Ribeira de Seixe

por comodidade, nos primeiros dias de praia em odeceixe, estacionávamos sempre na margem alentejana da ribeira (onde pernoitávamos).. ficávamos mais próximos da praia, não havia tanta confusão de carros, etc..

 

mas se por um lado não tínhamos chatices com estacionamento, nem ter que descer ou subir os degraus que dão acesso à praia, por outro, tínhamos que atravessar a ribeira. à maré vazia não causa transtorno nenhum, já à maré cheia.. 

 

devido ao alinhamento cósmico, durante os dias que lá estivemos, a maré estava sempre cheia (a encher ou a vazar) à hora que queríamos atravessar.. e era com cada uma mais exagerada que eu sei lá (o que não era necessariamente mau).

 

no primeiro dia atravessamos à pata, que a coisa ainda não estava muito grave. só levei com água pelo assento e quase perdi uma havaiana na correnteza.

 

decidimos abancar logo por ali, longe da confusão. ao longo do dia fui-me apercebendo de como as pessoas se divertiam naquelas águas mais calmas. umas andavam de canoa, outras faziam paddling em cima de longboards, outras deixavam-se deslizar em botes e colchões insufláveis... e aquilo começou-me a fazer uma inveja comichosa. nesse dia, quando fomos a s. teotónio tomar banho, fomo-nos aviar num chinês. 

 

no segundo dia de praia, a malta estava a atravessar o rio com água pelo peito, e como de costume, tava gelada. mas hoje não havia travessias à pata para ninguém! hoje tínhamos uma arma secreta, um...

 

..COLCHÃO INSUFLÁVEL :D

 

adivinhavam-se momentos intensos!

 

o marido sujeitou-se (não que ele quisesse, mas..) a ser o condutor da barca. tinha dois passageiros, o saco da praia, e eu!

como não quis ser cobaia e arriscar ir parar à água por qualquer falha técnica que pudesse ser corrigida na segunda volta, o saco de praia foi primeiro.

 

corajoso, o homem entrou pela água gelada a dentro e começou a empurrar o colchão, até que ficou parado a meio do rio, sem pé. a corrente estava mais forte do que o esperado e a primeira abordagem tinha-se revelado desadequada. ao tentar uma nova, quase voltou o colchão e mandou o saco à água.

 

entretanto, na margem, eu ria-me que nem uma perdida (shame on me :D). ainda bem que tinha recusado ir na viagem inaugural muhahaha

 

a seguir veio buscar-me. meti a mochila da máquina as costas e butes lá. no outro lado as pessoas assistiam divertidas ao nosso espectáculo. ainda se meteram com o homem, a perguntar pelo preço da travessia lol 

 

apesar de não ser muito grande, o colchão dava perfeitamente para andarmos os dois a cavalo. um em cima do outro, encostados, ou como calhasse, a flutuar pelo rio ao sabor das correntes. já me tinha esquecido como aquilo sabia bem. e se quiséssemos um bocadinho mais de adrenalina, à maré vazia, a foz fazia uma espécie de rápidos.

chillin'

 

entretanto já fiz saber ao marido que para o ano quero uma canoa insuflavel \m/