A última vez

eram quase seis da manhã, eu só já queria aterrar no vale dos lençóis, para encostar a cabeça numa almofada um par de horas antes de ter que me fazer à vida novamente. àquela hora nem pensar que ainda ia esperar por um autocarro, daí que tomamos um táxi, numa zona de bares, que fica de caminho.

o taxista estava muito animado, e não deve ter percebido pela nossa cara que não tínhamos acabado de sair de um bar já valentemente tocados, mas sim de um dia de trabalho que já durava há quase 20 horas. na rádio passava kizomba em altos berros, e mesmo com as nossas cabeças a pender pro lado, ele não. se. calava. com conversa de circunstância. 

por cortesia, não nos manifestamos, provavelmente até ele estaria farto do dia da noite de trabalho e aquilo servia-lhe de escape. o nosso silêncio deveria ser suficiente para dar a dica, só que não... entretanto, a rádio interrompeu a música para passar uma rubrica humorística qualquer. o fulano aumentou ainda mais o volume, e ria-se alarvemente das parvoíces que as colunas do carro iam grunhindo, num ruído quase ensurdecedor para os meus ouvidos já sensíveis ao som. cada km que passava pela janela, tinha um sabor a conquista.

na manhã seguinte instalei uma certa app. temos pena, meus amigos.

29 de Abril de 2016, às 21:41link do post comentar(4)