Summer in the Islands I

o plano era chegar de maiorca no domingo de manhã, pegar na trouxa, e descer ao sotavento algarvio, para uma semana de campismo. o que eu não contava, era chegar com a cara inchadona e a precisar urgentemente de ir ao dentista, o que aconteceu pouco depois de aterrarmos. além de mim, também o homem não se conseguia ver livre da constipação, e queria ir ao médico na segunda.

o plano tremeu. eu, com uma bochecha insuflada, e com uma dieta à base de antibióticos, mais os medicamentos para evitar os danos colaterais dos antibióticos, e o homem com uma constipação manhosa no lombo, estávamos naquela.. se não vamos acampar, vamos trabalhar.. ficar em casa uma semana a gastar tempo livre precioso verão é que não..

mas não me sentia com energia para voltar ao trabalho.. depois de sete meses sem férias, e depois daqueles cinco dias non stop em maiorca, estávamos desesperadamente necessitados de mais uns dias de descanso.. tão lá fomos, à cautela, com o saco das drogas a reboque, passar o resto das férias na ilha tavira.

tá-se a tornar num ritual que não consigo passar sem, acampar uma semanita que seja, naquele sitio. até fico ansiosa só de pensar. gosto mesmo, mesmo, mesmo daquilo. voltar de lá é uma dor.. venho o caminho todo para cima a lamuriar..

só que este julho esteve muito rombo, não apanhamos tempo de jeito. não houve daqueles calores insuportáveis, e as noites eram frias como na costa alentejana. só na noite em que regressamos é que fomos brindados com uma brisa quentíssima da serra.. 28ºC às onze da noite, PQP.. pontaria de merda. por causa da ventania que se começava a levantar depois do meio-dia, nem sequer houve muitos banhos no mar. não que a água estivesse fria, que não estava, mas o vento tornava a experiência pouco agradável. 

mesmo assim foram uns dias à maneira, perfeitos para descansar da doidice da semana anterior. sabia quase a férias das férias, até o tempo pareceu render mais. nota mental: agendar a semana de férias agitadas antes da semana de ronha de campismo e praia rula.

tomar o pequeno-almoço no ferreira é parte da rotina na ilha. na primeira manhã que lá fomos, ia toda excitada para conhecer finalmente os êxitos pimbalhões deste verão... só que eles trocaram-nos as voltas. tinham um álbum de covers de guns n' roses em bossa nova a tocar, tão meloso que não conseguimos desarredar de lá. tinha um vibe perfeito para aquele dia solarengo de verão, à beira da praia.

happi poo

mas foi sol de pouca dura. nos restantes dias, a playlist resumiu-se a pop latino. espero que não tenha sido apenas isto que se ouviu este verão, que miséria :P tínhamos uma running gag "e tu, quantas vezes já ouviste o despacito hoje?" havia dias que ia às 5 vezes, que enjoo.. por mais que tente, não consigo compreender este fenómeno. outra rotina, que se não acontecer, é como se não tivéssemos estado lá, é na noite de sábado, o DJ do sal passar a macarena. não consigo adormecer enquanto não ouvir a macarena muhahahha gipsy kings e mambo nº 5 também nunca falha.

houve duas manhãs que apanhamos o barco e fomos ao mercado, tomar o pequeno-almoço, comprar fruta, e trazer o abastecimento anual de sal e oregãos.

sal


calma, trouxemos apenas um pacote de 1,5kg e sim, vai durar um ano inteiro.

a meio da semana fomos até cacela velha morder o ambiente. o dia não estava grande coisa para praia, então andamos por ali curtir a ria, a fazer tempo para ir à tasca do largo comer ostras. chegamos lá a 30mn da hora de abertura, já havia pessoal a ocupar as mesas da esplanada. quando abriu, já não havia mesas livres. partilhamos a nossa mesa (e uma chouriça assada) com um casal mais velho, e enquanto íamos empurrando a travessa de ostras, estivemos na conversa. descobrimos que tínhamos em comum o gosto pelas viagens, e tínhamos muitos destinos e aventuras em comum. não acontece muita vez, entrarmos em conversas com desconhecidos, mas foi definitivamente fixe.

ria formosaria formosa bocaostras

cruas, inacreditavelmente frescas, e absolutamente deliciosas :D'

quando saímos da tasca, o vento tinha abrando e a tarde ficou espectacular. atravessamos a ria à pata e fomos aproveitar o resto da tarde na praia.

como todas as pessoas este verão, também eu arranjei um bicho insuflável. um unicórnio. não sei como aquelas moças no instagram conseguem fazer sessões de fotos em cima destas bóiazorras, eu não aguento mais de 30 segundos sem mandar um tralho para dentro de água. bom.. em minha defesa, estava no mar com ondulação, não numa piscina. rendeu uns vídeos muito interessantes, alguns sortudo/as viram uma instastory disso. o homem encheu a barriga de gozar comigo, mas depois foi experimentar, e ainda aguentava menos tempo em cima daquilo do que eu lol quem ri por último, ri melhor :D

unicornio

anyway, este unicórnio era farsolas, ao fim da primeira cavalgada, abriu um buraquito numa costura. foi remendado e ainda voltou à água, mas já está no céu dos unicórnios. pró ano não vou ser tão sovina e arranjo um com melhor qualidade.

the last, but not the least
. há sempre figurões que animam o campismo. nem por isso faço por apanhá-los, mas estes estavam mesmo ao meu lado, era impossível ignorar.. apresento-vos,

los españoles

dois casais, malta ali a meio dos 30, altamente relaxados da vida deles.

já lá estavam quando assentamos arraiais. mas a primeira vez que nos cruzamos com eles, foi a caminho do pontão. nós íamos pro chillout, curtir a malta à pesca e os velhos na palheta, e eles tinham acabado de chegar do continente no último barco da noite, carregados de compras.. mal sabíamos nós que eram nossos vizinhos. quando regressámos ao parque, por volta da uma da manhã, quem é que se estava a preparar para fazer uma churrascada, a meia duzia de metros da nossa tenda?

a nossa tenda, as deles, e o grelhador, faziam um triângulo equilátero. nunca vi estes moços na praia, ou noutro sitio qualquer fora do parque. estavam sempre ou abancados junto das tendas, ou abancados junto ao grelhador. parecia a grande farra. passavam os dias a comer, a beber e a fumar ganzas, enquanto conversavam, naqueles modos espanhóis de conversar, que não se percebe se estão na boa, ou prestes a pegarem-se à porrada. todas as noites adormecíamos ao som da teca-teca-teca incessante deles, e todos as manhãs acordávamos ao som da mesma teca-teca-teca incessante deles.

um deles tinha umas havaianas de star wars iguais à minhas, já todas gastas (até me benzi), e dava uns arrotos grotescos. um detalhe sobre a minha pessoa, eu prefiro mil vezes ouvir um peido, por mais longo e sonoro que seja (até mesmo daqueles que emitem uma vibração capaz de abrir uma brecha da nossa dimensão), a um arroto.. a par do som das escarradelas, o som daqueles arrotos cavernosos arrancados do fundo das entranhas dá-me vómitos.

por fim, nós bazamos e eles lá continuaram, de cu alapado nas espreguiçadeiras desbotadas junto da tenda, a fumar charros e a queimar tempo até à próxima refeição.

agora pensando nisso, tavira cheia de espanhóis como estava, naquelas duas semanas de férias não deu para perceber bem onde acabava portugal e começava espanha, é que parece que não ouvi outra língua lol

Foi-se agosto

mas até ao lavar dos cestos é vindima

ainda restam 22 dias de verão, siga!!

1 de Setembro de 2017, às 00:00link do post comentar(1)

Mallorca // Deià - PMI

acordar com esta paisagem a entrar-nos pelo quarto a dentro é indescritível...

deìa

uma pessoa até fica emocionada :')

o pequeno-almoço não era buffet e a dona antónia serviu-nos um banquete digno da realeza. tivemos que implorar-lhe para deixar de trazer comida, que nem a mesa, nem os nossos estômagos tinham espaço para mais. várias qualidades de pão, bolos, doces, enchidos, queijo, tortilha, fruta, café, leite, sumos.. estávamos sentados perto da janela, e a vista que tínhamos sobre deìa era quase tão obscena como a do quarto, dois andares acima.

depois do pequeno-almoço estivemos um bocadito à conversa com a senhora, que apesar de ter aquele ar desconfiado, era simpática e bem humorada. desbobinou bastante sobre as dores do turismo na ilha. isto porque ficamos impressionados como a forma como ela lidou com um casal de franceses finórios, que ficaram ultrajados por não haver croissants para o pequeno-almoço. o drama, a tragédia, o horror, ui..

não são poucas as vilas rústicas, de casas de pedra dourada, empilhadas majestosamente pelas encostas da serra tramuntana. cada uma mais bonita que a anterior.. mas deìa leva a taça.

deìadeìa

é destino de malta endinheirada, nota-se logo a diferença. é tudo muito boho-chic e cheio de charme, tudo impecavelmente arranjado, florido e bem-disposto. desde as ruas, às pessoas que por ali andavam.

umas centenas de metros colina abaixo está a cala deìa, outro daqueles recantos mágicos. apesar de não ter um grão de areia, a malta acomoda-se por cima das rochas e deixa estar por ali.

cala deìa cala deìacala deìa

aqui demos numa de nerds profissionais. fomos ao c'as patro march, um barraco tosco plantado à beirinha da água, que não só faz derreter o coração de tão amoroso que é, como serviu de cenário para uma das cenas do the night manager, aquela da jantarada, onde o loki apanhou um camaçal de porrada para conseguir infiltrar-se no gang do dr house (no dia anterior tentámos passar pela mansão, mas os acessos até lá estão interditos pelos militares... bah)

cala deìa

eis a lista de locais que falhamos neste dia, só porque eu quis fazer praia em vez de passar o dia a conduzir: sa calobra (o homem não me perdoa esta lol), fornalutx, soller, estellencs, andratx, e magaluf (já que era para conhecer, era para conhecer tudo!). basicamente era acabar de circular a ilha, mas passamos por valldemossa e fomos a direitos para ses covetes, onde começa (ou acaba) es trenc. não fiquei muito melindrada com esta decisão.. afinal precisamos de deixar razões para voltar, né? :D

mais a mais, quem é que consegue resistir a isto?

praia es trec

por volta das seis da tarde, depois de termos percorrido a praia de uma ponta à outra, de mamar meio abacaxi que me soube pela vida, e de enchermos o bandulho de água salgada, iniciamos lentamente a retirada.

estávamos cobertos de areia e salitre, e não ia ser fixe passar a noite e apanhar o avião assim.. até porque com o calor e humidade, não tardaríamos a ficar impróprios para consumo he he he

ora deixa cá ver onde é que se consegue tomar banho por aqui.. umas pesquisas superficiais sobre onde tomar um duche quente nas redondezas do aeroporto não se revelaram bem sucedidas, por isso tivemos que improvisar. tão a ver aqueles duches à entrada (ou saída) das praias? foi nesses mesmo, em can pastilla. granda banhoca, ao final de tarde, em plena avenida, frente à playa de palma \m/

banho tomado, roupa fresca vestida, e bagagem arrumada, estava na hora de ir atestar e devolver o fiesta à centauro. agora sem ride, metemos as mochilas às costas e aproveitamos a boleia do shuttle de volta para o aeroporto, onde iríamos apanhar um autocarro para palma

porque gastamos uma pipa de massa em mistelas para o sol, e eu não estava a achar piada à ideia de deitar aquilo tudo fora praticamente cheio, tinha como missão encontrar um posto dos correos aberto àquela hora, para enviar aquilo para portugal. e encontrei, no el corte inglés. 

tiramos a senha, e enquanto aguardávamos pela nossa vez, o homem inteirou-se do preçário. custava alguns 30€ mandar a encomenda, tarifa fixa FFFUUUUUU.. sendo que tínhamos cerca de 50€ em produtos, era uma decisão tramada.. o homem sugeriu que por aquele preço, às tantas mais valia pagar bagagem extra no avião..

...e eis que eu me lembro que vamos voltar num charter, a bagagem de porão está incluída.. FUCK YEAH!! cagamos prós correios, e fomos ver onde se petiscava em palma. calhamos num tasco de tapas muito, muito fixe.

não nos demoramos muito mais por palma pois estávamos cansados, as mochilas pesavam nas costas, e a minha cara estava cada vez mais inchada por causa do cabrão do dente. além disso, não estava a achar o centro nada de especial. então, por volta das onze da noite, recolhemos ao aeroporto.

aeroporto de palma de maiorca

(yet another) funny story.. quando estivemos a fazer as marcações, não encontramos nada no booking para a última noite, estava tudo esgotado dentro dos nossos parâmetros. no airbnb também não havia grande coisa, e levamos nega no único que tinha aspecto. e eu disse ao homem, "cum cacete, não vou pagar mais de 100€ para dormir 4 ou 5 horas.. o check-in começa às 5h45, arroxamos no aeroporto e tá a andar de mota". o homem aceitou a sugestão, meio incrédulo e a duvidar que eu fosse achar piada a coisa.. só que achei.. e muita!

admito.. estava excitadíssima por passar a noite no aeroporto (com todo o respeito às as pessoas que ficaram presas em aeroportos por razões), é uma experiência pela qual nunca tinha passado, e que acabou por ser bastante educativa. 

estava mais calor na rua do que no edifício, mas como havia sempre carros e autocarros a passar e a descarregar pessoas, era um bocado caótico (aquele aeroporto não fecha, e há gente a (des)embarcar pela noite dentro, que colosso). então fomos lá para dentro. estiquei a toalha de praia no chão, usei a mochila como almofada, botei os tampões nos ouvidos e cá vai disto. não éramos os únicos, e topei formas muito criativas de fazer uma cama improvisada. desde os bancos almofadados do costa coffee, àquele casal que tinha cada um, um colchão insuflável. que rica ideia.

mais giro foi quando eles se foram embora, e deixaram lá os colchões encostados a um canto. o homem acordou-me da minha cama improvisada do chão e perguntou-me se estava interessada em fazer um upgrade. e foi deitadinha neles passei as últimas duas horas. maravilha. o homem não dormiu, passou a noite toda a trocar mensagens pelo whatsapp, com a mãe e a sogra (a gozar comigo, pois claro). 

e sim, conseguimos enviar a mochila minúscula cheia de frascos de cenas para o porão. botamos aquilo tudo dentro dum saco de plástico, não fossem os malões com 20kg de bagagem esmagar a nossa pobre mochila, e aquilo começar a babar creme por todos os lados. era um risco, mas antes isso que largar 30€ (lol cheap bastards).

e porque o homem não dormiu, e eu passei pelas brasas no chão do aeroporto, no domingo andámos o dia todo com a sensação estranha de estar a viver um dia suuuuuper longo.

maiorca soube a pouco, preciso de outra dose para conseguir tirá-la do sistema : /

that's all folks!

álbum completo no sítio do costume

Prainha da Luz

quando era miúda frequentava bastante a praia da luz, era quase como uma segunda casa. aliás, ainda me lembra de conversas entre os meus pais sobre a possibilidade de nos mudarmos para lá, que com muita pena minha, nunca chegou a acontecer. na altura, a vila tinha metade do tamanho que tem hoje, mas já era a colónia inglesa que ainda é hoje.

naturalmente, fizemos muita praia lá. a praia da luz tem duas praias, eu preferia a praia grande, por ter um areal enorme. já os meus pais preferiam a prainha, uma praia de rochas, com apenas alguns recantos de areia. não achava muita piada na altura.. hoje compreendo o encanto,

prainha da luzreflexoondasondas ondasouriçosprainha da luzpiteiras

Mallorca // Cala Ratjada - Deià

se o dia anterior tinha sido ambicioso, este ia ser monstruoso..

acordámos numa ponta da ilha, e iríamos dormir quase no extremo oposto. foram quase 200km de estrada no terceiro dia de road trip.

pelo caminho tinha intenções de afogar o coiro em três praias. só que o vento decidiu dar o seu ar de graça, e o mar não estava grande coisa para ir a banhos. no fundo, foi a nossa sorte.. se não, não tínhamos chegado a deìa naquele dia. 

começamos por ir descobrir a cala agulla, ali nas costas de cala ratjada. é uma praia enorme, rodeada por uma mata de pinheiros, e abraçada por um cenário natural poderoso. fiquei cheia de pena por não a ter apanhado com o mar espelhado, deve ser ainda mais bonita.

cala agulla

cala mitjana está praticamente selvagem. paisagem quase intocada, não tem apoios, e chegar até lá é um desafio, principalmente para carrecos de cidade.. ia com o coração nas mãos, a benzer-me para que o fiesta sobrevivesse àquela provação sem grandes mazelas. depois de 1,3 excruciantes km's numa torrente de calhaus, eis que finalmente chegamos à praia. também ali o mar não estava para brincadeiras.. ainda assim, andava um grupo de idiotas corajosos a fazer placagens contra as ondas. não achamos esta cala nada de especial, gostei mais da paisagem até chegar lá.

dali seguia-se uma hora de estrada até à praia del muro. é uma zona muito bonita, mas está muito massacrada pelo turismo de massas. é a punta cana lá do sítio, cheia de resorts junto ao areal. 

como fica numa baía gigantesca, é mais abrigada e não estava tanta ondulação tanto como em agulla. claro que aproveitamos logo para ir tirar a barriga de misérias de água salgada morna.

playa del muroplaya del muro

e mais uma vez, foi um drama para sair lá de dentro. mas ainda tínhamos muito para ver e percorrer naquele dia.

a estrada de acesso ao cap formentor, a ponta mais a este de maiorca, não é aconselhável a pessoas com o coração fraco. para além de ser uma sucessão de curvas apertadas com pouca visibilidade, é estreita e uma boa parte da sua extensão é cavada na falésia, com o oceano a dizer "olá" a um braço de distância.. é também uma das estradas junto ao mar mais cénicas onde já conduzi, só que ia com os olhos de tal modo colados ao asfalto, que mal consegui apreciar o cenário.

os tomates que foram precisos para construir aquela estrada, fónix...

quando finalmente chegamos ao farol de formentor, havia fila. a fila era resultado de mais um exemplo de boa organização lá do sítio, para lidar com as hordas de turistas. porque o parque de estacionamento do farol é pequeno, havia uma pessoa a controlar a entrada. só entravam carros quando outros saíssem, e assim evitava-se o caos no pequeno estacionamento (que diga-se de passagem, podia ser perigoso). a parte fixe desta paragem forçada numa colina com uma certa inclinação, é que me levou a descobrir uma feature do fiesta que me agradou bastante: ponto de embraiagem assistido, meaning, quando largava a embraiagem, tinha uns segundos para acelerar, sem ter o stress de deixar o carro descair. vou mandar instalar isto no cascas :D

cap formentor

diz que o farol está situado a uma altura de 200 metros, a vista é impressionante. o tempo enevoado é que estragava um bocado a paisagem, o ambiente estava escuro e cinzentão.

de regresso passamos por duas calas que devíamos ter parado para visitar, cala figuera e cala formentor. mas já se estava a fazer tarde e ainda tinha pollença para ir descobrir, não queria perder mais tempo, até porque o mar agitado tira alguma piada à coisa.

podia ter parado no miradouro de es colomer, mas como estava apinhado, tinha que esperar que alguém saísse para eu estacionar. e não me apeteceu a esperar. não ajudou a tarde não estar nada de especial para vistas panorâmicas desafogadas. mas ficou marcado para regressar.

siga para pollença. pollença é uma cidade com uma dimensão considerável mas tem um centro histórico castiço, que vale a pena visitar. aproveitamos para tapear e depois fomos fazer aquilo que as pessoas vão lá fazer: subir os 365 degraus até el calvari, desfrutar da vista soberba sobre os arredores.

subida até el calvaridescida até pollença
de facto, o nome assenta muito bem.. é um calvário chegar até lá acima..

eis o que encontrei quando venci o último dos degraus,

chillin

descer foi mais fácil. todos os santos ajudam, já diziam os antigos :D

e agora.. uma hora sempre a direito por auto-estrada, ou uma e meia de curvas pela serra adentro? vou pela serra, sa'foda!

ainda bem que tomei esta decisão, se não mais tarde iria arrepender-me amargamente. a estrada que atravessa a serra tramuntana é uma das estradas de montanha mais deliciosas por onde já tive o prazer conduzir. não só está em excelentes condições, como é de facto muito agradável conduzir por lá, mesmo levando quase o dobro do tempo.

fizemos algumas paragens para apreciar a paisagem, que com a iluminação ténue do entardecer a reflectir naqueles maciços de calcário, criava assim uma atmosfera surreal.

serra tramuntanaserra tramuntana

chegamos a deìa ao anoitecer e fomos directos ao alojamento.

funny thing.. quando estivemos a marcar os alojamentos, à excepção do hotel da primeira noite que tinha realmente muito bom aspecto, não tínhamos fé nenhuma nos sítios que escolhemos para dormir. as opções não eram muitas, pois o nosso filtro na pesquisa do booking era agressivo: com pontuação acima de 8 e abaixo de 100€.. com tão poucos dias de antecedência não se esperavam milagres, mas tavamos naquela, "é só para dormir, por isso sa'foda!"

então, a caminho dos alojamentos, a conversa era sempre a mesma "será este o elo mais fraco dos alojamentos?", na expectativa de chegar lá e dar de caras com uma espelunca. falhou na segunda noite.. e falhou na terceira noite.. será que o barrete ia finalmente suceder na quarta noite?

a meio da estrada que atravessa deìa, o gps manda-me prá esquerda, por uma estrada íngreme, mal iluminada, e apertada que custava a passar um carro. "que raio de sitio para se abrir um hotel", barafustava eu, feita toupeira míope a tentar ver onde enfiava o carro. já transpirava por todos os lados..

eis que finalmente a estrada termina num pequeno parque de estacionamento. thank gawd, não queria mesmo deixar o carro a atravancar a passagem como encontrei tantos pelo caminho..

a dona antónia recebeu-nos com simpatia, mas notei ali alguma desconfiança.. parecia que lhes estávamos a invadir a propriedade, ou assim. ficou intrigada da vida dela pelos nossos cartões de cidadão não terem data de emissão. será que recebe poucos tugas ali? já tava a ver que nos recusava a estadia. anyway, formalidades tratadas, levou-nos ao nosso quarto, no segundo andar da rústica mansão, típica daquela zona, com uma decoração genuinamente kitsch. tinha todo o ar de quinta da família convertida a alojamento. e eu a pensar cá para mim, "é hoje! é hoje! ainda por cima não tem wc no quarto".

quando a dona antónia nos apresentou aos nossos aposentos para aquela noite, ia-me dando uma coisa má.. até dei gemido involuntário.. a janela estava aberta, e fomos brindados uma vista inacreditável, que açambarcava a colina onde a aldeia se erguia, e estendia-se até mar. PQP, que vista.. perdão pelo palavrão, mas não encontro melhor adjectivo.. do caralho. não conseguia fechar a boca. nem afastar-me da janela.

quarto era muito fixe. pequeno, mas confortável. nop, definitivamente este quarto não era o elo mais fraco, apesar de não ter wc. no entanto, tinha um lavatório com algumas amenities, e mesmo em frente à porta tinha um cubículo com uma sanita, e ao fundo do corredor, um wc com lavatório, bidé e uma banheira minúscula com duche.

instalados, bora lá ver se alguém ainda nos dá de comer. descemos a colina até à estrada principal, e checkamos os restaurantes, fomos a todos. como eram praticamente onze da noite, já nenhum estava a servir.. queres ver que vamos prá cama de barriga vazia?

até que fomos salvos pelo sa fonda.

não.. não tou a gozar (e ter usado a expressão várias vezes no post não é mera coincidência muhahaha). este bar, provavelmente dos poucos em deìa, com aspecto de tasco onde a noite morre, decoração tacanha, mas descontraído, cheio de pessoas às gargalhadas, música fixe, e copos a partir (quando estava para subir para o terraço que dá acesso ao bar, alguém deixou cair um copo na rua e ainda senti os vidros a bater-me nas calças). mas o que eu gostei mais foi mesmo do nome. totalmente apropriado ao ambiente da casa.

o bacano do bar preparou-nos umas tostadas, de queijo, presunto e atum, com azeitonas e pimentos, que estavam à maneira. mais tarde, vim a descobrir que aquele tasco com aspecto duvidoso costuma ser frequentado por celebridades musicais. naice!

nessa noite dormimos com a janela escancarada, nada de mosquitos, apenas o som das gargalhadas, dos copos e da música que emanava sa fonda. foi dos melhores quartos onde ficamos alojados na ilha.

foi naquela madrugada que o karma finalmente se manifestou. tava tudo a correr demasiado bem para o meu gosto. aquela moinha que me começou ao fim da tarde num dente desvitalizado, amadureceu numa dor de dentes intensa, que me fez acordar a meio da noite. nada que um brufen não resolvesse rapidamente.

to be continued...

Mallorca // Colonia Saint Jordi - Cala Ratjada

iniciamos o segundo dia de explorações perto de ses salines, num jardim botânico de cactos. como eu sofro de uma estranha atracção por cactos (acho que temos coisas em comum) tinha que ir visitar.

cactoscactos cactoscactoscactos cactos

mooontes de espécies diferentes, algumas só conhecia de fotografias, foi giro. caro, mas giro. passa-se lá uma manhã nas calmas.

dali seguia-se o cabo de ses salines, a ponta mais a sul de maiorca. foi uma feliz decisão de última hora, tomada na noite anterior enquanto esperava pela paella. só de ver as fotos dá-me vontade de chorar, editá-las foi um tormento. um momento de silêncio, enquanto apreciamos esta paisagem e a cor desta água,

cap ses salinescap ses salines cap ses salinescap ses salines

tavamos com uma vontade maluca de saltarmos para dentro do mar, só não o fizemos porque o vento soprava com alguma força, e tive receio que nos metêssemos em sarilhos.

o resto do dia seria passado a saltar entre calas. tinha oito assinaladas, mas depois de termos perdido uma hora à procura da primeira, cheguei à triste conclusão que não ia conseguir ver todas, tinha que escolher aquelas que não queria mesmo perder.

começamos pela cala màrmols, uma das mais bonitas. só que foi impossível chegar lá.. e não foi por falta de tentativas. andamos em estradas de terra batida só permitidas a moradores, e demos com o nariz em vários portões. às tantas desistimos.. sabia que tinha uma que era de difícil acesso, por azar era aquela mesmo. só se chega lá à pata por um trilho de 5km junto à costa, ou por barco.. meh, fica pra próxima.

seguia-se s'almunia e moro, pertinho uma da outra. ainda tivemos que palmilhar umas boas centenas de metros pois a malta que vive lá tem as ruas todas interditas a quem vem de fora. compreendo, eu se vivesse lá também não queria a minha rua atafulhada de carros.

s'almunia tem apenas um recanto minúsculo de areia, de resto é falésia. falésia fenomenal.

cala s'almuniacala s'almunia cala s'almuniacala s'almunia

ganhou o prémio de água obscena do dia. tal como no dia anterior em es trenc, não conseguíamos sair daqui. e finalmente consegui fazer override à minha firewall interna e comecei a mandar-me da falésia como o resto da malta. andavam dois grupos de gajas muitas malucas, que se atiravam de qualquer maneira, e havia um anão francês (que dizia ser nadador salvador) com mais tomates que os amigos de estatura normal do seu grupo, e que nadou até ao leito do oceano para ir resgatar a chinela de uma dama. tudo na galhofa, tudo a meter-se uns com os outros. tinha um ambiente brutal, esta cala.

o homem diz que não sabe nadar, mas isso não o impediu de ter ficado um par de horas enfiado na água, sem pé absolutamente nenhum.

a uns metros dali, na cala moro, a água estava mais fria e por ser muito mais apertada, tinha uma concentração de cerca de 4 pessoas por metro quadrado. é linda, linda, linda. principalmente vista de cima. não ficamos muito tempo aqui, pois ainda tínhamos muitas calas e muitos km pela frente e já se estava a fazer tarde.

cala morocala moro
linda. linda. linda. deixei um pedacinho do coração ali.

deixamos a cala llombards para segundas núpcias e seguimos para mondragó e s'amarador. as duas bem grandes, com praias de areia fina, e cheias de gente. o homem ainda foi ao banho, mas apesar da água estar mais quente que o ar, só me molhei até à cintura.

a caminho para a cala de sa nau, passamos por cala d'or (e pela cala ferrera), mas era tanta confusão de trânsito e gente pelas ruas que nem apeteceu a parar.

chegamos a sa nau quase ao anoitecer. também é muito bonita, mas como tem um pedacito de areia, é daquelas que enche pa cacete. demos as explorações por terminadas, e tivemos que deixar a cala varques para outra visita, com muita pena minha.

agora tinha pela frente uma hora de condução até cala ratjada, onde iríamos pernoitar. estava cansadíssima quando finalmente chegámos ao nosso destino.

não achei cala ratjada fixe. o centro parecia uma amostra de s'arenal. montes de gente, montes de confusão, barulho, praticamente só restaurantes de fast food, bares, enfim..

(not so) funny thing.. em espanha os restaurantes costumam servir até tarde, pois os espanhóis jantam a horas tardias.. menos em maiorca (e provavelmente no resto das baleares), os restaurantes têm os horários adaptados aos estrangeiros e deixam de servir demasiado cedo. às 10 e meia já não se conseguia comer em quase lado nenhum (fora nos fast food). hence, não houve tapas nem comida mediterrânea.. acabamos por ir a uma pizzaria, que por acaso ocupava o primeiro lugar do tripadvisor.

nessa noite descobri que os sapatos de água que comprámos podem ser muito práticos e confortáveis, mas não são grande coisa.. para além de levarem anos a secar (wtf, são sapatos de andar na água, deviam secar em três segundos), ganham um fedor a maresia podre de ir ao vómito. por muito que os lavasse, não conseguia acabar com aquele pivete (só me livrei dele depois de enfiá-los na máquina de lavar roupa). blargh!

to be continued...

Mallorca // S'Arenal - Colònia Sant Jordi

acordei com o feeling de estar num gigantesco parque de diversões, com tanta coisa para ver e fazer que era quase overwhelming.. mal conseguia parar quieta durante o pequeno-almoço, cheia de fogo no cu para ir descobrir os recantos da ilha.

estava um dia perfeito de verão, que só por si, é coisa para me deixar histérica (como se eu já não estivesse o suficiente). quente, sem sopro de vento, e luminoso que quase cegava. tão bom que dava arrepios. mas first things first: comprar protector solar e mantimentos.

queriamos levar uma frutinha para a praia. queriamos.. pois não tardámos a descobrir que as mercearias de s'arenal têm uma oferta muito reduzida. praticamente só vendem álcool, refrigerantes, e snacks gordurosos. ainda entrámos numas quantas, e era tudo mais do mesmo.. mudança de planos, let's blow this joint e parar no primeiro supermercado que encontrarmos pelo caminho.

a primeira paragem do dia foi na cala delta, a primeira praia da lista... quer dizer, não sei se aquilo encaixa na categoria de praia.. é uma zona da falésia rente ao mar, onde as pessoas se estendem (desconfortavelmente) por cima das rochas e chapinham no oceano.

foi aqui que tivemos primeiro vislumbre das águas cristalinas azul turquesa do mediterrâneo (na praia de s'arenal a cor da água tinha um tom muito desmaiado). não via a hora de atirar-me lá para dentro!!

cala deltacala delta

foi também aqui que tive a minha primeira oportunidade de experimentar cliff jumping. tive - à vontade - meia hora a tentar ganhar coragem para saltar para dentro da água, tal como fazia a miudagem ali ao meu lado. uma altura praí de 2,5 metros, 3 no máximo, nada de especial, já me atirei de mais alto.. às tantas, desisti. o corpo simplesmente recusava-se a obedecer... parece que as pessoas quando crescem, activa-se-lhes uma firewall no cérebro que as impede de fazer disparates, e tornam-se numas cagadinhas.. bah!

foi ainda aqui onde nos apercebemos que havaianas (o único calçado que levamos para maiorca, tal não foi o nível de descontracção desta viagem) poderiam não ser o calçado mais apropriado para as pseudo-praias daquela ilha.. e tínhamos muitas daquelas no menu. ali todàgente calçava sapatos de andar na água, porque nadar com chinelas é uma coisa que simplesmente não funciona, muito menos andar a pé descalço por cima das rochas. ora bem, deixa cá ver onde é a decathlon mais próxima.

despedimo-nos da delta e fomos a um centro comercial ao lado do aeroporto, comprar os tais sapatos. deve ser um produto com muita saída, pois haviam montanhas deles logo à entrada da loja. só não havia o meu número na cor que queria, humpf..

aproveitamos também para ir ao hipermercado abastecer-nos de mantimentos e água. trouxemos uma garrafa de 0,75L de solán de cabras, e um garrafão de 5L de bezoya (a única marca que encontrei à venda em espanha que consigo beber sem ficar agoniada). a solán foi apenas pela garrafa (muito fixe, adoro a garrafa, por acaso), de plástico resistente ideal para ir enchendo com a do garrafão. à semelhança da maioria das águas espanholas europeias, tem um sabor horrível e serviu para lavar a fruta lol 

trouxemos também um protector solar resistente à agua, já a prever que iríamos passar mais tempo de molho do que estendidos ao sol, e o spray da isdin que tínhamos acabado de comprar dissolvia-se mal entrávamos na água. mais um after sun e um gel de aloe vera, a contar com escaldões. é o problema viajar com mochila às costas, não se pode levar estas merdas de casa..

compras feitas, seguimos a todo o vapor para a praia de es trenc. pelo caminho ainda paramos nas salinas, mas as visitas eram pagas. não me apeteceu pagar para ver salinas, não me pareceram muito diferentes das de tavira ou castro marim anyway.

salinas es trenc salinas es trenc

estivemos cerca de três horas nesta praia. delas, à vontade duas horas e meia enfiados na água.. era impossível sair de dentro do mar.. i shit you not, quando digo que precisei de alguns 30 minutos para sair de lá. parecia que havia uma força invisível a puxar-me de volta para dentro do caldinho, não me queria deixar ir. a água estava pura e simplesmente deliciosa, parecia uma piscina.. não, era melhor que uma piscina. era o céu. era o paraíso.

às tantas já tinha a pele das mãos e dos pés tão engelhada, que fiquei com medo de perder as impressões digitais permanentemente.. e eu preciso delas para desbloquear devices lol

declaramos es trenc a nossa praia preferida em maiorca, pelo cenário natural, pela cor e temperatura da água, pela areia branca fininha, e pela ...erm... o que acontece em es trenc, fica em es trenc ( ͡° ͜ʖ ͡°)

como estive demasiado ocupada a curtir a praia para tirar fotos, o google providencia para quem tiver curiosidade.

dali ainda fomos a ses salines, um vilarejo pitoresco ali perto. quase jantamos por lá, mas estávamos de tal modo desesperados por uma chuveirada, que fomos logo para a colònia de sant jordi, onde iríamos ficar alojados naquela noite. ao chegarmos ao alojamento, demos de caras com um papel colado na porta, dirigido ao homem,

aviso na porta

fomos muitíssimo bem recebidos pelo staff do hostal, btw.

descobrimos que a colónia sant jordi é capaz de ser uma das localidades costeiras do sul menos turísticas.. quer dizer, também estava pejada, mas dá a sensação que é procurada por pessoal mais velho e pacato, que prefere o sossego à farra. nem sequer tem muitos bares, logo tem pouca confusão. é desafogada, tranquila, e absolutamente encantadora. 

nessa noite, seguimos a sugestão do host para ir tapear, que por acaso coincidia com o lugar cimeiro do tripadvisor.. só que o restaurante estava cheio, e já não aceitava mais clientes. acabamos num restaurante da marina (também sugerido), onde comemos a melhor paella de todo o sempre. foda-se, se gostei daquela paella.. ainda hoje babo-me toda só de me lembrar dela. PQP!! era enorme e devoramos aquilo tudo que nem dois leões esfomeados :D'

paella

depois do jantar, e já que a noite estava uma maravilha, seguimos outra sugestão do host, e fomos circular a vila pelo passeio marítimo. super calmo, mesmo juntinho ao mar, e aos apartamentos onde a malta chill'ava nas varandas enormes. inveja de quem ali vive, daquela mesmo verde e asquerosa.

e pela segunda noite caímos na cama como duas pedras. o protector solar funcionou às mil maravilhas, pois apesar daquele mar, sol e sal todo, o escaldão foi mínimo.

to be continued...

Mallorca // Lisboa - S'Arenal

levamos a manhã de terça na maior das calmas. na noite anterior tratámos logo de deixar tudo preparado para a viagem, que é como quem diz, enfiamos umas cenas para dentro das mochilas a rezar pelo melhor.

o embarque do voo começava às três da tarde. o plano era ir para o aeroporto com pelo menos uma hora de antecedência, para não acontecer aquelas correrias loucas do costume.

como ainda tínhamos algumas tarefas na checklist para aquela manhã, saltamos da cama pouco antes as nove. na agenda estava ir dar banho ao cascas, e logo de seguida, levá-lo à inspecção.. tadinho, desde o ano passado que já é obrigado a ir todos os anos, chuif.. carta verde, siga tomar o pequeno almoço. por fim, dar uma arrumadela à casa.

à uma e um quarto, com banho tomado e tudo pronto, o homem lembra-se que quer ir ao el corte inglés buscar uns calções que tinha visto no sábado passado, quando andamos a caça de roupa para o baptizado do sobrinho. eu, que às vezes acho que ainda sou mais maluca do que ele, achei que era na boa.

tão lá foi a isa a jardar - com todos os cuidados do mundo para evitar que algum acidente que mandasse as férias em maiorca prás urtigas, até ao centro da cidade. larguei-o a porta do ECI, e fiquei à espera dele, em modo de getaway driver. ele tinha 10mn cronometrados para comprar os calções.. aos 8mn comecei a ficar nervosa e a disparar mensagens. apareceu pouco depois, e lá voltei eu, agarrada ao volante tipo falcão, enquanto o pendura se esgueirava para dentro dos calções novos.

chegámos a casa às duas, mesmo em cima da hora limite de ir para o aeroporto. foi pegar nas mochilas, descer e mandar vir o uber. os cabrões dos ubers tavam meio baralhados, já tava a ver que tinha que chamar um táxi.. ainda bem que não foi preciso tomar medidas tão drásticas :D

por sorte, o controlo de segurança não tinha engarrafamentos caóticos, como temia. mas ainda não podia respirar de alivio... tava com um certo stress com atrasos, pois o voo de ida para maiorca fazia escala em madrid, e tínhamos apenas uma hora entre voos. chama-se a isto viver na ponta da navalha!

aproveitamos a espera para comprar uma bucha, eram quase três da tarde e ainda não tínhamos almoçado. bagel de salmão fumado com queijo filadélfia, nice!

surpreendentemente o voo número um do dia saiu a horas, num embraer da air europa que não inspirava grande confiança.. you get what you pay for, i guess lol. como de costume, a viagem até à capital espanhola foi super rápida. nem deu tempo a sacarmos do almoço.

mal o avião estacionou, tratei de testar a história do roaming. o apoio ao cliente garantiu-nos que não haviam custos adicionais. we'll see about that.. airplane mode off, activar roaming de dados e puf.. magia!!!

aproveitamos a pausa para comer, e nem deu tempo a encontrar uma casa de banho para dar uma mijinha, pois a fila para a porta de embarque para o voo número dois do dia começou a formar-se cedo. e em menos de nada estávamos novamente no ar, desta vez num boeing foleiroso, todo badalhoco.. man :P

a viagem para palma foi igualmente rápida, mal dei por ela. o avião voou preguiçosamente por cima de maiorca, como se estivesse a fazer um teaser daquilo que nos esperava nos próximos dias. pena a neblina no ar, que reflectia a ténue iluminação da tarde e ofuscava a paisagem.

à saída do aeroporto fui recebida com um poderoso bafo quente e húmido, que me trouxe punta cana à memória. o meu cabelo ia adorar aquele clima... NOT!!

agora era encontrar o transfer da centauro, no meio daquele oceano de autocarros e minibus que iam processando as centenas de pessoas que aterravam a cada cinco minutos da ilha. os moços têm a cena muito bem organizada.. impressive, most impressive.

encontrar o nosso transfer ainda demorou, porque não estava na zona que vinha indicada no email da reserva. mas lá o topamos e em menos de nada, estávamos num parque automóvel massivo ao lado do aeroporto, onde estão todas as rent-a-car menos xpto. o pequeno escritório da centauro estava apinhado, mas como escolhemos o pacote premium (ie, não tenho que largar mil euros de caução, e andar a conduzir com o coração nas mãos, com medo de riscar ou amassar o carro e ficar sem o guito), tínhamos uma fila exclusiva e fomos atendidos por um funcionário muito cordial. tudo tratado, siga pro carro. não era aquele que esperávamos (como contei no post de introdução), mas como cheirava a upgrade, não nos armamos em esquisitos.

o hotel ficava muito próximo dali, em s'arenal (aka, a zona dos alemães bêbados). decidimos que a primeira pernoita da viagem seria perto do aeroporto, porque atrasos e cenas podiam acontecer, e como pessoas idosas que estamos a ficar, achamos melhor jogar pelo seguro.

demorei mais tempo a encontrar estacionamento que a chegar lá... e ficamos logo com má impressão do sítio.. parecia um guetto. vá la que íamos passar pouquíssimo tempo ali :P

o hotel parecia estar em modo soft opening, ainda cheirava a obras, e tinha alguns acabamentos em falta e zonas a precisar de mobiliário. dava a sensação de ter sido um prédio de apartamentos convertido para hotel, mas no geral tinha muito bom aspecto. recebemos cada um uma pulseira que fazia as vezes de cartão de acesso ao quarto (genial, devo notar, especialmente para quem vai para lá com intenções de andar permanentemente bêbado), e fomos conhecer os nossos aposentos.

o quarto era espaçoso, a cama (roupa incluída) era super confortável, e tinha um terraço enorme. o wc, era pequeno, mas maneirinho. o único defeito que lhe encontrei, foi o a/c, que era algo ruidoso.

next, ir à procura de jantar. tripadvisor to the rescue.. ondé que se come tapas por aqui, crl??

atacamos logo o primeiro da lista, que ficava a meia dúzia de metros do hotel. um tasco barulhento, com uma decoração tacanha, a rebentar pelas costuras, e com fila à porta. só podíamos estar no sítio certo!

afinfamos umas tapas valentes. já devo ter dito por aqui mais do que uma vez que sou fã deste formato. pouca quantidade e em grande variedade (if it rhymes, it must be true muhahahha). mas.. escolher meia duzia de petiscos numa lista com 60 opções é um pesadelo :/

depois fomos dar uma volta pela à marginal, morder o ambiente do sítio. a noite estava quente, só se via juventude pelas ruas, alguns num estado de bezana já muito avançado, com confusão a condizer. bares, muitos bares, e as mercearias abertas até às tantas a vender álcool e snacks. por volta da uma, ainda desfasados da hora local, arrochamos na cama para só acordar no dia seguinte.

apesar da quantidade de coisas que podiam a ter corrido horrivelmente mal neste dia, não falhou nadinha... e eu fiquei à espera que o karma nos cobrasse o serviço.

to be continued...

Lost in... Mallorca

tipo, a sério? com tanto sítio fixe para visitar e tu vais-te enfiar naquela que é capaz de ser a maior armadilha de turistas da europa? que falta de gosto, fónix..!

ò pra mim muhahahah tinha esta viagem alinhavada há 1 ano, era para ter sido o destino das férias do verão passado mas como só aconteceram em agosto, ficou em águas de bacalhau. e quase que também não acontecia este ano.. foi planeada em cima do joelho. entre voos e cinco pernoitas em sítios diferentes, demorámos 2 horas a marcar tudo... com dois dias de antecedência...

tinha tudo para correr bem, não tinha? :D

não quis cá saber de programas pré-fabricados em "resorts". tinha estrelas plantadas ao redor da ilha toda e seria muito penoso todos os dias voltar a base (been there, done that). assim determinamos as dormidas por etapas, distribuídas pelos quatro quadrantes da ilha, junto aos focos de estrelas. alugamos um carrito na rent-a-car que nos pareceu ter melhor relação preço-reviews e fomos em formato road trip.

pedimos o carro mais básico do catálogo, na expectativa de sair de lá montados no fiat 500 branquinho, com um vibe a condizer com a nossa aventura pela ilha. a desilusão nas nossas caras, quando o funcionário da rent-a-car nos informou que lá fora à nossa espera estava um ford fiesta 1.4 diesel... ooooooooh - que acabou por se portar à altura, especialmente nas montanhas e nas estradas de terra batida.. perdão, nas torrentes de cascalho em que nos metemos, e me proporcionou grandes e muito agradáveis momentos nas estradas maiorquinas. tinha 6605 km quando lhe meti as mãos em cima. fizemos 560km em 4 dias, e gastamos 30€ em combustível. not bad!

no último dia, skipamos uma zona que estava no roteiro, pois eu só queria era praia e caguei prás vistas. (quase) 5 dias souberam a pouco, passaram à velocidade da luz..

miraculosamente o universo não conspirou contra nós. estávamos preparados para o pior, e o pior nunca aconteceu.. quer dizer, fora os chiliques do corpo humano, que resolveram dar o seu ar de graça... no último dia andei à rasca de um dente (há 10 anos que os cabrões dos dentes não me davam chatices, timing do crl) e o homem apanhou a constipação do costume..

há muito para ver e fazer na maior das ilhas baleares. achava eu, na minha ignorância inocência, que 5 dias eram suficientes para conhecer a ilha.. apenas consegui raspar a superfície, e a correr... existem montes de sítios giros para visitar, e ficou muita coisa para trás.

quando o avião sobrevoou a cordilheira da tramuntana, fiquei logo a salivar. se há duas coisas que eu gosto nesta vida, é praia e montanhas.. e ali encontrei o melhor dos dois mundos. e não só!

passámos por (espécies de) praias maravilhosas. foi a primeira vez que me banhei nas águas do mediterrâneo, e fiquei instantaneamente fã. são deliciosas, em cor e temperatura (pelo menos na altura em que fomos).. quando entravamos era quase impossível sair. duas coisas onde passei mais horas (acordada) em maiorca: enfiada no mar e a conduzir.

a banda sonora foi providenciada pelo canto incessante das cigarras, malucas com o tempo quente. quase deixavam a malta surda, nunca as tinha ouvido cantar com tanta intensidade. às vezes íamos no carro de vidros abertos, a levar com vento quente na tromba, só para as ouvir.

o interior está salpicado de vilas e aldeias solarengas, muito pitorescas e cheias de charme. estão perfeitamente diluídas na paisagem, devido às casas serem na sua maioria feitas em pedra. ao entardecer, os tons quentes de castanho das paredes e dos telhados, ganham um dourado resplandecente magnifico. em cada uma delas, espreitava sempre uma torre de igreja por cima dos telhados. nas ruas apertadas em calçada da mesma cor das paredes, com plantas e flores a brotarem de todos os lados, não faltam esplanadas e terraços a convidar-nos para tapas e cañas.

atravessámos muitas que mereciam visita, mas como andávamos sempre a contra relógio, nem sempre dava para parar. fazer road trips é muito fixe, mas falha quando vamos com calendário para cumprir. ficamos com pouca margem para explorar à descrição todos os sítios que vamos encontrando pelo caminho.

passamos por uma porrada de sítios lindos, muitos deles terrivelmente maltratados pelo turismo excessivo. tal como no algarve, nota-se muita perda de identidade cultural, especialmente nas zonas costeiras mais concorridas. os restaurantes e o comércio estão orientadíssimos para o turismo, em alguns sítios nem se percebia que estávamos em espanha. esta parte faz-me uma certa alguma confusão.. acho que é perfeitamente possível preservar a autenticidade de um sítio, por muito concorrido que seja.. por algum motivo as pessoas começaram a ir para lá, não? 

aquilo é um paraíso, só que está tal modo infestado de pessoas que nem sempre se consegue apreciar devidamente a sua beleza. mesmo evitando as zonas mais turísticas, há sempre gente aos magotes (nós incluídos lol)..

memórias muitas, e algo que eu não sabia se tínhamos em nós: a capacidade de fazer uma viagem deste género, de forma tão despreocupada e cheia de improvisos, num pais estrangeiro. registei as zonas que mais gostei, e quero regressar para explorar com a devida atenção. ainda por cima está aqui tão pertinho de nós.

os capítulos desta saga vão estar divididos pelos locais onde acordámos e onde fomos adormecer. a ver se não me esqueço de nada, pois não tive tempo de apontar nada. foi sempre, sempre a abrir, à noite quando caía na cama ferrava a dormir 8 horas seguidas, tal não era o cansaço.

resta apenas saber se, a) vamos pagar uma pequena fortuna em roaming de dados, b) a melhor coisa que podia ter acontecido a quem se desloca pela europa é for reals! yay!! 5 dias pendurada no roaming de dados, com 0 de custos extra. fuck yea!

to be continued...

Summer of 16 // praia

eu queria praia, e praia eu tive!

13 dias de praia seguidos. a maioria na ilha, os outros distribuídos entre cacela e o barril. 13 dias de praia, que seca do caraças.. HA HA HA, NOT! só tenho a dizer que fazia outros 13. nas calmas!

a praia da ilha é aquela que só lhe faltam coqueiros para parecer uma praia tropical das caraíbas. na zona onde costumamos assentar, algures a meio caminho da terra estreita, podia estar um bocadinho mais limpa. o mar traz muita porcaria para terra. é das praias onde me sinto mais confortável, gosto *mesmo* de lá estar.


a praia do barril é a que tem a areia mais fina, a que está mais limpa, a que tem os apoios de praia mais pitorescos, e atravessar aquele cemitério de âncoras é qualquer coisa de épico.

enche para caraças, mas nada que uma caminhada de 15-20 minutos não resolva. de regresso, já ao anoitecer, a paisagem pacata da ria rouba-nos o folgo, e deixa-nos emocionados perante a perfeição da natureza. fico sempre ali uns bons minutos, a absorver o cenário. se não ficasse tão fora de mão, tínhamos ido para lá mais vezes.


a praia de cacela é a que tem a paisagem mais bonita, e atravessar a ria à maré vazia é muito fixe. no entanto enche demasiado e não é possível fugirmos da multidão, acabo por não me sentir tão à vontade lá.



fosse em que praia fosse, mar tinha uma temperatura francamente escandalosa!

nos primeiros dias, andou bravo. o homem andava todo maluco nas ondas, mas eu tenho-lhes receio. era um drama, querer sair de lá, e ao mesmo tempo não querer sair de lá. mas tinha fé que a coisa havia de acalmar. e no fim da primeira semana, foi feita a minha vontade!


horas e horas de molho, naquela água cristalina e morna. bliss!!



sou muito friorenta e costumo precisar de pelo menos 15 minutos para entrar toda na água. vou-me molhando aos poucos, adaptando a temperatura do corpo à da água, sem grandes pressas. mas quando a temperatura da água esta praticamente à mesma que cá fora, não é preciso estar com mariquices. basta largar a correr da toalha e mandar um mergulho para dentro do mar. andei metida na água depois do sol posto, quase sem luz. era o quão boa estava a água.



(not so) fun fact. três dias antes de ir de férias, fui ao dermatologista mostrar uma maleita que me apareceu nas mãos em finais de junho e estava difícil de desaparecer. o sr. dr. receitou-me um creme e algumas recomendações, entre elas, evitar contacto prolongado com água. "use luvas", recomendou.

pois...

to be continued...

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mirc.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e yada yada, yada... é ler o blog ;)

bucket list

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores: #11 #10 #9 #8 #6 #5 #4

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