inclui não esquecer de estacionar o carro com a traseira mais elevada que o nariz, para vencer o desnível dos bancos rebatidos (assunto a resolver em breve) e assim dormirmos mais confortáveis, amanhar as "pratas" nos vidros da frente e de trás, verificar se os vidros estão ligeiramente descidos (para o ar circular durante a noite), se as cortinas laterais estão devidamente encaixadas nas janelas para não entrar mosquitagem (na primeira noite tivemos uma invasão e pêras), se o carro está trancado, e decidir se queremos ou não dormir com o tecto panorâmico aberto. 

 

(se calha adormecermos a mirar o céu - que é do mais saboroso que há - somos violentamente acordados pela claridade da alvorada e começamos a assar lentamente.. ter que ir ao lugar do condutor desbloquear o carro, ligá-lo, fechar o tecto e desligá-lo, é chato)

 

porque o carro é alto, é necessária uma certa ginástica para entrar (ou sair) pelas portas traseiras, ao mesmo tempo que temos que descalçar-nos para não sujar os interiores. marradas na porta acontecem com frequência. 

(entretanto chegámos à conclusão que entrar pela parte da frente do carro facilita a tarefa. cravamos os joelhos nos assentos e mergulhamos lá para trás, por entre os bancos)

 

com os bancos rebatidos e a "cama" feita, o único espaço livre que sobra para a tralha que transportamos é onde normalmente viajam as pernas dos passageiros traseiros, zona essa que fica tapada pelo colchão. quando precisamos de qualquer coisa, temos que levantá-lo, o que faz com que ande sempre a roçar nas costas dos bancos dianteiros. aqui não há volta a dar, é rezar que o tecido seja bom (o que parece ser o caso) :D

 

the last but not the least, não ter uma retrete digna nas redondezas. ainda que a malta contorne a questão levando um garrafão de 5l de água, que serve essencialmente para lavar a tromba e os dentes, existem hábitos difíceis de quebrar :D pessoalmente não me importo de cagar no mato, já o homem... banhos, só de toalhitas. e ainda foram uns quantos (dia-sim-dia-não).

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apesar desta trapalhada toda, adoramos isto e sabe tãããããããããããããããooo bem dormir no carro!

 

sobre os sítios onde pernoitamos..

 

nos alteirinhos, junto à falésia. é o meu spot favorito mas a bófia não vai na conversa.. há uns tempos atrás espetaram lá uma placa a dizer que é proibido pernoitar, mas ninguém parece realmente querer saber disso. na manhã do segundo dia, távamos nós na ronha, quando apareceram dois agentes da autoridade a mandar a malta recolher ao estacionamento "oficial". o truque parece ser chegar tarde e sair cedo :)

 

já na margem alentejana da ribeira de seixe, a história é outra. estão sempre lá montes de caravanas estacionadas, de toldos e esplanadas montadas. parece uma pequena comunidade, em constante metamorfose. raramente conseguíamos estacionar no mesmo sitio e havia sempre vizinhança nova.

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espanhóis, franceses, alemães, holandeses, e tugas. tudo ao molho e fé em deus. apesar do aspecto (por vezes) duvidoso, a estrangeirada que por ali pára, aparentam ser malta fixe, calma e super educada. metiam-se na conversa uns com os outros e estavam todos na boa e em paz com o mundo. 

adorava vê-los a curtir o pôr-do-sol enquanto jantavam, e baterem palmas perante o espetáculo.


(já os tugas... mas isso é história para outro post he he he)


tá-se muito bem por ali, pena que a zona esteja um bocado maltratada devido à movimentação incessante de gentes, mas a proximidade à praia é um grande ponto a favor. é só preciso atravessar o rio! 

23 de Agosto de 2012, às 23:03link do post comentar(1)