Madeira // dia 3

MONTANHAS! MONTANHAS! MONTANHAS! quero MONTANHAAAAAAS!

desde que tinha aterrado no domingo de manhã que não me calava com as montanhas. queria era ir subir às montanhas. MONTANHAS!!

(esta será uma boa altura para explicar ao pessoal que caiu aqui de pára-quedas ou para quem ainda não se tinha apercebido, vá, que esta que lêem sofre de uma séria obsessão por montanhas)

ao terceiro dia fui-me a elas. FINALLY!! 

e comecei logo pela mais alta.. podia ter começado logo pela segunda mais alta, mas tive que optar, com receio que o dia não chegasse para tudo.. prioridades, bah!

desci o estreito e subi o funchal acima até ao monte.. a benzer-me em cada curva e a guinchar que nem morta que voltava a passar por ali (ondé que já tinha ouvido isto antes?), e que à vinda iríamos à volta, mesmo que demorasse o dobro do tempo.. queria lá saber*!

chego lá em cima, já tonta das curvas, acende-se a luz da reserva.. #!£@€&% do cabrãoooooo do carro!!
como era pouco provável que existissem postos de abastecimento nos próximos km's, era sensato tratar disso enquanto tinha oportunidade, não fosse ficar apeada no meio de nenhures..

vá toca a descer ate à bomba mais próxima.. lábaixo, no funchal.. GYAHHHHHHH

nota mental: andar sempre de olho no nível do combustível, as constantes subidas deixam os indicadores todos faralhados e é sempre melhor jogar pelo seguro :P

depois da segunda dolorosa subida, estávamos finalmente a caminho do ribeiro frio. a primeira paragem do dia seria no inicio da vereda dos balcões.

há uns anos atrás, andavam uns mupis espalhados pela cidade que promoviam o turismo em portugal, e um deles tinha uma foto espectacular, que nunca soube onde tinha sido tirada e não conseguia identificar a paisagem, nem parecia cá.. até ao dia em que andei a ver fotos da madeira! 

não ia falhar aquele spot nem que soassem as trombetas do apocalipse!

e quando alcançamos o miradouro, no fim do trilho, não me senti defraudada não senhora.. a vista é soberba!

balcões

folgo em saber que nem toda a publicidade é enganosa :D

o miradouro eleva-se a umas boas centenas de metros sobre um vale colossal (excelente para pessoas que sofrem de vertigens e cardíacos também lol NOT!), rodeado pelos picos mais altos da ilha, e a norte é possível observar o oceano.

ainda ficámos por lá um bom bocado a absorver a paisagem. queria queimá-la no cérebro o mais que me fosse possível, para que não se desvanecesse da memória tão cedo. mas eventualmente chegou o momento em que tivemos que nos despedir dos balcões e continuar o passeio.

dali descemos.. e subimos.. e descemos.. e subimos até santana, sempre rodeados de paisagens lindíssimas, que nos fizeram abrandar e parar algumas vezes para admirá-las.

depois da subida alucinante até à achada do teixeira, por outra daquelas estradas arquitectadas pelo demo himself, demos descanso ao carro, que o resto do caminho até ao pico ruivo tinha que ser feito à pata. eram só 2,8km até lá, era na boa.

HA HA HA HA HA HA...

NOT!


existe um pequeno detalhe que não convém descurar: é que caminhar acima dos 1500 metros de altitude, já morde..

JURO que aqueles 2,8km mais pareciam 10… que estopada do caneco!

eu já a cair pró lado, a ganir que o caminho parecia não ter fim, quando às tantas aparece uma indicação: 200 metros até ao pico ruivo.. WAAAAA..... ainda faltam 200 metros para chegar lá acima?? vou morreeeeeeeeeeeeeer XP

stairway to heaven

foram os 200 metros mais PENOSOS da minha vida.. aquilo custou-me pra cacete, era basicamente uma escadaria até lá acima, nem sei como é que aguentei. aliás, sei.. não ia desistir a meia-duzia de metros do meu objectivo.. ké’iss??

quando finalmente cheguei lá a cima, sentei-me à sombra do marco geodésico, com a cabeça entre as pernas, a tentar recuperar o folgo e não vomitar os pulmões, que ainda esteve vai não vai… 

...e depois apareceu-me à frente um cabrão dum francês que vinha a subir aquela merda toda a correr, em t-shit e calções, fresco que nem uma alface. não sem em quem me apetecia bater mais, se nele se em mim, pela minha péssima condição física.

nisto procuro pelo homem. tinha ficado mais abaixo, metido na conversa com um cámone que andava atarantado com um GPS na mão. só podia ser um geocacher.

entretanto veio ter comigo e depois tornou a descer, para ajudar o alemãozeiro a procurar a cache que o sacana tava a revirar tudo quanto era pedra, parecia que andava ao caracol. anda uma pessoa preocupada em não dar nas vistas.. 

depois de chafurdar em tudo o que era rocha e arbusto nas redondezas, lá aparece a cache. deixámos uma geocoin que tinha vindo de sesimbra na semana passada. o alemão não quis levá-la, então ficou lá, à espera de alguém que o faça alcançar o objectivo. 

(a ironia da coisa é que mais tarde, a geocoin foi mesmo parar à alemanha)

ficamos lá um BOM bocado porque a vista é pura… e simplesmente… BRUTAL. não conseguia fechar a boca nem tirar os olhos do horizonte. nem sabia para que lado me virar. o dia estava muito claro mas mesmo assim, o cenário era fantástico, com as nuvens bem abaixo de nós, a circundar as zonas altas da ilha a norte. uma calmaria do caraças, sem vento nenhum. e o silêncio...

a altitude devia tar-me a mexer com os pirolitos, o meu repertório de frases resumia-se a "nunca tive num sitio tão bonito na minha vida"; "isto não é real"; "não tenho objectiva para isto" (11-16 não chegava para açambarcar aquilo tudo num foto e eu não sou grande fã de panorâmicas).. parecia um disco riscado :D

voltarei sem duvida ao pico ruivo porque fiquei obcecada com dois PRs que vão lá ter. mas para percorre-los, tenho que me mexer à séria, se não, faleço pelo caminho.. não tou a brincar!

quando começamos a descer, estava a chegar um casal estrangeiro com uma miúda que teria uns 4 ou 5 anos. primeiro pensamento: fónix, que até a miúda está em melhor forma que eu!!

segundo pensamento: the force is strong in this one, pais hikers e começar esta vida tão cedo.. faith in humanity.. restored

a descida de volta até à achada foi ainda mais espectacular, parecia que estávamos a caminhar sobre as nuvens. aliás, eu estava nas nuvens - assombrada com a paisagem, até me fazia doer a alma.. cum caneco :'D 

Untitled

à vinda fomos pelo outro lado da ilha, em busca de estradas mais fofinhas.

HA HA HA HA HA HA...

NOT!

NOT.. NOT.. NOT.. NOT!

NOT.. NOT.. NOT.. NOT!

* be careful for what you wish for!!

a estrada entre s. jorge e s. vicente não é uma estrada, é uma montanha-russa infernal. nalgumas partes junto à costa, foi escavacada na falésia, tem largura para um carro e meio (se tanto), e "chove" água e pedras.. ai mãe, se me cruzo com uma camioneta da carreira aqui cai-me os tomates.. oh wait!

até me arrepiava só de pensar nas pessoas que são obrigadas a usá-la com frequência..  

mas o melhor ainda estava para vir.. HAHAHAHAH

túneis.. dos antigos!

passámos por dois, um dos quais tive que fazer marcha-atrás até a uma berma porque vinha um carro no sentido contrario e só passa um à vez. lá dentro chovia e não tinha iluminação *MEDO* 

um pouco mais à frente, outro, ainda mais longo que o primeiro.. 

nesse tive a brilhante ideia de aceder os máximos para ver como era por dentro… parecia uma mina, em pedra viva!
tão a ver o puto do sozinho em casa a gritar? éramos nós os dois.

às tantas aquela provação de *apenas* 24km (FFFUUUUUU!!!) acabou e regressámos aos túneis modernos (abençoados túneis) e às estradas largas e sem curvas. thank god!

foi sem duvida das estradas mais pavorosas onde já conduzi, testou-me os limites…

…e ao mesmo tempo, das mais belas por onde já passei. cada vez que circulávamos junto ao mar *sigh* parecia o cenário de um filme de fantasia tornado realidade: escarpas gigantescas, cobertas por vegetação densa, quedas de água por todo o lado, e a neblina da maresia a dar-lhe um toque místico.. man, roça o obsceno!

agora arrependo-me de não ter parado para tirar umas fotos de recuerdo, mas naquele momento só queria sair dali o mais rapidamente possível, para não ter nenhum stress com o carro..

chegámos ao estreito por volta das oito e meia completamente derreados e esfomeados, e aterramos directamente em cima duma mesa no sto antónio, comer outra espetada, desta vez em pau de loureiro - bem boa!

milho frito é que.. thanks, but no thanks..

e ao terceiro dia já me sentia perfeitamente confortável (no shit!) a conduzir por ali, já tinha adoptado os maus hábitos e tudo lol \m/