Dia 1 // de Melgaço a Campo do Gerês

desta vez não fui atestar o depósito a espanha.. ZOMG!! quem és tu, e o que fizeste com a isa?? deu-se-me a preguiça lol mas a bomba do intermarché de melgaço tinha o gásoil a 1.19, a diferença deviam ser uns míseros cêntimos. enchemos o bucho ao cascas e partimos prá aventura. o dia não estava com um ar muito feliz, mas era o que tinhamos.

a primeira paragem foi em cevide, para ir visitar o marco nº 1 de portugal, a.k.a. o ponto mais setentrional do país. depois de ter estado no ponto mais oriental (miradouro da penha das torres), ganhei a pancada de querer visitar os extremos do reino :D

não foi fácil dar com aquilo, porque nas dicas que tinha lido, não falava em nenhum portão. e o portão ao fim da "rua" cheirava a propriedade privada, e eu não me apetecia ser corrida dali com chumbo no traseiro. mas não estivemos com meias medidas, fomos à volta, praticamente a corta-mato, por uma espécie de carreiro na margem do rio minho, por cima e por baixo de troncos caídos, e a escapar as garras das silvas. eventualmente demos com o local. 

marco n1 de portugal

o rio trancoso corria marafado e quase que metia medo atravessar a pequena ponte que liga portugal a espanha. mas se existe uma fronteira no horizonte, a isa vai atravessá-la, ainda que toda arrepiada e sem grande confiança na estreita ponte artesanal de madeira. já passei a fronteira entre os dois países em vários sítios, mas este é definitivamente interessante.

rio trancoso rio trancoso

do lado de espanha existe um marco gémeo, que também mereceu visita. tenho a dizer que tanto do lado de portugal, como de espanha, este sítio é bastante agradável.

rio trancoso rio trancoso

reza a história que se fazia muito contrabando por aqui. ouro nem sinal dele, mas o homem encontrou um pescado de plástico que trouxe de recuerdo, lol.

à vinda, seguimos pelo caminho marcado. adivinhem onde demos com o nariz? 

portão portão

..no cabrão do portão!!

dali, siga para lamas de mouro, quase a "direito", por estradas muito muito secundárias. mas também muito cénicas.

de lamas de mouro fomos pela estrada que liga várias brandas. recordamos cheios de saudades, a épica caminhada que fizemos com a sylvie pela serra da peneda, e que terminou neste planalto incrível,

peneda peneda peneda

apesar do friooooooooooo que estava, a vista continua magnifica, com os picos cobertos de neve então... adoro a peneda. adoro. adoro. adoro!

paramos em são bento do cando, para visitar o tasco que nos salvou a vida, naquela que deve ter sido a caminhada mais agressiva que alguma vez fizemos (e uma das primeiras, muito inexperiente). supostamente as brandas deveriam estar desertas no inverno, mas aquela em particular estava muito animada, com êxitos de música popular portuguesa a ecoar pela aldeia.

dali fomos até ao santuário da peneda, onde aproveitamos para lanchar e relembrar os 4 dias que ali estivemos alojados em 2009, e as peripécias pelos montes, quando éramos jovens e (ainda mais) parvos. enquanto for viva, nunca me hei-de esquecer daquela centena de degraus.. e dos carrapatos lol

já passei por soajo várias vezes, mas acho que nunca tinha parado para ver os espigueiros. foi desta!

e o último salto do dia, entrar no campo do gerês pela porta das traseiras, por uma estradinha daquelas à maneira - tipo montanha russa, cheia de curvas sem visibilidade, apertada, e que nunca se sabe quando algum bicho decide atirar-se para a frente do carro, ou quando algum calhau se desprende e nos cai em cima. uma emoção!

fizemos algumas paragens pelo caminho, uma delas para trepar um afloramento granítico majestoso, plantado no topo dum monte. tava um vento e um frio do caralho, e mesmo assim arrancamos do carro todos encasacados, de gorro e luvas, para não perder aquela vista pornográfica.

havia água por todo o lado. a chuvas de março ensoparam a serra de tal modo, que a água a brotava do chão e criava pequenos regatos. era preciso *muito* cuidado para não atascar os pés na água ou na lama.

estivemos pela primeira vez no campo do gerês em 2014 e saimos de lá cheios de vontade de voltar. a pousada de juventude ficou-nos debaixo de olho, e apesar de já sabermos que não é o tipo de alojamento mais confortável do mundo, foi a nossa escolha. 

nessa noite jantamos com o recepcionista da pousada, e um alemão muito bem disposto, que andava a conhecer o gerês à pata. nós dois e o alemão éramos os únicos hospedes da pousada naquela noite. fomos a um tasco à beira da estrada, chamado café turismo, só sei que o meu bife estava altamente!

a noite estava agreste. estava um frio tão sacana que gelava a alma, e um vento tão forte, a afunilar pelo meio da montanhas, que parecia que estávamos no meio de um túnel de vento, até assustava. o alemão só fazia piadas com o frio que estava no quarto. e estava, aquele aquecimento central já levava um upgrade. o homem só dizia que da próxima vez que irmos de férias no inverno, temos que levar o termo-ventilador. não tinha sido má ideia, não senhor : /

definitivamente, adoro a peneda. pela magnificência das paisagens, pela solidão dos montes, pela natureza quase em estado bruto. mas a altura ideal para tirar o melhor partido dela, é no final da primavera, não no início. apetece mesmo palmilhar aquelas montanhas, e aqueles planaltos, e explorar os cursos de água que atravessam vales, e admirar os animais que vamos encontrando pelo caminho, entretidos na pacatez da vida deles. por falar nisso, o homem ficou cheio de pena por não ter visto nenhum lobo lol

mas pena, pena, tive eu, que o dia esteve absolutamente merdoso para tirar fotos..

 

seguir para o dia 2 >