X-Men: Apocalypse

disclaimer da praxe: não conheço os contornos do comic, nem da animação, nem conheço o universo deste bando para além das adaptações cinematográficas, as quais nem por isso gosto particularmente e tenho saído sempre do cinema a achar que levei banhada. spoilers ahead, be advised.

só que o homem queria ir ver a olivia munn embalada em latex e lá me arrastou até ao cinema. afundei-me na cadeira, a enumerar as coisas que podia estar a fazer em vez de ficar ali sentada a apanhar uma seca de duas horas e meia. 

o filme lá começou e contra todas as minhas (baixas) expectativas, prendeu-me a atenção logo aos primeiros minutos. apesar de não ser um conceito inédito, adorei o detalhe dos opening credits, que fazem a ligação entre os momentos iniciais até ao palco da acção principal, através uma espécie de túnel do tempo onde se ia assistindo à evolução da civilização in between.

num vibe anos 80 e num cenário pós- days of future past, vamos conhecendo o dia-a-dia mundano dos nossos amigos mutantes, e a sua demanda por tentarem levar uma existência pacifica e serem aceites como cidadãos normais.

entretanto o vilão da fita começa a revelar-se e a coisa ganha ainda mais entusiasmo. este não parecia ser o típico vilão coninhas que os filmes de super-heróis dos últimos anos nos têm andado a alimentar. não, este vilão tem um motivo sólido, e o seu humor rivaliza com o dos crocodilos do nilo. é só o mutante-mor e tem pretensões de dominar o mundo. acabou de despertar de um sono profundo forçado, que durou uns quantos milénios, e não lhe bastasse já ter mau acordar, como ficou absolutamente horrorizado com o panorama que encontrou.

não tardou muito a reunir uma trupe de mutantes igualmente desiludidos com o mundo e ampliar-lhes os poderes, para que o ajudassem a restabelecer o seu domínio e criar uma nova ordem. vai daí, esta gente começa a destruir o mundo como o conhecemos, de uma forma algo violenta para um filme do género.

sem outro remédio, a malta porreira une poderes para lhes dar cabo do canastro, e nos momentos finais acontece uma luta mental fantástica, com um desfecho poderoso.

a narrativa tem pés e cabeça, conseguiu manter-me agarrada do primeiro ao último segundo de filme e de todas as vezes que abri a boca, nenhuma foi para bocejar. muitas cenas, mesmo muitas cenas épicas ao longo do filme, muita respiração sustida, gargalhadas, e até alguma emoção desconfortável (daquela que não percebemos de onde vem, nem como lidar com ela). não me recordo de momentos parados ou aborrecidos, achei-o bem compassado e equilibrado nas doses de drama e acção. e referências, mooontes de referências!


sem contar com o guardians of the galaxy, (não o consigo meter no mesmo saco que os restantes filmes da marvel, aquilo é space opera da pura), acho que este é o filme de super-heróis que mais gostei dos últimos tempos (vá, o deadpool está muito fixe, mas sofre do terrível síndrome do vilão merdoso). não estava nada à espera. tanto que me apeteceu escrever sobre ele, é o primeiro dos x-men que me despertou vontade de o fazer.

não é perfeito. tem alguns soluços no departamento de CG e efeitos especiais, estamos em 2016, não se admite tanto amadorismo num filme destes, algumas cenas parecem ter sido feitas à pressão por estagiários pagos em food stamps; e alguns casts menos felizes, notei alguma falta de profundidade em certas personagens, que não conseguiram criar empatia com quem está deste lado do ecrã. mas apesar disso é um pedaço de entretenimento bastante agradável. e ao fim do dia, é isso que interessa!

15 de Junho de 2016, às 01:24link do post comentar(1)