Mr Robot

é nestes momentos que eu tenho pena de não saber escrever uma prosa decente, capaz de fazer justiça à obra de arte que é esta série..

a primeira season de mr robot ditou que as expectativas fossem altas. mas acho que ninguém estava à espera disto, ou sequer preparado para a viagem alucinante que foram estes 12 episódios..

isto não é uma série. é uma caça ao tesouro, um teste à concentração, um desafio à memória, um exercício de lógica, um murro no estômago.

a mestria do intrincado enredo tira-nos o folgo. não há pontas soltas. cada cena, cada fragmento de diálogo, cada elemento no cenário, até a escolha musical, tem uma relação. era preciso encontrá-la, ou então registá-la, porque ia ser necessária para compreender algum detalhe mais à frente. e porque o enredo desta season continua intimamente ligado ao da primeira, era preciso mantê-la fresca na cabeça.

os fãs mais techies da série não brincaram em serviço. vasculharam toda e qualquer linha de código que apareceu no ecrã, seguiram todas as pistas e obcecavam com os easter eggs e com as mensagens subliminares, analisaram ruídos suspeitos, chegando ao ponto de ouvir os episódios ao contrário para encontrar mensagens escondidas, que só serviam para intensificar ainda mais as teorias - e nem vamos falar das toneladas de teorias, e adendas às teorias que havia para digerir todas as semanas.

os timings dos eventos, as conversas enigmáticas, as cenas silenciosas, as referências, que serviam para confundir ainda mais. nada era deixado ao acaso, nada era coincidência. eram os 50 minutos mais intensos da minha semana. quando terminavam, sentia-me exausta, e completamente mindblown.

depois era correr para o reddit, chafurdar nas dezenas de posts que entretanto já tinham sido publicados com updates nas teorias, confirmar os detalhes, e as perguntas sem resposta que podiam ter escapado ou terem sido mal interpretados. foi brutal, no sentido literal da palavra.

a este elaborado mindfuck junta-se a magnificência dos planos, da fotografia, da banda sonora (que rendeu um emmy ao compositor), e a escolha musical que encaixa perfeitamente em cada cena.

quando este último episódio abre com a the hall of mirrors, dos kraftwerk, ia tendo uma coisa má! foi das músicas mais genialmente bem colocadas que tive o privilegio de testemunhar numa série. não só pela banda ser fundamentalmente conhecida pela cena tecnológica e robótica, como o som electrónico minimalista ter colado na perfeição com o cenário, e a letra resumir em poucas linhas os dilemas da personagem principal. fiquei arrepiada.

os actores conseguiram desenvolver personagens complexas e fortíssimas, com uma presença assombrosa no ecrã. intensas, profundas, e sem falhas. foram todos brilhantes, com prestações dignas de destaque. e gostei especialmente de terem sido as miúdas a carregar grande parte da acção desta season às costas.

e agora, temos pela frente nove longos meses, até que as perguntas que ficaram no ar comecem finalmente a ser respondidas (ou não!!). man....

23 de Setembro de 2016, às 21:32link do post comentar(3)