Cloud Atlas

há filmes que não gosto, há filmes que fico indiferente, há filmes que gosto.. e depois há o cloud atlas, que no espaço de algumas horas passou por todas as fases e conquistou um lugar firme no meu coração.. nem que seja pelo trabalho que me deu a percebê-lo lol kidding :)

 

a dificuldade que tive em escrever um post sobre ele é um reflexo da sua complexidade :P não sabia como, nem por onde havia de lhe pegar.. saiu bastante resumido, mas é da forma que não meto os pés pelas mãos e o resultado é uma algaraviada de todo o tamanho..

 

não tem grandes spoilers, mas se estão a pensar em vê-lo, não encorajo a continuarem.

 

what the fuck is this shit?

 

então os wachowskis (mais um amigo) ergueram este poderoso mindfuck de um livro com o mesmo nome, algo que o próprio autor julgava ser impossível de realizar, dado à profundidade da coisa. é um mosaico de seis histórias a decorrer em paralelo, situadas algures entre 1849 e 2346, e são completamente diferentes umas das outras.. até em género. aventura, drama, comédia, thriller, sci-fi.. há para todos os gostos!

 

ganha uma dimensão ainda maior quando começamos a reparar que temos os mesmos actores a saltitarem por todas as histórias, interpretando personagens completamente diferentes (seja idade, raça ou sexo - com cada caracterização mais dramática que nem ao diabo faz crer), com mais ou menos protagonismo - e o que isso implica.

 

caí na asneira de pensar que ia ver um filme sobre universos alternativos ou viagens no tempo.. é que nem lá perto!

a meio daquilo ainda não fazia ideia do que é que se estava a passar diante os meus olhos. mas estava tão intrigada (e frustada, vá) que não me permiti desistir. o mais chato de tudo era ter que estar constantemente a rever o filme na cabeça e não poder desviar a atenção por um segundo que fosse, senão tava tramada..

 

percebia-se que apesar de serem situações e linhas temporais distintas, havia muita coisa em comum entre aquela malta toda. estavam constantemente a passar por situações e dificuldades semelhantes e a depararem-se com os mesmos dilemas sociais e morais, mas todos eles acabavam por concretizar algo especial.. e somehow interferiam uns com os outros, como se estivessem interligados..

 

f* me sideways, this is some awesome shit!

 

com o final do filme a aproximar-se, as pontas começaram finalmente a unir-se e a coisa começou a fazer algum sentido. estávamos perante uma salganhada universal no verdadeiro sentido da palavra. acompanhámos ao longo do filme e daquelas seis histórias, várias almas a percorrerem o seu caminho e a desencadearem todo o tipo de reacções uns nos outros, através do espaço e do tempo. não restam grandes dúvidas no fim, tudo teve a sua razão de ser.

 

imo, aquilo parece ter ali uma certa inspiração budista. o autor explora o conceito do renascimento, dos laços eternos que nos unem uns aos outros e especialmente, o karma - a lei de causa e efeito das nossas acções. estamos presos num ciclo continuo de nascimento, vida e morte, que dura enquanto termos karma para corrigir.

mas é também mais do que isso - e o motivo que me levou a admirá-lo ainda mais: mostra-nos uma perspectiva diferente da nossa existência, das nossas relações e dos nossos actos. dá-nos bastante em que pensar. 

 

é exageradamente complexo, massudo e exige uma atenção desmesurada.. mas surpreendentemente belo ao mesmo tempo. tem uma história tão profunda, intrincada e tão cheia de detalhes que é impossível ficar indiferente ao génio do autor. os actores desempenham os papéis na perfeição e tem diálogos incrivelmente belos e repletos de significado.

 

resumindo: coze-nos a massa cinzenta em banho-maria, mas acho que vale bem a pena :)

20 de Janeiro de 2013, às 00:24link do post comentar