Pelas terras do Guadiana

o parque natural do vale do guadiana é uma espécie de underdog dos parques portugueses, não se ouve falar muito dele. fica ali nos confins do baixo alentejo, paredes meias com o algarve e resvés com espanha. um bocado afastado da “civilização” e sem nenhuma auto-estrada que nos deixe às suas portas. é pouco habitado, e não existem grandes cidades nas redondezas, tem apenas uma vila e pequenos povoados salpicados pelo parque.. e é tremendamente bonito!

a paisagem é diversificada, a ponto de não se perceber bem se ainda estamos nas planícies alentejanas ou se já estamos com um pé na agreste serra algarvia. tem bosques e tem mato rasteiro, e apesar de ter muitos cursos de água, tem um aspecto muito árido.. e as vistas são de fazer parar a respiração.

já andamos por lá duas vezes. numa exploramos a zona da mina de s. domingos e pomarão, onde percorremos os túneis ferroviários desactivados. noutra corremos aquilo tudo numa doideira atrás de balões meteorológicos. o cascas está bastante familiarizado com as estradas de terra batida e as ribeiras secas do parque lol

só tenho um reparo a fazer a mim própria: nunca vou lá com tempo suficiente para ver tudo o que quero, aquilo é maior do que parece! já fiz saber ao homem que num futuro não muito distante quero lá voltar e bater as capelinhas todas novamente, mas com mais tempo para respirar e inspirar aquelas paisagens. além disso, todas as visitas têm acontecido sempre pela mesma altura, setembro/outubro, e apesar de vibrar com as cores douradas daqueles montes e planícies, tenho curiosidade para saber como será noutras alturas do ano.

road to somewhere

mas das várias coisas que nos tinham deixado saudades, talvez um pequeno tasco em corvos era a que mais sobressaía. fomos lá parar por obra e graça do destino. queríamos cozido de grão, e disseram-nos que lá era o melhor sitio para ir. só que o cozido de grão não parecia ser o que mais clientes atraía ao tasco, mas sim.. pizza!

nessa noite deixamos uma promessa escrita na pedra: 
“havemos de cá voltar para comer uma pizza”

e a minha surpresa ao chegar lá, 5 anos e um desvio de 60km depois, e ver o pequeno restaurante a rebentar pelas costuras, que por pouco temi que não conseguíssemos jantar. pelos vistos a internet aconteceu e a paragem está no topo das recomendações do tripadvisor para a região de mértola. not bad!

e íamos com intenções de fazer cumprir a promessa e comer pizza, a sério que íamos. mas assim que lá cheguei, fiz uma confidencia ao homem: "migo, não sei se vou conseguir resistir ao cozido de grão..." 

e não resisti... foi mais forte que eu lol e ele que ele também, que se fez às migas com secretos :D' a pizza ficou novamente adiada lol

cozido de grão

nessa noite aprendi uma valiosa lição: tu simplesmente não comes uma pratada de cozido de grão e depois vais arrochar para um hotel...

HA HA HA não vais, não senhora! 

...e foi assim que finalmente conhecemos mértola (a tal paragem "técnica" que falei no post dos figos), depois de tantas vezes a atravessá-la de raspão. primeiro à noite e depois outra vez à noite, e finalmente, de dia :)

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é um sitio lindíssimo, muito acolhedor, come-se bem. e para quem se interessa, está recheado de história.

e já que andávamos lá por perto, aproveitamos para conhecer também alcoutim, ali mesmo juntinho à margem guadiana.

alcoutim guadianaguadiana

álbum completo da coisa aqui