Cinquenta tons de outono

andava de apetites a voltar à serra. não preciso de muitas desculpas para dar lá um saltinho, mas por acaso até tinha. entre elas, queria caminhar e a serra tem uma paisagem particularmente bonita nesta altura do ano. só que a meteorologia não parecia muito interessada em colaborar.. depois de semanas a adiar, o caso mudou inesperadamente de figura e parecia que o verão ia regressar por uns dias. não podíamos deixar escapar a oportunidade!

foi difícil de sair de lisboa. estava um trânsito medonho ao fim da tarde de sexta, passei uma hora metida numa fila até conseguir chegar às portagens de alverca, que dor!!! mas mesmo assim consegui chegar a manteigas a tempo de jantar uma bela duma feijoca :D’

a noite estava fresquinha, mas nem lá perto daquelas temperaturas gélidas que apanhamos em dezembro passado, e não havia vestígios de nuvens no céu. o fim-de-semana prometia.

sábado amanheceu quentinho e sem vento. jackpot!!! havia uma ou outra nuvem a dar o seu ar de graça, mas nada que ameaçasse descarregar água em cima da malta. estava perfeito para dar à corda às botas.

seguimos a rota das faias. se há passeio pitoresco em manteigas durante outono, é aquele. há uns anos descobri que o outono é absolutamente maravilhoso na serra, mas naquela ocasião estava frio e chovia, nada convidativo a passar muito tempo fora do carro. desta vez íamos tirar a barriga de misérias!

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a meio do caminho atingimos o ponto mais alto do monte, era obrigatório uma paragem mais demorada para inspirar aquelas paisagens. dali prá frente ia ser muito mais fácil, sempre a descer.. e a percorrer o ex libris do trilho, o bosque das faias.

não tardou muito até que as copas das árvores se começassem a fechar sobre o caminho. muitas nesta altura do ano já estão quase carecas, mas ainda fazem sombra. os raios de luz que ousam trespassar reflectem-se nas folhas caducas das faias e o ambiente ganha um tom quente e acolhedor.. um cenário simplesmente idílico, daqueles que nos deixam a transbordar de felicidade só por estar ali. respirar o ar puro e perfumado da floresta, caminhar sobre aquele suave manto castanho, ouvir a brisa a entrelaçar-se com os ramos das árvores e o canto das aves, e apreciar toda aquela delicada beleza natural foi das melhores experiências que já tive na serra da estrela.


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a minha mãe, que à última da hora decidiu alinhar connosco, ainda que isso significasse ter que palmilhar 12km monte acima e monte abaixo (ok, eu posso ter culpas no cartório, disse-lhe que não eram mais de 7 ou 8 :D), estava assombrada com aquele espectáculo proporcionado pela natureza. mas o que ela gostou mesmo foi dos castanheiros que íamos encontrando pelo caminho. ainda recolheu meio saco de castanhas, que lhe estava a dar pena de as deixar caídas no chão, tão boas que estavam.

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no domingo estava um bocadinho mais fresco, mas igualmente fantástico para passear. demos a volta do costume: estrada do vale glaciar, paragem na fonte paulo luis martins para encher toda e qualquer garrafa de água que existisse no carro, covão da ametade - magnifico em qualquer altura do ano, torre, e penhas douradas. sem grandes pressas.

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já foi demasiado tarde para ver cogumelos, mais ainda encontramos alguns especímenes intactos.

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às sete da tarde despedimo-nos de manteigas e da serra, com a promessa de um regresso para breve. por mais vezes que bata lá com os costados, não consigo cansar-me daquele sítio 

álbum completo da passeata aqui