Mallorca // Cala Ratjada - Deià

se o dia anterior tinha sido ambicioso, este ia ser monstruoso..

acordámos numa ponta da ilha, e iríamos dormir quase no extremo oposto. foram quase 200km de estrada no terceiro dia de road trip.

pelo caminho tinha intenções de afogar o coiro em três praias. só que o vento decidiu dar o seu ar de graça, e o mar não estava grande coisa para ir a banhos. no fundo, foi a nossa sorte.. se não, não tínhamos chegado a deìa naquele dia. 

começamos por ir descobrir a cala agulla, ali nas costas de cala ratjada. é uma praia enorme, rodeada por uma mata de pinheiros, e abraçada por um cenário natural poderoso. fiquei cheia de pena por não a ter apanhado com o mar espelhado, deve ser ainda mais bonita.



cala mitjana está praticamente selvagem. paisagem quase intocada, não tem apoios, e chegar até lá é um desafio, principalmente para carrecos de cidade.. ia com o coração nas mãos, a benzer-me para que o fiesta sobrevivesse àquela provação sem grandes mazelas. depois de 1,3 excruciantes km's numa torrente de calhaus, eis que finalmente chegamos à praia. também ali o mar não estava para brincadeiras.. ainda assim, andava um grupo de idiotas corajosos a fazer placagens contra as ondas. não achamos esta cala nada de especial, gostei mais da paisagem até chegar lá.

dali seguia-se uma hora de estrada até à praia del muro. é uma zona muito bonita, mas está muito massacrada pelo turismo de massas. é a punta cana lá do sítio, cheia de resorts junto ao areal. 

como fica numa baía gigantesca, é mais abrigada e não estava tanta ondulação tanto como em agulla. claro que aproveitamos logo para ir tirar a barriga de misérias de água salgada morna.



e mais uma vez, foi um drama para sair lá de dentro. mas ainda tínhamos muito para ver e percorrer naquele dia.

a estrada de acesso ao cap formentor, a ponta mais a este de maiorca, não é aconselhável a pessoas com o coração fraco. para além de ser uma sucessão de curvas apertadas com pouca visibilidade, é estreita e uma boa parte da sua extensão é cavada na falésia, com o oceano a dizer "olá" a um braço de distância.. é também uma das estradas junto ao mar mais cénicas onde já conduzi, só que ia com os olhos de tal modo colados ao asfalto, que mal consegui apreciar o cenário.

os tomates que foram precisos para construir aquela estrada, fónix...

quando finalmente chegamos ao farol de formentor, havia fila. a fila era resultado de mais um exemplo de boa organização lá do sítio, para lidar com as hordas de turistas. porque o parque de estacionamento do farol é pequeno, havia uma pessoa a controlar a entrada. só entravam carros quando outros saíssem, e assim evitava-se o caos no pequeno estacionamento (que diga-se de passagem, podia ser perigoso). a parte fixe desta paragem forçada numa colina com uma certa inclinação, é que me levou a descobrir uma feature do fiesta que me agradou bastante: ponto de embraiagem assistido, meaning, quando largava a embraiagem, tinha uns segundos para acelerar, sem ter o stress de deixar o carro descair. vou mandar instalar isto no cascas :D



diz que o farol está situado a uma altura de 200 metros, a vista é impressionante. o tempo enevoado é que estragava um bocado a paisagem, o ambiente estava escuro e cinzentão.

de regresso passamos por duas calas que devíamos ter parado para visitar, cala figuera e cala formentor. mas já se estava a fazer tarde e ainda tinha pollença para ir descobrir, não queria perder mais tempo, até porque o mar agitado tira alguma piada à coisa.

podia ter parado no miradouro de es colomer, mas como estava apinhado, tinha que esperar que alguém saísse para eu estacionar. e não me apeteceu a esperar. não ajudou a tarde não estar nada de especial para vistas panorâmicas desafogadas. mas ficou marcado para regressar.

siga para pollença. pollença é uma cidade com uma dimensão considerável mas tem um centro histórico castiço, que vale a pena visitar. aproveitamos para tapear e depois fomos fazer aquilo que as pessoas vão lá fazer: subir os 365 degraus até el calvari, desfrutar da vista soberba sobre os arredores.


de facto, o nome assenta muito bem.. é um calvário chegar até lá acima..

eis o que encontrei quando venci o último dos degraus,



e agora.. uma hora sempre a direito por auto-estrada, ou uma e meia de curvas pela serra adentro? vou pela serra, sa'foda!

ainda bem que tomei esta decisão, se não mais tarde iria arrepender-me amargamente. a estrada que atravessa a serra tramuntana é uma das estradas de montanha mais deliciosas por onde já tive o prazer conduzir. não só está em excelentes condições, como é de facto muito agradável conduzir por lá, mesmo levando quase o dobro do tempo.

fizemos algumas paragens para apreciar a paisagem, que com a iluminação ténue do entardecer a reflectir naqueles maciços de calcário, criava assim uma atmosfera surreal.



chegamos a deìa ao anoitecer e fomos directos ao alojamento.

funny thing.. quando estivemos a marcar os alojamentos, à excepção do hotel da primeira noite que tinha realmente muito bom aspecto, não tínhamos fé nenhuma nos sítios que escolhemos para dormir. as opções não eram muitas, pois o nosso filtro na pesquisa do booking era agressivo: com pontuação acima de 8 e abaixo de 100€.. com tão poucos dias de antecedência não se esperavam milagres, mas tavamos naquela, "é só para dormir, por isso sa'foda!"

então, a caminho dos alojamentos, a conversa era sempre a mesma "será este o elo mais fraco dos alojamentos?", na expectativa de chegar lá e dar de caras com uma espelunca. falhou na segunda noite.. e falhou na terceira noite.. será que o barrete ia finalmente suceder na quarta noite?

a meio da estrada que atravessa deìa, o gps manda-me prá esquerda, por uma estrada íngreme, mal iluminada, e apertada que custava a passar um carro. "que raio de sitio para se abrir um hotel", barafustava eu, feita toupeira míope a tentar ver onde enfiava o carro. já transpirava por todos os lados..

eis que finalmente a estrada termina num pequeno parque de estacionamento. thank gawd, não queria mesmo deixar o carro a atravancar a passagem como encontrei tantos pelo caminho..

a dona antónia recebeu-nos com simpatia, mas notei ali alguma desconfiança.. parecia que lhes estávamos a invadir a propriedade, ou assim. ficou intrigada da vida dela pelos nossos cartões de cidadão não terem data de emissão. será que recebe poucos tugas ali? já tava a ver que nos recusava a estadia. anyway, formalidades tratadas, levou-nos ao nosso quarto, no segundo andar da rústica mansão, típica daquela zona, com uma decoração genuinamente kitsch. tinha todo o ar de quinta da família convertida a alojamento. e eu a pensar cá para mim, "é hoje! é hoje! ainda por cima não tem wc no quarto".

quando a dona antónia nos apresentou aos nossos aposentos para aquela noite, ia-me dando uma coisa má.. até dei gemido involuntário.. a janela estava aberta, e fomos brindados uma vista inacreditável, que açambarcava a colina onde a aldeia se erguia, e estendia-se até mar. PQP, que vista.. perdão pelo palavrão, mas não encontro melhor adjectivo.. do caralho. não conseguia fechar a boca. nem afastar-me da janela.

quarto era muito fixe. pequeno, mas confortável. nop, definitivamente este quarto não era o elo mais fraco, apesar de não ter wc. no entanto, tinha um lavatório com algumas amenities, e mesmo em frente à porta tinha um cubículo com uma sanita, e ao fundo do corredor, um wc com lavatório, bidé e uma banheira minúscula com duche.

instalados, bora lá ver se alguém ainda nos dá de comer. descemos a colina até à estrada principal, e checkamos os restaurantes, fomos a todos. como eram praticamente onze da noite, já nenhum estava a servir.. queres ver que vamos prá cama de barriga vazia?

até que fomos salvos pelo sa fonda.

não.. não tou a gozar (e ter usado a expressão várias vezes no post não é mera coincidência muhahaha). este bar, provavelmente dos poucos em deìa, com aspecto de tasco onde a noite morre, decoração tacanha, mas descontraído, cheio de pessoas às gargalhadas, música fixe, e copos a partir (quando estava para subir para o terraço que dá acesso ao bar, alguém deixou cair um copo na rua e ainda senti os vidros a bater-me nas calças). mas o que eu gostei mais foi mesmo do nome. totalmente apropriado ao ambiente da casa.

o bacano do bar preparou-nos umas tostadas, de queijo, presunto e atum, com azeitonas e pimentos, que estavam à maneira. mais tarde vim a descobrir que aquele tasco com aspecto duvidoso é costuma ser frequentado por celebridades musicais. naice!

nessa noite dormimos com a janela escancarada, nada de mosquitos, apenas o som das gargalhadas, dos copos e da música que emanava sa fonda. foi dos melhores quartos onde ficamos alojados na ilha.

foi naquela madrugada que o karma finalmente se manifestou. tava tudo a correr demasiado bem para o meu gosto. aquela moinha que me começou ao fim da tarde num dente desvitalizado, amadureceu numa dor de dentes intensa, que me fez acordar a meio da noite. nada que um brufen não resolvesse rapidamente.

to be continued...

Mallorca // Colonia Saint Jordi - Cala Ratjada

iniciamos o segundo dia de explorações perto de ses salines, num jardim botânico de cactos. como eu sofro de uma estranha atracção por cactos (acho que temos coisas em comum) tinha que ir visitar.



mooontes de espécies diferentes, algumas só conhecia de fotografias, foi giro. caro, mas giro. passa-se lá uma manhã nas calmas.

dali seguia-se o cabo de ses salines, a ponta mais a sul de maiorca. foi uma feliz decisão de última hora, tomada na noite anterior enquanto esperava pela paella. só de ver as fotos dá-me vontade de chorar, editá-las foi um tormento. um momento de silêncio, enquanto apreciamos esta paisagem e a cor desta água,



tavamos com uma vontade maluca de saltarmos para dentro do mar, só não o fizemos porque o vento soprava com alguma força, e tive receio que nos metêssemos em sarilhos.

o resto do dia seria passado a saltar entre calas. tinha oito assinaladas, e depois de termos perdido uma hora à procura da primeira, cheguei à triste conclusão que não ia conseguir ver todas, tinha que escolher aquelas que não queria mesmo perder.

começamos pela cala màrmols, uma das mais bonitas. só que foi impossível chegar lá.. e não foi por falta de tentativas. andamos em estradas de terra batida só permitidas a moradores, e demos com o nariz em vários portões. às tantas desistimos.. sabia que tinha uma que era de difícil acesso, por azar era aquela mesmo. só se chega lá à pata por um trilho de 5km junto à costa, ou por barco.. oh well, fica pra próxima.

seguia-se s'almunia e moro, pertinho uma da outra. ainda tivemos que palmilhar umas boas centenas de metros pois a malta que vive lá tem as ruas todas interditas a quem vem de fora. compreendo, eu se vivesse lá também não queria a minha rua atafulhada de carros.

s'almunia tem apenas um recanto minúsculo de areia, de resto é falésia. falésia fenomenal.



ganhou o prémio de água obscena do dia. tal como no dia anterior em es trenc, não conseguíamos sair daqui. e finalmente consegui fazer override à minha firewall interna e comecei a mandar-me da falésia como o resto da malta. andavam dois grupos de gajas muitas malucas, que se atiravam de qualquer maneira, e havia um anão francês (que dizia ser nadador salvador) com mais tomates que os amigos de estatura normal do seu grupo, e que nadou até ao leito do oceano para ir resgatar a chinela de uma dama. tudo na galhofa, tudo a meter-se uns com os outros. tinha um ambiente brutal, esta cala.

o homem diz que não sabe nadar, mas isso não o impediu de ter ficado um par de horas enfiado na água, sem pé absolutamente nenhum.

a uns metros dali, na cala moro, a água estava mais fria e por ser muito mais apertada, tinha uma concentração de cerca de 4 pessoas por metro quadrado. é linda, linda, linda. principalmente vista de cima. não ficamos muito tempo aqui, pois ainda tínhamos muitas calas e muitos km pela frente e já se estava a fazer tarde.


linda. linda. linda. deixei um pedacinho do coração ali.

deixamos a cala llombards para segundas núpcias e seguimos para mondragó e s'amarador. as duas bem grandes, com praias de areia fina, e cheias de gente. o homem ainda foi ao banho, mas apesar da água estar mais quente que o ar, só me molhei até à cintura.

a caminho para a cala de sa nau, passamos por cala d'or (e pela cala ferrera), mas era tanta confusão de trânsito e gente pelas ruas que nem apeteceu a parar.

chegamos a sa nau quase ao anoitecer. também é muito bonita, mas como tem um pedacito de areia, é daquelas que enche pa cacete. demos as explorações por terminadas, e tivemos que deixar a cala varques para outra visita, com muita pena minha.

agora tinha pela frente uma hora de condução até cala ratjada, onde iríamos pernoitar. estava cansadíssima quando finalmente chegámos ao nosso destino.

não achei cala ratjada fixe. o centro parecia uma amostra de s'arenal. montes de gente, montes de confusão, barulho, praticamente só restaurantes de fast food, bares, enfim..

(not so) funny thing.. em espanha os restaurantes costumam servir até tarde, pois os espanhóis jantam a horas tardias.. menos em maiorca (e provavelmente no resto das baleares), os restaurantes têm os horários adaptados aos estrangeiros e deixam de servir demasiado cedo. às 10 e meia já não se conseguia comer em quase lado nenhum (fora nos fast food). hence, não houve tapas nem comida mediterrânea.. acabamos por ir a uma pizzaria, que por acaso ocupava o primeiro lugar do tripadvisor.

nessa noite descobri que os sapatos de água que comprámos podem ser muito práticos e confortáveis, mas não são grande coisa.. para além de levarem anos a secar (wtf, são sapatos de andar na água, deviam secar em três tempos), ganham um fedor a maresia podre de ir ao vómito. por muito que os lavasse, não conseguia acabar com aquele pivete (só me livrei dele depois de enfiá-los na maquina de lavar roupa). blargh!

to be continued...

Mallorca // S'Arenal - Colònia Sant Jordi

acordei com o feeling de estar num gigantesco parque de diversões, com tanta coisa para ver e fazer que era quase overwhelming.. mal conseguia parar quieta durante o pequeno-almoço, cheia de fogo no cu para ir descobrir os recantos da ilha.

estava um dia perfeito de verão, que só por si, é coisa para me deixar histérica (como se eu já não estivesse o suficiente). quente, sem sopro de vento, e luminoso que quase cegava. tão bom que dava arrepios. mas first things first: comprar protector solar e mantimentos.

queriamos levar uma frutinha para a praia. queriamos.. pois não tardámos a descobrir que as mercearias de s'arenal têm uma oferta muito reduzida. praticamente só vendem álcool, refrigerantes, e snacks gordurosos. ainda entrámos numas quantas, e era tudo mais do mesmo.. mudança de planos, let's blow this joint e parar no primeiro supermercado que encontrarmos pelo caminho.

a primeira paragem do dia foi na cala delta, a primeira praia da lista... quer dizer, não sei se aquilo encaixa na categoria de praia.. é uma zona da falésia rente ao mar, onde as pessoas se estendem (desconfortavelmente) por cima das rochas e chapinham no oceano.

foi aqui que tivemos primeiro vislumbre das águas cristalinas azul turquesa do mediterrâneo (na praia de s'arenal a cor da água tinha um tom muito desmaiado). não via a hora de atirar-me lá para dentro!!




foi também aqui que tive a minha primeira oportunidade de experimentar cliff jumping. tive - à vontade - meia hora a tentar ganhar coragem para saltar para dentro da água, tal como fazia a miudagem ali ao meu lado. uma altura praí de 2,5 metros, 3 no máximo, nada de especial, já me atirei de mais alto.. às tantas, desisti. o corpo simplesmente recusava-se a obedecer... parece que as pessoas quando crescem, activa-se-lhes uma firewall no cérebro que as impede de fazer disparates, e tornam-se numas cagadinhas.. bah!

foi ainda aqui onde nos apercebemos que havaianas (o único calçado que levamos para maiorca, tal não foi o nível de descontracção desta viagem) poderiam não ser o calçado mais apropriado para as pseudo-praias daquela ilha.. e tínhamos muitas daquelas no menu. ali todàgente calçava sapatos de andar na água, porque nadar com chinelas é uma coisa que simplesmente não funciona, muito menos andar a pé descalço por cima das rochas. ora bem, deixa cá ver onde é a decathlon mais próxima.

despedimo-nos da delta e fomos a um centro comercial ao lado do aeroporto, comprar os tais sapatos. deve ser um produto com muita saída, pois haviam montanhas deles logo à entrada da loja. só não havia o meu número na cor que queria, humpf..

aproveitamos também para ir ao hipermercado abastecer-nos de mantimentos e água. trouxemos uma garrafa de 0,75L de solán de cabras, e um garrafão de 5L de bezoya (a única marca que encontrei à venda em espanha que consigo beber sem ficar agoniada). a solán foi apenas pela garrafa (muito fixe, adoro a garrafa, por acaso), de plástico resistente ideal para ir enchendo com a do garrafão. à semelhança da maioria das águas espanholas europeias, tem um sabor horrível e serviu para lavar a fruta lol 

trouxemos também um protector solar resistente à agua, já a prever que iríamos passar mais tempo de molho do que estendidos ao sol, e o spray da isdin que tínhamos acabado de comprar dissolvia-se mal entrávamos na água. mais um after sun e um gel de aloe vera, a contar com escaldões. é o problema viajar com mochila às costas, não se pode levar estas merdas de casa..

compras feitas, seguimos a todo o vapor para a praia de es trenc. pelo caminho ainda paramos nas salinas, mas as visitas eram pagas. não me apeteceu pagar para ver salinas, não me pareceram muito diferentes das de tavira ou castro marim anyway.



estivemos cerca de três horas nesta praia. delas, à vontade duas horas e meia enfiados na água.. era impossível sair de dentro do mar.. i shit you not, quando digo que precisei de alguns 30 minutos para sair de lá. parecia que havia uma força invisível a puxar-me de volta para dentro do caldinho, não me queria deixar ir. a água estava pura e simplesmente deliciosa, parecia uma piscina.. não, era melhor que uma piscina. era o céu. era o paraíso.

às tantas já tinha a pele das mãos e dos pés tão engelhada, que fiquei com medo de perder as impressões digitais permanentemente.. e eu preciso delas para desbloquear devices lol

declaramos es trenc a nossa praia preferida em maiorca, pelo cenário natural, pela cor e temperatura da água, pela areia branca fininha, e pela ...erm... o que acontece em es trenc, fica em es trenc ( ͡° ͜ʖ ͡°)

como estive demasiado ocupada a curtir a praia para tirar fotos, o google providencia para quem tiver curiosidade.

dali ainda fomos a ses salines, um vilarejo pitoresco ali perto. quase jantamos por lá, mas estávamos de tal modo desesperados por uma chuveirada, que fomos logo para a colònia de sant jordi, onde iríamos ficar alojados naquela noite. ao chegarmos ao alojamento, demos de caras com um papel colado na porta, dirigido ao homem,



fomos muitíssimo bem recebidos pelo staff do hostal, btw.

descobrimos que a colónia sant jordi é capaz de ser uma das localidades costeiras do sul menos turísticas.. quer dizer, também estava pejada, mas dá a sensação que é procurada por pessoal mais velho e pacato, que prefere o sossego à farra. nem sequer tem muitos bares, logo tem pouca confusão. é desafogada, tranquila, e absolutamente encantadora. 

nessa noite, seguimos a sugestão do host para ir tapear, que por acaso coincidia com o lugar cimeiro do tripadvisor.. só que o restaurante estava cheio, e já não aceitava mais clientes. acabamos num restaurante da marina (também sugerido), onde comemos a melhor paella de todo o sempre. foda-se, se gostei daquela paella.. ainda hoje babo-me toda só de me lembrar dela. PQP!! era enorme e devoramos aquilo tudo que nem dois leões esfomeados :D'



depois do jantar, e já que a noite estava uma maravilha, seguimos outra sugestão do host, e fomos circular a vila pelo passeio marítimo. super calmo, mesmo juntinho ao mar, e aos apartamentos onde a malta chill'ava nas varandas enormes. inveja de quem ali vive, daquela mesmo verde e asquerosa.

e pela segunda noite caímos na cama como duas pedras. o protector solar funcionou às mil maravilhas, pois apesar daquele mar, sol e sal todo, o escaldão foi mínimo.

to be continued...

Mallorca // Lisboa - S'Arenal

levamos a manhã de terça na maior das calmas. na noite anterior tratámos logo de deixar tudo preparado para a viagem, que é como quem diz, enfiamos umas cenas para dentro das mochilas a rezar pelo melhor.

o embarque do voo começava às três da tarde. o plano era ir para o aeroporto com pelo menos uma hora de antecedência, para não acontecer aquelas correrias loucas do costume.

como ainda tínhamos algumas tarefas na checklist para aquela manhã, saltamos da cama pouco antes as nove. na agenda estava ir dar banho ao cascas, e logo de seguida, levá-lo à inspecção.. tadinho, desde o ano passado que já é obrigado a ir todos os anos, chuif.. carta verde, siga tomar o pequeno almoço. por fim, dar uma arrumadela à casa.

à uma e um quarto, com banho tomado e tudo pronto, o homem lembra-se que quer ir ao el corte inglés buscar uns calções que tinha visto no sábado passado, quando andamos a caça de roupa para o baptizado do sobrinho. eu, que às vezes acho que ainda sou mais maluca do que ele, achei que era na boa.

tão lá foi a isa a jardar - com todos os cuidados do mundo para evitar que algum acidente que mandasse as férias em maiorca prás urtigas, até ao centro da cidade. larguei-o a porta do ECI, e fiquei à espera dele, em modo de getaway driver. ele tinha 10mn cronometrados para comprar os calções.. aos 8mn comecei a ficar nervosa e a disparar mensagens. apareceu pouco depois, e lá voltei eu, agarrada ao volante tipo falcão, enquanto o pendura se esgueirava para dentro dos calções novos.

chegámos a casa às duas, mesmo em cima da hora limite de ir para o aeroporto. foi pegar nas mochilas, descer e mandar vir o uber. os cabrões dos ubers tavam meio baralhados, já tava a ver que tinha que chamar um táxi.. ainda bem que não foi preciso tomar medidas tão drásticas :D

por sorte, o controlo de segurança não tinha engarrafamentos caóticos, como temia. mas ainda não podia respirar de alivio... tava com um certo stress com atrasos, pois o voo de ida para maiorca fazia escala em madrid, e tínhamos apenas uma hora entre voos. chama-se a isto viver na ponta da navalha!

aproveitamos a espera para comprar uma bucha, eram quase três da tarde e ainda não tínhamos almoçado. bagel de salmão fumado com queijo filadélfia, nice!

surpreendentemente o voo número um do dia saiu a horas, num embraer da air europa que não inspirava grande confiança.. you get what you pay for, i guess lol. como de costume, a viagem até à capital espanhola foi super rápida. nem deu tempo a sacarmos do almoço.

mal o avião estacionou, tratei de testar a história do roaming. o apoio ao cliente garantiu-nos que não haviam custos adicionais. we'll see about that.. airplane mode off, activar roaming de dados e puf.. magia!!!

aproveitamos a pausa para comer, e nem deu tempo a encontrar uma casa de banho para dar uma mijinha, pois a fila para a porta de embarque para o voo número dois do dia começou a formar-se cedo. e em menos de nada estávamos novamente no ar, desta vez num boeing foleiroso, todo badalhoco.. man :P

a viagem para palma foi igualmente rápida, mal dei por ela. o avião voou preguiçosamente por cima de maiorca, como se estivesse a fazer um teaser daquilo que nos esperava nos próximos dias. pena a neblina no ar, que reflectia a ténue iluminação da tarde e ofuscava a paisagem.

à saída do aeroporto fui recebida com um poderoso bafo quente e húmido, que me trouxe punta cana à memória. o meu cabelo ia adorar aquele clima... NOT!!

agora era encontrar o transfer da centauro, no meio daquele oceano de autocarros e minibus que iam processando as centenas de turistas que aterravam a cada cinco minutos da ilha. os moços têm a cena muito bem organizada.. impressive, most impressive.

encontrar o nosso transfer ainda demorou, porque não estava na zona que vinha indicada no email da reserva. mas lá o topamos e em menos de nada, estávamos num parque automóvel massivo ao lado do aeroporto, onde estão todas as rent-a-car menos xpto. o pequeno escritório da centauro estava apinhado, mas como escolhemos o pacote premium (ie, não tenho que largar mil euros de caução, e andar a conduzir com o coração nas mãos, com medo de riscar ou amassar o carro e ficar sem o guito), tínhamos uma fila exclusiva e fomos atendidos por um funcionário muito cordial. tudo tratado, siga pro carro. não era aquele que esperávamos (como contei no post de introdução), mas como cheirava a upgrade, não nos armamos em esquisitos.

o hotel ficava muito próximo dali, em s'arenal (aka, a zona dos alemães bêbados). decidimos que a primeira pernoita da viagem seria perto do aeroporto, porque atrasos e cenas podiam acontecer, e como pessoas idosas que estamos a ficar, achamos melhor jogar pelo seguro.

demorei mais tempo a encontrar estacionamento que a chegar lá... e ficamos logo com má impressão do sítio.. parecia um guetto. vá la que íamos passar pouquíssimo tempo ali :P

o hotel parecia estar em modo soft opening, ainda cheirava a obras, e tinha alguns acabamentos em falta e zonas a precisar de mobiliário. dava a sensação de ter sido um prédio de apartamentos convertido para hotel, mas no geral tinha muito bom aspecto. recebemos cada um uma pulseira que fazia as vezes de cartão de acesso ao quarto (genial, devo notar, especialmente para quem vai para lá com intenções de andar permanentemente bêbado), e fomos conhecer os nossos aposentos.

o quarto era espaçoso, a cama (roupa incluída) era super confortável, e tinha um terraço enorme. o wc, era pequeno, mas maneirinho. o único defeito que lhe encontrei, foi o a/c, que era algo ruidoso.

next, ir à procura de jantar. tripadvisor to the rescue.. ondé que se come tapas por aqui, crl??

atacamos logo o primeiro da lista, que ficava a meia dúzia de metros do hotel. um tasco barulhento, com uma decoração tacanha, a rebentar pelas costuras, e com fila à porta. só podíamos estar no sítio certo!

afinfamos umas tapas valentes. já devo ter dito por aqui mais do que uma vez que sou fã deste formato. pouca quantidade e em grande variedade (if it rhymes, it must be true muhahahha). mas.. escolher meia duzia de petiscos numa lista com 60 opções é um pesadelo :/

depois fomos dar uma volta pela à marginal, morder o ambiente do sítio. a noite estava quente, só se via juventude pelas ruas, alguns num estado de bezana já muito avançado, com confusão a condizer. bares, muitos bares, e as mercearias abertas até às tantas a vender álcool e snacks. por volta da uma, ainda desfasados da hora local, arrochamos na cama para só acordar no dia seguinte.

apesar da quantidade de coisas que podiam a ter corrido horrivelmente mal neste dia, não falhou nadinha... e eu fiquei à espera que o karma nos cobrasse o serviço.

to be continued...

Lost in... Mallorca

tipo, a sério? com tanto sítio fixe para visitar e tu vais-te enfiar naquela que é capaz de ser a maior armadilha de turistas da europa? que falta de gosto, fónix..!

ò pra mim muhahahah tinha esta viagem alinhavada há 1 ano, era para ter sido o destino das férias do verão passado mas como só aconteceram em agosto, ficou em águas de bacalhau. e quase que também não acontecia este ano.. foi planeada em cima do joelho. entre voos e cinco pernoitas em sítios diferentes, demorámos 2 horas a marcar tudo... com dois dias de antecedência...

tinha tudo para correr bem, não tinha? :D

não quis cá saber de programas pré-fabricados em "resorts". tinha estrelas plantadas ao redor da ilha toda e seria muito penoso todos os dias voltar a base (been there, done that). assim determinamos as dormidas por etapas, distribuídas pelos quatro quadrantes da ilha, junto aos focos de estrelas. alugamos um carrito na rent-a-car que nos pareceu ter melhor relação preço-reviews e fomos em formato road trip.

pedimos o carro mais básico do catálogo, na expectativa de sair de lá montados no fiat 500 branquinho, com um vibe a condizer com a nossa aventura pela ilha. a desilusão nas nossas caras, quando o funcionário da rent-a-car nos informou que lá fora à nossa espera estava um ford fiesta 1.4 diesel... ooooooooh - que acabou por se portar à altura, especialmente nas montanhas e nas estradas de terra batida.. perdão, nas torrentes de cascalho em que nos metemos, e me proporcionou grandes e muito agradáveis momentos nas estradas maiorquinas. tinha 6605 km quando lhe meti as mãos em cima. fizemos 560km em 4 dias, e gastamos 30€ em combustível. not bad!

no último dia, skipamos uma zona que estava no roteiro, pois eu só queria era praia e caguei prás vistas. (quase) 5 dias souberam a pouco, passaram à velocidade da luz..

miraculosamente o universo não conspirou contra nós. estávamos preparados para o pior, e o pior nunca aconteceu.. quer dizer, fora os chiliques do corpo humano, que resolveram dar o seu ar de graça... no último dia andei à rasca de um dente (há 10 anos que os cabrões dos dentes não me davam chatices, timing do crl) e o homem apanhou a constipação do costume..

há muito para ver e fazer na maior das ilhas baleares. achava eu, na minha ignorância inocência, que 5 dias eram suficientes para conhecer a ilha.. apenas consegui raspar a superfície, e a correr... existem montes de sítios giros para visitar, e ficou muita coisa para trás.

quando o avião sobrevoou a cordilheira da tramuntana, fiquei logo a salivar. se há duas coisas que eu gosto nesta vida, é praia e montanhas.. e ali encontrei o melhor dos dois mundos. e não só!

passámos por (espécies de) praias maravilhosas. foi a primeira vez que me banhei nas águas do mediterrâneo, e fiquei instantaneamente fã. são deliciosas, em cor e temperatura (pelo menos na altura em que fomos).. quando entravamos era quase impossível sair. duas coisas onde passei mais horas (acordada) em maiorca: enfiada no mar e a conduzir.

a banda sonora foi providenciada pelo canto incessante das cigarras, malucas com o tempo quente. quase deixavam a malta surda, nunca as tinha ouvido cantar com tanta intensidade. às vezes íamos no carro de vidros abertos, a levar com vento quente na tromba, só para as ouvir.

o interior está salpicado de vilas e aldeias solarengas, muito pitorescas e cheias de charme. estão perfeitamente diluídas na paisagem, devido às casas serem na sua maioria feitas em pedra. ao entardecer, os tons quentes de castanho das paredes e dos telhados, ganham um dourado resplandecente magnifico. em cada uma delas, espreitava sempre uma torre de igreja por cima dos telhados. nas ruas apertadas em calçada da mesma cor das paredes, com plantas e flores a brotarem de todos os lados, não faltam esplanadas e terraços a convidar-nos para tapas e cañas.

atravessámos muitas que mereciam visita, mas como andávamos sempre a contra relógio, nem sempre dava para parar. fazer road trips é muito fixe, mas falha quando vamos com calendário para cumprir. ficamos com pouca margem para explorar à descrição todos os sítios que vamos encontrando pelo caminho.

passamos por uma porrada de sítios lindos, muitos deles terrivelmente maltratados pelo turismo excessivo. tal como no algarve, nota-se muita perda de identidade cultural, especialmente nas zonas costeiras mais concorridas. os restaurantes e o comércio estão orientadíssimos para o turismo, em alguns sítios nem se percebia que estávamos em espanha. esta parte faz-me uma certa alguma confusão.. acho que é perfeitamente possível preservar a autenticidade de um sítio, por muito concorrido que seja.. por algum motivo as pessoas começaram a ir para lá, não? 

aquilo é um paraíso, só que está tal modo infestado de turistas que nem sempre se consegue apreciar devidamente a sua beleza. mesmo evitando as zonas mais turísticas, há sempre gente aos magotes (nós incluídos lol)..

memórias muitas, e algo que eu não sabia se tínhamos em nós: a capacidade de fazer uma viagem deste género, de forma tão despreocupada e cheia de improvisos, num pais estrangeiro. registei as zonas que mais gostei, e quero regressar para explorar com a devida atenção. ainda por cima está aqui tão pertinho de nós.

os capítulos desta saga vão estar divididos pelos locais onde acordámos e onde fomos adormecer. a ver se não me esqueço de nada, pois não tive tempo de apontar nada. foi sempre, sempre a abrir, à noite quando caía na cama ferrava a dormir 8 horas seguidas, tal não era o cansaço.

resta apenas saber se, a) vamos pagar uma pequena fortuna em roaming de dados, b) a melhor coisa que podia ter acontecido a quem se desloca pela europa é for reals! yay!! 5 dias pendurada no roaming de dados, com 0 de custos extra. fuck yea!

to be continued...

Madrid // Sights

se no sábado comemos, no domingo andámos!

felizmente a meteorologia colaborou e deu-nos temperaturas impecáveis para passear, apesar das nuvens com ar ameaçador, que por vezes tapavam o céu. não estávamos completamente frescos porque na noite anterior corremos o centro todo. madrid tem uma vida nocturna inacreditável, e aquela animação toda é contagiante, apetece fazer parte dela. atravessámos vários bairros e a festa não arrefecia, moooontes de gente por todo o lado, parecia que nasciam das paredes.

mas antes de atacarmos a cidade, tínhamos uma combinação com uma colega nativa, que nos levou a um tasco muita porreiro, beber umas cañas. não lhe dei na cerveja, mas serviram-me uma perrier que não me envergonhou por estar a beber agua com gás :D

começamos pelo palácio real e os jardines de sabatini. depois seguiu-se o templo de debod, e a plaza de españa.


a praça de espanha lá do sitio é bem mais bonita que a nossa :/



dali fomos em direcção ao centro, com paragem el corte inglês de callao, para ir ver uma das vistas mais icónicas da cidade.



numa tentativa de poupar as pernas para a segunda parte do passeio, apanhamos o metro até ao banco de espanha. saímos na plaza de cibeles, que já conhecíamos, passamos pela imponente porta de alcalá e chegamos finalmente ao parque del retiro.

moontes de gente por lá, a fazer todo o tipo de actividades. só não achei mais graça ao parque porque as árvores estavam todas descascadas. deve ser impecável no verão, quando as copas estiverem fartas e cobrirem o parque todo de verde. o jardin del parterre, e o bosque del retiro já conhecíamos, e acho que são as partes mais bonitas deste parque. o palácio de cristal é muito giro, a fila para entrar lá nem tanto. faltou a rosaleda mas já não tínhamos pernas para tanto.



ficamos curiosos com a quantidade de gatos que encontramos no parque. não pareciam abandonados, estavam gorduchos e tinham abrigo. bastou uma pesquisa no google para descobri que existem quase 400 gatos nativos do parque, e que estão ao cuidado de uma associação, que para além de tratar deles, tentam arranjar-lhes donos. faith in humanity, restored!

apanhamos um táxi em frente à fonte de neptuno, de volta para o hotel, que já não conseguíamos dar nem mais um passo lol

regressar à nação na manhã de segunda-feira foi a melhor ideia de todas. assim tivemos um domingo descansados e sem pesos às costas. também foi interessante para constatar, que se no sábado à noite as ruas estavam completamente afogadas de gente e barulho até às tantas da manhã, no domingo a cidade parecia um deserto.

definitivamente, gosto muito de espanha. gosto da comida (apesar da nossa ser imensamente melhor), gosto da vida que as cidades têm, da descontracção dos espanhóis, da arquitectura típica dos bairros. este ano ainda queria visitar pelo menos mais duas cidades, a ver se conseguimos :)

álbum completo no sítio do costume

28 de Março de 2017, às 10:00link do post comentar ver comentários (9)(4)

Lost in... Madrid

no final do ano passado recebi uma newsletter da easyjet a anunciar os saldos, e com dois destinos em mente fui ver se tinham alguma coisa para mim. e tinham, apesar de me obrigar a fazer as reservas com meses de antecedência... mas à luz da minha resolução para 2017, saquei do cartão e arrisquei as reservas. madrid foi o primeiro destino. estive lá pela primeira vez (e segunda) em 2012, e andava a adiar o regresso há demasiado tempo.

além disso, ir e voltar a madrid por 30€/pessoa, é uma pechincha que simplesmente não se vira as costas. quando caio na asneira de ir à terrinha sempre pela autoestrada, gasto à volta de 80€ em combustível e portagens. é mais barato ir a madrid por ar, que ao algarve por terra. ridículo..

fiquei com receio da data (março), por causa do frio. da última vez fui em finais de outubro, e rapei um briol do caraças. ora.. se a meio do outono foi o que foi, durante o inverno não ia ser bonito.. e se há coisa que eu não gosto é de passear com frio.. mas vá!

foi a segunda vez que voamos pela easyjet e cheguei a conclusão que não sou a maior fã de lowcosts. aquele terminal 2 do aeroporto de lisboa não é nada fixe, para não falar que estas companhias recorrem sempre que podem a aeroportos que ficam a anos luz do destino. e o espaço e o conforto dos aviões deixa muito a desejar. é nestas alturas que eu dou por mim a rever as minhas prioridades.

chegada a madrid. yay, made it alive, great success!! o avião não caiu, não se partiu nenhuma asa, ou explodiu. apenas atrasou uns minutos por causa de confusões na torre de controlo de lisboa. aterrou foi na pista mais a norte do aeroporto de barajas, e o terminal e porta que nos estava reservado era o mais a sul que havia. estou desconfiada que o voo demorou menos que o tempo que levou entre o táxi e até sairmos do aeroporto. quase uma hora, fónix..

poupamos numas coisas. já noutras... a começar pelo transporte do aeroporto até a cidade. não me apeteceu perder uma porrada de tempo nos transportes públicos, por isso venha daí esse uber.. e em cerca de 20 minutos estávamos à porta do hotel.

o alojamento foi uma das coisas que não quis mesmo arriscar. escolhemos um hotel não muito longe do centro, praticamente ali no início da fuencarral, que dá acesso directo ao coração da cidade. não só tinha uma fachada adorável, como o quarto era espectacular. redondo cheio de janelas em redor, e a cama.. a cama não era uma cama, era um nuvem!! uma nuvem com 180x200, para falar com o homem quase que tinha que usar o telemóvel muhahahah kidding. os lençóis super macios, impecavelmente engomados e o edredão, aiiiiii... foooooofo, foooooofo e leve como uma pluma. e aquele dossel? fiquei apaixonadíssima pelo quarto :D



mais fixe ainda, tanto o colchão como dois dos três pares de almofadas eram da mesma marca que temos no nosso setup novo em casa (tamos quase lá!!!). a diferença estava no topper de viscoelástico, que eu não arrisco porque o meu corpo não atina com este material (e aprendi da pior maneira). agora o edredão.. acho que no próximo inverno vou perder o amor ao dinheiro e comprar um parecido (yep, nós desfazemos as camas dos hotéis à procura de marcas e etiquetas muhahahaha)

fomos a madrid fazer duas coisas: comer, e ver as vistas. mas isso fica para os próximos posts!

Saltos y Zamora

a primavera decidiu colaborar e deu de bandeja um dia impecável para passear. a primeira paragem do dia foi muito rápida, em ledesma, para apreciar mais contrastes.



sítio pacato este, no meio do nada. não subimos até à vila porque havia muitos kms pela frente. também é aqui que o tormes começa discretamente a ficar cada vez mais largo, sinal estamos perto da almendra.

a paisagem que se ia desenrolando à frente do nosso nariz era muito familiar, a fazer lembrar as margens do alqueva.



e por falar em paisagens familiares, eis que entrámos em território já conhecido, e sabia exactamente por onde tinha que seguir.

a estrada que sobe ao miradouro da iberdrola é assim a modos que imprópria para cardíacos.. em mau estado, inclinada, com curvas ultra-apertadas, e tão estreita que só passa um carro à vez. temos que ir atentos a duas coisas, se vêem carros na direcção oposta, e onde é que conseguimos parar o nosso em segurança para deixar outro passar. mas nem tudo é mau, pelo menos tem protecções laterais!

quando cheguei ao miradouro, e vi aquela brutalidade em toda a sua graça, só não desatei ao pontapé e chapada comigo própria por não ter ido ali porque.. bom.. estava ali :D



e por termos apanhado uma altura de chuvas, tinha as goelas bem abertas. o spray provocado pela força da descarga de água chegava até cá acima.

de todas as paisagens que vi do douro, nacional e internacional, esta foi a que mais me impressionou. uma majestosa ravina, tão imensa que não cabe nos olhos. faz-nos sentir minúsculos perante a dimensão da natureza.



à vinda, desafiamos um sinal de trânsito e entrámos numa estrada proibida. i regret nothing! se não, tinha perdido isto:



ainda passamos pela povoação que foi erguida para acomodar os trabalhadores durante a construção da barragem. está praticamente deserta e não se percebe porquê, aquilo dava uma estância de férias à maneira.

depois de uma breve paragem para pinchar numa tasca que estava a abarrotar, seguiu-se o outro assunto inacabado: passar pela barragem de almendra. não aconteceu na visita anterior por uma falha de comunicação. o homem não se apercebeu que eu queria passar pela barragem, e eu não reparei a tempo que se calhar não devia ter ido pela esquerda como o GPS estava a mandar, mas sim pela direita. quando dei por mim estava no fundo do leito do tormes e não me apetecia *nada* voltar para trás..

diz que este colosso é uma das maiores obras de engenharia espanholas. não só pela altura e comprimento da barragem em si, 202 e 567 metros respectivamente, como pela quantidade de água que retém no lago artificial. não é tão grande como o do alqueva, mas não deixa de impressionar.



mas a maior particularidade desta barragem hidroeléctrica não são as suas dimensões ou a elegância da sua construção, mas sim, estar descentralizada. existe um túnel com 7,5 metros de diâmetro escavado na rocha, que transporta a água desde o reservatório até à central, situada a cerca de 15km dali, nas profundezas do planalto. 

na central de villarino, por baixo do parque de alta tensão, a água cai 400 metros a pique, gerando o dobro da energia que conseguia se a central estivesse junto à barragem. depois segue para o douro, logo ali ao lado.
e se isto não fosse engenhoso o suficiente, ainda tem a capacidade de quando não está a produzir energia, poder reverter o funcionamento das bombas e sugar água da barragem de aldeadávila, (aka, do rio douro) de volta para o reservatório.

a sério que pagava para ter uma visita guiada às entranhas desta central..



ao consultar o mapa para ver que caminho havíamos de tomar de volta à pátria, diz o homem:

"não acredito que estamos tão perto de zamora e não vamos lá..."

oh amigo, não seja por isso!

...e foi assim que ficamos também a conhecer zamora :D

tal como salamanca, zamora é uma cidade muito antiga, e partilha semelhanças geográficas e históricas. plana e banhada por um rio (o douro), e tem uma bonita ponte romana e uma vasta colecção de monumentos antigos preservados, que pode não ser tão impressionante como a de salamanca, mas é igualmente interessante.

no entanto é mais pequena, tem menos de metade dos habitantes, e menos turistas ainda. o que significa que é bastante mais calma e desafogada. e tem é uma exposição solar e uma luminosidade incríveis.



depois de visitar o castelo, demos um longo e agradável passeio junto ao rio, que se não estivesse tão agitado, seria um autêntico espelho.

de seguida subimos para o centro histórico e foi ali que notei as principais diferenças entre salamanca. as fachadas das casas e arquitectura dos edifícios públicos não é tão homogénea, existe muita mistura de estilos. e por alguma razão, o comercio parece estar em crise. muita loja fechada, ou em liquidação total para encerrar. tive pena deste detalhe.



oito e meia, era tempo de terminar a visita e regressar à estrada. 

entrámos em portugal e fomos directos a gimonde, já a salivar só de pensar na posta do abel. e sabem que mais? pumba, nariz na porta!

oh well, amanhã também é dia.. a parte chata? ter reservado alojamento bastante longe dali, em mirandela. qualquer dia desisto de fazer planos e vou ao sabor do momento.. tínhamos pernoitado em brangança e no dia seguinte seria mais fácil tratar deste assunto.

outra parte muito chata de tentar jantar num sítio relativamente pequeno num domingo à noite (na véspera de um feriado), já não muito cedo: todos os restaurantes que tínhamos assinalados estavam fechados. não foi fixe.

álbum completo aqui

Lost in... Salamanca

a primeira coisa que fizemos ao regressar de trás-os-montes foi descarregar o trilho do GPS. fiquei desgostosa com aquele vazio ao centro. e estava desgostosa por falhar coisas básicas, como o abel e os pombais. e porque em espanha não deixei um assunto inacabado, mas sim dois..

ora o homem, que não me pode ver a remoer, começou a traçar um plano hipotético por cima do mapa.

"tens bom remédio. da próxima vez, pegas na gente e vais directa para espanha. passamos a noite algures por aqui, e no dia seguinte voltas para portugal sempre junto à barragem e vês aquilo TUDO!"

como havia fim-de-semana comprido no horizonte, eu respondi abrindo o google maps, o booking, e o tripadvisor. e foi assim que 24 horas depois do regresso, ficou logo decidida, escolhida, e marcada a desforra. com o bónus de ir conhecer uma cidade que desde há uns anos que me aguçava a curiosidade.

abril foi um reboliço tão grande que não consegui planear praticamente nada para a viagem. a sorte foi que estava marcada com um mês de antecedência, se não, acho que acabaria por nem acontecer. é um truque interessante para meter em prática.

na sexta à noite enfiamos umas tretas para dentro dum saco, e no sábado ao fim da manhã ala que se faz tarde. depois de quatro horas sem tirar o pé do acelerador, salamanca surgia finalmente no campo de visão.

há uma coisa que costumo dizer e garanto que não é mentira: não sou fã de cidades. gosto de aldeias e vilas. cidades, especialmente as movimentadas, fazem-me confusão em vários níveis.. mas existem cidades que me mandam ao tapete. aquela foi uma delas.

para começar, a localização. ao sair de portugal, pela zona montanhosa da serra da estrela, entrei num planalto magnifico, a fazer lembrar o alentejo. uma hora de condução praticamente a direito, com a vista totalmente desafogada em pano de fundo, e uma tranquilidade deliciosa. verde, e verde, e mais verde, aves de rapina a perscrutar os campos lá no alto, gado na descontra pelos imensos pastos. a cidade surgiu no meio daquele plano como um oásis no deserto.

orientei-me pelas cúpulas da catedral para ir directa ao centro. enquanto procurava um sítio onde enfiar o carro, tive o primeiro vislumbre daquilo que me esperava, e começou a baixar ali uma sensação de assombro. carro estacionado, toca a dar corda aos sapatos.

perdi-me nos contrastes.

o coração de salamanca transpira história, quase sentimos o tempo a recuar até às suas remotas origens... a quantidade quase obscena de monumentos impecavelmente conservados, convive paredes meias com edifícios mais modernos, mas que nem por isso destoam. é que para além do notável esforço em manter o estilo pitoresco, e preservar o encanto romântico das fachadas, existe um elemento-chave que liga aquele cenário todo - a cor dourada da pedra utilizada nas construções.

não só ofusca as diferenças entre os edifícios antigos e os novos, como por ser uma cor quente, transmite uma sensação invulgarmente acolhedora. apetece mesmo perder-nos por aquelas ruas e ruelas todas, e não é apenas pela beleza dos edifícios.

la clerecía y conchascatedralplaza de anayapalacio de la salina

alguns detalhes surpreendentes: não há cá painéis a descaracterizar as fachadas, os letreiros são escritos a tinha vermelha na pedra; as placas dos números de polícia serem idênticas em todo o centro; e a decoração dos suportes das caleiras.

pode ser uma cidade muito antiga, esforçar-se por manter um ar quase medieval, mas não tem um feel antigo. a razão é simples: sendo um enorme polo universitário, está tomada de assalto por milhares de estudantes. há gente jovem por onde quer que se aponte os olhos, a curtir a cidade nos tempos livres. a juntar às hordas de turistas, é uma mistura que resulta num ambiente muito animado e descontraído.

puente romanoUntitledhuerto de calixto y melibea

durante a tarde, à medida que as nuvens cinzentas se iam afastando, as ruas iam enchendo cada vez mais. nas zonas mais concorridas chegava a ser difícil andar sem andar a encalhar em alguém. ainda assim, a cidade permanecia limpa, e não havia qualquer vestígio de insegurança.

rúa mayor plaza mayorbeer o'clock

andamos, andamos, e andamos. tentando evitar ao máximo passar duas vezes no mesmo sítio. a cada passo que dava, a cada esquina que contornava, abria-se um mundo novo. sempre com qualquer coisa de fantástico para admirar. duas coisas que eu não conseguia fazer: tirar os olhos de cima e o queixo de baixo. três, se juntar o facto de não conseguir tirar o dedo de cima do disparador da máquina.. de fazer um turista japonês corar de vergonha LOL

para lá do passeo de san vicente e da gran vía, surgia uma cidade absolutamente normal, com outro tipo de movimento, trânsito, e muito menos concorrida pelos turistas.

só paramos quase às oito e meia, e foi porque tínhamos uma reserva num restaurante longe do centro.

uma coisa que aprendi neste salto a espanha, janta-se tarde por lá. quando fiz a reserva, não me ocorreu que às oito e meia, o sol ainda vai alto e era capaz de ser cedo para cenar. parece que só lá prás dez é que eles começam a pensar no assunto. also, explica porque é que há uns anos atrás, a minha reserva no restaurante em madrid ficou sem problemas para as dez e meia, e às onze ainda havia gente à espera de mesa. hum.. agora por isso, será que fui espanhola na minha vida anterior? é que o meu ritmo circadiano está muito melhor ajustado aos horários deles que aos nossos :D

cala fornells paella

do restaurante fomos directos para o hotel, comigo a lamuriar por não ir dar umas voltinhas noturnas pela cidade. mas estávamos cansados, e o dia seguinte ia ser igualmente cansativo. era melhor não arriscar, que uma pessoa já não vai para nova.

claro que passei as duas horas seguintes a engendrar um regresso mais demorado. e depois voltei a atenção para a tv, que estava a passar o alien (o manhoso) dobrado em espanhol muhahaha

álbum completo aqui

 

seguir para a segunda parte >

Trás-os-Montes e Alto Douro // dia 2

o menu do dia era ambicioso. conhecer o parque natural de montesinho, visitar umas quantas aldeias, fazer uma bucha em gimonde, e se tivéssemos tempo, acabar o passeio em bragança. isto tudo até por volta das seis, para não chegarmos muito tarde ao destino do dia, caçarelhos, que fica já em pleno planalto mirandês.

(porque infelizmente ainda não dominamos o conceito de deitar cedo e cedo erguer) deixámos tuizelo por volta do meio dia. agora sim, a aventura ia finalmente começar \m/

com neve nos picos da sanábria e vento a soprar de norte, o parque de montesinho parecia um frigorífico. mas o cenário compensa o desconforto.

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então, a isa tem uma *certa* obsessão com fronteiras. aquela linha muitas vezes imaginária fascina-a de sobremaneira, mas não sabe bem explicar o porquê. e como é lógico, estando tão perto, não ia perder a oportunidade de andar a roçar-se nelas.

por exemplo este troço de estrada, que segue os contornos da nação:

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não existe aqui nada, não tem nenhuma atracção especial. a paisagem é bonita mas nada do outro mundo. no entanto perdemos aqui mais tempo do que aquele que quero admitir, aos saltos entre os dois lados. portugal.. espanha.. portugal.. espanha.. portugal.. espanha.. muhahahah adorei!

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uns kms mais a frente, um cenário muito caricato ao dobrar uma curva: um cemitério na localização mais estratégica de sempre (com o devido respeito aos que lá repousam). que é como quem diz, uma distracção na estrada e vais directo à tua última morada!

a próxima paragem seria a barragem da serra serrada, no topo do parque. para alcançá-la passamos por uma aldeia com um nome brutal, cova da lua, e que eu me arrependo muito de não ter parado para conhecer melhor. aqui vi a umas casinhas que me despertaram a curiosidade. semi-redondas, baixinhas, com o telhado de esguelha, e sem janelas, apenas uma pequena porta. mas tinha pela frente demasiados km para estar a fazer paragens não programadas e não quis arriscar..

seguiu-se uma etapa em modo off-road. se há uns anos não me chateava mesmo nada enfiar o carro em estradas de terra batida, agora, com o carro a fazer oito anos e já com mais de 150k km no motor, começo a ficar com medo de grandes cavalgadas - algo que me rende gozos da parte do homem, que antes era badass e agora estou feita uma coninhas e assim. anos.. anos de dedicação!

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funny thing. ia visitar uma barragem, acabei por visitar duas. é que a primeira que encontrámos, a barragem de veiguinhas, é recente e nem sequer aparece no google maps.

e que belas vistas, tanto uma como outra, renderam!

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apanhamos vários estrangeiros a caminhar por estas terras. fiquei invejosa.

próxima paragem: aldeia do montesinho. esta é clássica. ir ao montesinho e não ir à aldeia do montesinho era como ir a roma e.. you get the picture. esta aldeia é um postal. está bem preservada, as habitações em xisto ou granito, têm sido reconstruídas respeitando a traça tradicional. foi aqui onde pude ver pela primeira vez as casas típicas transmontanas que, segundo o que aprendi na escola primária, têm dois pisos. no de cima é onde vivem as pessoas, no de baixo é onde guardam o gado, para ajudar a aquecer a casa. ou qualquer coisa nessas linhas, já foi há muito tempo que andei na primária. quase 30 anos *gulp*

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entretanto passámos por uma série de aldeias, mas não houve oportunidade de parar porque já se fazia tarde e eu ainda não tinha chegado aquela que mais queria conhecer, rio de onor.

quando andei a lamber o mapa, tropecei numa aldeia no extremo nordeste transmontano que parecia ser atravessada pela fronteira. eh lá! eu tinha que ir ver aquilo com os meus próprios olhos e especialmente, ouvir os habitantes. que língua se falaria ali? português? espanhol? portunhol?

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são duas aldeias diferentes, rio de onor e rihonor de castilla, e independente de pertencerem a países diferentes, a população não liga muito à divisão e vive em comunidade, partilhando entre si, recursos naturais e infraestruturas. a parte portuguesa está mais habitada, e está (muito) melhor preservada que a gémea espanhola, que está a cair aos bocados. em relação a línguas, no lado espanhol ouvimos falar espanhol, no português, português. de riodonorês nem um pio :(

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entretanto encontrei um post que explica muito bem a divisão entre as duas aldeias.

tinha dado dois paços em espanha, quando vi este painel informativo sobre a zona:

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decidi trollar o homem:

"olha lá mor, estamos na serra de la culebra"

wait for it... wait for it.. waaiiii...

"enrique, estas aqui?" ... "e tu? siempre como culebra!" quando começa com isto não consegue parar tão cedo muhahahah não se calou na meia-hora seguinte, pelas ruas derihonor, a dizer que ia bater à porta e perguntar se o enrique estava. tão bom (para quem não apanhou a referência, fica o link)!

aquilo que mais me belisca, é que nestas aldeias, apesar o lufa-lufa dos seus habitantes, vive-se muito devagar. parece que o tempo é infinito. e o contacto com a natureza é qualquer coisa.. uma corsa saltou do meio do nada para o meio da estrada e desapareceu novamente para o meio do nada. fiquei maravilhada. só faltou ver um lobo.

dali seguimos por guadramil, uma aldeia do mesmo género de rio de onor, mas ainda mais isolada, como se tal coisa fosse possível. arrepio-me de pensar em como será viver num sítio tão remoto. ok, bragança não fica assim tão longe como tudo isso.. mas é uma zona muito desolada.

chegamos a gimonde demasiado tarde para almoçar e demasiado cedo para jantar no abel, mas como estávamos a morrer de fome acabámos por ir petiscar uns enchidos numa tasca ao lado. e porque fomos descaradamente cobrados à turista estrangeiro, não ganharam novos clientes.

ainda raspámos em bragança mas como já se estava a fazer tarde e ainda tínhamos uma hora de caminho até caçarelhos, acabamos por não parar. três assuntos inacabados, posta n’o abel, e visitar cova da lua e bragança. quatro, se juntarmos uma caminhada pelo percurso do porto furado.

estava eu a comentar com o homem, enquanto esperávamos pela nossa anfitriã, que pelo valor da dormida daquela noite, caçarelhos ia ser o elo mais fraco das pernoitas. mas depois a dona do alojamento chegou, abriu a porta e disse que a pequena, mas muito acolhedora casa, já com a lareira acesa e tudo, estava por nossa conta.

oi?

não deu para perceber bem quando fizemos a reserva no booking, mas aparentemente, não era um quarto, era a casa toda! quarto, sala, e cozinha, abastecida com pão fresco, ovos, leite, iogurtes, queijo, fiambre, sumo, doces café, chocolate, chá e toda a panóplia necessária para cozinhar... por 40€? sabem aquela sensação que estamos a roubar alguém sem estarmos a roubar? foi por ai.. acabámos por pagar um bocadinho mais do que o suposto porque a consciência não deixava. uma pena do caraças só ficarmos lá uma noite.

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also
, a dona da casa emprestou-me um guia da rota da terra fria que me veio complicar o esquema.. passei o resto da noite a marcar estrelas no mapa, de sítios que seria interessante conhecer. oh my...

* estadia patrocínada pela minha estimada conta bancária

 

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'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mirc.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e yada yada, yada... é ler o blog ;)

bucket list

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores: #11 #10 #9 #8 #6 #5 #4

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