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lost in wonderland

lost in wonderland

2020 soma e segue

Novembro 14, 2020

não há mesmo forma deste ano sossegar.. e continua cretino, mas tão cretino que já mete nojo 🤢

no domingo passado, por volta das sete e meia a tarde noite fomos levantar uma encomenda ao el corte inglés, coisa rápida. quando regressamos ao carro, tínhamos um vidro todo estilhaçado, e ya.. o interior estava todo remexido — OH.. CUM.. CARALHO!!!

estacionei no mesmo sítio que estaciono sempre que lá vou, tipo desde há colhões de anos. numa praça, com bastante circulação automóvel e pedonal, com uma saída de metro ao pé, e que durante a noite tem iluminação de sobra. é preciso ter tomates para assaltar um carro nestas condições.. ou ser-se muito burro!

enfim…

ligar para o 1820 (o 112 não vale a pena, aprendemos isto em janeiro, quando levamos com o semi-reboque pelas costas), chamar a PSP. não tocar no carro até eles chegarem.

fui-me sentar num banco no meio da praça, a ver se conseguia falar com o seguro, porque azar os azares, eu precisava de ir ao algarve dali a dois dias, e tinha que resolver o assunto ASAP. mas ao fim-de-semana esquece lá isso.

o homem estava perto do carro, a fazer piscinas para distrair o sistema nervoso enquanto a polícia não chegava. nisto topo dois jovens umas dezenas de metros à frente, e como os achei demasiado interessados em nós, fiquei de olho neles. ora, a noite não estava particularmente agradável para estar na rua a meter a conversa em dia, e o tempo passava, e nós a olhar para eles, e eles para nós. entretanto a PSP chega, e eles sobem um bocadinho a rua, e ficam meio escondidos entre os carros.

hummm… normalmente é ao contrário, quando acontece uma desgraça qualquer, as pessoas aproximam-se para ver mais de perto, né? pois, eu fiquei super desconfiada.. assim que começamos a falar com a policia, desapareceram.

abrimos o carro para inspeccionar a dimensão do estrago. não tínhamos nada de valor, mas tínhamos — yah, é estar a pedi-las eu sei, EU SEI — as carteiras de ambos e a chaves de casa. ou seja a coisa tinha tudo para correr horrivelmente mal. não estava nada à vista, apenas os cabos USB, o que eu suspeito que possa ter dado a impressão que havia telemóveis a carregar. todos os compartimentos foram remexidos, inclusive, um dos assentos traseiros estava rebatido, até na bagageira andaram a xeretar. eu já a despedir-me das horas da minha vida que ia perder a fazer os documentos todos..

mas a minha carteira estava lá, com todos os documentos dentro. a carteira do homem estava lá, com todos os documentos e imagine-se, até o dinheiro que ele lá tinha.. havia uma terceira carteira no porta-luvas, que não estava lá.. precisamente a que estava mais recheada.. com cartões de fidelização de lojas 😶. também desapareceram os vales de desconto do ECI/repsol. e os meus ray-ban espelhados, que tinham as lentes tão riscadas dos maus tratos que lhes dou, que já se estavam a tornar desconfortáveis de usar..

the plot thickens.. seriam aqueles putos que estavam a controlar a situação uns metros acima, que me fizeram aquele serviço no carro? e uma vez que gamaram — honestamente, lixo, estavam a ver se conseguiam voltar para ir buscar o resto das coisas que podiam ter algum valor, tipo as outras duas carteiras? nunca o saberemos.

o mais poético disto tudo é o timing que estas merdas acontecem, que há exactamente um ano (e 1 dia) atrás, também passei o serão de domingo a limpar vidros. puta que pariu!

e também estive com PSPs. ou seja, no espaço de um ano, tivemos que chamar a PSP 3 vezes (e houve sempre vidros partidos lol), nunca na vida tive necessidade de chamar a polícia, realmente, não há fome que não dê em fartura. para entrar em casa. para reportar o acidente. e agora o assalto. será que se fechou o ciclo de azar?? SERÁ?? já merecia um descansozinho porra!

vá, que isto já vai longo e ainda não acabou, que ainda tenho um vidro para reparar em tempo recorde, e era porreiro se o seguro assumisse a despesa.

a minha manhã de segunda foi agitada. telefonar para a oficina, a saber para quando conseguia a substituição do vidro, contactar a seguradora para saber como proceder. ao fim da manhã tinha o vidro encomendado para o dia seguinte e estava na esquadra para levantar a declaração, para o seguro. por volta das três da tarde submeti o pedido à seguradora. uns minutos antes das quatro, telefonam-me da oficina a dizer que o seguro tinha aprovado o serviço.

a minha alma ficou parva.. não estou habituada a tanta eficiência de empresas portuguesas 😲

vou esconder uma câmara no carro, a sério que vou. aproveitei a ida à esquadra levantar a participação, para perguntar aos srs agentes se caso fizesse isso, estaria a incorrer nalguma ilegalidade, e se podia usar as imagens caso flagrasse um invasor na minha propriedade. ele disse-me que tal como nas câmaras de casa, desde que não se veja a rua, podem ser usadas. se se ver a rua, cabe ao juiz decidir, mas que eles até agradecem as imagens, pode ser que ajude a caçar a ladroagem.

mental note, vivem-se tempos complicados e o aumento de assaltos é consequência disso.. por isso, muita atenção onde deixar o carro na rua — e por zeus, levarás sempre os pertences atrás, mesmo em ausências breves. claro que isto não impede que não aconteçam outras cenas.. porque o que tiver que acontecer, acontece.

Bai bai Flickr

Novembro 13, 2020

15 anos e 6544 fotos depois, vi-me obrigada a abandonar uma das minhas plataformas preferidas na internet. é o fim de uma era…

e tenho realmente muita pena, mas já não consigo arranjar justificação para continuar a pagar a subscrição. e parar de pagar a subscrição, significa estar limitada a 1000 fotos. as 5544 fotos mais antigas vão pró galheiro.

não é que eu me importasse de pagar para ter fotos alojadas na internet, mesmo quando há tantas plataformas que fazem isso em troca de metadados à borla, era uma questão de comodidade. é que mover uns quantos milhares de fotos para outro sitio e substituir umas boas centenas de links e thumbnails que tenho aqui no blog era simplesmente uma coisa que não me apetecia a fazer. 

mas desde 2018, que todos os anos a subscrição tem aumentado 10 euros. e se no ano passado já me custou a pagar, este ano não consigo mesmo!

a plataforma está estagnada, não deve ter tido grandes desenvolvimentos nos últimos anos, e cada vez mais lenta e com downtimes ocasionais. o design está desactualizado, de tal modo, que ainda tem secções que vêm de 2005. a única coisa que têm feito é promover a comunidade, e sacar guito aos fiéis que ainda resistem. pedirem o dobro do preço que pagava até há poucos anos, por uma cena vergonhosamente datada, e sem perspectivas de melhoria no horizonte, então meus amigos, vão prá real PQVP. o senhor dono da smugmug não vai ficar tão smug quando o pessoal bazar todo de lá, just sayin' 🙄

já que pago para usar a creative cloud, mandei a tralha toda para dentro da adobe, que a versão web do lightroom tem uma galeria porreira. não é a cena mais fixe da internet, mas serve. além disso, aproveitei para fazer uma limpeza, que já tinha lá muito lixo lol

os posts com fotos aqui no blog vão ficar tipo queijo suíço, que com o tempo livre que tenho, vou demorar anos a substituir as fotos todas em falta :P

Corona Shots #24

Novembro 01, 2020

234 dias desde o início do confinamento, ou 33 semanas e 3 dias (fdx, não podia ter escolhido melhor dia lol), e 156 desde a última vez que fiz um update do coronapocalypse. nos entretantos aconteceu muita coisa. mais do que muita.

às portas do verão, a pandemia parecia estar relativamente controlada, a malta andava certinha. mas depois veio o calor e ficou tudo maluco. só não foi o descalabro porque a bem ou a mal, as medidas de segurança eram respeitadas na hotelaria e restauração, e vá — a maioria das pessoas pareceu-me empenhada em não apanhar (ou espalhar) o vírus. mas não me vou alongar, que o verão há-de ter um post dedicado.

a modos como já se esperava (ou pelo menos temia-se) no início do outono, o "relaxamento" das medidas durante o verão, e o ponto de saturação das pessoas, trouxe uma nova vaga de covid-19 que torna difícil ver o fim da coisa.

para ser sincera, achei que por esta altura já estaria mais do que farta de estar em casa, mas está a ser o oposto. estou a apreciar bastante. até parece que já vivem pessoas nesta casa lol. o home office aconteceu, e modéstia à parte, tem muito boa pinta. estamos bastante satisfeitos com o espaço que arranjamos para trabalhar.

por falar em trabalho, mudar de emprego durante uma pandemia teve o seu qb de interessante, pena foi o factor "pandemia", se não, o verão tinha sido do crl! ou então não.. porque o universo tem aquele sentido de humor bizarro, e decidiu brindar-nos com uma daquelas diarreias épicas. ironia das ironias, valeu-me a experiência valiosa adquirida há um par de anos para controlar a situação.

digamos que andar frequentemente metida em hospitais durante uma pandemia não é para fracos do coração, mas vesti as calças de pessoa crescida e fiz o que tinha que fazer. e correu tudo bem, dentro dos possíveis. mas tá para reiniciar em breve.

o hummus do lidl + as tortilla chips, os donuts, os waffles, os muffins, as tortas da dan fake, e por fim as bolas de berlim estão proibidos de entrar cá em casa devido ao "estrago". meti.. 4kg no lombo… QUATRO QUILOS!! 😱😱😱 OMFG, vai ser um suplício livrar-me disto... porque sim, continuo sedentária que nem uma mega batata de sofá 😑. o homem nem quer saber de se pesar...

mas não somos só nós, até a gatifonga está "maior" e não é só devido ao casaco de inverno. só a pirralha é que se mantém "elegante", às contas da sua esquisitice com a comida — no entanto adora relva erva dos gatos, e qualquer coisa com asas que entre pela janela...🤢 blargh

os pombos multiplicaram-se. a vizinha do rés-de-chão decidiu alimentá-los, e eles foram trazendo a família e os amigos.. cheguei a contar 12 — DOZE POMBOS!! sempre pousados na pala, por cima da casa da outra, à espera da refeição, e a cagar tudo à sua volta. e a nojeira?? a bárbara foi mais do que bem vinda, pois deixou a pala bem lavadinha.. e de certeza que provocou uma valente enxurrada de cocó de pombo no terraço da outra (ò pró meu schadenfreude, a dar o seu ar de graça muhahaha) entretanto, já está a ficar tudo cagado outra vez 😶 .. acho que vou ter que tomar medidas drásticas.. 

bom.. a única coisa que não me aconteceu foi ter apanhado corona, so i got that goin' for me, which is nice!

entretanto, o reality (shit)show americano é um poço sem fundo e continua a manter-me agarrada ao twitter, ao reddit, e aos meios de comunicação americanos. é com cada cena mais estapafúrdia, que desconfio que jamais passaria pela imaginação do guionista mais criativo de hollywood. se fosse ficção, seria uma cena pra lá de rebuscada, sendo realidade, é só horrendo de se assistir..

mas assisto, e preocupa-me.. é que por cá, estamos cada vez mais permeáveis às idiotices que vêem do outro lado do oceano, por isso dá para ter uma ideia do que aí pode vir — se deixarmos. medo, muito medo!

btw, só falta a invasão extra-terrestre para fazer bingo 😬

2020

Se ele não fosse assim... #40

Setembro 18, 2020

isa passou meia-hora a tentar enfiar umas tralhas numa caixa. por mais voltas que desse, não havia forma de caber lá tudo... entretanto o homem aparece.

"não dá!", admito, derrotada.
"dá cá isso!" responde-me, todo presunçoso.
"claro que tinhas de tentar... nunca acreditas em mim...", *suspiro*

5 minutos depois, com tudo arrumadinho na caixa, volta-se para mim com aquele sorriso labrego,

"nunca duvides do meu poder de encaixe..."

anos... anos de dedicação 🤨

Se eu não fosse assim.. #7

Agosto 17, 2020

há uns dias tive que ir comprar um par de havaianas novas, que o cãozito mais novo dos meus pais divertiu-se a roer uma das chinelas, e quando dei pela falta dela já era tarde demais. e já se sabe que verão sem havaianas não é verão.

ia lançada para fisgar umas da mesma cor, lilás, mas depois comecei a olhar para aquela panóplia de cores linda e a ficar assoberbada com tanta possibilidade de escolha... tava complicado até ter reparado numas cinzentas, e agarrei-me logo a elas. o homem continuava a vasculhar o expositor enquanto ia perguntando se tinha a certeza, se não queria esta ou aquela cor. ò amigue, eu por mim levava um par de cada cor, mas não pode ser..

e respondi-lhe num tom bastante determinado que, "não! quero as cinzentas, que é como tudo o resto na minha vida..."

mal o som da minha voz se dissipou no ar, ouvi uma risada abafada mesmo atrás de mim. espreitei por cima do ombro e vi a funcionária que nos estava a acompanhar meio atrapalhada, por não ter conseguido controlar a gargalhada sorrateira.

achei piada à reacção dela, afinal de contas eu disse aquilo no gozo e o homem nem sequer ligou, assim não se desperdiçou a piada. mas depois fiquei a pensar nas ambiguidades da vida. há uma grande probabilidade da rapariga ter interpretado o sentido figurado das minhas palavras, e deve ter ficado a pensar que a minha vida era "cinzenta”..

a cena é que o meu comentário não podia ser mais literal!

então, vejamos... a decoração da minha casa é predominantemente brancos ou cinzentos. o sofá é cinzento, mas todos os móveis são brancos. as cadeiras da secretária são brancas e cinzentas. todos os candeeiros são cinzentos. 90% do meu guarda roupa é branco, preto e cinzento. os lençóis são todos brancos, mas as toalhas são praticamente todas cinzentas (tenho algumas brancas). o wc, o tabuleiro e as taças da comida dos gatos é branco e cinzento, o tapete é cinzento. os computadores são cinzentos. tenho um gato cinzento. as únicas excepções são a loiça e o carro, porque de resto...🤨

4 down, DONE!!!

Julho 14, 2020

foi no dia 3 de janeiro, ainda muita gente andava a curar a ressaca da passagem de ano, que tive a primeira demonstração da bosta que este ano ia ser.

regressávamos do trabalho, quase, quaaase a chegar a casa. trazíamos um colega connosco, a quem damos boleia com muita frequência. também é daquelas almas que fica até às tantas no escritório, e acabamos por sair quase sempre juntos. como ele vem para os nossos lados, é um pequeno desvio que não nos importamos de fazer.

parei numa fila de trânsito, que desde há vários meses se gerava naquela zona, por causa dumas obras de santa engrácia, que nunca mais tinham fim. o homem e o colega conversavam animadamente, eu estava atenta ao fluxo do trânsito, mentalmente a esfregar as mãos por estar prestes a enfiar-me no pijama e passar o resto da noite a vegetar no sofá, quando a sensação mais surreal da minha vida acontece.

não é fácil meter aquele filme por palavras.. num momento estava tudo na maior das descontracções, noutro somos atravessados por uma força esmagadora, acompanhada dum estrondo ensurdecedor. lembro-me de ter sido projectada para a frente, de ser violentamente travada pelo cinto de segurança, e de não conseguir respirar durante vários segundos. os músculos devem-se ter contraído todos ao mesmo tempo, que corpo ficou tão rígido que era doloroso.

desorientada, olho para o homem, que estava em total estado a pânico, a perguntar o que tinha acontecido. estávamos os três completamente atordoados.. ninguém se apercebeu o que tinha acabado de acontecer, até que um de nós teve a clareza de notar que tínhamos tido um acidente.

nisto, apareceu-me uma pessoa ao lado, a bater no vidro. eu, cheia de tonturas, mais para lá do que para cá, baixo o vidro a ver o que ela quer. pergunta se estamos bem, e diz-me que lhe bati.

"bati?" oi.. como é que isso é possível? sempre que paro atrás de alguém na estrada, costumo deixar a uma distância generosa, tipo 2 ou 3 metros.. diz-me ainda que tentou arrancar mas que não foi a tempo. e eu ainda tava presa na primeira parte, "a sério que bati?" jura?

assim à vista desarmada, não tinha ferimentos, mas comecei a sentir uma dor intensa nos gémeos, e se já estava a ver tudo a andar à roda, senti-me a perder as forças, como quem vai desmaiar. o colega diz que é melhor sairmos do carro, não vá haver combustível espalhado e o cenário incendiar-se. saltamos os três para fora do carro como se tivesse transformado em lava naquele momento.

quando saí fora do carro e vi que tinha um camião porta-contentores enfiado na traseira do meu carro, pensei em voz alta "FODA-SE..... como é que estamos vivos, caralho??"

PUTA!

QUE!

PARIU!

se podia ter sido só um "beijinho", chapa amolgada e uns plásticos rachados, que o carro é tão alto que o outro nem aos faróis traseiros lhe chegava, podia.. mas não era a mesmo coisa... até porque pelos vistos, comigo as coisas nunca acontecem por menos. só levamos com algumas 15 toneladas pelas costas 😐

a traseira do carro simplesmente desapareceu. não sei como é que o colega que ia atrás não ficou feito num oito.. aliás, se calhar até sei, não tinha o cinto posto e vinha agarrado aos dois bancos da frente, porque se tivesse preso ao banco de trás, se calhar o resultado tinha sido outro.. mas que o habitáculo aguentou a colisão incrivelmente bem, não restam duvidas.

e de facto a matricula dianteira (a traseira estava dentro das entranhas do camião) estava rachada, por isso sim - bati no carro da frente. sabe lá o senhor que está no céu durante quantos metros fui arrastada com o embate.

[ele há coisas do demo.. por estas alturas, era para estar a publicar um post sobre o primeiro aniversário do meu bólide azul florescente, e o quanto gosto dele.. e em vez disso, tou a relatar o seu falecimento.. ]

o fulano que nos passou a ferro estava completamente - e quando digo completamente, digo COMPLETAMENTE histérico! parecia uma barata tonta, de um lado pro outro, numa estada de 3 faixas, com carros a passar de ambos dos lados, a berrar a sua triste sina aos deuses (porque aparentemente não foi a primeira vez que aquilo lhe aconteceu). amigue, se há aqui alguém que deva estar fodido com o universo, se calhar sou eu, não??

sempre imaginei que, no dia em que isto me acontecesse, ia sair do carro, a espumar-me toda de raiva e a gritar histericamente com a besta que me bateu, a chamar-lhe todos os nomes e mais alguns.. mas não.. estava perfeitamente calma.. zen quase!

ainda não havia seis meses que tinha o carro, mas estava zen. podia ter morrido ou ter ficado gravemente ferida, mas estava zen.. estava mazéra em choque, só podia!

bom, e agora? mékie? chamar a policia, chamar o reboque, assinar participações.. nisto passa por nós, uma das melhores pessoas que tenho na minha vida, que ao reparar no desgraçado do carro que tinha sido enrabado pelo camião, parou ali e ficou comigo até aquela provação acabar, ajudando naquilo que conseguia ❤️

não sei como, mas conseguimos sacar a tralha toda que tínhamos na mala - tipo, a mochila do homem com o portátil lá dentro, mais a minha mochila com os headphones novos, casacos, entre outras cenas, sem um arranhão.

entretanto o homem e o colega seguiram para o hospital ali perto. já eu, passei quase 3 horas ao frio e cheia de dores, a ter que tratar daquela cangalhada toda com a polícia e o reboque. o tipo do reboque, veio confirmar a quilometragem do carro comigo, não queria acreditar que ainda só tinha 7 mil km.. olha, somos dois!

duas faixas fechadas.. um trânsito medonho.. policia.. bombeiros.. reboques.. ca'puta de confusão.. 

no hospital, reparei que tinha um hematoma e uma raspadela na testa. olha que giro, não me lembro de ter batido com a cabeça em lado algum.. e por acaso até nem me estava a doer a cabeça. doía-me a cervical, a lombar, o peito, os gémeos das pernas, e a alma. a cabeça não. fiz TAC e tava tudo normal, assim como os vários RXs que fiz às outras partes. o médico que me atendeu era um porreiro, tantas PPMs (piadas por minuto) caneco!

cheguei a casa, enfiei-me finalmente no pijama e aterrei no sofá. era mais ou menos assim que tinha planeado acabar aquela noite.. excepto que mais cedo, sem o corpo todo dolorido, e com o carro na garagem.. 

tanto eu como o homem ficamos com dores horrorosas nos gémeos (ele custava a andar), que dias depois se transformaram em hematomas gigantes. já o colega não se queixou das pernas.. não percebíamos o motivo disto, até que me meti a ver vídeos de crash tests e descobri: levamos com o ferro de ajuste da posição do banco. ouch!

por três vezes já tive muito perto de bater a bota. quando levei com o taco de basebol na cara, uns centímetros mais a cima e não sei se estava cá hoje... quando estava prestes a me afogar numa praia deserta, se não fosse a minha irmã ter conseguido safar-se e ter-me jogado a mão.. e naquele dia, se o fulano tivesse demorado mais uns segundos a aperceber-se que o trânsito estava parado, e me tivesse batido com mais velocidade. é uma sensação de merda, quando nos apercebemos o quão fácil é ir desta para melhor, não recomendo.

...e a puta da burocracia para resolver um imbróglio destes? ZOMG!!

depois.. covid cenas, tudo aterrado, serviços administrativos estatais (e não só) que em plena pandemia não aceitam documentos nem assinaturas digitais, e foi preciso esperar por cartas, imprimir documentos para assinar, demoras para cá, demoras para lá, só em junho é que dei esta salganhada finalmente por terminada.

a minha seguradora portou-se TÃO MAL, mas TÃO MAL, que jurei nunca mais fazer seguro algum com eles. e adivinhem em qual é que fiz o seguro novo? na do culpado (como era para ter sido logo desde o inicio) lol!

mas nem tudo é mau, vá! carro novo, modelo actualizado de fresco, com umas melhorias bastante simpáticas. embora ainda tivesse que largar uns euros valentes para cobrir a diferença entre a indemnização da seguradora e o valor ligeiramente mais alto do carro. mas nota 20 para o pessoal da toyota, foram impecáveis, esperei menos de duas semanas pelo carro e consegui negociar as mesmas condições de crédito que tinha.

cabrão do universo, que não me deixou chegar aos 20 anos de encartada sem um acidente no cadastro 😡

Resuming

Julho 11, 2020

bom.. deixa lá limpar o pó aos cantos do tasco, que isto assim ao abandono nem parece coisa minha * cof cof * ainda por cima com tantos limões para fazer sumo.. mas a modos que fui atingida por uma combinação de falta de tempo e pouca vontade para escrever.

neste momento era para estar em espanha, de molho numa qualquer praia da costa brava, a carregar a bateria, porque três dias de mad cool já fazem mossa em pessoas idosas como nós... mas por causa do coronapocalypse estou em casa, e ainda não bati com os costados num areal este ano.

não é que ainda esteja confinada, porque no mês de junho fui mais vezes aos algarves que no ano passado inteiro. foi uma sorte não ter apanhado corona, não só porque andei enfiada em hospitais, como o resultado daquela famosa festa em lagos podia ter sido muito pior do que foi.

tenho andado ocupada com assuntos que jamais me passaria pela cabeça ter que os resolver, mas o universo tem um sentido de humor tão diabólico, que uma pessoa às tantas já nem liga.

entretanto,

o último dos assuntos cabeludos ficou finalmente resolvido, YAY! esta brochada foi uma das razões pelas quais ainda não desunhei o relato da última viagem de 2019, que aconteceu no início de dezembro, e foi épica... de certeza que já me esqueci de muita coisa, bah!

o home office aconteceu, e tá muito fixe. tão fixe que quando estamos em casa, estamos quase sempre agarrados aos computadores. à parte disso, continuamos a dar-lhe forte e feio nas limpezas e bricolagem, cá em casa e não só. o homem até já fez portas para os móveis de uma cozinha. not bad!

as gatas tão completamente pegajosas, em vez de estarem fartas dos humanos sempre metidos em casa a fazer barulho e arruinar-lhes as rotinas, parece que agora já não conseguem estar umas horas sem nós. a pirralha tá a fazer um ano connosco, e nem por isso tenho falado na delicia que este bicho é apesar de às vezes me dar cabo do juizo 😻 

finalmente os centros comerciais abriram, e os pombos já não andam tanto por aqui. chegaram a ser seis.. SEIS!!! pombos.. fizeram uma bela duma javarice na pala do prédio, e por azar não tem chovido para lavar aquela merda toda. ainda dão o ar de sua graça, mas há várias semanas que não vejo mais de dois ou três.

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mIRC.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e (sempre que a preguiça não a impede) gosta praticar exercício físico.

mantém uma pequena bucket list de coisas que gostava de fazer nos entretantos.

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores:
#12   #11   #10   #9   #8   #6   #5   #4

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