Trás-os-Montes e Alto Douro // dia 3

...agora eu estava lixada. havia uma porrada de sítios que achava que mereciam ser visitados mas por termos marcado o alojamento daquele dia bastante longe da zona, não ia conseguir ver tudo.. bah!

btw, a água da terra fria, não é fria, é gelada! ia congelando as mãos a lavar a loiça do pequeno-almoço lol

depois de um breve encontro com um burro mirandês, dissemos adeus à pacata aldeia de caçarelhos e partimos para espanha, encher a pança da mula do carro. o passeio do dia começava junto à fronteira, pela rua das eiras.

passamos por umas quantas aldeias, mas foi a partir de infainç / ifanes que a coisa começou a ficar curiosa. as placas à entrada das localidades tinham dois nomes, precisei de passar por umas quantas até que se me fez luz na cabeça. era o nome em mirandês, que surgia por cima do nome português. muito respeito por este detalhe. o que achei piada nestas aldeias é que quase todas tinham museus, ou infraestruturas antigas preservadas para dar a conhecer como se vivia ali noutros tempos. e eu sem margem de tempo para visitar. outra coisa que gostei de ver é que quase todas têm casas de alojamento local. hint, hint!

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subitamente a paisagem modificou-se. os terrenos alisaram, as curvas atenuaram, o horizonte expandiu-se. estávamos no planalto mirandês e eu delirei com aquelas estradas. o dia estava perfeito para passear.

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alcançamos a paradela e seguimos até ao miradouro da penha das torres. este não só é o primeiro lugar em portugal onde se vê nascer o sol, como é onde o duero se junta a nós e se torna também no douro. depois do planalto, o recorte dramático na paisagem provocado pelo leito do rio é simplesmente brutal. demorava-me uma eternidade neste sitio fantástico, se pudesse.

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dali fomos até miranda do douro ver as vistas...

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...e de miranda do douro a picote, mirar um dos meandros mais bravos que o douro cavou

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nesta altura, eu, que sou mais de oceanos e nem por isso ligo muito a rios, estava completamente assombrada por aquela força bruta da natureza que era o douro. e tenho que admitir que vê-lo todo estrangulado por barragens dá-me um certo desgosto. aquele vale profundo de escarpas massivas e gargantas apertadas não surgiu por acaso..

picote está muitíssimo bem preservada e é um sitio muito agradável de visitar. as suas origens remontam à pré-história, e é possível ver vestígios dessa altura. outro detalhe interessante é que aqui, também as placas com o nome das ruas surgem com o nome em mirandês e português.

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seguia-se o castelo de algoso, com passagem por palaçoulo, a terra das facas. também queria passar pela aldeia de uva, para desmistificar as tais casinhas curiosas que tinha visto no dia anterior na cova da lua - que graças ao guia da terra fria, sabia agora que eram pombais. existem centenas deles um pouco por toda a região transmontana, embora a maioria esteja em ruínas. uva seria o sítio a visitar, por ter a maior concentração destas peculiares estruturas, e da maior parte delas estar recuperada.

foi incrível o tempo que demorei a chegar a algoso. quando olhei para o mapa e pensei que era um "tirinho"... o tanas!! o que eu não esperava é que a geografia se tivesse alterado tão drasticamente entre o palaçoulo e algoso. demorei três vezes mais tempo a lá chegar do que previa. e com isto, não parei em uva e só vi os pombais ao de longe. outro assunto inacabado, meh..

mas ter apanhado o pôr do sol no castelo de algoso, foi magnifico!

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aliás, o castelo é magnifico. está construindo no topo de um penhasco massivo, que cai a pique umas boas dezenas metros. a vista é de cortar a respiração, não aconselhável a quem sofre de vertigens.. tipo eu!

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fomos tramados pelo horário de inverno, já estava fechado e não foi possível visitar o interior das muralhas :(

a pernoita do dia seria em moncorvo, mas fizemos uma paragem em mogadouro para jantar n’a lareira. íamos finalmente provar a grande especialidade da região, a posta mirandesa. yay!

o tamanho do naco de carne em questão assustava-me. por mim, dividia uma posta com o homem e ficava cheia, mas o chef da lareira garantiu-nos que quando é bom, come-se com gosto e não sobra nada. então venha daí uma posta e uma costeleta, sem medos!

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a carne, grelhada à frente dos nossos olhos, veio acompanhada por uma espécie de gratinado de batata lascada, e salada selvagem de marujinha (merugem), uma planta silvestre que cresce nesta altura do ano, perto de água corrente. tão tenrinha, e fresquinha e deliciosa que era :D’

...e zomg!! que carne fabulosa. o homem tinha razão, não sobrou nadinha. ainda que o estômago estivesse em perigo iminente de explosão he he he

quando chegamos a torre de moncorvo estávamos de rastos, os dois dias frenéticos de passeio estavam a começar a fazer mossa no corpo. quem disse que passear não cansa?

e seria o quarto do dia o elo mais fraco das pernoitas?

nop, mais uma excelente escolha. we’re definitely on a roll! o edifício tinha sido recuperado recentemente para alojamento, mas ao contrário dos anteriores, era de arquitectura moderna e decoração minimalista. o quarto era espectacular, super acolhedor, e a cama, divinal!

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desliguei assim que aterrei no vale dos lençóis.

* estadia e refeição patrocinada pela minha estimada conta bancária

 

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