Faith in humanity, restored

porque hoje é o dia mundial dos animais, aproveito para deixar aqui uma história, que por não saber qual ia ser o desfecho na altura, decidi não esticar-me no assunto. e a segunda parte dela, que foi ainda mais épica.

no dia do vendaval em tróia, quando estávamos a ser escorraçados da praia, quase tropeçamos numa gaivota, provavelmente também ela surpreendida pela súbita besaranha. estava praticamente enterrada na areia, já nem se mexia e mal conseguia abrir os olhos.

não íamos deixar o animal ali, entregue à sua (má) sorte, pegámos nela com uma toalha e veio connosco até a uma zona mais resguardada. 

o homem e a sis tentaram sacudir-lhe a areia das penas, mas a bixa, apesar de não aparentar mazelas não se mexia. podia ser apenas choque ou qualquer coisa do género, talvez precisasse apenas de recuperar do susto e ganhar coragem para voar. ficou num sitio ainda mais recolhido, para evitar companhia indesejada.

duas horas depois, quando estávamos de partida, o homem quis ir ver se ela já tinha ido à vida dela.. o que não tinha acontecido.

não eram boas noticias, se ali ficasse, os gatos iam dar conta dela em menos de nada.. foi então que começaram os telefonemas para o sepna e centros de recuperação de aves das redondezas, mas sem sucesso. quem atendia não podia ajudar.. muito porreiro. not! é só uma gaivota, não estão propriamente dito em vias de extinção e incomodam as pessoas..

por acaso decidimos ficar pela zona para jantar. estávamos a sair da tasca na comporta, quando o homem recebe um telefonema. era do centro de recuperação de aves de santo andré, e aceitava a gaivota. ficou então combinado irmos lá entregar a bixa.. isto é, se ainda estivesse onde a deixámos, e viva.

seguimos a todo o vapor para tróia. a gaivota ainda lá estava e foi dar um passeio até santo andré, a 40km dali, onde o responsável pelo centro a esperava. isto por volta das dez da noite, a um domingo. é muito bom saber que há quem se preocupe com animais a este ponto.

a gaivota foi muito bem acolhida. foi medicada, alimentada e examinada. não aparentava nada partido ou ferido, estava apenas completamente exausta. sopas e descanso.

o responsavel ainda nos fez uma visita guiada o centro e mostrou-nos algumas das aves que se encontravam em convalescença, ainda estivemos à conversa bastante tempo. engraçado que passamos por aquele centro dezenas e dezenas de vezes e não fazíamos a mínima ideia do trabalho que ali se fazia.

um mês depois, em plenas férias, eis que um inesperado convite chega por telefone: a "nossa" gaivota ia ser devolvida à natureza dali a uns dias, em almograve. esta não podia ter sido uma coincidência mais feliz, já que aquela zona estava no nosso roteiro :D

o dia chegou e tivemos o privilégio de assistir à libertação de onze aves: a "nossa" gaivota, outra que chegou em condições semelhantes, uma cegonha, um falcão peregrino, várias águias e corujas que também estavam a recuperar no centro voltaram a voar em liberdade. aves que tiveram a sorte de ter quem não lhes voltasse as costas quando mais precisavam, e tiveram quem cuidasse delas, algumas durante meses, até que estivessem totalmente restabelecidas.

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são estes exemplos de dedicação e altruísmo, para com espécies que nem sequer estão ameaçadas, que me fazem ter um bocadinho mais de fé na humanidade e acreditar que ainda existem pessoas realmente generosas com o meio que as rodeia.

fica a sugestão: se passarem por santo andré, dêem um saltinho ao centro da quercus - nrla que serão muito bem recebidos. organizam-se várias iniciativas por lá, entre dias abertos, acções de sensibilização, e devolução de aves à natureza. existem mais centros espalhados pelo pais, basta visitar a página da quercus para conhece-los.

4 de Outubro de 2015, às 16:49link do post comentar(2)