Episódios da vida no campismo II

a grande probabilidade de não haver outro fim-de-semana com condições para acampar este ano fez-me querer arriscar a galé em agosto. sabia perfeitamente ao que ia e não estava muito preocupada.. há pouca coisa que as nossas mad skills de campistas não consigam dar a volta :D

sábado. chegámos lá, largamos a tenda no sitio do costume e fomos directos para a praia, que estava a abarrotar. nada que não se resolvesse com uns minutos de caminhada pelo areal fora, até um spot onde não houvesse vivalma num raio de cinquenta metros. 
às sete fechamos a loja e fomos logo fisgados ao jantar, antes da enchente. às 10 da noite estávamos de banho tomado e abancados no bar da piscina, muito bem acompanhados por umas somersby geladinhas e amendoins. zero de stresses! 

mentira.. houve um stress: o meu chuveiro favorito tinha o mecanismo de água quente avariado, tive que ir ao do lado. buáááááá!!

mas recuando umas horas no tempo.. enquanto esperávamos que o restaurante começasse a servir, às sete e meia, assistimos um grupo de tugas espertalhões a tentar a sorte.

ao chegar, deram de caras com uma pequena multidão junto à entrada principal e foram sentar-se numa mesa mais afastada, perto de uma das portas laterais que por acaso estava aberta. pouco depois, as cozinheiras começam a servir o jantar aos salva-vidas e seguranças do parque. os nossos amigos acharam que esperar era coisa para falhados e não vão de modas, entram pela porta lateral como quem não quer a coisa, e metem-se na fila para serem servidos. a malta que estava cá fora ficou um bocado aborrecida.. quer dizer, estamos ali pacientemente a cumprir as regras, e os outros entram e tão-se a cagar pró resto do mundo.. tá mal!

já estavam de tabuleiro na mão quando foram topados pelos seguranças. toma lá raspanete e ordem para voltar lá para fora, ide esperar como os demais. e só assim por causa das tosses, um deles ficou a guardar a entrada para ver se não havia mais alguém armado em carapau de corrida. gostei de ver.

entretanto, meia-noite. acaba a música ao vivo providenciada por uma banda de covers que até se safava e começa o êxodo para a praia. como esperado, a festa continuava lábaixo no bar. uma barulheira por aquele parque fora que só visto, apesar de já estarmos no suposto horário de silêncio.. virtudes do mês de agosto.

já na tenda e enfiada debaixo do edredão, ainda puxei do kindle mas o som da ondulação embala-me de tal forma que meteu comigo a dormir em menos de nada, apesar da algazarra que ia lá fora. 

mental note: tenho que arranjar uma daquelas máquinas de sons naturais, a ver se isto do mar também funciona com insónias!

por volta das três e meia da manhã despertei. o corrupio entre a praia e o parque era incessante.. se as pessoas podiam andar de madrugada por lá sem incomodar ninguém, bastando para isso reduzir o volume da voz e evitar gritos e gargalhadas sonoras, podiam.. mas enfim, não seria a mesma coisa.

no meio das vozes havia um barulho repetitivo que me estava a incomodar… possivelmente um puto de chinelos nos pés a correr de um lado pró outro, xlac-xlac-xlac e não havia maneira de parar…
à minha terceira ameaça passiva, que dali a nada saltava pra fora da tenda e mandava-lhe uma chapada nas trombas, o homem informa-me que "não é puto nenhum, são os gajos da tenda ao lado a pinar (com f)" ahh.. ok.. tá bem..

ainda tiveram naquilo uns valentes minutos até que às tantas chegaram à conclusão que sexy time na tenda é uma actividade de risco, maus jeitos acontecem com bastante facilidade e podem resultar em lesões dolorosas muhahaha anyway, entre o martelanço e os cochichos acompanhos de risadas que se seguiram, venha o diabo e escolha.

tampões prós ouvidos. tampões prós ouvidos. tampões prós ouvidos. tampões prós ouvidos. se repetir isto muitas vezes pode ser não me esqueça da próxima vez que vir acampar nesta altura.

eventualmente a galhofa acalmou o suficiente para que eu caísse novamente no sono. naquilo tudo, o que me mais me estava surpreender era não ouvir música em altos berros como bem me recorda de agostos anteriores, ouvia-se apenas uma leve batida, que se diluía no barulho do oceano.

conta o homem que pouco depois, acordou comigo a gemer de aflição. devia estar a ter um dos meus famosos pesadelos induzidos pelo campismo, mas que por acaso não tenho memória dele (uma pena), quando ouve um comentário vindo da toca dos coelhos:

"quem é que se põe a fazer (qualquer coisa que ele não percebeu lá muito bem, mas subentende-se) às cinco e meia da manhã?"

olha'mestes! tão duas horas antes távam prai num bate-chapa de tal modo furioso que parecia que vinha aí o armagedão e a vossa salvação dependia disso, mas as pessoas ao lado (ainda que não fosse o caso) já não podiam fazer o mesmo porque o barulho incomodava? que lata!

já o dia começava a raiar quando fui novamente acordada por uma zaragata entre um grupo de putos e os seguranças.. era só berros e ameaças e o caneco. há malta que realmente só está bem é metida em desacatos #YOLO!

depois disso só voltei a despertar às 11 da manhã com o chinfrim da criançada dum acampamento ali perto. podia ter sido pior lol

2 de Setembro de 2014, às 01:31link do post comentar