De volta a terra firme

quando liguei o carro, o termómetro marcava 37ºC.. OUCH!!

outro *pequeno* detalhe sobre a minha pessoa: eu gosto muito de calor, mas não me dou bem com muito calor. é a minha triste realidade.. fico mooooooole, leeeeeenta, pesadooooona, custo a respirar, pulsam-me os miolos, tenho tonturas. eu sei lá!

ainda por cima, queríamos aproveitar aquele último dia para passear, o que significava andar constantemente a entrar e sair do carro, logo não podia ter o ar condicionado ligado nuns agradáveis 22,5ºC. acumular mudanças bruscas de temperatura é coisa para me mandar ao tapete com dores de cabeça abomináveis, daquelas que até deixamos de ver, ouvir e pensar..

..e o homem ainda estava com ideias de irmos a corvos comer pizza, porque não estávamos assim tão "longe" como tudo isso. não que não fosse fixe, mas o accuweather estava a registar 40ºC em mértola. sinceramente, não estava nos meus planos ir pró alentejo cozer-me viva!

fomos a santa luzia com intenções de experimentar o polvo da zona, mas escolhemos mal o dia, os restaurantes estavam praticamente todos fechados. se bem que com aquele calor insuportável, fome não tinha quase nenhuma. ainda assim, entramos um snack bar e marchou uma saladinha bem fresca de polvo e outra de estupeta de atum (finalmente!!!), que souberam pela vida.. isso e o meio litro de água geladinha que bebi quase de penalti.

salada de polvo salada de estupeta de atum

also, aqui ouvimos pela segunda vez no mesmo dia, que a espanholada vem para cá e só faz porcaria. ai as memórias que isto me desenterra...

não me apeteceu ir ao pego do inferno, quis continuar junto da ria, andava fisgada aos flamingos. acabámos por ir refrescar o corpo na foz do gilão, e vimos mais umas salinas. flamingos é que nem a sombra..

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depois fomos até cacela velha. ouço falar tanto naquilo que seria uma falha gravíssima andar pela zona e não visitar. achei giro, muito bem preservado, e com uma vista fantástica. mas há sítios mais charmosos, tipo monsaraz. também não me parece que haja muito para fazer senão apreciar a vista e comer. por falar nisso, há lá um pequeno tasco (pelo que me apercebi, bastante concorrido), onde a brigada do mocassin gosta de ir sorver ostras frescas da ria e comer chouriço assado.

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daqui trouxemos umas histórias engrassadas, com uma gata. esta gata.

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esta gata dormitava à sombra, provavelmente tão mole devido ao calor sufocante quanto eu. tirei-lhe umas fotos, o mais sorrateiramente que consegui, para não incomodar a soneca do bicho... mas de pouco valeu, porque entretanto apareceu um bando de tiazocas, todas histéricas. viram o gato e ainda mais histéricas ficaram.

"ai... ê a puca? ê a pucaaaa? ê mesmo a puca! oh, mas está tão grande!!!"

todas a fazer festas e a querer pegar no bixo ao mesmo tempo e a fazer aquelas vozinhas estridentes e abebézadas que causam danos irreparáveis nos tímpanos. a alfa acaba por conseguir deitar o verniz à gata, arranca-a do muro e volta-se na direcção do tal tasco, berrando e abanando o bixo no ar "oh pai, ê a puca não ê? 'tá tão grande!!"

mas a puca não tardou a perder interesse e foi largada no chão. no meio da calçada. ao sol.

com o ar mais incomodado do mundo (nem sei como não as esquartejou todas, tinha sido bem feita), voltou para o muro e deitou-se novamente.. mas não tardou muito que voltasse a ter companhia. uma família de três, pai a fotografar todos os passos do petiz. "senta-te aqui", "agora senta-te ali", "agora faz umas festinhas no gatinho, faz!", e vá de sacar fotos "oh, é tão fofinho, não é?". nisto aparece outro puto, de outra família, a querer meter as mãos em cima do gato também. o pai desse, repreende-o todo enojado "deixa o gato, tomás. não vês que está todo sujo!?”

cenas...

de regresso a tavira, com passagem por cabanas para fazer tempo até à hora de jantar. estava TANTO CALOR às oito da "noite" que não. se. aguentava! a esplanada do três palmeiras parecia um forno e fazíamos viagens frequentes à casa de banho para encharcar a tromba.


para terminar em grande, gelado no centro da cidade. estava-se maravilhosamente bem na rua. amo noites quentes, é daquelas coisas que me deixa feliz só porque sim.

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estivemos sentados à beira do rio a fazer um balanço da nossa estadia por aquelas paragens. íamos para três dias, acabamos por ficar uma semana. se isso não é um bom indicador, não sei!

desde a comida deliciosa que enfardamos; das pessoas com quem nos cruzamos e conversamos (não estou habituada a gente tão simpática, descontraída, bem-disposta e comunicativa); da pacatez daquela cidade; daquelas praias areia fina e água morna; dos dias de praia absolutamente épicos; das voltas; dos passeios de barco na ria.. fiquei perdida de amores por um algarve que julgava não existir, e espero que se mantenha assim, por muitos e muitos mais anos.

gilão

saímos de tavira por volta das dez e meia da noite, com 32ºC. uma hora depois, chegávamos à terrinha, no outro extremo do algarve, com 23ºC : /