Trás-os-Montes e Alto Douro // dia 4

...eeeeeeee tivemos que voltar para trás!

nossa sorte é que aquele dia estava livre para o que desse e viesse. inicialmente tinha previsto subir e conhecer alfândega da fé, mirandela, macedo de cavaleiros e mais qualquer coisa. só que não.. não estava preparada para deixar o douro internacional assim sem mais nem menos, queria continuar a deliciar-me com aquelas paisagens obscenas.

mas antes de atacar a estrada, aproveitamos para conhecer torre de moncorvo. demos um agradável passeio pelas ruas centro e fizemos uma coisa pouco habitual, visitar uma igreja. mas sendo o ex libris, tinha que ser :)

o que gostei mais de ver em moncorvo não foi propriamente na vila, mas umas centenas de metros acima, na mata do concelho. a vista majestosa que se tem do miradouro de santa leocádia quase até ao infinito, que é de fazer uma pessoa esquecer-se de respirar. não cabe inteira nos olhos, é preciso começar com o queixo sobre um dos ombros e ir rodando lentamente a cabeça, depois repetir o movimento em sentido inverso. e repetir, e tornar repetir, até garantir que apanhamos todos os instantes que se perderam nos pestanejares.

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quando finalmente conseguimos quebrar aquele feitiço, voltamos à nacional 325 e seguimos em direcção a freixo de espada à cinta. completamente deslumbrados pelas paisagens que surgiam a cada curva. amendoeiras, oliveiras, e laranjeiras cobriam os montes e tornavam aquele cenário muito familiar. quase a fazer lembrar o algarve.

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ao passarmos por barca de alva ficámos maravilhados com a placidez aquele recanto, e naquilo de era suposto ser uma "visita de médico", demos largas ao ócio. fomos até ao outro lado da fronteira apreciar o imenso espelho proporcionado pela fusão das águas do rio águeda com as do douro. não apetecia nada sair dali.

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retomamos a direcção a freixo de espada a cinta, por uma estrada incrivelmente cénica, e eu sem puder desviar os olhos do volante. fazíamos paragens praí a cada 5km para poder absorver devidamente a paisagem.

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não chegamos a espada à cinta, saltamos para espanha no salto de saucelle, que eu tinha uma estrelinha num sitio altamente refundido, mas que prometia. a minha entrada no parque natural de arribes del duero foi triunfal. aquilo é uma subida quase a pique, por estrada apertadíssima, com curvas igualmente apertadíssimas, e quase sem protecções laterais. ia por ali acima a tremer por todos os lados, com medo de me despistar e ir a rebolar até lábaixo.. cada vez que vinha um carro na minha direcção até rezava o pai nosso. às tantas, já bem no alto, um sacana aparece-me em cima numa curva. não me borrei toda com o susto por um triz, e saiu-me do fundo das goelas um FILHA DA PUTA!! bem furioso. nesse mesmo instante, o homem desmancha-se a rir.. porque eu vinha com o vidro aberto. porque o outro vinha com o vidro aberto. e porque passamos tão junto, é provável que lhe tenha acertado com uns quantos gafanhotos na tromba : /

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apanhámos um engarrafamento de espanhóis no mirador del fraile. uma confusão maluca, entre carros e caravanas e pessoas. saiu tudo à rua naquele dia, e pelos vistos, foi-se tudo enfiar no mesmo sitio.

mirador del frailesalto de aldeadávila

não sou grande fã de barragens mas fiquei assim, a modos que um bocadinho obcecada com esta bisarma. diz que é a barragem espanhola com maior produção de electricidade e eu não duvido. se tivesse mais tempo, tinha ido também ao miradouro da iberdrola, ver aquele paredão colossal mais de perto. assunto inacabado, pumba!

o planalto do lado espanhol é bastante parecido ao nosso, as aldeias é que não são tão bonitas. mas também apreciei bastante conduzir por aquelas paragens. funny thing, nas duas horas que andámos por lá, não vi um único carro com matricula tuga, e um hermano que se meteu connosco no miradouro, ficou assim meio incrédulo, como se fossemos do outro lado do mundo, em vez da outra margem do douro. ca raio...

entramos em portugal por bemposta, e ali tivemos que tomar uma decisão que não dava para adiar mais, onde dormir naquela noite. três coisas que aprendemos na hora seguinte:

- fome e cansaço levam a más decisões;
- as aparências iludem;
- lá porque o alojamento tem 8 e qualquer coisa no booking, não significa necessariamente que seja "óptimo".

o universo curvou-se perante nós, e num tom condescendente repleto de sarcasmo disse, "meus amigos, já tiveram demasiadas boas experiências com alojamento, ora tomem lá um chungoso para equilibrar a balança".

como é que hei-de colocar a coisa... o ambiente não era só "rústico", como cheirava a "rústico". especialmente o quarto. as almofadas eram duras como sacos de pedra, e o barulho do mini-bar, do ar condicionado, e da ventax do wc iam dando comigo em maluca, a pontos de termos que desligar aquilo tudo para conseguir ter algum silêncio. custei a adormecer naquela noite, logo aquela que precisava de mais descanso para enfrentar os 500km de estrada do último dia. safou-se o jantar, a comida era boa e as doses bem servidas, mais nada. não se entende, a localização é porreira, o edifício por fora é bonito. aqueles quartos é que já levavam uma granda volta.

 

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