A Guerra das Estrelas

pessoas que não percebem a doideira à volta de star wars cheguem-se a mim, que eu explico (ou tento)!

mas antes deixem-me só iluminar aqui uma ideia:

ninguém é obrigado a gostar das mesmas coisas que os outros. eu por exemplo, não atino com harry potter, com twilight, com hunger games, entre tantas outras coisas, mas perder tempo a tentar perceber porque é que há quem goste é só estúpido. são gostos, e gostos não têm que ter explicação. é algo que existe bem dentro de nós, que mexe com emoções, com o imaginário, com medos e esperanças, valores e princípios, e até com a nossa personalidade. gostos não se percebem, sentem-se. 

quem gosta, gosta! quem não gosta, não gosta - e está tudo bem!

ainda aí estão? boa!

então, o fenómeno star wars divide-se em duas vertentes:

a máquina gigantesca de marketing, que tem como objectivo alcançar o maior número possível de pessoas. isso significa inundar os meios de comunicação e redes sociais, com notícias, rumores, artigos, trailers, sneak-peeks e featurettes, assim como inundar o mercado de merchandising, para gerar hype e promover o interesse no filme meses antes da estreia;

e uma geração inteira que cresceu com a saga no sangue, que perante um novo capítulo, sente-se tal e qual como uma criança na noite de natal, em êxtase. os nossos heróis de juventude estão de volta, para mais uma aventura épica na galáxia. rejubilemos!

quando temos meia dúzia de anos, somos extremamente influenciáveis, e há 30 anos o cinema podia não parecer tão épico como é hoje, mas acreditem que era, tanto ou mais! são coisas que ficam para sempre gravadas nos nossos circuitos. muitos de nós somos fãs de ficção científica por culpa desta saga. 

não sei quanto aos outros, mas eu mal vejo as letras azuis da intro e a música dispara, faço umas pinguinhas :D

ok, o enredo é básico: uma princesa em apuros, um jovem camponês que sonha com grandes aventuras, um contrabandista com a cabeça a prémio e o seu fiel companheiro, mais o bucha e o estica em versão lata, unem-se na tentativa de salvar a galáxia das garras do imperador mauzão e do seu capanga mascarado;

e a mensagem, quase infantil: a luta do bem contra o mal, dos oprimidos que não desistem, dos gestos de altruísmo e sacrifícios que se fazem em prol de um bem maior, da esperança, da fé, da força interior, das amizades improváveis, da família, do amor, e também do arrependimento e do perdão.

mas é a imaginação, e a forma como essa história nos é contada e mostrada, que faz toda a diferença.


o george lucas foi buscar referências e inspiração ao arco da velha, e construiu um universo fantástico. um universo do qual nós gostávamos de fazer parte mas não podemos porque foi há muito tempo atrás, numa galáxia muito, muito distante.

nessa galáxia existem muitos planetas. uns são desertos areia, outros de neve e gelo, outros estão cobertos por densas florestas quase impenetráveis. e apesar de alguns ficarem nos confins da galáxia, podemos viajar entre eles como quem apanha o metro.

esses planetas são habitados por uma grande multitude de formas de vida, maioria bastante insólitas e com ar de poucos amigos. e apesar de falarem (grunhirem) em línguas diferentes, todos parecem entender-se e convivem de forma relativamente pacifica. entramos em qualquer bar de esquina e é só malta esquisita, mas tasse bem!

e robots. mooooontes de robots, de todas as formas e feitios, e para todos os usos.

existem também estações espaciais do tamanho de luas, veículos do tamanho de prédios e naves do tamanho de cidades mas ainda assim capazes de se deslocar à velocidade da luz. e muitas naves pequenas e ágeis, que todos nós gostaríamos de as levar a dar uma voltinha pelo espaço.

e não nos vamos esquecer do campo de energia criado por todos os seres vivos, que nos rodeia, penetra, e mantém a galáxia unida: a Força. quem é que não gostaria de servi-la e usar o poder dela, como os cavaleiros jedi? esses samurai intergalácticos, que lutam com sabres de luz, capazes de fazer mover objectos com o pensamento, manipular a mente dos mais fracos de espírito, e até apertar-lhes o gasganete.

só que a paz está ameaçada, o império galáctico quer dominar a galáxia e controlar todos os seus habitantes. mas tem uma pedra no sapato, a aliança rebelde, que vai fazer o impossível para furar os planos do imperador.

os dois lados estão brilhantemente ilustrados: o do mal é distópico, opressor, industrial e estéril. isso nota-se na estética e sofisticação das naves e veículos de combate, e nos uniformes das tropas; o bem aguenta-se à bronca, luta com o que consegue meter as mãos e vai-se desenrascando. a sua coragem e determinação compensa o número e o poder de fogo do inimigo. as naves são antiquadas, parecem sucata, estão sujas e amolgadas, e em permanente manutenção.

as batalhas são travadas nos mais exóticos cenários: desertos, florestas, no espaço, em campos de asteróides, em cidades nas nuvens, no interior de naves e instalações militares, e também no covil de seres de índole bastante duvidosa. com tecnologia engenhosa, armas de laser e outras mais rudimentares, como pedras e paus.

aliado a e este festim visual está uma banda sonora épica, que se entranha debaixo da pele, que faz arrepiar, que nos fica no ouvido para sempre. não é por acaso que é considerada pelo american film institute como a melhor banda sonora de todos os tempos.


quando o primeiro filme estreou, há quase 40 anos, filmes sobre o espaço não eram propriamente dito novidade, já havia o 2001, o star trek, entre outros tantos. mas nos anos 70, o sci-fi não estava particularmente na moda, e o risco de falhar era tanto que ninguém dava muito pelo filme. tinha um orçamento muito baixo e foi lançado no cinema como sendo um filme de categoria B. 

o inesperado aconteceu, a estranha fórmula que misturava sci-fi com fantasia, aventura e até comédia agradou a miúdos e graúdos, que invadiram o cinema em peso. tornou-se num brutal fenómeno de bilheteira e de cerca de 30 salas passaram a mais de 1000 em poucos meses. em algumas ficou mais de um ano em exibição.


os novos ficaram completamente deslumbrados pela aventura, pela magia e o pelo fantástico, os mais velhos por todo aquele universo excitante, divertido e despretensioso, que invoca a esperança de uma realidade melhor, que quebra os limites da existência monótona, e expande os horizontes da imaginação.

para a altura, os efeitos especiais eram revolucionários, e os efeitos sonoros do outro mundo. e está ali muito trabalhinho, entre cenários pintados à mão, maquetes e adereços, tudo feito à unha!

parece mal polido, desajeitado, o argumento meio desconjuntado e alguns diálogos são tenebrosos.. e parte do seu charme vem disso mesmo.

hoje em dia existem filmes imensamente maiores, com melhores efeitos especiais, melhor guarda roupa, melhor produção, e até melhores actores... e mesmo assim não conseguem destronar aqueles três filmes trapalhões, que roubaram para sempre, uma parte do coração a milhões de pessoas por todo o mundo. star wars entrou torto por linhas direitas e acabou por revolucionar não só o género da ficção cientifica, como a própria forma de se fazer e consumir cinema. tornou-se num clássico intemporal, num culto, num símbolo de uma geração.

mas não se apoquentem muito, que a febre está quase a passar e daqui por uns meses já ninguém vai falar do filme, os fanboys vão voltar todos para dentro das suas tocas cheias de memorabilia, maldizendo ou não, este novo episódio, uns a excomungá-lo, outros a abraça-lo e dar-lhe as boas-vidas no seu seio. all's well that ends well.


may the force be with you!

agora com licença que chegou a minha vez de ir ver o filme :D

19 de Dezembro de 2015, às 21:00link do post comentar(1)