Madeira // dia 4

o paúl da serra era outro dos locais que fazia questão de conhecer - um bocado como os balcões, só a pé de cabra é que me sacavam daquela ilha sem eu ter ido lá :D

então ao quarto dia, foi o nosso destino!

a norte, o dia não estava grande coisa.. quando virámos para a serra d'água, descia uma ventania bruta por aquele desfiladeiro abaixo e o céu estava carregadinho de nuvens balofas e escuras.. mau maria!
à saída do túnel da encumeada o cenário não era muito diferente, o que me preocupou um bocado.. ainda assim não me demoveu de subir a encosta aos ziguezagues, por outra daquelas adoráveis estradas regionais que a madeira já me tinha habituado.

..até que a dada altura, já com dois terços da subida feita e a desbravar nevoeiro havia uns bons km’s, dou com o nariz num bloqueio de estrada! 

puta que pariu.. queres ver que aquilo tá tão agreste lá em cima que fecharam o acesso?

comecei logo a ver a coisa andar para trás.. mas, teimosa como sou, enquanto não esgotasse todas as hipóteses de meter os pés no topo daquele monte gigantesco não ia desistir, ora essa!

existiam mais três ou quatro acessos que podia tentar e como já tinha começado a descer a serra pelo lado sul, o mais próximo era pela ponta do sol. só que a minha costela com o.c.d. mandou-me seguir pela ribeira da janela, a norte. podia ser bocadinho mais longe, mas assim aproveitava logo e passava pelo fanal, outro dos sítios que constava na minha to do list. era win-win!

mas antes de nos fazermos às curvas novamente, ainda ficamos ali uns instantes, especados a olhar para os picos da encumeada. fosga-se, que é difícil descolar os olhos daquelas paisagens.. vale a pena passar por ali só pelas vistas.

e siga pa norte a todo o vapor!

não fomos muito longe, mal saímos do túnel da encumeada (novamente lol), decidimos que havia tempo para visitar as grutas vulcânicas de s. vicente. algo que não constava no roteiro (até porque não tinha conhecimento delas), mas acabou por ser uma paragem bastante interessante. não tanto pelas grutas em si, que a visita é curta (apesar de ter sido divertido andar lá a arrastar o cú por um dos canais he he he), mas pela parte pedagógica que se seguiu, no centro de vulcanismo. satisfez-me a curiosidade sobre a formação da ilha \m/

canais de lava

de volta à montanha-russa, apanhei outro desgosto no fanal - tá visto que os deuses devem ter acordado com os pés de fora da cama.. não dava para ver um palmo à frente dos olhos por causa do nevoeiro, nem valia a pena sair do carro.. até guinchei com fúria que aquilo me meteu, que eu sabia bem o que é que estava a perder ali.. vade retro nevoeiro cão!!

muitos mais km's acima, já cansada do branco opaco à minha volta que teimava em não desaparecer e a começar a desanimar, a ver que ia sair dali a chuchar no dedo, quando de repente..

AZUL!!

como que por magia, as nuvens varreram-se e deram lugar a um maravilhoso dia de primavera, sem bafo de vento. uma tranquilidade incrível reinava naquelas paragens.. quem diria, com a bezaranha que estava na base da ilha..

dei um belo dum espectáculo a um grupito que estava a fazer uma photoshoot no cruzamento das estradas, quando encostei e larguei o carro à má fila e me meti aos saltos no meio da estrada, eufórica por estar finalmente ali muhahahah

paul da serra


(quero acreditar que existem pancadas piores :D)

o paúl da serra é um lugar único da ilha, quase nos esquecemos onde estamos - a 1500 metros de altitude, deve ser o único sitio na ilha com mais do que 1m² de chão plano.. UAU! em perfeito contraste com o relevo acidentado que caracteriza toda a ilha, a paisagem ali é muito semelhante à dos planaltos da serra da estrela. alguns montes de linhas macias, vegetação rasteira e árvores nas partes mais abrigadas, e gado à solta. a única diferença é que não existem blocos de granito espalhados por todo o lado.

e lindo.. tão, tão LINDOOOOOO!!

demos umas voltas por lá, e depois fomos à cata de sitio para lanchar. assentámos arraiais num miradouro magnifico (bica da cana), que tinha uma vista que bem.. só visto.. mesmo!

bica da cana

 

se o passeio do dia anterior já me tinha deixado deslumbrada com a beleza daquele pedaço de terra plantado no meio do mar, nem sabia bem como processar aquilo que se estava desenrolar diante dos meus olhos.. só tenho isto a dizer: o universo estava inspirado no dia em que criou a madeira!

uma vista de cortar a respiração para os picos rudemente escarpados do maciço montanhoso oriental, as nuvens fofinhas a atravessar preguiçosamente o imenso vale, e em background o som do canto dos passaritos que ecoava pela floresta que cobria a encosta sob os nossos pés e o murmúrio continuo das pás dos moinhos a cortar o vento...

mágico!

ao fim da tarde ainda palmilhámos até ao ponto mais alto do paúl, também chamado de pico ruivo. a luz forte do entardecer reflectida na neblina ofuscava, e não deixava ver o azul do mar em redor, imagino aquilo em dias limpos.. deve ser coisa para ter de limpar a lagrimazinha de emoção ao canto do olho :D

já ao anoitecer ainda fomos ver as nuvens a roçarem-se pelas encostas da montanha. que maravilha de cenário.. estivemos lá até não ser possível ver mais nada... 


mar de nuvens

 

que sitio do caneco!