Trás-os-Montes e Alto Douro // dia 5

infelizmente não dava para esticar mais, o algarve estava à nossa espera. não só porque havia um sobrinho prestes a vir ao mundo, como aquele certame magnifico que eu não perco por nada deste mundo, e que me faz ter problemas de espaço na arca frigorifica durante uns tempos, a feira do folar de barão de são joão. grande timing, o do puto!

começamos a longa despedida de trás-os-montes com uma paragem rápida para admirar o castelo do algoso cá de baixo. parece minúsculo, mas não deixa de ter um ar completamente badass. muita coisa marada devem ter testemunhado aquelas muralhas. consigo imaginar gente a rebolar por aquele penhasco abaixo que é uma alegria. até oiço wilhelm screams LOL

castelo de algoso castelo de algoso

depois passamos por vimioso para ir comprar umas alheiras. dali seguimos para a feira do folar de izeda. eu tenho uma "cena" com feiras do folar, tá visto. tinha reparado no cartaz no restaurante em mogadouro e pensei que era uma pena não conseguir ir... mas consegui muhahahh win \m/

a caminho de izeda, uma breve paragem para apreciar a ponte romana. não que tivesse visto poucas nos últimos dias, mas são bonitas e não me matava perder uns minutos, estando tão perto da passagem.

ponte de izeda

aqueles folares é que não são bem a minha cena, salgados e cheios de enchidos, mas é a tradição dali. saímos da feira carregados com dois folares enormes, um pão de azeite, bolos económicos, mel, mais alheiras e um chouriço de mel. tudo caseiro. not bad!

feira do folar de izeda feira do folar de izeda

dali seguimos por estradas de curvas intermináveis até ao tua, algumas duas horas de tortura ao volante. ainda que tivéssemos que fazer umas quantas paragens para apreciar as vistas, que aquilo é pornográfico. mesmo.

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quando finalmente cheguei ao topo do tua, cujas curvas quando vistas do mapa, dão assim um certo frescor na barriga, já vinha tão anestesiada que nem dei por elas..

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para mais tarde recordar, que este vale daqui por uns anos vai estar cheio de água..

e do tua fomos ao pinhão. e eu consegui escolher a pior estrada de todas, por ser a mais curta. uma municipal que segue pelo meio dos socalcos de vinha, onde só cabe um carro (e mesmo assim, o google andou por lá, ah valentes). foi agressivo, mas o pior ainda estava para vir..

quando chegamos a casal de loivos, havia a indicação que pinhão era pela direita.

"mas o GPS diz que é pela esquerda" insiste o homem. 

ora essa, se o GPS diz, quem sou eu para duvidar!

pois... devia ter duvidado, pela longevidade saudável do meu coração...

não sei se alguma vez me vou esquecer do terror que foi descer a rua da calçada. uma rua em calçada já muito polida, estreita, que desce 300 metros quase a pique pelo monte abaixo. eu lembro-me de uma estrada parecida àquela, na madeira. mas muito mais curta e muito menos assustadora. se me falhassem os travões, só parava a meio do douro.. mas lá que era cénica, era!

foi triunfal, para que nunca me esquecesse da dureza daquela terra, e do que sofrem as populações para se deslocarem de uns sítios para os outros. do pinhão até régua, pela nacional 222, conhecida por ser a estrada mais agradável do mundo para conduzir, foi um doce. uma recompensa à maneira pela minha resistência.

n222

paramos em peso da régua para ir comer qualquer coisa, que ainda não tínhamos almoçado e a fome era mais do que muita, e aproveitar para comprar mais recuerdos. desta vez vinho, que o homem não queria sair dali sem um par de garrafas das terras do grifo, a quinta que mais nos impressionou na viagem toda. uma paisagem daquelas tinha que ter um sabor do outro mundo, pena eu não conseguir atinar com vinho :(

e foi ali, sentados no bar da estação de comboios de peso da régua (funny story lol), a "lunchar", que demos a odisseia transmontana por terminada. cansadíssimos, cheios de pena por ter acabado, mas a rebentar de emoção pela épica dimensão do passeio.

achava eu que podia acordar nos confins do norte de portugal, e ir dormir nos confins do sul de portugal, mas ter misturado a viagem de regresso com passeio, foi demasiado. quando cheguei a casa às onze da noite já tremia por todos os lados e não era de frio. tinha que descansar umas horas antes de fazer mais três centenas de km..

notas finais, em jeito de resumo:

a quem goste de turismo da natureza, aconselho plenamente uma demorada viagem por trás-os-montes e alto douro. tem áreas incríveis de paisagem em estado bruto, áreas agrícolas cuidadosamente geridas, vida selvagem, transborda história e tradição, as gentes são genuínas e gastronomia deliciosa.

o meu roteiro foi definitivamente ambicioso para o cinco dias, e apesar de ter tentado optimizar a viagem ao máximo, existem sempre coisas que nos escapam. ou porque demoramos mais tempo nalgum sitio e fica tarde, ou porque surgiu mais um ponto de interesse, ou porque demoramos mais tempo nas deslocações que o suposto, entre outros detalhes que não temos em conta quando se planeiam viagens.

as duas zonas que mais tinha interesse em conhecer, o montesinho e douro internacional, merecem ser devidamente desfrutadas. três dias no montesinho seria o ideal, já o douro internacional + planalto mirandês, precisa de quatro ou cinco. e apesar de ainda assim ter conseguido ver muita coisa, (como é costume) regressei com a sensação que ficou muito para trás.. algo que não é necessariamente mau :)

sofri um bocado ao volante, com tanta curva e subida e descida, e estrada apertada. mas adorei cada minuto, cada um dos mil quilómetros, assim como cada golfada de ar puro que inspirei, cada vista que queimei nas retinas. voltava (voltei!) para lá a correr :D

apesar dos inúmeros cantinhos que ainda me faltam pelo meio, é uma honra conhecer portugal de norte a sul, de de este a oeste. era um desejo antigo, que finalmente vejo realizado. temos um país fantástico, vale tão a pena explorá-lo.

last but not least, o registo fotográfico completo da passeata está no sítio do costume