Santas (mini) férias

agora que já larguei a couraça quase toda e passei de um tom vermelho mortadela a um castanho alcagoita, acho que já consigo falar do meu primeiro dia de praia do ano de dois mil e dezasseis :D

tou-me a rir, mas devia estar a chorar. só ao fim de 5 dias é consegui voltar a calçar ténis..

como este ano não vou ter as minhas habituais "férias grandes" tão cedo, tenho que aproveitar escrupulosamente cada oportunidade de praia que tenho. vai daí, não tinha dúvidas algumas sobre onde queria torrar os feriados de junho, quatro diazinhos caídos dos céus.

não me lembro de ter começado a época de praia tão tarde. normalmente acontece no inicio de maio, não quase a meio de junho.. e quem diz praia, diz campismo também. andei ali umas semanas a rezar que a meteorologia colaborasse, e quando a data começou a aproximar-se, e de facto a coisa prometia, planeei tudo milimetricamente para não haver falhas. tudo aquilo que aprendemos no ano passado foi posto em prática, o que significou renovar parte do material de campismo.

quinta à noite seguimos para baixo a todo o vapor. chegamos a tavira com medo de ficar sem jantar, mas fomos recebidos de braços abertos pelo restaurante imperial às dez e meia da noite. o homem alambazou-se com um arroz de polvo que me deixou a salivar, tal como ele ficou a salivar para a minha espetada de polvo, e passamos o jantar a bicar um no prato do outro. a noite estava impecável, ainda demos uma voltinha pelo centro para matar as saudades, antes de recolhermos à pousada de juventude (que se tivéssemos ido para o albacora, o meu cú recusava-se a sair de lá antes das seis e não podia ser).

no dia seguinte à uma da tarde estávamos nas quatro águas a entrar no "ferry", a abarrotar de banhistas. funny thing, nem parece que tinha passado quase um ano desde que cumprimos aquele ritual. a percepção do tempo é uma coisa estranha.

encontramos o parque tal e qual como o deixámos em agosto passado. apenas fomos informados que os mosquitos andavam malinos. nada que não estivessemos já mais do que habituados, "não há-de ser nada" disse eu ao rapaz. ah ah!

arraial montado nas calmas, fomos à vida. o dia estava nublado e ventoso, acabei por nem me despir para a praia. fiquei-me pelo abrigo do resguardo, ora a dormir, ora a ler, e o resto da tarde passou muito rápido.

à noite percebemos que o tema dos mosquitos era capaz de ser mais tramado que esperavamos. formavam-se autênticas nuvens à nossa volta, tínhamos que ser ultra-rápidos a entrar ou sair da tenda, para não entrarem lá para dentro. então e ir à casa de banho? uma aventura! ora tentem lá ir mandar um fax, numa sanita alheia, a medo que um enxame de melgas esfomeadas vos ferrem as nalgas e depois contem-me como foi a experiência. lavar os dentes também era complicado, e tomar banho só era mais fácil porque elas não se metem debaixo de água. jantar nas esplanadas também tinha truque, envolvia estarmos vestidos de alto a baixo, com o capuz do casaco enfiado na cabeça e toalha pelas pernas, que os sacanas picavam pela malha das meias.

mental note: adicionar repelente de mosquitos ao kit básico de campismo. já vi que há umas pulseirinhas porreiras

(e não, as apps e vídeos anti-mosquitos não funcionam)

mas claro, este areal fabuloso e este mar maravilhoso valem por todas as provações



e afinal, como fui eu sabotar-me logo no primeiro dia de praia do ano?

fácil, foi parecido ao ano passado. pelos vistos a minha pele já não está habituada ao sol dos algarves e se me descuido, desgraças acontecem. fomos cedo para a praia, para não estarmos fechados na tenda a salvo da gula feroz dos mosquitos. o dia estava fresco e ventoso. ora, sem calor e sem sentir o sol a morder, esqueço-me do protector. não senti a pele a queimar o dia todo, até porque estive bastante tempo debaixo do chapéu de sol. só à tardinha, quando o vento começou a mudar de direcção e começou a aquecer é que dei ali por aquela sensação desconfortável de pele escaldada. mas foi ao tomar banho no fim do dia, que o estrago se revelou em todo o seu esplendor. teve que ser com água quase fria, e vestir-me da cabeça aos pés para ir jantar foi um martírio. no dia seguinte só saí debaixo do chapéu já o sol ia baixo, e apesar das camadas do creme milagroso, era o mesmo que nada. sei que já fiquei mais vermelha que aquilo, o que não me lembra é de ter sido tão doloroso...

inacreditável foi não ter queimado o nariz, normalmente é a primeira zona do corpo a ficar escarlate, parece que andei a dar-lhe na pinga. chapéus de aba larga FTW!

tal como a mosquitagem, também o vento estava a mais. dava pouca folga, apesar de à noite, quando vinha quente, saber tremendamente bem. numa das madrugadas, depois de umas horas de acalmia, levantou-se uma ventania maluca. acordei por volta das sete da manhã devido ao barulho, vindo das fitas de plástico e da tenda-pavilhão do acampamento ao lado, parecia que andava tudo no ar. saquei do telemóvel, fui ver a meteorologia. diz que soprava a 30km/h, nada por aí além. a nossa tenda mal abanava e nem sequer estava presa por cordas, aqueles gajos da quechua são bons a fazer tendas!

no último dia das mini-férias, arrumamos rapidamente a tralha, muito rapidamente tendo em conta que era a primeira vez que dobrávamos a tenda, e a ser fustigados por mosquitos. saímos do parque a cem à hora, com um misto de alivio pela provação terminar e pena por deixarmos aquele paraíso.

nesse dia fomos para a praia de cacela velha, que estava brutal apesar do vento. aliás.. ainda bem que estava vento, se não era impossível aguentar o calor, debaixo do chapéu de sol e abrigados do vento pelo resguardo era como se estivéssemos a ser cozinhados em lume brando.

nota.. eu não podia sair debaixo do chapéu de sol. eu sair debaixo do chapéu de sol significava vestir uma t-shirt de manga comprida e enrolar-me da cintura para baixo na toalha, com aquele calor do caralho. dá para imaginar a frustração? a ver as poucas pessoas que por lá andavam, naquela praia enorme e deserta, a desfrutar aquele dia fantástico como mandam as regras e eu naqueles preparos tristes? e a água, que estava uma maravilha, quentinha e o mar nem se mexia, mais parecia uma piscina, e eu sem puder estar lá dentro muito tempo para não piorar o meu serviço? opá!!




por volta das seis despedimo-nos da praia, a fome apertava e eu já estava desesperada por me besuntar com biafine. como o três palmeiras estava fechado, fomos à segunda opção, casa do polvo em santa luzia, terminar as férias como começaram: a jantar polvo :D'



apesar do vento, das melgas e do escaldão, foram uns dias fixes. deu para descansar bastante e enfardar comidinha deliciosa \m/

21 de Junho de 2016, às 00:25link do post comentar(2)