Dia 3 // de Pedras Salgadas a Picote

este foi de longe o dia mais preguiçoso das férias. conseguimos uma horinha extra na casa da árvore, e depois do check out demos um passeio demorado pelo parque. estivemos a inspeccionar a "nossa" faia, que infelizmente não parece ter crescido muito.. oh well, pode ser que daqui por 10 anos esteja da minha altura.

primaver hera treehouse

já não conseguimos marcar massagens para aquele dia, mas por volta das três, fomos abancar no spa. estivemos a rodar o circuito da piscina, banho turco e sauna, até começarmos a ficar com a pele das mãos a parecer uma ameixa seca. a minha pele adora aquela água, nas horas seguintes fica sequinha, macia, e luminosa que é um mimo ♥

quando achamos que já tínhamos demolhado mais do que suficiente para um dia, iniciamos lentamente a retirada, para aproveitar bem os últimos minutos ali. de caminho para o carro lanchamos na casa do chá, e despedimo-nos do parque das pedras salgadas.

dali foram duas horas até mogadouro, onde iríamos jantar. tenho a dizer que o IC5 é uma estrada à maneira, tranquila e com umas vistas do caraças. não foi a primeira vez que a cruzei, e vou sempre de queixo caído com a paisagem envolvente.

na lareira, a posta soube-me melhor da outra vez, deve ter dias... e desta não havia salada de merugem, porque o inverno demorou a aparecer.

e como não encontrei nada interessante para pernoitar em mogadouro, fomos dormir a cerca de 30km dali, em picote, aldeia já nossa conhecida do raid anterior. ficamos numa casa típica da aldeia muito, muito fixe, e toda por nossa conta :D 

o quarto era super acolhedor, decorado em tons quentes da terra, e a cama ultra confortável. andávamos a ter sorte com as camas (sim.. este é o tipo de coisa que começa a ganhar muita importância à medida que vamos ficando idosos lol), naice!

Dia 2 // de Campo do Gerês a Pedras Salgadas

depois do check out da pousada, andamos às voltas pelo campo do gerês. era difícil de acreditar que depois de uma noite daquelas, o dia estava tão bem disposto. 

não sei como é aquele sitio durante a época alta, mas nesta altura, é super calmo. não andava por ali quase ninguém, apenas um habitante ou outro. pena a placidez daquele cenário ser cortada pelo som de uma moto-serra, cujo ruído feroz ecoava pelo imenso vale. os incêndios não pouparam o parque e as limpezas estavam em curso. não ouvi a sinfonia de passarinhos que tão ansiosamente esperava - uma das melhores recordações que guardei de lá.. talvez porque ao contrário da outra visita, nesta a primavera estava atrasada. as árvores desnudas e o tempo manhoso não deve agradar à passarada.

a dada altura passamos por um rebanho de ovelhas muito conversadoras. ele era BÉÉÉÉÉÉÉ pra cá, ele era BÉÉÉÉÉÉÉ pra lá, numa chinfrineira desgraçada. não devem achar piada a estranhos lol demoramos ali uns minutos, a "conversar" com elas, mas às tantas decidiram ignorar-nos e piraram-se de volta pro estábulo.

dali seguimos para a vila do gerês, pela estrada mais curta, e mais cénica. dizem as más línguas que eu um dia maldisse aquela estrada.. como é que fui capaz de emitir tal barbaridade. a estrada é maravilhosa - dantesca, principalmente na vertente a noroeste, mas maravilhosa lol

tão e absorver esta paisagem, num dia brutal como este? devolve-nos anos de vida, garanto!!

gerês gerês 
(onde está o wally? lol)

da vila seguimos em direcção a cabril. passamos pelas cascatas do tahiti e paramos na ponte sobre o rio toco, para apreciar a água a correr pelos calhaus arredondados. acabamos por ir subindo, e subindo, porque bateu uma vontade doida de nos enfiarmos pelo monte adentro. mas não dava.. nem estávamos preparados, nem tínhamos tempo. se no dia anterior já tinha picado o bixo pelas saudades das caminhadas na peneda, ali ficamos mesmo com ganas de dar à sola. tá visto que precisamos de orientar uns dias para caminhar pelo gerês :D

rio toco rio toco

ao regresso, um pastor que estava por ali meteu conversa connosco durante uns bons minutos. estava acompanhado por dois cães muito preguiçosos, e aguardava pacientemente que a centena de cabras que tinha lá cima no monte a pastar, decidisse que estava na hora de regressar. vida mais solitária aquela.. não necessariamente má, mas solitária.

a paragem seguinte foi na ponte da misarela, que escapou no assalto ao gerês em 2012. percebe-se perfeitamente porque é que dizem a ponte foi construida pelo diabo... os tomates de aço que a malta da idade média tinha.. a ponte cravada naquele santuário natural, parece um cenário saído de um filme de fantasia, é surreal!

ponte da misarela ponte da misarela rio rabagão

infelizmente não sobrou tempo para fazer um desvio e visitar pitões das júnias e tourém. foi dos maiores desgostos das férias... mas tínhamos um SPA a chamar por nós. custou-me pa cacete deixar o gerês para trás.. aliás, custa sempre.. morro de amores por aquele parque. parava em cada curva para me despedir dele lol

gerês gerês  
de caminho para pedras salgadas, circundamos a albufeira alto rabagão a sul, para ver se a aldeia de vilarinho de negrões ainda se mantinha a tona, depois das chuvadas de março. em março de 2014, com um inverno muito seco, estava muito mais longe da água. ainda assim não estava tão cheia como esperava, ainda cabia ali uns litros valentes de água.

vilarinho de negrões

eram cinco e meia quando finalmente chegamos ao destino deste dia: o parque das pedras salgadas, onde a casa da árvore estava à nossa espera. gostei tanto, MAS TANTO de voltar àquele sítio.. ok, não tinha passado assim taaaanto tempo como tudo isso da visita anterior (dois anos e um dia, para ser exacta), mas still.. estava com umas saudades malucas... por mim ia lá todos os anos, tipo peregrinação. há quem vá a fátima, eu ia às pedras salgadas, dormir na casa da árvore e demolhar as peles na piscina do spa hi hi hi

treehouse

estava tudo tal e qual, até o menu do restaurante. quando volto a um sitio costumo ter uma sensação que me deixa um bocado baralhada, parece que não passou tempo nenhum desde desde a última vez que lá estive. acrescentou também aquela sensação quentinha e reconfortante, que às vezes até provoca arrepios pelo corpo, e nos deixa ligeiramente excitados. sinto-a sempre quando reencontro pedacinhos de coração que vou deixando espalhados por aí.

o jantar na casa de chá correu ainda melhor que na visita anterior. o homem repetiu as bochechas e eu fui no robalo. ambos os pratos estavam impecáveis. ganda repasto!! terminou assim :D''''


dessertporn

cena fixe da noite. por esta altura o meu estimado marido já estava a mandar um certo vibe a homem das cavernas. sei que ele gosta pouco de fazer a barba, mas eu cactos, só plantas. e juro pés juntos que tinha trazido uma gilete para ele, mas na bolsa das toileteries nem sinal dela... como não encontrei nenhum kit de barbear no wc, disse-lhe para ligar para a recepção a perguntar se tinham. entretanto como tínhamos reserva para jantar, não esperamos pela confirmação.

algures entre as entradas e o prato principal, a empregada aparece na nossa mesa. vinha trazer um recado - uma caixinha com o kit de barbear. se isto não é atenção ao cliente, não sei que será! eu estava apostada que quando regressássemos do jantar, aquilo ia estar pendurado na porta. mas ao que parece, como não estava ninguém na casa para receber, telefonaram para o restaurante a perguntar se estávamos lá, e foram entregar. tão bom!

 

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Trás-os-Montes e Alto Douro // dia 1

é indescritível, o acordar na casa da árvore. a roupa macia da cama e as almofadas fofinhas proporcionaram-me uma noite de sono fantástica e dormir suspensa é capaz de ser das melhores sensações de sempre. a casa oscila ao de leve, embalada pelas correntes de vento e até pelos passos. a tranquilidade do cenário natural, a luminosidade filtrada pelos ramos das árvores, as nuvens a deslizarem pelo céu azul... BLISS!!

não. lamento. eu não vou sair daqui nunca. aliás, eu quero mudar-me praqui e passar o resto da vida em frente a esta janela. boa sorte em me arrancarem daqui. é bom que chamem um reboque. ou melhor, dois!

o pequeno-almoço foi tomado muito apressadamente que eu queria voltar para o meu ninho quentinho da árvore, para desfrutar cada segundo que restava. mas o tempo não pára e a hora de check-out acabou por chegar. o homem telefonou para a recepção para pedir boleia, e eu despedi-me demoradamente do melhor quarto de "hotel" onde já estive. nem mesmo o 22º andar de madrid o consegue superar a casa da árvore.

ainda ficamos umas horas pelo parque. primeiro fomos dar um longo passeio por aquele cenário idílico, depois tivemos mais uma horinha no spa, e por fim, alinhamos numa iniciativa que estavam a promover por ocasião do dia da árvore. plantamos uma faia, em honra das faias de manteigas :)

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pode-se dizer que deixamos lá raízes. e prometemos voltar para acompanhar o crescimento da rapariga :)

depois de um "até breve" ao parque das pedras salgadas seguimos caminho. subimos até chaves, passando por todas as terrinhas cujo nome reconhecemos de rótulos de água gaseificada.

gostei bastante do coração de chaves. das ruas apertadas e das casas rústicas, do contraste das pontes, da pacatez do tâmega, da vista desafogada que se tem do castelo, dos parques. é uma cidade pitoresca, cheia de história, um postal vivo a cada recanto. tão agradável de visitar.

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ao fim da tarde seguimos em direcção ao destino do dia, tuizelo, já no parque natural de montesinho. sempre com paisagens de cortar a respiração no horizonte e muitas, muitas curvas. mal sabia eu que as curvas iam ser o prato dos dias seguintes…

a casa onde ficaríamos alojados nessa noite pode ficar para lá de onde judas perdeu as botas, mas foi um verdadeiro achado. perfeitamente enquadrada no cenário rural da pequena aldeia transmontana onde se situa. a decoração não podia ser mais castiça, totalmente rústica mas de um tremendo bom gosto. uma ode às grandes casas de fazenda do antigamente, quase que proporciona uma viagem no tempo. não bastasse o ambiente fantástico, como ainda fomos recebidos com uma hospitalidade quase desconcertante.

e como estava praticamente vazia pudemos escolher o nosso quarto. visitámos 4 ou 5 antes de decidirmos o eleito (era só o mais giro da casa toda).

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descobrimos que por ali janta-se cedo, e que apesar da vila de vinhais se intitular capital do fumeiro, não tem muitos restaurantes. tivemos uma certa dificuldade em encontrar sítio para jantar, mas lá filamos um lombinho de porco com batata-frita numa tasca. o cheiro do fumeiro, se havia, não o sentimos, para nosso grande desgosto.

* estadia patrocínada pela minha estimada conta bancária

 

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Trás-os-Montes e Alto Douro // dia 0

por causa de uns distúrbios na força, só no domingo é que começamos a nossa roadtrip pelo reino maravilhoso. às contas disso, a serra do alvão, que era susposto ser o ponto de partida, ficou para trás e avançamos para a fase seguinte.

seguimos rumo a norte já com três horas de atraso, o que chutava a previsão de chegada para volta das 5 da tarde, quase ao anoitecer e um dia perdido. mas isso já eu adivinhava, é o que a casa gasta.

conduzir na A24 é uma tormenta. e não por causa do carrossel de subidas e descidas, mas porque não posso desviar os olhos da estrada e a paisagem que se desenrolava a cada km é de ir com o queixo de rastos. é nestas alturas que gostava de ser o pendura.. aquilo sobe que é uma alarvidade e passa por zonas de montanha lindíssimas. os ouvidos é que não acharam piada à altitude.. estive "debaixo de água" durante bastante tempo, apesar dos meus esforços.

depois de atravessado o imponente viaduto de vila pouca de aguiar, o nosso destino não tardou muito a revelar-se: o pedras salgadas spa & nature park.

para começar as férias em grande e à francesa! ia finalmente riscar a posição número um da minha to do list de alojamentos. desde que descobri a existência daquele "resort" que andava mortinha para experimentá-lo. mas a distância e a dificuldade em conseguir uma data para firmar a escapadela andavam a arrastar a coisa indefinidamente.

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depois de cumpridas as formalidades na recepção, o carro ficou no estacionamento do parque e fomos conduzidos num golf cart até ao nosso domicilio, a casa da árvore. pelo caminho fomos recebendo informações sobre o parque e sobre as instalações que tínhamos à nossa disposição.

atribuíram-nos a casa número um, a mais alta e com o passadiço mais comprido. e ali estava eu, a percorre-lo lentamente, a saborear cada paço a caminho do meu prometido paraíso suspenso.

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quando entrei, ia-me dando um fanico. a casa é tão gira, tão acolhedora, tão genialmente construída. não é muito grande mas é perfeitamente funcional: à entrada uma pequena kitchenette e em frente o bengaleiro, a casa-de-banho é dividida entre dois espaços, ambos com luz natural providenciada por uma pequena clarabóia, uma salinha com mesa e sofá (que também é cama), e em frente a uma janelona e por baixo de uma clarabóia, a jóia da coroa:

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a decoração é simples e sóbria, em tons neutros e orgânicos, a combinar com a atmosfera daquele lugar mágico. e confortável, tãoooooooo confortável.

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não estivemos sozinhos durante muito tempo. pouco depois da nossa entrada apareceram duas funcionarias para fazer a "abertura de cama". enquanto uma colocou dois "tapetes" junto à cama, com os chinelos de quarto perto, a outra preparou-nos uma bandeja com água quente para o chá e bolachinhas. já disse que o recheio da kitchenette era à descrição? águas (com e sem gás), cafés, chás, e chocolate quente.

agradeci o chá, mas o que eu queria mesmo era enfiar-me no spa e só restava uma hora para fazê-lo. por isso, mal elas saíram, saímos nós também!

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e soube. TÃO. BEM. depois de ter passado quase cinco horas a conduzir. tanto a sala de banho turco hammam, como da a sauna, são das melhores onde já estivemos (se não as melhores mesmo). grandes e espaçosas, com a temperatura no ponto. a piscina aquecida tinha a água mais límpida que alguma vez apanhei num spa e sem cheiro a químicos. o corredor de marcha foi uma novidade interessante. fartei-me de marchar nele lol

apesar de termos seriamente considerado pedir o jantar servido na treehouse, acabamos por ir até ao restaurante do parque, cuja ementa era mais variada. mas eu nem desfrutei bem a refeição, de doida que estava para voltar para o ninho.

escusado será dizer que tivemos uma das melhores noites da nossa vida. e a casa abana mesmo. e com bastante facilidade. 'nuff said :D

 

* estadia patrocínada pela minha estimada conta bancária

 

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'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mirc.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e yada yada, yada... é ler o blog ;)

bucket list

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores:
#11 #10 #9 #8 #6 #5 #4

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