Summer in the Islands I

o plano era chegar de maiorca no domingo de manhã, pegar na trouxa, e descer ao sotavento algarvio, para uma semana de campismo. o que eu não contava, era chegar com a cara inchadona e a precisar urgentemente de ir ao dentista, o que aconteceu pouco depois de aterrarmos. além de mim, também o homem não se conseguia ver livre da constipação, e queria ir ao médico na segunda.

o plano tremeu. eu, com uma bochecha insuflada, e com uma dieta à base de antibióticos, mais os medicamentos para evitar os danos colaterais dos antibióticos, e o homem com uma constipação manhosa no lombo, estávamos naquela.. se não vamos acampar, vamos trabalhar.. ficar em casa uma semana a gastar tempo livre precioso verão é que não..

mas não me sentia com energia para voltar ao trabalho.. depois de sete meses sem férias, e depois daqueles cinco dias non stop em maiorca, estávamos desesperadamente necessitados de mais uns dias de descanso.. tão lá fomos, à cautela, com o saco das drogas a reboque, passar o resto das férias na ilha tavira.

tá-se a tornar num ritual que não consigo passar sem, acampar uma semanita que seja, naquele sitio. até fico ansiosa só de pensar. gosto mesmo, mesmo, mesmo daquilo. voltar de lá é uma dor.. venho o caminho todo para cima a lamuriar..

só que este julho esteve muito rombo, não apanhamos tempo de jeito. não houve daqueles calores insuportáveis, e as noites eram frias como na costa alentejana. só na noite em que regressamos é que fomos brindados com uma brisa quentíssima da serra.. 28ºC às onze da noite, PQP.. pontaria de merda. por causa da ventania que se começava a levantar depois do meio-dia, nem sequer houve muitos banhos no mar. não que a água estivesse fria, que não estava, mas o vento tornava a experiência pouco agradável. 

mesmo assim foram uns dias à maneira, perfeitos para descansar da doidice da semana anterior. sabia quase a férias das férias, até o tempo pareceu render mais. nota mental: agendar a semana de férias agitadas antes da semana de ronha de campismo e praia rula.

tomar o pequeno-almoço no ferreira é parte da rotina na ilha. na primeira manhã que lá fomos, ia toda excitada para conhecer finalmente os êxitos pimbalhões deste verão... só que eles trocaram-nos as voltas. tinham um álbum de covers de guns n' roses em bossa nova a tocar, tão meloso que não conseguimos desarredar de lá. tinha um vibe perfeito para aquele dia solarengo de verão, à beira da praia.

happi poo

mas foi sol de pouca dura. nos restantes dias, a playlist resumiu-se a pop latino. espero que não tenha sido apenas isto que se ouviu este verão, que miséria :P tínhamos uma running gag "e tu, quantas vezes já ouviste o despacito hoje?" havia dias que ia às 5 vezes, que enjoo.. por mais que tente, não consigo compreender este fenómeno. outra rotina, que se não acontecer, é como se não tivéssemos estado lá, é na noite de sábado, o DJ do sal passar a macarena. não consigo adormecer enquanto não ouvir a macarena muhahahha gipsy kings e mambo nº 5 também nunca falha.

houve duas manhãs que apanhamos o barco e fomos ao mercado, tomar o pequeno-almoço, comprar fruta, e trazer o abastecimento anual de sal e oregãos.

sal


calma, trouxemos apenas um pacote de 1,5kg e sim, vai durar um ano inteiro.

a meio da semana fomos até cacela velha morder o ambiente. o dia não estava grande coisa para praia, então andamos por ali curtir a ria, a fazer tempo para ir à tasca do largo comer ostras. chegamos lá a 30mn da hora de abertura, já havia pessoal a ocupar as mesas da esplanada. quando abriu, já não havia mesas livres. partilhamos a nossa mesa (e uma chouriça assada) com um casal mais velho, e enquanto íamos empurrando a travessa de ostras, estivemos na conversa. descobrimos que tínhamos em comum o gosto pelas viagens, e tínhamos muitos destinos e aventuras em comum. não acontece muita vez, entrarmos em conversas com desconhecidos, mas foi definitivamente fixe.

ria formosaria formosa bocaostras

cruas, inacreditavelmente frescas, e absolutamente deliciosas :D'

quando saímos da tasca, o vento tinha abrando e a tarde ficou espectacular. atravessamos a ria à pata e fomos aproveitar o resto da tarde na praia.

como todas as pessoas este verão, também eu arranjei um bicho insuflável. um unicórnio. não sei como aquelas moças no instagram conseguem fazer sessões de fotos em cima destas bóiazorras, eu não aguento mais de 30 segundos sem mandar um tralho para dentro de água. bom.. em minha defesa, estava no mar com ondulação, não numa piscina. rendeu uns vídeos muito interessantes, alguns sortudo/as viram uma instastory disso. o homem encheu a barriga de gozar comigo, mas depois foi experimentar, e ainda aguentava menos tempo em cima daquilo do que eu lol quem ri por último, ri melhor :D

unicornio

anyway, este unicórnio era farsolas, ao fim da primeira cavalgada, abriu um buraquito numa costura. foi remendado e ainda voltou à água, mas já está no céu dos unicórnios. pró ano não vou ser tão sovina e arranjo um com melhor qualidade.

the last, but not the least
. há sempre figurões que animam o campismo. nem por isso faço por apanhá-los, mas estes estavam mesmo ao meu lado, era impossível ignorar.. apresento-vos,

los españoles

dois casais, malta ali a meio dos 30, altamente relaxados da vida deles.

já lá estavam quando assentamos arraiais. mas a primeira vez que nos cruzamos com eles, foi a caminho do pontão. nós íamos pro chillout, curtir a malta à pesca e os velhos na palheta, e eles tinham acabado de chegar do continente no último barco da noite, carregados de compras.. mal sabíamos nós que eram nossos vizinhos. quando regressámos ao parque, por volta da uma da manhã, quem é que se estava a preparar para fazer uma churrascada, a meia duzia de metros da nossa tenda?

a nossa tenda, as deles, e o grelhador, faziam um triângulo equilátero. nunca vi estes moços na praia, ou noutro sitio qualquer fora do parque. estavam sempre ou abancados junto das tendas, ou abancados junto ao grelhador. parecia a grande farra. passavam os dias a comer, a beber e a fumar ganzas, enquanto conversavam, naqueles modos espanhóis de conversar, que não se percebe se estão na boa, ou prestes a pegarem-se à porrada. todas as noites adormecíamos ao som da teca-teca-teca incessante deles, e todos as manhãs acordávamos ao som da mesma teca-teca-teca incessante deles.

um deles tinha umas havaianas de star wars iguais à minhas, já todas gastas (até me benzi), e dava uns arrotos grotescos. um detalhe sobre a minha pessoa, eu prefiro mil vezes ouvir um peido, por mais longo e sonoro que seja (até mesmo daqueles que emitem uma vibração capaz de abrir uma brecha da nossa dimensão), a um arroto.. a par do som das escarradelas, o som daqueles arrotos cavernosos arrancados do fundo das entranhas dá-me vómitos.

por fim, nós bazamos e eles lá continuaram, de cu alapado nas espreguiçadeiras desbotadas junto da tenda, a fumar charros e a queimar tempo até à próxima refeição.

agora pensando nisso, tavira cheia de espanhóis como estava, naquelas duas semanas de férias não deu para perceber bem onde acabava portugal e começava espanha, é que parece que não ouvi outra língua lol

Campismo // guia de sobrevivência

temos material. temos parque escolhido. siga acampar!!

first things first,

nunca, nunca levar nada de valioso para o campismo. nem roupa, nem sapatos, nem acessórios, nem documentos ou gadgets que não aqueles que estão sempre connosco. os parques costumam ser seguros, mas não é inédito desaparecerem coisas das tendas. alguns parques têm cofres, mas como quase tudo o resto, a sua utilização é paga.

o maior problema nem são os roubos, mas sim, os esquecimentos. eu tenho um truque: quando estou a juntar a tralha, pergunto-me sempre se iria ficar chateada se determinada coisa não voltasse para casa. se sim, então nem sai de casa.

antes de sair de casa, devemos sempre consultar as previsões meteorológicas (dias e especialmente noites) para os dias em que vamos estar acampados. convém sempre levar agasalhos adequados às condições que nos esperam. mesmo durante a primavera / verão existem noites frias, especialmente junto à costa ou na montanha.

no campismo reina a descontracção, por isso não se admirem de ver malta com pouca roupa em cima, como se estivessem na praia. é habitual ver homens só com calções, e mulheres só em t-shirt e cuecas, ou calções e top de bikini.. ali ninguém quer saber, não há que ter vergonhas :D

no campismo também reina o espírito de entreajuda. por isso, se tiverem algum problema, ou esqueceram-se de algo, tipo a bomba de ar, ou precisarem de um martelo para fixar as estacas, ou não conseguirem (des)montar a tenda, encontram sempre alguém que não se importa de ajudar.

também vamos testemunhar algumas faltas de civismo gritantes, mas isso há em todo o lado..

barulho

em todos os parques existe a chamada "hora de silêncio". normalmente começa às 23h ou 00h, e vai até às 7h ou 8h.

lembrem-se sempre: hora de silêncio é para cumprir. até podemos ficar afastados de outras tendas, mas no silêncio da noite, o barulho viaja longe. há pessoas que podem não apreciar a nossa música, ou as nossas risadas quando estão a tentar descansar.

para quem ache que as regras não se aplicam a si, os seguranças do parque estão ali para meter ordem no pedaço, e levam as queixas de ruído a sério. caso seja necessário, não tenham problemas em ir falar com eles. eu não tenho.

ficar próximo dos balneários pode ser muito prático, mas corremos o risco de levar com barulhos de duche e autoclismos a despejar a noite inteira. e se não acham piada a ruídos fisiológicos, então não devem *mesmo* assentar arraiais perto dos balneários..

existem barulhos que não há como evitá-los, como estradas e povoações nas proximidades do parque, ou vida selvagem ruidosa. para estes casos, há duas opções: ou aguentar.. ou levar tampões para os ouvidos.

filas

durante as épocas altas é quase certo que vamos encontrar filas para tudo: na recepção, no mini-mercado, no bar, no restaurante, nos balneários. a boa notícia é que as pessoas são criaturas de hábitos, e costumam ter horários fixos mesmo durante as férias / fins-de-semana. podemos contornar estas filas se evitarmos as horas de ponta. por exemplo, jantar mais cedo e deixar o banho para depois, não fazer o check out em cima da hora limite, etc. 

e onde há filas, há pessoas a tentar furar filas. a sério, não façam isso.. é foleiro!

balneários

e demais instalações sanitárias, é provavelmente a parte mais sensível da experiência.. mas nada que uma boa dose de perspicácia não resolva.

primeiro que tudo, tentar perceber o horário de limpeza dos wc's. costuma estar assinalado numa folha afixada à entrada, a hora em que as limpezas foram feitas. é procurar um padrão e rezar com que o corpo colabore com essas alturas.

segundo, carradas de papel higiénico e toalhitas desinfectantes. (e sim, eu limpo a sanita mesmo que seja a primeira pessoa a utilizá-la depois da limpeza) descobri que estas toalhitas podem ser grandes aliadas das idas ao wc. passo uma várias vezes pela cerâmica da sanita, depois faço uma "caminha" confortável com papel higiénico, e cá vai disto.

terceiro, e porque raramente existem bidés nos wc's dos parques de campismo, toalhitas de bebé ajudam a adquirir a limpeza e frescura a que temos direito :D

quarto, trazer sempre sabonete / sabão / gel para lavar as mãos depois do serviço, pois não há disso nos wc's.

no que toca a banhos, a dica mais valiosa do pacote é, sempre que vamos para um parque novo, fazer uma volta de reconhecimento, e procurar se existem balneários afastados das zonas principais. quanto mais "escondidos", menos frequentados e mais limpos estão.

btw, é imprescindível usar chinelos para tomar banho. nunca se esqueçam de levar chinelos. nunca. nunca. nunca!!

e porque ninguém gosta de utilizar wc's labregos.. malta, tentem sempre que possível, deixar as coisas no estado de limpeza em que gostariam de encontrar. deixar a obra assinada na retrete é falta de civismo, se existir um piaçaba no cubículo, não há desculpas. evitar deixar cabelos e restos de pasta de dentes nos lavatórios, e lixo por cima das bancadas, chão ou nos duches. also, à entrada dos wc's costuma existir uma pequena pia com uma torneira. serve para lavar os pés antes de entrarmos nas instalações, para não levar porcaria lá para dentro. 

insectos

por muito que os parques tentem controlar os insectos com desinfestações, há bichezas que gostam sempre de dar o seu ar de graça. como por exemplo, os mosquitos. nada que um bom repelente não resolva. e não impliquem com as osgas, as osgas comem mosquitos nham nham!

também devemos estar psicologicamente preparado/as para dar de caras uma aranha enorme em cima da tenda.. porque vai acontecer!

na hora de recolher a tralha no parque, dar especialmente atenção a este detalhe das aranhas. elas são sorrateiras e adoram vir à boleia na bagagem. não digam que não avisei lol

se decidirem cozinhar no campismo, mantenham a comida bem conservada e não façam lixo. não vão querer atrair moscas nem formigas para a vossa beira. as formigas quando lhes cheira a comida, até dento dos carros entram.

entretenimento

porque os dias no campismo parecem enormes, convém sempre levar algo para nos entretermos. livros ou o kindle, tablet cheio de séries e filmes, jogos electrónicos ou tradicionais (cartas, tabuleiro, etc), ou simplesmente o smartphone. os parques não querem os seus campistas entediados, por isso costumam ter salas de convívio e jogos à nossa disposição.

e energia para carregar estas electrónicas todas? atenção que nem todos os parques têm pontos de luz.. e nem todas as pessoas (tipo eu) estão dispostas a pagar uma tarifa caríssima para ter electricidade. felizmente os parques (ainda) não cobram pela utilização das tomadas nos balneários. se verem uma pessoa sentada à porta do balneário com ar aborrecido, essa pessoa está certamente à espera que o seu smartphone carregue. posto isto, nunca se esqueçam da ficha tripla / extensão. costumo carregar os aparelhos enquanto tomo banho, ou enquanto faço refeições. com disciplina e uma ficha tripla, raramente precisamos de andar com o power bank atrás.

por fim,

com a experiência vamos desenvolvendo muitos truques e workarounds para minimizar os aspectos menos agradáveis de acampar. quando damos por nós, somos autênticos macgyvers do campismo, inchados de orgulho da nossa capacidade de desenrascanço. o importante é não stressar por tudo e por nada.. tipo, chillax tás no campismo, no pasa nada!

deixo aqui um dos posts mais épicos que alguma vez escrevi sobre a vida no campismo. a tag campismo também tem muitas pérolas sobre o tema.

btw, se tiverem dúvidas para tirar, ou dicas para partilhar, a caixa de comentários / email está à vossa disposição!



posts anteriores: ser campista / material / parques

15 de Junho de 2017, às 10:00link do post comentar ver comentários (2)(2)

Campismo // parques

agora que já têm o material, está na hora de escolher o parque!

quando nos estreamos como campistas, não havia muita informação disponível na internet sobre parques. mas havia (e ainda há), um guia fantástico chamado roteiro campista, e que pode ser encontrado em qualquer lado (really.. lojas que vendam material de campismo, supermercados, livrarias, bombas de gasolina, e por aí fora).

felizmente, hoje em dia consegue-se saber tudo e mais alguma coisa online :D

em portugal existem mais de 200 parques de campismo, de norte a sul, este a oeste, e ilhas. é só escolher a zona do país que queremos visitar, e procurar pelos parques nas redondezas. existem parques para todos os gostos (inclusive naturistas), uns mais isolados, no meio da natureza, outros no meio das localidades. com mais ou menos infra-estruturas de apoio.

normalmente os parques permitem uma visita para conhecer as instalações, é só chegar à recepção e pedir. verificar o parque antes de assentar arraiais é sempre uma boa ideia, para evitar surpresas desagradáveis.

eis o que devemos inspeccionar, e os detalhes a ter em conta:

- aspecto geral: se o parque encontra-se bem tratado, sem lixo pelo chão, e as instalações e equipamentos disponíveis estão em boas condições, se tem manutenção frequente e adequada ao número de campistas, etc.

- tipo de chão da zona das tendas: terra batida pode ser desconfortável e difícil prender a tenda ao chão; areia pode ser problemático por causa do pó. chão em alcatrão é algo que não aconselho *de todo*.

- sombra decente: é muito importante que o parque seja bem arborizado. acreditem que a última coisa que vão querer na vossa vida é montar a tentar debaixo do sol escaldante..

- espaço para tendas: se existe muito espaço livre para plantar tendas, em zonas indiferenciadas, ou se são pequenos e o espaço está dividido por alvéolos, e as tendas ficam muito próximas umas das outras. 

- se existem fontes de ruído nas redondezas: isto é algo a ter seriamente em consideração, especialmente em parques pequenos, ou dentro das localidades. dormir dentro de uma tenda é o mesmo que dormir ao relento: ouve-se tudo.

- balneários e wc's: estado de conservação, limpeza geral e frequência com que são limpos, duches em condições, se existe água quente, e se a água quente é gratuita ou paga.

- infra-estruturas disponíveis: bar, restaurante, mercado, lavandaria, sala de convívio / jogos, posto de primeiros socorros, zonas para lavar loiças e roupa, etc.

- horários: das instalações (recepção, mercado, bar / restaurante, etc), hora de silêncio, hora de check-in / out.

alguns detalhes sobre o funcionamento dos parques:

geralmente encontram-se abertos o ano inteiro. tal como em hotelaria, também têm épocas (baixa / media / alta / muito alta) que influenciam o preço da estadia.

o preçário é um bocado complexo, pois cobram tudo em separado *: pessoas (adultos e crianças); tendas e toldos (preço por área ocupada); carro ou mota no interior do parque; electricidade; animais de estimação; acesso à piscina e outras actividades. atenção que alguns parques também cobram água quente, e visitas que venham passar o dia connosco. quando calculamos o preço da estadia, convém não deixar nenhuma parcela de fora para evitar surpresas. 

* excepção para os alvéolos (espaços demarcados), alguns parques incluem no preço 2 ou 4 pessoas, tenda, carro, e electricidade.

as melhores alturas para acampar são entre maio e junho, e depois em setembro. as temperaturas são amenas e não chove muito, os parques costumam estar vazios, e os preços são mais em conta. 

agosto é o mês mais caro para acampar, e não é raro darmos com o nariz numa placa a dizer que está com lotação esgotada. alguns parques aceitam reservas, e é uma forma de garantirmos um espacinho. contactar o parque antes de sairmos de casa para saber se há disponibilidade, pode poupar umas dores de cabeça.

nos parques existe uma regra sobre a distância mínima a que as tendas devem estar umas das outras, por razões de segurança. no pico da época alta é muito complicado respeitar.. mas devemos evitar sempre plantar as tendas muito próximas umas das outras. o equipamento de campismo é inflamável, e em caso de incêndio, arde muito rapidamente.

o horário de check-in e check-out varia de parque para parque. em muitos parques é possível entrar fora do horário de funcionamento da recepção. basta deixar um documento de identificação com o segurança, e fazer o check-in na manhã seguinte.

tão e campismo selvagem?

curto e grosso, é proibido fazer campismo selvagem em portugal. a única forma de fazê-lo de forma legal é se tivermos licença da câmara e autoridades, ou autorização do proprietário do terreno. fora dessas circunstâncias, se formos surpreendidos pelas autoridades, é uma questão de sorte. podemos escapar apenas com um aviso, como podemos ser obrigados a levantar o acampamento, e na pior das hipóteses, pagar uma coima.

para a malta que mesmo assim quiser arriscar, lembrem-se que não é uma forma muito segura de acampar. entre assaltos, vida selvagem, incêndios e whatnot, coisas podem correr mal... mas também pode ser uma experiência do caneco. sejam responsáveis, cuidado com as fogueiras (levem fogão portátil, se possível), e nada de deixar lixo espalhado ou destruir a natureza.

...next, sobreviver no campismo!

9 de Junho de 2017, às 10:00link do post comentar(1)

Campismo // material

há várias coisas que devemos ter em consideração quando vamos comprar o material:

- quantas pessoas vão ocupar a tenda, e se os ocupantes são apenas adultos ou também há crianças

- se vamos acampar com muita frequência, ou no máximo uma dúzia de dias por ano; se vamos acampar apenas durante o verão, ou no ano inteiro; se vamos acampar para zonas frias, ou muito quentes

- se vamos andar com a tralha às costas, é imperativo calcular o peso (mochila incluída). e ter em conta que o material ultra leve e compacto costuma ser ultra caro :/

- se pensamos transportar a tralha de avião, quanto mais compacto for o equipamento, melhor. as tendas "automáticas" (tipo seconds) são muito práticas, mas também são muito volumosas

a tenda

pavilhão ou compacta? para duas pessoas, uma tenda compacta é suficiente. é perfeitamente possível viver numa tenda pequena durante uma semana ou duas (ou até mais). já uma família com crianças deve optar por uma tenda com dois ou mais "quartos" e espaço suficiente para guardar a tralha toda.

se for apenas para duas pessoas, devemos sempre optar por uma tenda de três lugares, para sobrar espaço para arrumar mochilas e restante material. há quem não se importe de deixar na rua, mas há sempre o risco de levar sumiço.

como existem muitas oscilações de temperatura durante o dia, é importante que a tenda seja bem ventilada, para ter uma boa renovação de ar interior e evitar condensação. deve ser de tecto duplo para garantir melhor resistência à utilização, e aos elementos (sol, chuva, vento).

dicas:

- e se não quisermos acordar muito cedo, o tecido interior da tenda deve ser escuro. há tendas "black out" muito porreiras para quem gosta de ficar na ronha até meio do dia

- tendas "automáticas" são muito apetecíveis, mas certifiquem-se que saem a da loja a saber arrumá-las. já perdi o conto às tendas que o homem tem fechado por esses parques fora. fechar mal a tenda pode danificar (e até mesmo partir) o arco de suporte.

- as estacas que costumam vir com as tendas são frágeis. não é má ideia comprar um conjunto de estacas tipo cantoneira, especialmente se pensamos frequentar apenas parques com chão de areia

- martelo para fixar as estacas é daqueles acessórios que tenho mixed feelings em recomendar. o nosso foi usado praí duas ou três vezes. depois deixou de fazer parte da tralha. quando é realmente necessário, uma pedra faz o serviço

- e dica mais preciosa do pacote: AFASTEM-SE das tendas que se vendem em supermercados. não têm qualidade nenhuma.. a tenda deve ser um investimento ponderado, pois é a única barreira entre nós o exterior. uma tenda de média/alta gama pode ser mais cara, mas é feita com materiais mais resistentes, tem melhor qualidade de construção, e dura mais tempo.

colchão

esteira de espuma ou colchão insuflável? depende do gosto/necessidade de cada um. sou apologista que lá por estarmos acampados, não significa que tenhamos que dormir mal. pessoalmente acho que dormir junto ao chão é muito desconfortável, por isso a minha opção vai para os colchões insufláveis. e levo almofadas de espuma comigo. é um dos meus poucos luxos.

existem colchões insufláveis com bomba de ar integrada, que apesar de serem mais caros, poupam a preocupação de levar a bomba.

por falar em bomba.. bombas de ar eléctricas/recarregáveis para encher colchões são uma péssima ideia. não só levam muito tempo, fazem barulho, e podem não ter potência suficiente para encher o colchão totalmente. ainda existe o risco da bateria esgotar-se e/ou não haver electricidade por perto. nada como uma bomba de pé.

para quem tem que carregar com a tralha às costas e o peso é um assunto sério, existem colchões auto-insufláveis, mais finos, mas mais confortáveis que as esteiras.

há ainda quem opte por colchões de espuma tripartidos, mas não sei como são a nível de conforto. nunca foi uma opção que estivesse em cima da mesa porque são demasiado volumosos.

saco-cama

o sacos-cama estão classificados por temperatura conforto, e devem ser escolhidos em função disso. para o nosso clima não é necessário um adequado a temperaturas siberianas. para dormir dentro de uma tenda com roupa interior, 10ºC para cima é mais do que suficiente. abaixo disso (a não ser que seja inverno), preparem-se para suar como se estivessem numa sweat lodge :D

se optarmos por um colchão insuflável para duas pessoas, um saco-cama que abra na totalidade pode servir de edredão. também existem soluções integradas (colchão + edredão + lençol) que podem ser muito interessantes.

obcessem bastante com este trio (tenda / colchão / saco-cama), e não tenham vergonha de experimentar. o material está em exposição nas lojas para isso mesmo.

acessórios

existe uma parafernália de acessórios de campismo: conjuntos de cozinha, geleiras, lanternas, bidões para água, chuveiros solares, sacos de compressão, redes mosquiteiras, toldos, tapetes, camas de rede, mesas, cadeiras, trolleys, etc.. é todo um mundo.. e normalmente é o departamento onde fazemos a maior parte dos gastos desnecessários. antes de comprar, ponderem muito bem se é algo realmente necessário.

não creio que o tapete para a tenda seja algo realmente necessário. toldos, desde que o parque tenha boa sombra, também não. sacos de compressão podem ser úteis (tenho dois, para o edredão e almofadas). tudo o que sejam acessórios para cozinhar e comer, acho que mais vale levar de casa e não gastar dinheiro nisso. um trolley pode ser muito útil a quem prefere deixar o carro fora do parque, para não ter que andar a acartar com o material às costas.

se consideram pedir electricidade, não se esqueçam de levar uma extensão. os parques não as fornecem.

nos mínimos olímpicos, eis as coisas que devem fazer parte do kit básico:

- pequeno candeeiro de LEDs
- uma barra de sabão
- uma corda e meia dúzia de molas
- um pano de limpeza (dá muito jeito para limpar a tenda quando somos bombardeados por pássaros com diarreia)
- toalhitas desinfectantes, toalhitas de bebé, e papel-higiénico
- ficha tripla / extensão
- canivete multifunções
- medicamentos (analgésicos, queimaduras solares, repelente de insectos, etc)
- tampões para os ouvidos
- (opcional) uma pequena vassoura com pá, para apanhar a areia e os pastos que vão acumulando na tenda.

refeições

preparar as refeições durante o campismo exige uma *certa* logística, que nós desistimos muito cedo. o tempo que se perde, as limitações, mais os custos do material e a carga extra, mais vale ir ao restaurante do parque.

mas se quisermos mesmo, mesmo cozinhar no campismo,

existem fogões a gás portáteis muito práticos. em alternativa, os parques costumam ter zonas de churrasco (e com sorte mesas de refeição por perto). basta levar um saco de carvão, fósforos e uma grelha. os parques costumam ter zonas com lava-loiças, que também são úteis para preparar a comida.

não esquecer a especiarias básicas (sal, pimenta, azeite, vinagre, etc), tacho(s), pratos, talheres, copos, chávenas, rolo de cozinha, detergente e esfregão. levar sempre o máximo de casa, os mini-mercados que existem nos parques cobrem as necessidades básicas, mas os preços costumam estar *bastante* inflacionados.

vamos também precisar de uma geleira que mantenha os alimentos e bebidas minimamente frescos. usar icepacks pode ser uma solução, mas manter os icepacks gelados no campismo nem sempre é fácil.. em alternativa, comprar um saco de gelo e despejar lá dentro, ou dividi-lo em saquinhos para não encher a geleira com água.

não falei em mesa e bancos, porque há quem não se importe de comer no chão, numa toalha de piquenique. ou com um bocadinho de sorte, o parque tem mesas para o efeito.

...next, parques!

Campismo // ser campista

o verão e a época de férias estão aí a rebentar, mas acho que ainda vou a tempo de publicar uma série de posts sobre a fina arte de acampar, que espero serem de utilidade para quem pensa iniciar-se na actividade.

fica já o disclaimer, estou a basear-me nas nossas experiências enquanto campistas sazonais. existem vertentes mais técnicas da actividade, que não vou falar porque não tenho conhecimentos aprofundados nem testados.

então, acampar não é apenas um modo de fazer férias económicas (até porque se gasta algum dinheiro no equipamento). acima de tudo, acampar é um modo de vida.

aprendemos a viver com o mínimo essencial, a lidar com imprevistos, e a improvisar. aprendemos sobretudo, o valor inestimável do contacto com a natureza. e vamos descobrir que adormecer ao som da melodia dos grilos (ou do mar, ou da brisa a entrelaçar-se na copa das árvores), pode ser das melhores canções de embalar que podemos ouvir na vida.

mas antes de mais, devemos tentar perceber se vamos conseguir viver em estado semi-selvagem durante alguns dias:

o conforto fica em casa. não há sofás nem camas fofinhas, nem outros "luxos" que damos por garantidos. e podemos ter que lavar roupa à mão, ou preparar comida em condições muito desafiantes.

vamos estar à mercê dos elementos. pode fazer frio e humidade, e pode chover e fica tudo molhado à volta da tenda. e às vezes, até o vento consegue ser assustador.

vamos estar limitados a nível de tecnologia. não há TV's, nem consolas de jogos, e nem sempre é boa ideia andar com portáteis atrás. felizmente já é possível transportar entretenimento, em tablets e smartphones. só que no campismo, algo tão básico como alimentar equipamentos eléctricos pode ser um berbicacho.

na natureza existem insectos. muitos. formigas, mosquitos, moscas, aranhas, carochas, etc etc.. e não há muito que se possa fazer quanto a isso. eles vão aparecer por todos os lados, e vão trazer amigos.

não existe muita privacidade. temos que partilhar as instalações sanitárias com desconhecidos, e há quem não tenha pudores absolutamente nenhuns.

há ruídos de todos os tipos. alguns conseguimos contornar com tampões para os ouvidos, outros (tipo os fisiológicos) é mais complicado conseguir evitá-los.

mas se conseguirmos ultrapassar estes constrangimentos, torna-se numa experiência muito libertadora, e descontraída.

posto isto, existem dois tipo de campistas:

os que levam a casa às costas, e os que mal enchem uma mochila!

é definitivamente algo que devemos tentar perceber antes de entrarmos na decathlon ou na sportzone, com intenções de largar lá uma pipa de massa. existem modelos de tendas, colchões, e sacos cama de todos os tamanhos, feitios e gostos, e existem mil e um acessórios que achamos que vamos precisar.. e que depois não saem da arrecadação.

não há mal nenhum em levar a casa as costas, mas perde-se tempo precioso a (des)carregar e a (des)arrumar tudo no sítio. e eventualmente vamos descobrir que não precisamos realmente aquilo tudo para passar uns dias descontraídos.

nós passamos de um espectro para o outro (podem ler a evolução neste post, um follow up aqui, e o estado actual da nação), e aprendemos muito com os nossos erros, e gastamos muito dinheiro mal gasto. por isso, a dica mais valiosa que posso deixar sobre este tema é:

começar com o mínimo essencial!

gasta-se menos a perceber que tipo de campistas somos (ou se queremos continuar a acampar depois das primeiras experiências). a partir daí vamos fazendo upgrades ao material à medida das nossas necessidades.

...next, material!

Summer of 16 // the end

domingo, último dia de férias. porque que o tempo passa tão depressa quando a vida está a saber tão bem. porquêeeeeeeeee? chuinf.. pequeno-almoço, ronha no quarto, arrumar a bagagem, fazer check-out, assentar arraiais no spa. depois um mergulho na ria. depois um mergulho na piscina do hotel. e entretanto eram quatro da tarde, hora de iniciar o regresso à base. mas estava difícil de arrancar o homem para fora do hotel lol

passamos por santa luzia, para ir petiscar salada de polvo e muxama de atum, que com aquele calor, era a única coisa que apetecia. fun fact, no nosso último dia em tavira, estava precisamente a mesma temperatura que no último dia do ano passado, 37ºC \m/



nos planos estava ainda uma breve paragem em s. brás de alportel, em busca da doçaria regional épica, estrela das nossas sobremesas no pavilhão da ilha. se tivéssemos jantado lá os 12 dias, tinha voltado para casa com 5kg a mais em vez de 2, só naquelas iguarias decadentes de ovos, amêndoa, figo, alfarroba, batata-doce e frutos secos.

na loja onde fomos havia porções boas para degustação, dava para provar várias coisas. escolhe-las é que foi difícil. e apesar do calor, achámos que uma infusão de menta era a única bebida capaz de ajudar a dissolver melhor aquelas bombas de açúcar :D'



alfarroba e limão; batata doce e amêndoa (pqp,se era bom!!); alfarroba e doce de ovos; e figo com amêndoa; só de me lembrar, apetece-me lamber o monitor lol

pelo caminho ainda parámos para jantar em alcácer do sal, numa tasca muita castiça. outra excelente descoberta graças ao tripadvisor. 



ali apercebi-me que pela primeira vez em 5 anos, as nossas férias "grandes" não passaram pela costa alentejana. não faz mal, ela não vai a lado nenhum.. e como agora tá na moda, devia estar tão cheia como o algarve, anyway.

conseguimos sobreviver a (quase) duas semanas de campismo em agosto sem traumas. acampar em agosto não é inédito, já o fizemos durante uma semana em 2013 e outra no ano passado, daí sabermos que podia ser complicado. mas aquele parque tem uma grande vantagem, não mete muita gente e à noite é muito calmo.
foi também a primeira vez que ficamos duas semanas inteiras no mesmo sítio, e descobri que isso tem uma desvantagem: as rotinas instalam-se e os dias parecem sempre iguais. uma semana é perfeito, duas às tantas começa a aborrecer e a pedir mudança de ares. isto é uma boa nota mental.

tudo o que tenho a dizer é que estas foram umas belíssimas férias. chegaram na altura certa, e deu para carregar as baterias, para o que aí vem :D

...e pronto, that's all folks!

 
álbum completo da coisa no sitio do costume

Summer of 16 // o spot

chegamos ao parque por volta das nove da noite. não estava a abarrotar, mas todos os nossos spots favoritos estavam tomados. entretanto topei que um dos mais concorridos estava ali desamparado, a fazer-nos olhinhos. provavelmente tinha vagado havia pouco tempo.

não é costume ficarmos tão perto dos balneários, mas a sombra era boa e não haviam muitas tendas à volta. decidimos arriscar, se fosse complicado por causa do ruído, era mudar o estaminé para outro sítio. mas entre o barulho dos autoclismos e o dos tractores a jardar pela manhã, venha o diabo e escolha. bom, em último caso, tínhamos tampões para os ouvidos.

acabamos por ficar naquele spot até ao final da estadia. apenas os dois últimos dias foram mais barulhentos, muitos dos residentes começaram a levantar o arraial fixo de três meses, e havia muita lavação de loiça e muita tagarelice.

a vida selvagem era o que produzia mais ruído. desde as cigarras que pegavam cedo ao serviço, à passarada. numa das manhãs, fui acordada por uma discussão conjugal entre um casal de pegas por cima da tenda. inacreditável a chinfrineira que aqueles pássaros fazem. also, até no reino animal os machos levam nas orelhas das suas companheiras. pelo menos foi o que deduzi da conversa lol

por não termos vizinhança colada à tenda, à noite não havia sinfonia de roncos, e adormecia embalada numa aprazível combinação de sons: a ondulação do mar, o trilar dos grilos, e o piar das corujas. tão booooom!! é sem dúvida alguma, a melhor parte de acampar.

anyway, descobri duas grandes vantagens em ficar próximo dos balneários (não que vá fazer hábito disso, but still): sabemos sempre quando estão a ser limpos (e rir das rants das mulheres da limpeza enquanto o fazem muhahaha), e os telemóveis andavam sempre carregados, não era preciso andar com powerbanks atrás nem cravar tomadas nos restaurantes \m/

e se andar só em t-shirt e cuecas já era algo que fazia sem pudores nenhuns naquele parque, agora, até ir tomar banho ao balneário masculino deixou de ser um acto furtivo (e não sou a única a fazê-lo, certos achados no conteúdo dos baldes do lixo dos chuveiros sugerem que a frequência feminina naquelas instalações é uma constante). encaro a coisa como se fosse um balneário misto, apesar de ir sempre fora de horas, para não perturbar o ambiente. obrigada gajos, por serem tão boa onda e não se importarem em partilhar as vossas instalações!

to be continued...

Evolução campista III

fez este fim-de-semana dez anos que nos estreamos como campistas.. dez anos..

<inserir rajada de clichés e insultos sobre o tempo andar a mil à hora sem consideração por nada nem ninguém>

acampar tornou-se rapidamente na nossa forma favorita de passar férias e fins-de-semana de verão. temos aprendido muito sobre como viver com o mínimo essencial, a lidar com imprevistos, e a improvisar. aprendemos sobretudo, o valor inestimável do contacto com a natureza, e a liberdade e descontracção que isso proporciona. e que não precisamos realmente de muito para ser felizes, porque os grandes momentos das nossas vidas podem passar por algo tão simples (por mais lame que possa soar) como um assistir a um pôr de sol deslumbrante ou inspirar o aroma adocicado da resina dos pinheiros num dia quente.

achei que era data para ser comemorada a rigor, no parque de campismo eleito para a nossa estreia, galé. quem passa aqui pelo tasco desde os seus primórdios, conhece bem a minha pancada por este parque, also known as "resort alentejano", "estância de férias", "pedaço de paraíso". nestes dez anos, não houve um único verão que não tivéssemos passado por lá, nem que fosse apenas para um fim-de-semana. 

é o nosso sítio favorito na costa alentejana, mas... pela primeira vez em dez anos não senti formigueiro do estômago ao ver a entrada parque revelar-se ao fim da estrada. desapareceu no ano anterior e tenho suspeitas que não volta tão cedo. no verão passado tive um desgosto enorme, ao chegar lá e encontrar o meu spot de oito anos seguidos, invadido por um arraial fixo de tendas de "glamping".. s’aquela merda custou..

levei o inverno todo com esperança que este ano não regressassem, e a parcela fosse devolvida aos campistas habituais. mas não, voltaram e em maior quantidade, as tendas de "glamping" espalham-se como um vírus. se tivesse planeado assentar a tenda na mesma localização da primeira vez, não podia fazê-lo, porque até essa zona já foi reclamada pelo surf camp ou lá o que vem a ser aquilo. a manter o ritmo, em poucos anos vão minar completamente toda a zona costeira do parque :P

nunca é demais relembrar que temos mesmo que aproveitar todos os momentos (especialmente os bons), porque nesta vida nada dura para sempre.

bom, desgostos à parte, continua a ser o melhor camping onde já acampei, e pode ser considerado "culpado" por esta história ter pegado tão bem. está localizado numa zona fantástica, as instalações são boas, tem montes de espaço, e a praia continua a ser uma das mais bonitas onde já meti as unhas dos pés.

em 2006 o acesso ao parque fazia-se por estrada de terra batida, eu achava que não conseguia viver sem o portátil, ligação à internet, televisão por cabo e bidés. levava uma carga insana para dois dias e achei que ainda faltavam coisas HA HA HA HA HA impressionante como as coisas mudam!

ao longo do tempo fomos arranjando truques, construindo hábitos, e afinando a carga ao mais ínfimo pormenor. a evolução tem sido brutal. quando escrevi este post, estava convencida que era impossível esmifrar ainda mais a carga. o camping de tavira veio provar-me o contrário. a tralha base (tenda, saco cama, colchão, almofadas) cabe agora toda num trolley de 50l que está a passar o verão na mala do carro.



a velhinha 3 segundos, companheira de aventuras praticamente desde o inicio (não esteve na estreia, veio um mês depois), e apesar dos sinais de desgaste, ainda está ali prás curvas, mas este ano achamos que estava na altura de fazer um upgrade, mais arejado e fresco.



pode demorar mais tempo a montar e desmontar, mas o espaço que ocupa quando arrumada não tem comparação. e é muito fixe estar lá dentro na descontra, com as "portas" abertas. também tropeçamos num invento brutal, um colchão insuflável super compacto com bomba de encher integrada, não só não precisamos de ir com a bomba atrás, como enche mais rápido que o anterior, como é bastante mais confortável que qualquer um dos três que já usamos até hoje. o sacos de compressão foram outra descoberta muitíssimo útil.

portantos.. dez anos, três tendas, nove parques de campismo, duas praias selvagens, e incontáveis episódios depois, acho que já nos podemos considerar especialistas na matéria. e apetece-me escrever uns posts sobre o assunto :D

ps. vou deixar aqui o link para o post da estreia, mas.. ficam por vossa conta e risco, naquela altura eu escrevia de uma forma algo.. indelicada LOL

Truer words have never been spoken

enquanto secava à espera que a roupa secasse (um destes dias tenho que falar sobre o fantástico conceito da lavandaria self-service, ao qual estou completamente rendida), peguei num dos jornais que estavam na mesinha e encalhei numa reportagem deliciosa sobre campismo. felizmente também foi publicada em formato digital:

“O trabalho e até os hábitos de relacionamento com os outros são baseados em convenções e artifícios, materiais e mentais. Mas o ser humano precisa também do contacto com o mundo, com a natureza não humana. Sentir a temperatura e as suas mudanças, o sol, o vento, a humidade, os mosquitos à noite. Não podemos ter medo dessas coisas, fugir delas. Faz-nos bem mergulhar no mundo natural, interagir com ele, como se fôssemos um dos seus elementos. Dormir numa tenda significa uma entrega muito profunda. É estarmos na natureza sem defesas, no nosso momento mais vulnerável, quando não teríamos capacidade de reagir a qualquer agressão. É uma espécie de pacto de confiança com a natureza.”

não lhe mudava nem uma vírgula!

Episódios da vida no campismo III

duas semanas de campismo em quatro parques diferentes é coisa para render histórias até aos dias do fim. devia anotá-las, especialmente os detalhes, mas férias são férias. aqui ficam as mais engrassadas, ou pelo menos as que ainda me lembro (e que não chocam muito as pessoas lol)

numa solarenga manhã na esplanada da piscina, testemunhei o verdadeiro pequeno-almoço de campeões: um tipo a empurrar uma napolitana de chocolate, ora com uns golos de coca-cola, ora de café, temperando a refeição com umas baforadas de nicotina. a noite deve ter sido agitada para precisar de tanto power logo pela manhã :D

música ao vivo durante o banho, que luxo.. ou então não : / uma miúda cantava em altos berros com aquela vozinha estridente que faz ranger os ossos, e não. se. calou. um. minuto! não sei como é que a mãe conseguia aguentar aquilo, que tortura.. also, não foi a única vez que apanhei putos a cantar.. o que é que se passa com os putos agora que deram em andar sempre a cantar?

o sossego da última mijinha da noite foi interrompido pela camonada do surf, que tomou os balneários de assalto e em grande algazarra. comecei a trocar SMS's com o homem, a mandar vir com o cagaçal produzido pelas bifas mais as conversas de chacha que prali iam. parece que no lado dele a coisa estava mais interessante, ou deveria dizer, quente: havia pinocada no duche, com claque a torcer e tudo. só faltou aplauso quando a actuação terminou.

regressávamos à tenda depois do passeio nocturno, já na hora de silencio (meia-noite), quando reparamos que a malta do acampamento ao lado estava *novamente* a acender o fogareiro. estas pessoas simplesmente não paravam de comer!! aquilo parecia a grande farra. comiam, comiam, comiam.. mal os seguranças meteram os olhos naquilo foram logo mandar apagar o fogo. são horas de dormir, não de fazer churrasco!

num dos parques havia sanitas ao ar livre (? yah..). como argumento para me convencer a pernoitar lá, o homem garantiu-me que arriava o calhau numa, à vista de todàgente, e que eu podia gozar com ele à vontade. não cumpriu, humpf.. (mas com razão, vá.. acontece que aquelas pias serviam para despejar os depósitos das caravanas lol)

se em s. miguel ficámos desconfiados que havia uma máquina de mandar calar a malta (ouvia-se um "shhhhh" a cada 15mn), em tavira a hora de silêncio era anunciada por altifalante:

"sôres campistas, são vinte e três horas, vai dar inicio à hora do silêncio. obrigado"

haviam lá uns moços muito espertos, que pela calada da noite passavam uma extensão até às tomadas dos balneários, e ao raiar do dia iam recolhe-la. não é mal pensado, não senhora..

mas o que é mesmo bonito de se ver nos campings é aquela malta que carrega *tudo*, até a iluminação vintage da sala. não consegui fotografar aquele candeeiro cheio de braços e ornamentos, com muita pena minha..

na primeira manhã que acordamos em s. miguel, tínhamos um carreiro de formigas a passar alegremente pela tenda. se calhar já remendávamos os buracos, não? fomos comprar gafa e tratamos do assunto. mas no dia seguinte, as gajas tinham voltado, não se percebia bem por onde. mas nada a fazer, que eu recuso-me a fazer linhas de pó branco à volta da tenda. além disso sou eu que estou lá a mais, não as formigas.

o problema resolveu-se por sí só, com a chegada dos campistas de fim-de-semana. um acampamento espalhafatoso assentou ao nosso lado, e trouxeram comida. muita. as formigas adoraram!
era acordar a ouvi-los a barafustar, que nem no carro a comida estava a salvo da gula das formigas muhahahah faziam barulho mas livram-nos da praga, é caso para dizer, há males que vêm por bem :D

tenho uma relação um bocado complicada com crianças e desconfio que elas topam qualquer coisa de estranho.. põem-se embasbacadas a olhar para mim duma forma tão creepy que me apetece ir a correr buscar um exorcista (só não sei bem se para mim ou para elas).

das várias situações menos confortáveis que os pequenos humanos me proporcionaram nestas férias, esta leva o prémio: a caminho do balneário, passei por um puto a rezingar em francês com os irmãos ou que eram, por não o deixarem brincar com eles. viu-me e calou-se instantaneamente.
pouco depois apareceu à porta do balneário, a uns passos de mim, que estava abancada no lavatório junto à entrada a escovar os dentes. e ali ficou, a fitar-me como se fosse uma atracção num zoo (parecia assustado e tudo). este puto era uma fotografia. os bracitos apertavam junto ao peito um ursinho peluche desbotado, tinha as faces húmidas da choraminguice e ranho ressequido no nariz.. e estava com soluços.

por momentos considerei pregar-lhe um susto a ver se aquilo lhe passava, mas depois achei que era capaz de ser má ideia.. imaginei-o a desatar num berreiro desgraçado e ir fazer queixinhas aos progenitores, e que estes não ficassem contentes com a minha (boa) acção, e eu não falo a língua para explicar que era só para livrar o amoroso petiz dos soluços. além disso, suspeito que assustar uma criança não é coisa muito adulta de se fazer. suspeito também que talvez eu ainda não seja totalmente adulta. mas isso é outra história :D

e para terminar, achievement unlocked: atingi finalmente o nível máximo de descontracção no campismo, andar pelo parque em t-shirt e cuecas. é tão. libertador (também andei em bikini, mas aquilo ali é praia anyway)!

3 de Setembro de 2015, às 00:08link do post comentar ver comentários (2)

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mirc.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e yada yada, yada... é ler o blog ;)

bucket list

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores: #11 #10 #9 #8 #6 #5 #4

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