Praia da Bordeira

fica na carrapateira, mas chamam-lhe bordeira por causa da ribeira com o mesmo nome que contorna o areal, e desagua no extremo sul da praia. é outra das minhas praias de infância e dela guardo muitas memórias, de arraiais familiares e dias de verão intermináveis. é uma praia linda, quase selvagem, com um areal enorme, cheio de dunas, e uma paisagem incrível.

não é das melhores praias para fazer "praia". costuma ser ventosa, tem o típico mar agreste das praias do sudoeste, e a temperatura da água é pouco convidativa a mergulhos. salvo à maré cheia, quando o leito da ribeira costuma encher, e transforma-se numa espécie de piscina natural que rouba o protagonismo ao oceano.

curiosamente, é desta ribeira à maré-cheia que tenho as melhores recordações. da malta a atravessá-la a muito custo para chegar ao areal, às vezes com água a dar pela cintura, carregados de tralha e putos assustados às cavalitas :D

os surfistas adoram-na. e os pescadores também. é vê-los corajosamente à beirinha das arribas, a tirar sargos da água, uns atrás dos outros. é também raro o ano que aquelas arribas magnificas não dêem más noticias...

praia da bordeira praia da bordeira mar corvo pescadores pescadores bordeira

mas o que eu gosto mesmo, mesmo, são daqueles cinco kms de linha costeira escarpada que separam esta praia, da praia do amado, a sul. a paisagem é de suster a respiração, sobretudo durante o inverno. quando as ondas gigantescas esbarram violentamente contra as falésias e projectam-se vários metros no ar. 

existem vários miradouros onde podemos parar uns bons minutos, para apreciar a vista. para quem gosta de dar à sola, existe um percurso circular, que faz parte do trilho dos pescadores da rota vicentina. fiz parte dele, há uns anos, e não me importava de repetir.

Lost in... Pedralva

no fim-de-semana passado estive na terrinha e para aproveitar a tarde fantástica de domingo, peguei no homem e fomos ver as modas até às praias da carrapateira.

quis ir pelo caminho mais pitoresco, que é como quem diz, aquele que se faz por estradas de terra batida pelo meio dos montes, para fazer uma paragem na pedralva. já lá tinha passado há uns anos, mas foi ao início da noite e não deu para ver grande coisa desta pequena aldeia perdida na serra algarvia, recuperada há uns anos para se tornar numa espécie de complexo turístico.

de um monte de ruínas abandonadas, nasceu um conjunto de casinhas rústicas, muito castiças, e muito branquinhas. vista ao de longe, parece um oásis resplandecente na encosta do monte. para compor o retrato bucólico, não faltam gatos nem animais de quinta.

pedralva pedralva pedralvapedralva pedralva pedralvamedronhosvasogato

diria que para ser ainda mais charmosa, só lhe falta mesmo ruas mais floridas.

deu para perceber que é um sítio muito calmo, onde se vive muito devagar. a localização é brutal, ali paredes-meias com o parque natural do sudoeste alentejano e costa vicentina, e praias incríveis na vizinhança, que serviram de inspiração para o nome das casas. é atravessada com alguma frequência por forasteiros que andam a percorrer o caminho histórico da rota vicentina, e que encantados, acabam por abrandar para apreciar o casario :)

Summer in the Islands I

o plano era chegar de maiorca no domingo de manhã, pegar na trouxa, e descer ao sotavento algarvio, para uma semana de campismo. o que eu não contava, era chegar com a cara inchadona e a precisar urgentemente de ir ao dentista, o que aconteceu pouco depois de aterrarmos. além de mim, também o homem não se conseguia ver livre da constipação, e queria ir ao médico na segunda.

o plano tremeu. eu, com uma bochecha insuflada, e com uma dieta à base de antibióticos, mais os medicamentos para evitar os danos colaterais dos antibióticos, e o homem com uma constipação manhosa no lombo, estávamos naquela.. se não vamos acampar, vamos trabalhar.. ficar em casa uma semana a gastar tempo livre precioso verão é que não..

mas não me sentia com energia para voltar ao trabalho.. depois de sete meses sem férias, e depois daqueles cinco dias non stop em maiorca, estávamos desesperadamente necessitados de mais uns dias de descanso.. tão lá fomos, à cautela, com o saco das drogas a reboque, passar o resto das férias na ilha tavira.

tá-se a tornar num ritual que não consigo passar sem, acampar uma semanita que seja, naquele sitio. até fico ansiosa só de pensar. gosto mesmo, mesmo, mesmo daquilo. voltar de lá é uma dor.. venho o caminho todo para cima a lamuriar..

só que este julho esteve muito rombo, não apanhamos tempo de jeito. não houve daqueles calores insuportáveis, e as noites eram frias como na costa alentejana. só na noite em que regressamos é que fomos brindados com uma brisa quentíssima da serra.. 28ºC às onze da noite, PQP.. pontaria de merda. por causa da ventania que se começava a levantar depois do meio-dia, nem sequer houve muitos banhos no mar. não que a água estivesse fria, que não estava, mas o vento tornava a experiência pouco agradável. 

mesmo assim foram uns dias à maneira, perfeitos para descansar da doidice da semana anterior. sabia quase a férias das férias, até o tempo pareceu render mais. nota mental: agendar a semana de férias agitadas antes da semana de ronha de campismo e praia rula.

tomar o pequeno-almoço no ferreira é parte da rotina na ilha. na primeira manhã que lá fomos, ia toda excitada para conhecer finalmente os êxitos pimbalhões deste verão... só que eles trocaram-nos as voltas. tinham um álbum de covers de guns n' roses em bossa nova a tocar, tão meloso que não conseguimos desarredar de lá. tinha um vibe perfeito para aquele dia solarengo de verão, à beira da praia.

happi poo

mas foi sol de pouca dura. nos restantes dias, a playlist resumiu-se a pop latino. espero que não tenha sido apenas isto que se ouviu este verão, que miséria :P tínhamos uma running gag "e tu, quantas vezes já ouviste o despacito hoje?" havia dias que ia às 5 vezes, que enjoo.. por mais que tente, não consigo compreender este fenómeno. outra rotina, que se não acontecer, é como se não tivéssemos estado lá, é na noite de sábado, o DJ do sal passar a macarena. não consigo adormecer enquanto não ouvir a macarena muhahahha gipsy kings e mambo nº 5 também nunca falha.

houve duas manhãs que apanhamos o barco e fomos ao mercado, tomar o pequeno-almoço, comprar fruta, e trazer o abastecimento anual de sal e oregãos.

sal


calma, trouxemos apenas um pacote de 1,5kg e sim, vai durar um ano inteiro.

a meio da semana fomos até cacela velha morder o ambiente. o dia não estava grande coisa para praia, então andamos por ali curtir a ria, a fazer tempo para ir à tasca do largo comer ostras. chegamos lá a 30mn da hora de abertura, já havia pessoal a ocupar as mesas da esplanada. quando abriu, já não havia mesas livres. partilhamos a nossa mesa (e uma chouriça assada) com um casal mais velho, e enquanto íamos empurrando a travessa de ostras, estivemos na conversa. descobrimos que tínhamos em comum o gosto pelas viagens, e tínhamos muitos destinos e aventuras em comum. não acontece muita vez, entrarmos em conversas com desconhecidos, mas foi definitivamente fixe.

ria formosaria formosa bocaostras

cruas, inacreditavelmente frescas, e absolutamente deliciosas :D'

quando saímos da tasca, o vento tinha abrando e a tarde ficou espectacular. atravessamos a ria à pata e fomos aproveitar o resto da tarde na praia.

como todas as pessoas este verão, também eu arranjei um bicho insuflável. um unicórnio. não sei como aquelas moças no instagram conseguem fazer sessões de fotos em cima destas bóiazorras, eu não aguento mais de 30 segundos sem mandar um tralho para dentro de água. bom.. em minha defesa, estava no mar com ondulação, não numa piscina. rendeu uns vídeos muito interessantes, alguns sortudo/as viram uma instastory disso. o homem encheu a barriga de gozar comigo, mas depois foi experimentar, e ainda aguentava menos tempo em cima daquilo do que eu lol quem ri por último, ri melhor :D

unicornio

anyway, este unicórnio era farsolas, ao fim da primeira cavalgada, abriu um buraquito numa costura. foi remendado e ainda voltou à água, mas já está no céu dos unicórnios. pró ano não vou ser tão sovina e arranjo um com melhor qualidade.

the last, but not the least
. há sempre figurões que animam o campismo. nem por isso faço por apanhá-los, mas estes estavam mesmo ao meu lado, era impossível ignorar.. apresento-vos,

los españoles

dois casais, malta ali a meio dos 30, altamente relaxados da vida deles.

já lá estavam quando assentamos arraiais. mas a primeira vez que nos cruzamos com eles, foi a caminho do pontão. nós íamos pro chillout, curtir a malta à pesca e os velhos na palheta, e eles tinham acabado de chegar do continente no último barco da noite, carregados de compras.. mal sabíamos nós que eram nossos vizinhos. quando regressámos ao parque, por volta da uma da manhã, quem é que se estava a preparar para fazer uma churrascada, a meia duzia de metros da nossa tenda?

a nossa tenda, as deles, e o grelhador, faziam um triângulo equilátero. nunca vi estes moços na praia, ou noutro sitio qualquer fora do parque. estavam sempre ou abancados junto das tendas, ou abancados junto ao grelhador. parecia a grande farra. passavam os dias a comer, a beber e a fumar ganzas, enquanto conversavam, naqueles modos espanhóis de conversar, que não se percebe se estão na boa, ou prestes a pegarem-se à porrada. todas as noites adormecíamos ao som da teca-teca-teca incessante deles, e todos as manhãs acordávamos ao som da mesma teca-teca-teca incessante deles.

um deles tinha umas havaianas de star wars iguais à minhas, já todas gastas (até me benzi), e dava uns arrotos grotescos. um detalhe sobre a minha pessoa, eu prefiro mil vezes ouvir um peido, por mais longo e sonoro que seja (até mesmo daqueles que emitem uma vibração capaz de abrir uma brecha da nossa dimensão), a um arroto.. a par do som das escarradelas, o som daqueles arrotos cavernosos arrancados do fundo das entranhas dá-me vómitos.

por fim, nós bazamos e eles lá continuaram, de cu alapado nas espreguiçadeiras desbotadas junto da tenda, a fumar charros e a queimar tempo até à próxima refeição.

agora pensando nisso, tavira cheia de espanhóis como estava, naquelas duas semanas de férias não deu para perceber bem onde acabava portugal e começava espanha, é que parece que não ouvi outra língua lol

Prainha da Luz

quando era miúda frequentava bastante a praia da luz, era quase como uma segunda casa. aliás, ainda me lembra de conversas entre os meus pais sobre a possibilidade de nos mudarmos para lá, que com muita pena minha, nunca chegou a acontecer. na altura, a vila tinha metade do tamanho que tem hoje, mas já era a colónia inglesa que ainda é hoje.

naturalmente, fizemos muita praia lá. a praia da luz tem duas praias, eu preferia a praia grande, por ter um areal enorme. já os meus pais preferiam a prainha, uma praia de rochas, com apenas alguns recantos de areia. não achava muita piada na altura.. hoje compreendo o encanto,

prainha da luzreflexoondasondas ondasouriçosprainha da luzpiteiras

Summer of 16 // o hotel

ao décimo segundo dia de férias concordámos que estava na altura de vingar a frugalidade do campismo, e que passar os últimos dois dias num hotel com spa (cuja diária rondava o mesmo que 12 dias no parque, só para meter perspectiva na coisa) seria uma forma simpática de nos despedirmos das férias.

essa manhã correu sem pressas. depois do pequeno-almoço no sítio do costume, começamos a arrumar a tralha. tudo bem limpinho e bem dobradinho e arrumadinho, que provavelmente já não volta a sair este ano. tínhamos a manhã toda, que o check-in no hotel começa a partir das duas. e num feito altamente inédito, às duas estávamos ao balcão da recepção \m/

das primeiras coisas que ficámos a saber quando chegamos ao albacora (where else?!), é que as massagens e outros tratamentos no spa estavam com desconto. mesmo a calhar, que já não podia ouvir o homem a choramingar por uma massagem. nem por isso ando de apetites, mas duas massagens pelo preço de uma parece-me que é de aproveitar. então dali seguimos directos ao spa, marcar massagens. ainda considerei uma mani-pedi (uau, que finória!!), que só deus sabe o quanto necessitada estava, mas depois lembrei-me do som e da sensação arrepiante das limas, e da seca que ia apanhar, e mudei logo de ideias.

quando assentamos o pé no quarto do hotel, éramos pessoas diferentes LOL  

ah.. os maiores luxos da vida.. aqueles que tomamos por tão garantidos que nem damos por eles. como por exemplo, ter um wc só para nós, e não ter que desinfectar e gastar meio rolo de papel higiénico para forrar o trono antes de mandar a real cagada; ou tomar banho com água quente sem ser a contra-relógio, descalços, sem receio de apanhar um fungo nos dedos dos pés; ou ter tomadas eléctricas a meio metro de distância; ou wifi na cama; e uma cama de verdade.. e ZOMG, ar condicionado!!



ainda não tínhamos pousado a bagagem quando demos com uma hóspede clandestina no quarto. uma osga, que muito certamente não estava interessada em partilhar a tarifa do alojamento, humpf.. vejam lá se adivinham o que aconteceu nos momentos seguintes:

a) isa telefona para a recepção, e em berros histéricos exige que lhe troquem de quarto, pois não é ser capaz de dormir num espaço frequentado por monstros pré-históricos;

b) isa desata aos gritos, a hiperventilar, enquanto o seu homem trata de encaminhar o bicho para o exterior;

c) isa dá um gritinho agudo "ai que fofa" e saca do telemóvel para tirar uma foto de recordação, enquanto sugere que deixem a janela aberta para ela ter jantar;

...

isso mesmo :D



tão fofa!

o homem não quis saber da minha sugestão de deixar a janela aberta.. não lhe apetecia servir de refeição aos mosquitos, antes que a osga os jantasse.. meh, wuss!

nessa tarde ainda voltamos à ilha, gozar mais umas horinhas de praia em modo de despedida. e ouvir a playlist do ferreira uma última vez, e concluir que muito provavelmente estivemos apenas um dia na ilha, que se repetiu doze vezes lol

depois da praia, ainda estivemos hora e meia no spa, a demolhar entre a piscina, o jacuzzi, o banho turco e a sauna. perfeito para desincrustar o sal acumulado nos recantos mais recônditos, de duas semanas de água salgada lol



e antes de dar o dia por terminado, passei quase duas deliciosas horas no terraço do quarto, a curtir a noite quente, o céu estrelado, som dos grilos misturado no das ondas, cheia de pena por saber que naquela noite já não ia adormecer ao som daquela melodia mágica.

to be continued...

2 de Outubro de 2016, às 19:02link do post comentar

Summer of 16 // escapadinhas

durante a primeira semana saímos da ilha apenas duas vezes. depois das oito/nove da noite, aquilo fica uma calmaria fantástica, nem parece agosto. a malta pira-se toda, e só fica quem está alojado lá. em contraste com o ambiente noturno de tavira, com as suas feiras de verão e animação de rua non-stop, é o paraíso.



na segunda, andamos por tavira quase todas as noites. ou escolhíamos um restaurante da lista do tripadvisor (e fizemos algumas descobertas impecáveis, daquelas que muito dificilmente arriscaríamos por conta própria), ou íamos à marisqueira do mercado, ou ao comer-até-cair-pró-lado de peixe assado, ou até ao centro comercial. houve dois sítios que ficaram por experimentar devido à afluência tremenda da época, mas não me chateio muito com isso, até porque prefiro ir em alturas menos concorridas. há menos confusão, o atendimento é melhor, e a comida é feita com mais calma e dedicação.


no verão passado fiz uma promessa, que neste havia de deixar-me de merdas e experimentar ostras.

aconteceu!

na primeira tentativa não quis experimentar ao natural. não só porque a ideia de comer os bichos ainda vivos faz-me confusão, como a descrição demasiado gráfica que o homem faz da sua textura tira-me o apetite lol. por isso, baby steps. até calhou bem, porque a pessoa encarregue de abrir ostras não estava ao serviço, e só estavam a sair ao vapor.

uma gotinha de limão, uma pitadinha de pimenta para espevitar o palato, um jeitinho com a ponta da faca para descolar o bicho da concha, e cá vai disto!

eeeeeeeeeee... meh! sou grande apreciadora de marisco, mas não achei o mais famoso dos bivalves nada por ai além. o problema podia estar na preparação. o homem, que nunca tinha provado ao vapor, constatou que ao natural sabem bem melhor.

outro dia, outra tentativa. nesta dei o salto de fé, e pedi duas ao natural. vieram três. comi duas delas. depois pedi mais duas para sobremesa. definitivamente, ao natural são mais fresquinhas e sabem bem melhor. quanto ao facto de estarem vivas quando são engolidas, é tentar que a gula ofusque o pensamento lol



pró ano contem comigo na fila de cacela velha, para comer ostras na tasca muhahahha

onze e quarenta da noite eram as nossas doze badaladas. se não tivéssemos à meia-noite em ponto nas quatro águas, ficávamos em terra. mas íamos sempre com tempo, e ficávamos na palheta com a malta do barco até à hora da partida. ainda sacamos umas dicas de tascos à maneira. nada como meter conversa com os locals para descobrir os tesouros mais bem guardados da terra.

to be continued...

Santas (mini) férias

agora que já larguei a couraça quase toda e passei de um tom vermelho mortadela a um castanho alcagoita, acho que já consigo falar do meu primeiro dia de praia do ano de dois mil e dezasseis :D

tou-me a rir, mas devia estar a chorar. só ao fim de 5 dias é consegui voltar a calçar ténis..

como este ano não vou ter as minhas habituais "férias grandes" tão cedo, tenho que aproveitar escrupulosamente cada oportunidade de praia que tenho. vai daí, não tinha dúvidas algumas sobre onde queria torrar os feriados de junho, quatro diazinhos caídos dos céus.

não me lembro de ter começado a época de praia tão tarde. normalmente acontece no inicio de maio, não quase a meio de junho.. e quem diz praia, diz campismo também. andei ali umas semanas a rezar que a meteorologia colaborasse, e quando a data começou a aproximar-se, e de facto a coisa prometia, planeei tudo milimetricamente para não haver falhas. tudo aquilo que aprendemos no ano passado foi posto em prática, o que significou renovar parte do material de campismo.

quinta à noite seguimos para baixo a todo o vapor. chegamos a tavira com medo de ficar sem jantar, mas fomos recebidos de braços abertos pelo restaurante imperial às dez e meia da noite. o homem alambazou-se com um arroz de polvo que me deixou a salivar, tal como ele ficou a salivar para a minha espetada de polvo, e passamos o jantar a bicar um no prato do outro. a noite estava impecável, ainda demos uma voltinha pelo centro para matar as saudades, antes de recolhermos à pousada de juventude (que se tivéssemos ido para o albacora, o meu cú recusava-se a sair de lá antes das seis e não podia ser).

no dia seguinte à uma da tarde estávamos nas quatro águas a entrar no "ferry", a abarrotar de banhistas. funny thing, nem parece que tinha passado quase um ano desde que cumprimos aquele ritual. a percepção do tempo é uma coisa estranha.

encontramos o parque tal e qual como o deixámos em agosto passado. apenas fomos informados que os mosquitos andavam malinos. nada que não estivessemos já mais do que habituados, "não há-de ser nada" disse eu ao rapaz. ah ah!

arraial montado nas calmas, fomos à vida. o dia estava nublado e ventoso, acabei por nem me despir para a praia. fiquei-me pelo abrigo do resguardo, ora a dormir, ora a ler, e o resto da tarde passou muito rápido.

à noite percebemos que o tema dos mosquitos era capaz de ser mais tramado que esperavamos. formavam-se autênticas nuvens à nossa volta, tínhamos que ser ultra-rápidos a entrar ou sair da tenda, para não entrarem lá para dentro. então e ir à casa de banho? uma aventura! ora tentem lá ir mandar um fax, numa sanita alheia, a medo que um enxame de melgas esfomeadas vos ferrem as nalgas e depois contem-me como foi a experiência. lavar os dentes também era complicado, e tomar banho só era mais fácil porque elas não se metem debaixo de água. jantar nas esplanadas também tinha truque, envolvia estarmos vestidos de alto a baixo, com o capuz do casaco enfiado na cabeça e toalha pelas pernas, que os sacanas picavam pela malha das meias.

mental note: adicionar repelente de mosquitos ao kit básico de campismo. já vi que há umas pulseirinhas porreiras

(e não, as apps e vídeos anti-mosquitos não funcionam)

mas claro, este areal fabuloso e este mar maravilhoso valem por todas as provações



e afinal, como fui eu sabotar-me logo no primeiro dia de praia do ano?

fácil, foi parecido ao ano passado. pelos vistos a minha pele já não está habituada ao sol dos algarves e se me descuido, desgraças acontecem. fomos cedo para a praia, para não estarmos fechados na tenda a salvo da gula feroz dos mosquitos. o dia estava fresco e ventoso. ora, sem calor e sem sentir o sol a morder, esqueço-me do protector. não senti a pele a queimar o dia todo, até porque estive bastante tempo debaixo do chapéu de sol. só à tardinha, quando o vento começou a mudar de direcção e começou a aquecer é que dei ali por aquela sensação desconfortável de pele escaldada. mas foi ao tomar banho no fim do dia, que o estrago se revelou em todo o seu esplendor. teve que ser com água quase fria, e vestir-me da cabeça aos pés para ir jantar foi um martírio. no dia seguinte só saí debaixo do chapéu já o sol ia baixo, e apesar das camadas do creme milagroso, era o mesmo que nada. sei que já fiquei mais vermelha que aquilo, o que não me lembra é de ter sido tão doloroso...

inacreditável foi não ter queimado o nariz, normalmente é a primeira zona do corpo a ficar escarlate, parece que andei a dar-lhe na pinga. chapéus de aba larga FTW!

tal como a mosquitagem, também o vento estava a mais. dava pouca folga, apesar de à noite, quando vinha quente, saber tremendamente bem. numa das madrugadas, depois de umas horas de acalmia, levantou-se uma ventania maluca. acordei por volta das sete da manhã devido ao barulho, vindo das fitas de plástico e da tenda-pavilhão do acampamento ao lado, parecia que andava tudo no ar. saquei do telemóvel, fui ver a meteorologia. diz que soprava a 30km/h, nada por aí além. a nossa tenda mal abanava e nem sequer estava presa por cordas, aqueles gajos da quechua são bons a fazer tendas!

no último dia das mini-férias, arrumamos rapidamente a tralha, muito rapidamente tendo em conta que era a primeira vez que dobrávamos a tenda, e a ser fustigados por mosquitos. saímos do parque a cem à hora, com um misto de alivio pela provação terminar e pena por deixarmos aquele paraíso.

nesse dia fomos para a praia de cacela velha, que estava brutal apesar do vento. aliás.. ainda bem que estava vento, se não era impossível aguentar o calor, debaixo do chapéu de sol e abrigados do vento pelo resguardo era como se estivéssemos a ser cozinhados em lume brando.

nota.. eu não podia sair debaixo do chapéu de sol. eu sair debaixo do chapéu de sol significava vestir uma t-shirt de manga comprida e enrolar-me da cintura para baixo na toalha, com aquele calor do caralho. dá para imaginar a frustração? a ver as poucas pessoas que por lá andavam, naquela praia enorme e deserta, a desfrutar aquele dia fantástico como mandam as regras e eu naqueles preparos tristes? e a água, que estava uma maravilha, quentinha e o mar nem se mexia, mais parecia uma piscina, e eu sem puder estar lá dentro muito tempo para não piorar o meu serviço? opá!!




por volta das seis despedimo-nos da praia, a fome apertava e eu já estava desesperada por me besuntar com biafine. como o três palmeiras estava fechado, fomos à segunda opção, casa do polvo em santa luzia, terminar as férias como começaram: a jantar polvo :D'



apesar do vento, das melgas e do escaldão, foram uns dias fixes. deu para descansar bastante e enfardar comidinha deliciosa \m/

Pelas terras do Guadiana

o parque natural do vale do guadiana é uma espécie de underdog dos parques portugueses, não se ouve falar muito dele. fica ali nos confins do baixo alentejo, paredes meias com o algarve e resvés com espanha. um bocado afastado da “civilização” e sem nenhuma auto-estrada que nos deixe às suas portas. é pouco habitado, e não existem grandes cidades nas redondezas, tem apenas uma vila e pequenos povoados salpicados pelo parque.. e é tremendamente bonito!

a paisagem é diversificada, a ponto de não se perceber bem se ainda estamos nas planícies alentejanas ou se já estamos com um pé na agreste serra algarvia. tem bosques e tem mato rasteiro, e apesar de ter muitos cursos de água, tem um aspecto muito árido.. e as vistas são de fazer parar a respiração.

já andamos por lá duas vezes. numa exploramos a zona da mina de s. domingos e pomarão, onde percorremos os túneis ferroviários desactivados. noutra corremos aquilo tudo numa doideira atrás de balões meteorológicos. o cascas está bastante familiarizado com as estradas de terra batida e as ribeiras secas do parque lol

só tenho um reparo a fazer a mim própria: nunca vou lá com tempo suficiente para ver tudo o que quero, aquilo é maior do que parece! já fiz saber ao homem que num futuro não muito distante quero lá voltar e bater as capelinhas todas novamente, mas com mais tempo para respirar e inspirar aquelas paisagens. além disso, todas as visitas têm acontecido sempre pela mesma altura, setembro/outubro, e apesar de vibrar com as cores douradas daqueles montes e planícies, tenho curiosidade para saber como será noutras alturas do ano.

road to somewhere

mas das várias coisas que nos tinham deixado saudades, talvez um pequeno tasco em corvos era a que mais sobressaía. fomos lá parar por obra e graça do destino. queríamos cozido de grão, e disseram-nos que lá era o melhor sitio para ir. só que o cozido de grão não parecia ser o que mais clientes atraía ao tasco, mas sim.. pizza!

nessa noite deixamos uma promessa escrita na pedra: 
“havemos de cá voltar para comer uma pizza”

e a minha surpresa ao chegar lá, 5 anos e um desvio de 60km depois, e ver o pequeno restaurante a rebentar pelas costuras, que por pouco temi que não conseguíssemos jantar. pelos vistos a internet aconteceu e a paragem está no topo das recomendações do tripadvisor para a região de mértola. not bad!

e íamos com intenções de fazer cumprir a promessa e comer pizza, a sério que íamos. mas assim que lá cheguei, fiz uma confidencia ao homem: "migo, não sei se vou conseguir resistir ao cozido de grão..." 

e não resisti... foi mais forte que eu lol e ele que ele também, que se fez às migas com secretos :D' a pizza ficou novamente adiada lol

cozido de grão

nessa noite aprendi uma valiosa lição: tu simplesmente não comes uma pratada de cozido de grão e depois vais arrochar para um hotel...

HA HA HA não vais, não senhora! 

...e foi assim que finalmente conhecemos mértola (a tal paragem "técnica" que falei no post dos figos), depois de tantas vezes a atravessá-la de raspão. primeiro à noite e depois outra vez à noite, e finalmente, de dia :)

Untitledmertola mertola
Untitled
Untitled Untitled Untitled UntitledUntitledguadiana

é um sitio lindíssimo, muito acolhedor, come-se bem. e para quem se interessa, está recheado de história.

e já que andávamos lá por perto, aproveitamos para conhecer também alcoutim, ali mesmo juntinho à margem guadiana.

alcoutim guadianaguadiana

álbum completo da coisa aqui

Se provas faltassem.. III

há umas semanas fizemos uma paragem "técnica" em mértola, e no maior dos acasos, dei com o nariz num cartaz que anunciava algo que me espevitou o interesse, um concurso de figo-da-índia..

EH LAH

"ò amigue, aqui tens a tua grande oportunidade para experimentar os figos dos cactos!!" comuniquei entusiasmada ao homem

para contextualizar, sempre tive um fascínio estranho por aqueles amontoados desgovernados de cactos com ar de poucos amigos e o homem, desde que descobriu que os frutos que brotam daquilo são comestíveis, que andava curioso para prová-los.

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(nesta foto isa descobre que não é grande ideia tocar nos figos-da-índia sem luvas)

e que melhor para isso que um concurso com degustação? era garantindo que ia haver figo-da-índia de todas as maneiras possíveis e imaginárias. done deal!

então o nosso destino de sábado passado foi alcoutim martim longo. zarpamos a todo o vapor para o algarve profundo atrás do exótico fruto, sem saber bem ao que íamos.

então às 14 horas e 45 minutos, isa alcança finalmente a vila de alcoutim e pergunta-se onde terá lugar o evento. saca do telemóvel esperto, pesquisa pelo cartaz do certame, analisa-o ao pormenor e... pânico!! "FDX, NÃO É EM ALCOUTIM, É EM MARTIM LONGO!!" eeeeeeeek...

e siga que não há tempo a perder!

chegámos mesmo a tempo. à nossa espera estava uma mesa farta de iguarias confeccionadas com figo-da-índia e foi possível experimentar de tudo um pouco: gelados, bolos, sobremesas, guloseimas, compotas, licor, sumo, ao natural, etc etc não ficamos desiludidos, não senhora!

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o homem honrou os 300km que percorremos para lá estar, e provou TUDO o que havia para provar, já eu atirei-me apenas ao que parecia mais delicioso.

o evento realizou-se no salão da junta de freguesia de martim longo e estava bastante concorrido, provavelmente só com pessoal da zona e não conseguimos evitar a sensação que crashamos na festa de alguém sem ser convidados. mal habituados com as festas de cidade, onde tudo se paga entrada, ficámos verdadeiramente surpreendidos com a intimidade do evento e acabámos por ficar contagiados com o sentido de comunidade ali presente. a dedicação e boa-disposição manteve-nos até ao final, para descobrirmos e aplaudirmos os vencedores do concurso.

o meu favorito ganhou o terceiro lugar, o homem confirmou que o primeiro lugar foi merecido :)

veredicto: imho, o fruto em si não é mau, embora não tenha um sabor particularmente intenso ou distinto. mas é impressionante a quantidade de coisas que se consegue fazer com ele. além disso, parece ser a grande aposta na área da agricultura da região, até porque tem outras aplicações para além da culinária.


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os nossos sinceros parabéns aos organizadores, concorrentes e em especial à incansável senhora dos sumos, que ainda aturou as questões todas do homem sobre os figos e as figueiras e as plantações, que nós bem que as procuramos semanas antes, mas não encontrámos.

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Salinas

sou capaz de ter desenvolvido uma estranha obcessão por salinas. não sei se foi pela calma dos imensos campos brancos, se do curioso processo de transformação, se da arte da colheita, se do ecossistema.. sempre tive curiosidade e este ano matei-a à grande!

 

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5 de Setembro de 2015, às 23:01link do post comentar

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mirc.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e yada yada, yada... é ler o blog ;)

bucket list

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores: #11 #10 #9 #8 #6 #5 #4

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