Mantecas

òzanos que andamos a namorar as mantas artesanais de manteigas, e desta vez não quisemos voltar de lá sem trazer uma connosco. não são tão macias como as de lã polar, mas como peça decorativa são um mimo.

existem duas fabricas na vila que apostaram em manter viva a tradição dos lanifícios da região da serra da estrela, e entre muitas outras peças, recriaram também as mantas que os pastores levavam para se agasalhar do frio da montanha, feitas 100% em lã de ovelha serrana.

pelas fotos que vi de ambos os catálogos, pareceu-me que a ecolã é mais fiel aos padrões e cores tradicionais, e a burel factory, apesar de também ter os padrões tradicionais, arriscou reinventá-los com cores mais vivas, o que dá um ar mais moderno às mantas. não é uma decisão fácil..
íamos com intenções de visitar as lojas das duas fábricas, que ficam lado a lado, mas à hora que fomos, apenas a burel estava aberta.

escolher uma manta no meio de tantas opções não é *de todo* uma tarefa fácil. mas às tantas lá chegamos a um consenso. e como se não tivesse já sido um processo complicado, não tardou muito a complicar-se ainda mais..



como na loja não havia o padrão nas cores e dimensões que escolhemos, acabámos por acompanhar a funcionária ao armazém da fábrica, para ver se tínhamos sorte. sucede que mal metemos os pés no armazém, fomos surpreendidos por pilhas e pilhas de mantecas, de padrões e combinações de cores lindíssimas que não estavam na loja.. e voltámos à estaca zero. tivemos que reiniciar as negociações, e depois de muita indecisão, voltou novamente a ganhar o padrão que nos levou ali.



a parte fixe é que sem querer, acabámos por ter uma visita guiada pela fábrica. podia não estar a funcionar, mas deu para conhecer um bocadinho sobre o processo de fabrico do burel e das mantecas.




mas confesso.. estava tão fascinada com aquela maquinaria oldskool toda, que não me lembro de metade da explicação sobre o funcionamento e o processo de transformação da lã, desde as ovelhas até ao tear. shame on me... mas logo compenso, pois é possível fazer visitas guiadas durante o horário de produção, e ver a maquinaria a funcionar a todo o vapor. da próxima vez que ir a manteigas não falha!

é um bocadinho da história de manteigas que trouxemos para nossa casa. sabe tão bem, ter uma recordação de um sítio que se gosta tanto, sempre debaixo de olho.



fica linda no sofá, a gata também gosta muito dela.. eu é que não sei se gosto disso lol

álbum completo no sítio do costume

Cinquenta tons de outono

andava de apetites a voltar à serra. não preciso de muitas desculpas para dar lá um saltinho, mas por acaso até tinha. entre elas, queria caminhar e a serra tem uma paisagem particularmente bonita nesta altura do ano. só que a meteorologia não parecia muito interessada em colaborar.. depois de semanas a adiar, o caso mudou inesperadamente de figura e parecia que o verão ia regressar por uns dias. não podíamos deixar escapar a oportunidade!

foi difícil de sair de lisboa. estava um trânsito medonho ao fim da tarde de sexta, passei uma hora metida numa fila até conseguir chegar às portagens de alverca, que dor!!! mas mesmo assim consegui chegar a manteigas a tempo de jantar uma bela duma feijoca :D’

a noite estava fresquinha, mas nem lá perto daquelas temperaturas gélidas que apanhamos em dezembro passado, e não havia vestígios de nuvens no céu. o fim-de-semana prometia.

sábado amanheceu quentinho e sem vento. jackpot!!! havia uma ou outra nuvem a dar o seu ar de graça, mas nada que ameaçasse descarregar água em cima da malta. estava perfeito para dar à corda às botas.

seguimos a rota das faias. se há passeio pitoresco em manteigas durante outono, é aquele. há uns anos descobri que o outono é absolutamente maravilhoso na serra, mas naquela ocasião estava frio e chovia, nada convidativo a passar muito tempo fora do carro. desta vez íamos tirar a barriga de misérias!

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a meio do caminho atingimos o ponto mais alto do monte, era obrigatório uma paragem mais demorada para inspirar aquelas paisagens. dali prá frente ia ser muito mais fácil, sempre a descer.. e a percorrer o ex libris do trilho, o bosque das faias.

não tardou muito até que as copas das árvores se começassem a fechar sobre o caminho. muitas nesta altura do ano já estão quase carecas, mas ainda fazem sombra. os raios de luz que ousam trespassar reflectem-se nas folhas caducas das faias e o ambiente ganha um tom quente e acolhedor.. um cenário simplesmente idílico, daqueles que nos deixam a transbordar de felicidade só por estar ali. respirar o ar puro e perfumado da floresta, caminhar sobre aquele suave manto castanho, ouvir a brisa a entrelaçar-se com os ramos das árvores e o canto das aves, e apreciar toda aquela delicada beleza natural foi das melhores experiências que já tive na serra da estrela.


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a minha mãe, que à última da hora decidiu alinhar connosco, ainda que isso significasse ter que palmilhar 12km monte acima e monte abaixo (ok, eu posso ter culpas no cartório, disse-lhe que não eram mais de 7 ou 8 :D), estava assombrada com aquele espectáculo proporcionado pela natureza. mas o que ela gostou mesmo foi dos castanheiros que íamos encontrando pelo caminho. ainda recolheu meio saco de castanhas, que lhe estava a dar pena de as deixar caídas no chão, tão boas que estavam.

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no domingo estava um bocadinho mais fresco, mas igualmente fantástico para passear. demos a volta do costume: estrada do vale glaciar, paragem na fonte paulo luis martins para encher toda e qualquer garrafa de água que existisse no carro, covão da ametade - magnifico em qualquer altura do ano, torre, e penhas douradas. sem grandes pressas.

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já foi demasiado tarde para ver cogumelos, mais ainda encontramos alguns especímenes intactos.

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às sete da tarde despedimo-nos de manteigas e da serra, com a promessa de um regresso para breve. por mais vezes que bata lá com os costados, não consigo cansar-me daquele sítio 

álbum completo da passeata aqui

Então Isa, que andaste tu a fazer pela serra? I

a contribuir activamente para o aquecimento global :D

 

feijoca

 

isto (e isto também) é um dos principais motivos que me fazem voltar à serra vezes e vezes sem conta.. eu, que nem sou grande apreciadora de migas, devoro este prato com uma sofreguidão tal, que parece que não vejo comida pela frente há semanas. É. TÃO. BOM!

 

o entrecosto e os enchidos grelhados na perfeição.. a doçura da broa ensopada em azeite, com feijocas e couves à mistura.. mmmmm.. só de me lembrar, babo-me toda :D'''

aqui!

Spring break

por acaso até tinha planos para estas férias. queria ir largar os bofes ali prós os lados da costa vicentina, tal como fizemos no ano passado pelo gerês. acontece que este tempo asqueroso que teima em não despegar, nem mesmo com a chegada da primavera, obrigou-me a alterar os planos.. com muita pena minha, mas nem pensar em meter-nos a caminhar pelas falésias com tanto vento e chuva.. 

 

agora vem a parte irónica da coisa. o destino, fosse qual fosse, tinha forçosamente que respeitar uma condição: 

 

ter água!

 

muita água. andava há um bom par de meses para experimentar um vidro fosco que tinha ali guardado e já me tava a passar com a falta de oportunidades para isso suceder. então desse pronde desse, nestas férias eu ia fotografar água. e foi assim que fomos parar à serra da estrela.

 

cântaros

 

tão breve regresso não estava na ementa, que ainda em novembro passado demos lá um saltinho. mas de facto, a serra reunia todas as condições e mais algumas para uns diazinhos à maneira. dava para passear, fotografar, descansar, encher o bandulho com comidinha regional (tipo joelho de porco com arroz de feijão), e até ir dar umas cambalhotas na neve :D

 

not bad!

 

deixámos passar a agitação do fim-de-semana de páscoa e depois metemo-nos a caminho. podiam ter sido umas férias ainda mais tranquilas se não tivéssemos tido um daqueles vaipes, tipo... levar a gata connosco?

 

pois.. 

 

o pessoal do hotel abriu-nos uma excepção, era apenas uma questão de termos cuidado para ela não destruir nada. como era a primeira vez que a bixa ia sair de casa, havia algum receio sobre a forma como iria comportar-se, ainda por cima, ia ter que andar connosco para todo o lado. 

 

para começar, recusou completamente a transportadora. mau maria.. torcia-se toda, esgravatava e mordia o que conseguia, com uma aflição parecia que a estavam a torturar. o hóme acabou por desistir de tê-la lá fechada e sentou-se no banco de trás com ela aninhada ao lado. a viagem correu extremamente bem, sem stresses nem vocalizações. mind blown.. 

 

(à pala disso andei quatro dias com casacos à pendura em vez do hóme lol)

 

a primeira coisa que fizemos mal metemos os pés no quarto, foi scannar a área em busca de potenciais catástrofes. a cadeira com estofo em napa e o candeeiro foram logo para dentro do roupeiro, os copos de vidro guardados numa gaveta e aqueles cortinados, zomg.. o sonho húmido das garras dela..

 

a primeira noite foi tramada, por causa da agitação de sua felineza. a cabrona *teve* que explorar cada milímetro do quarto *várias vezes* e meter o focinho em TUDO antes de acalmar.. na manhã seguinte :D

 

na segunda noite ainda mandou uns miados às cinco da manhã e fez um barulho desgraçado a tentar subir para cima do móvel da tv, mas as duas noites seguintes já nos deixou dormir sem percalços. uma fofa!

 

um dos dias, quando regressámos ao quarto depois do almoço, entrei em pânico ao reparar que tinham feito a limpeza com a ela lá. até me benzi!

não estava nada à espera até porque a chave do quarto estava connosco. entretanto apanhei as raparigas e perguntei-lhes se tinha corrido tudo bem.. sucede que aquela macaca tava deitada na cama e na cama entendeu que devia ficar, ao ponto de lhes ter soprado quando a tentaram tirar de lá. resultado: não tiveram outro remédio se não fazer o trabalho com a dama lá refastelada lol

 

de resto, portou-se de forma exemplar, pelo menos cat wise. não estrebuchou muito, não se importava de andar sempre enfiada dentro dos casacos do dono, ainda andou a passear pelas próprias patas. passou grande parte das deslocações acomodada na chapeleira do carro a observar os arredores. tentou várias vezes afiar as unhas nos estofos mas conseguimos apanhá-la sempre a tempo da tragédia acontecer.. e mais uma vez o carro saiu ileso das nossas ramboiadas!

 

e como sempre, a serra não desiludiu. apesar de desnuda, estava lindíssima e jorrava água por tudo quanto era lado, exactamente como imaginava. pude finalmente experimentar o sacana do filtro e tirar umas quantas fotografias de longa-exposição, bem abusadas. 

 

poço do inferno fonte paulo luis martins covão zêzere

 

agora é aprofundar a relação com o bixo, que é como quem diz, mais um teste à minha frágil paciência he he he sei de uns quantos sítios onde quero levá-lo a passear.

 

as condições meteorológicas (e a gata) é que não deram margem para grandes explorações. andámos a matar saudades dos nossos recantos sítios favoritos, estar com o pessoal, passar umas boas horas aos saltos pelo manto branco gelado e pouco mais. por um lado até foi bom, serviu para descansar.

 

yeah!! Untitled Untitled snow frog snow frog Untitled Untitled Untitled

 

um dos pontos altos destes quatro dias foi uma caminhadazita (5km) que fizemos por manteigas. o último 1,5 km foi palmilhado debaixo de granizo. acho que nunca tinha andado tanto debaixo de chuva, e sabem que mais? soube-me *mesmo* bem, apesar de ter chegado ao hotel neste estado. a nossa sorte é o equipamento resistir razoavelmente bem à água.

 

por falar em manteigas.. já disse que estou completamente apaixonada por esta vila? não disse, pois não.. há-de ser pano para post um dia destes :) 

Glaciar Diamond

bora lá fazer um bocadinho de publicidade!

das três vezes que jantamos no restaurante da albergaria berne, em manteigas, os rapazes serviram-nos esta águinha.



ora, eu e o marido temos assim uma pequena tara por coisas gourmet e esta água encaixa-se perfeitamente nessa categoria!

a maioria das águas gourmet que andam por aí, para além de não serem tugas, não são grande coisa..mas esta, captada ali em manteigas, geladinha, cai que é uma maravilha!
a garrafa é negra para preservar as qualidades da água, e tá aprovada. um espectáculo! tenho que ver se a descubro por aqui, pa comprar uma garrafinha uma vez por outra :)

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mirc.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e yada yada, yada... é ler o blog ;)

bucket list

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores: #11 #10 #9 #8 #6 #5 #4

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