Trilho dos Pescadores // dia 2

vila nova de milfontes > almograve

subestimei o trilho dos pescadores. só quero ficar na cama enrolada em posição fetal. dói-me os pés, dói-me as pernas, dói-me as coxas, dói-me os ombros. não tenho forças. quero a minha mãezinha!

...eu e a minha mania de me meter em grandes coboiadas sem ter estofo físico para elas. será caso que não aprendo??

nove da manhã e eu não queria.. aliás.. não conseguia sair da cama. fiz um esforço e fui tomar banho mas depois enfiei-me novamente entre os lençóis. só de pensar naquilo que tinha pela frente até tremia. felizmente, a etapa desse dia era a mais curta de todas, apenas 15km. menos mal.

o homem acabou por ir buscar o pequeno-almoço e o farnel do dia. uma das grandes vantagens dos hostels, descobrimos nós, é que têm cozinha comum e podemos preparar lá refeições. dá bastante jeito.

veio da rua a dizer que tinha-se cruzado com duas suecas de mochila às costas, que estavam de saída pró monte. "quê? não me digas que são as suecas que vinham no mesmo expresso que nós? ca fixe!"

saí da cama, vesti-me e fui-me encher de hidratos de carbono e gordura. vá, let's do this.

mira

a etapa começou bem. num ritmo confortável, mas nas calmas, para mim não cair pró lado a meio da coisa :D

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à nossa frente, lá iam as duas suecas, de SLR em punho a fotografar tudo o que mexia. iam também a cortar mato como gente grande. BATOTEIRAS, pá! :D

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o trilho estava a ser bastante agradável de percorrer, em terra batida pelo meio da vegetação, composta na sua maioria acácias (sei bem que são invasoras, mas não deixo de gostar delas) e o dia estava fantástico para caminhar.

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mais ou menos a meio fizemos uma paragem para comer. aquela velocidade íamos chegar bem cedo a almograve, por isso tava-se bem.

HA HA HA HA querias, não querias?

TOMA LÁ AREIA!!

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vá lá que vez em quando alternava com outros tipos de trilho. aquela etapa é bastante diversificada. pastos, praia, matas, falésias, campos de cultivo, regatos e lama para enfiar os pés. não há um momento de monotonia.

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lá em cima no céu, o cenário começava a mudar.. vinha uma escuridão assustadora no nosso encalço que fazia-me querer avançar mais depressa. só que andar depressa em cima de areia não é assim uma coisa muito fixe e acabei por me cansar desnecessariamente.

o último terço do percurso foi estupidamente duro por causa da areia.. já não a podia ver à frente.. e eu *amo* areia pá!
em terra batida estávamos a fazer uma média de 4km/h, assim que pisávamos areia, descia para 3.. com sorte! que havia alturas que parecia que não saiamos do mesmo lugar..

"por'qué que raio não trouxe eu os sapatos em vez das botas?" era o único pensamento que me ocorria. a falta de experiência é uma coisa tramada.. da próxima vez que for para andar em trilhos de areia, as botas ficam em casa. nem que seja só um mísero km :P

as únicas gotas de chuva que apanhámos nos cinco dias foram nesta parte do percurso. ainda enfiei o poncho mas quase que não valia a pena, foi mais para justificar o facto de o ter trazido lol

also, o windguru rula porque avisou que ia chover por volta das 3 da tarde e as três da tarde foi quando começou a pingar.

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entretanto as suecas que pensávamos já terem chegado a almograve com a bisga que levavam, apareceram atrás de nós. tás a ver homem, não sou a única a fazer milhares de paragens pelo caminho para fotografar tudo e mais alguma coisa e atrasar o passeio :D

estivemos um bocado à conversa com elas (metíamos conversa com quase toda a gente que se cruzava connosco) e depois retomamos a marcha.

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cheguei à pousada de juventude a sentir-me muito pouco jovem. estava tão cansada que só me apetecia enfiar na cama e dormir até ao dia seguinte.

o homem aproveitou para lavar roupa. meteu-se debaixo do chuveiro vestido e ensaboou-se todo, depois usou o aquecedor para secar a roupa. muito desenrascado, este meu homem :D

a dada altura, reparei na desarrumação que práli ia naquele quarto.. o conteúdo das mochilas espalhado por todo o lado. aquilo era tudo nosso? lol fiquei deveras impressionada pela quantidade de tralha que consegue caber em duas mochilas normalíssimas.

continuando a sina de milfontes e porto covo, a maioria das tascas estavam fechadas. mas uma homónima minha salvou a coisa! a churrasqueira “isa” estava a bombar. o homem deliciou-se com um belo dum franguinho assado.. já eu não consegui meter praticamente nada no bucho, de tão moída que estava.

a coisa não podia correr bem no dia seguinte :/

 

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