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lost in wonderland

lost in wonderland

Sorriso metálico

Março 30, 2022

então isa, conta lá, como tá a ser essa experiência de ter os dentes atrás das grades. 

já que o universo decidiu que eu havia de passar horas intermináveis deitada de boca aberta em dentistas, porque não subir a parada dois ou três níveis acima? go big or go home!

assim de repente, acho que já tive ideias mais iluminadas... não só parece que tenho a boa cheia da palha d’aço, como tou a falar de uma forma esquisita, como ao (tentar) mastigar, parece que os dentes se vão escangalhar todos... 

…e comer nem é o maior dos problemas, limpar a comida que fica lá encalhada, é que é o verdadeiro desafio. bochechar água só não remove nem 10% dos restos. fica ali tanta coisa presa, que se não me fizesse uma impressão maluca ter cenas entaladas nos dentes, guardava para a ceia. 

às contas disto, o irrigador oral passou a ser o meu melhor amigo, máquina mai’linda de sua dona. e ainda assim às vezes não chega, e tenho que ir ao escovilhão ou ao fio dentário. e até flossar, que dantes era uma actividade absolutamente trivial, tornou-se num procedimento minucioso e bastante árduo — fazer passar o fio entre os dentes e o arame, usar o fio com extra cuidado, sem puxões bruscos para não arrancar nenhum bracket, e tira-lo ainda com mais cuidado para não ficar todo enleado naquela cangalhada toda… mais parece que estou a desactivar uma bomba, cacete!

e nem vamos falar naqueles dois sisos que tive que tirar de uma só vez, antes de meter o aparelho... um deles era provavelmente o dente em melhores condições que tinha na boca 😠

…MAS!

está a ser definitivamente interessante, por que mais uma vez, a curiosidade cientifica sobrepõe-se à tortura quase medieval do processo — tenho os dentes todos açaimados, uns a serem puxados para baixo, outros para trás, outros para a frente, outros para os lados. e ainda tou na parte mais simples do processo, que é alinha-los, depois há que corrigir a mordida e arranjar espaço para 3 implantes, e aí é que vão ser elas.. mini-implantes, elásticos e whatnot. vão ser (segundo as estimativas) dois anos muito engrassades . a quantidade de brackets que tenho com “gancho” deixa adivinhar momentos muito agradáveis que estão para vir 😬

tenho passado montes de tempo no youtube, a ver vídeos sobre aparelhos e timelapses dentes a serem alinhados e aquilo é incrível, parece magia negra. nenhum caso parece ser suficientemente complicado para aquela cangalhada de cavilhas, arames e elásticos, que no final, o dentes ficam todos direitinhos e perfeitamente alinhados.

além disso, tenho a certeza absoluta que vou ficar ultra contente com o resultado, que eu detesto abrir a boca e ver os dentes todos tortos. nenhum incómodo do mundo se vai meter entre mim e o meu sorriso perfeito hi hi hi

Fevereiro a ser fevereiro

Fevereiro 12, 2022

até gostava de dizer que por acaso até já tinha saudades das diarreias absurdas deste mês.. mas por acaso não tenho. nenhumas!

começou por se manifestar na bateria do carro (a de arranque, não a híbrida — menos mal lol). assim de repente, só "pegava" se levasse um boost. por sorte temos uma espécie de powerbank on steroids, que tanto serve para dar energia à bomba eléctrica da prancha de SUP, como tem umas pinças para arrancar baterias 😅. definitivamente, das melhores compras de 2021.

depois de uma semana nisto, vai à oficina e leva uma bateria nova free of charge, because garantia, que o carro ainda nem dois anos tem.

saímos da oficina e fomos ao centro da cidade, que o homem tinha que ir ao escritório buscar uma cena. vamos a deslizar pelo parque de estacionamento subterrâneo, quando notámos o ruído.. "temos uma pedra no cardado", diz o homem.

carro estacionado, vai para sacar a pedra e.... SURPRISE!! é um parafuso atanchado no pneu 😑

YAY.

o sistema de pressão dos pneus (ainda) não se queixou, e mesmo que o estrago não seja muito extenso, n'a pas de garantia para ninguém nestas merdas... fora o tempo que vou ter que perder para arranjar o pneu. e eu a pensar que nem tão cedo voltava ali pros lados do beato lol

tá giro... e ainda nem a meio do mês chegamos 😆

Janeiro

Janeiro 31, 2022

passou a correr, e foi épico!

por um lado quero acreditar foi o universo a equilibrar o karma, que os janeiros dos últimos anos foram um bocado cocós.. mas por outro, tou aqui desconfiada que deve tar para vir uma shitstorm, que eu cá desconfio logo quando a esmola é muita. 

atão, havia uma série de coisas em andamento, e em vez de ficar tudo atravancado como de costume nestas alturas lentas, alguém carregou no botão de turbo. entre outras coisas,

tive uma consulta de genética, que por ser no público, só tava a contar com ela aí para o meio do ano, nunca antes.. muito menos em janeiro. não ia a uma consulta num hospital público havia uma porrada de anos e calhou ser no dona estefânia, isto diz muito a respeito da minha pessoa. entretanto como eu não sou de ficar sentada à espera que cenas importantes aconteçam, já tinha pago uma pipa de massa para mandar analisar (no privado) uma amostra do bicho de um familiar, que foi requisitado pela minha médica de oncologia, quando chegou a convocatória para a consulta no público. tou bastante curiosa para saber o resultado da coisa. pensei que o processo fosse andar empatado durante meses, e que fosse preciso relembrar pessoas e whatnot, mas não.. apanhei malta competente. sorte!

no final do ano passado, o instagram bombardeou-me com publicidade àqueles testes genéticos comerciais, que revelam desde a nossa ancestralidade, à predisposição para doenças genéticas e outras cenas. e eu, que sempre quis fazer aquilo, depois de descobrir que a minha família (até pelo menos à 7ª geração, que é aquela que tenho andado a escarafunchar) está toda circunscrita num raio de praí 20km, ainda mais curiosa fiquei sobre a minha "diversidade" genética lol. entretanto os resultados já chegaram e não tá lá assim nada de especial. sad.

tou-me a preparar psicologicamente para usar aparelho nos dentes, durante um ano ou dois. mas primeiro tenho que tirar dois sisos e espetar uns parafusos na boca… eeeek, mas porque é que eu me meto nestas merdas…? porquêêêêêêêêêêê...? 😭

também tenho andado entretida a despachar tretas que tinha guardadas, e que só estão a ocupar espaço. isto ao fim de quase dois anos fechados em casa, já não resta nada que não tenha sido já revirado ou arrumado, e tem-se descoberto muita coisa que afinal não faz (ou nunca fez) falta. vender cenas na net é um filme, acabei por delegar essa parte ao homem, que aparentemente, tem muito jeito para vendedor. pelo menos consegue lidar com pessoas muito melhor que eu muhahahah 

fui reforçar a minha recepção de 5G, e não voltei a ter quaisquer efeitos secundarios 😐 . cá para mim, andam-me a injectar placebo. é que desta vez, nem homem não escapou, e com uma intensidade tal, que chegou a testar-se para ver se tinha apanhado corona 😆

noutras noticias, descobro que uma das minhas bandas favoritas, que estava morta e enterrada há anos, voltou... em 2019!!! COMO É QUE ISTO ME PASSOU AO LADO, c'ralhes??? é lógico que não tenho ouvido outra coisa nos últimos tempos 😍 que saudades, cacete 🥲

... e o resto fica para outros posts. fui!

Ciao 2021

Dezembro 31, 2021

* yawn *

2021 foi mais do mesmo, parece que se limitou a seguir o legado de 2020. e acabou exactamente com a mesma sensação do ano passado. mas vá, foi um bocadinho menos parvo.

o ano começou com bom tempo e eu decidi introduzir uma rotina nova — acordar cedo, e ir dar uma voltinha pelo quintal, para aproveitar qualquer coisa do dia. só que durou apenas duas semanas, depois a chuva lembrou-se de aparecer, e eu já não tinha grande vontade de sair da cama cedo.

basicamente, passei o ano todo com o cú enfiado em casa. mas ao mesmo tempo, passei o ano todo a arranjar desculpas para mexer o cú e sair de casa. 

comecei por ir repescar um desejo muito, muito antigo, que era arranjar um par de patins em linha. adorava andar de patins em linha quando era miúda, e sempre quis voltar a andar. mas não tardei a aperceber-me de várias coisas:

— andar de patins não é como andar de bicicleta, que diz que nunca se esquece.. foi como se nunca tivesse andado antes;
— a energia e genica que se tem aos 40 é assim um bocadinho mais limitada que aos 15;
— as quedas sentem-se durante mais tempo no corpo;

talvez andar de bicicleta fosse uma actividade sobre rodas mais adequada, e menos perigosa, para a minha condição de quarentona sedentária. 

mas foi a prancha de stand up paddle acabou por ser o equipamento desportivo que nos fez queimar mais calorias, e proporcionou bastante diversão. pena que só durou enquanto o tempo esteve quente.

em outubro decidimos voltar a fazer o trilho dos pescadores. começamos pela etapa mais difícil (IMHO), e eu tinha a certeza que iria ter que chamar uma equipa de socorro para resgatar o meu fat-ass a meio do caminho... mas contra todas as expectativas, fiz aquilo na maior, e nem tava muito moída no dia seguinte. mas de pouco valeu.. chuva trocou-nos as voltas, e ao segundo dia só fizemos 1/3 do que era suposto.

mesmo assim, meti 3kg no lombo este ano... mas nem me vou dar ao trabalho de arranjar desculpas, que o vídeo dos segundos demonstra sem margem para duvidas, de onde veio o peso extra 😑 vou-me ver grega para derreter isto e voltar pró meio dos 50...

em março arranquei o meu primeiro dente do siso, e não quis ficar por aí. decidi que tinha chegado a hora de fazer um revamp completo ao serrote. ver o que dava para fazer com dentes da frente (que nunca gostei deles, e tava com medo ao prazo de validade da ponte), meter implantes nos espaços livres, e endireitar os dentes debaixo que estão a ficar todos encavalitados (zoom face anyone?). mas na clínica onde costumava ir, achei-os demasiado conservadores naquilo que se propunham fazer.. para além de me parecerem com medo de mexer na ponte. é que nem arrisquei. fiz o trabalho e casa e cheguei à conclusão, que se queria a coisa bem feita, tinha que ir bater a outras portas. 

e fui. e o plano que me traçaram na consulta de avaliação era exactamente aquilo e eu queria, e mais qualquer coisa. na primeira consulta de tratamento, a ponte foi logo co’caralho e ganhei um sorriso novo muhahahah nos meses seguintes seguiram-se horas e horas intermináveis deitada na cadeira, de boca aberta, muitas vezes durante 3 ou 4 horas seguidas. acho que me deixei dormir algumas vezes. 

a primeira parte está concluída. não sei quantos dentes re-desvitalizados (nem sabia que tal coisa era possível), uma porrada de coroas (algumas temporárias), espigões metálicos e chumbos todos cos porcos. segue-se a instalação do aparelho, e por fim, provavelmente a parte mais dolorosa, but we'll cross that bridge when we get there. não vamos falar em quanto esta "brincadeira" me está (e ainda vai) a cu$tar, mas só de pensar que agora já consigo passar o fio dentário entre os dentes da frente até fico emocionada.

porque mal saímos de casa este ano, as nossas atenções tiveram muito focadas dentro das 4 paredes. que é como quem diz, andamos o ano todo com melhorias e pequenos arranjos, uns mais agradáveis que os outros, tipo desentupir o esgoto à colherada.. i shit you not!

no quarto metemos finalmente cortinados e a cabeceira da cama, e o quarto ficou muitíssimo mais confortável (é psicológico, eu sei). mas há planos para mais mudanças.
no closet, metemos finalmente um espelho de parede alto, e já não preciso de chamar o elevador para ver se estou em condições de sair de casa em determinadas figuras. também aproveitamos um canto mega desaproveitado, e fizemos um móvel à medida. só falta meter (e pintar) a porta.

tentei coleccionar suculentas. várias vezes ao longo do ano. mas tive que desistir porque me morriam todas em menos de nada. ou não acerto com a água... ou é o clima da casa que é pouco húmido... ou então são as janelas que filtram demasiado a luz solar... até os cactos custam a aguentar. é uma tristeza!

mais coisas,

tou 100% fã de teletrabalho. teletrabalhei a partir de diversas localizações. é definitivamente fixe, espero que seja para continuar por muitos e longos anos. pró ano espero teletrabalhar mais ainda de outros sítios, é só uma questão de deixar de ser tão preguiçosa em marcar cenas. 

por falar em trabalho, este foi sem dúvida alguma o ano mais desafiante da minha carreira, mas ao mesmo tempo, o mais gratificante. e é para continuar a subir a parada.

fui. ao. cinema! 😃 já não ia ao cinema há mais de um ano, que miséria.

a web summit voltou a realizar-se “fisicamente”, e proporcionou uma sensação de regresso à normalidade. não sei se eram as saudades, que já não calçava lá havia dois anos, ou se foi porque meti férias para ir descansadinha da minha vida e aproveitei aquilo realmente bem, mas de todas, esta foi a que mais gostei.

...e consegui andar no meio de 40 mil pessoas durante 3 dias e não apanhar covid. aliás, a pandemia já leva quase dois anos, e eu ainda estou para apanhar o bicho.

aprendi a jogar minesweeper lol

não aconteceu nada ao carro este ano 😱 incrível!! quer dizer... fora eu ter-lhe rebentado com a bateria uma noite destas loll entretanto comprei uma lanterna de cabeça, para não voltar a limpar o carro com as luzes interiores acesas. 

e numa nota menos positiva, a família levou uma razia valente este ano. muitos anos sem ocorrências, agora a serem pagos com juros...

2022 adivinha-se fixe, resta saber se vai correr bem, ou se o universo vai continuar armado em parvo.

bom, já chega de conversa. aqui fica o resumo,

Se eu não fosse assim.. #9

Novembro 25, 2021

como não há forma de conseguir manter plantas vivas nesta casa, tomei uma decisão:

agora, só flores secas!

um destes fins de tarde fui à fleurs à lisbonne, comprar um delicado ramo de flores secas.

o homem foi comigo. ele sente muita empatia pela minha luta inglória em manter plantas vivas em casa ,e a falhar extraordinariamente nessa missão.

chego à loja, dou duas voltas para ver as novidades, e aproximo-me da zona das flores secas, a salivar. por mim trazia um ramo de cada.

comento com o homem que gostava de levar um ramo destas (aponto para as alfazemas), mas estas (aponto para um bouquet variado) têm rosas ali pelo meio, e eu queria mesmo levar rosas.

o homem presta-se ao desempate. aponta para as alfazemas e diz,

“estas estão um bocado secas e — ” 

... e eu irrompo num ataque de riso, que nem o deixei terminar.

claro que estão secas. a ideia era mesmo essa. flores secas. muhahahah. deixou-me sozinha a relinchar no meio da loja, até me passar o vaipe. claramente ignorei o que ele queria dizer, a favor da piada fácil. pobre alma, tem que aturar com as minhas parvoíces. but I regret nothing, foi um momento genial 😂

Nem a dormir dou sossego ao homem

Setembro 17, 2021

desde há uns anos para cá, que tenho sonhos (e pesadelos também) fantásticos, acho que se conseguisse traduzi-los em guiões para filmes, tava a nadar em guito. a porra toda é que passado umas horas já não me lembro de quase nada... 

anyway, para além de bastante criativos nas temáticas e intrincados nos detalhes, alguns são tão realistas que às vezes só sei que estou a sonhar, pelo ridículo das situações em que me encontro. além disso, não só tenho consciência que estou a sonhar, como tenho algum controlo, e muitas vezes consigo acordar ou passar a sonhar com outra merda qualquer. eles não gostam muito quando são descobertos muhahahah

apesar de muitas vezes acordar cansada, e ter a sensação que passei horas a fio a sonhar, adoro este efeito secundário das drogas da ansiedade. já o meu homem não acha tanta piada... é que para além de assustá-lo, porque mandei um berro e ele acorda em sobressalto, às vezes a coisa tende a tornar-se violenta...

como aconteceu há umas noites atrás...

já não me lembro do motivo que me levou àquela situação no sonho, mas a dada altura estamos a ser ameaçados por javalis. então, para não atrair a atenção dos bichos, tínhamos que nos movimentar de mansinho, e não fazer barulho. entretanto, parte do grupo separa-se, e eu fico para trás. nisto, alguém lá à frente grita que vai um javali a correr na minha direcção. e eu vejo o bicho. parecia um touro, grande, furioso, e desgovernado. vinha tão rápido que eu não tinha tempo para fugir... então, o que é que eu decido naquela fracção de segundo? não me mexer, e assim que ele se aproximou, dei um salto e mandei-lhe um valente pontapé na cabeça.

acordei no momento seguinte, com o homem agarrado a uma perna, a queixar-se que lhe tinha dado uma granda patada 😬 depois apercebi-me que também devo ter mandado uma joelhada em mim própria, porque me doia o joelho de uma perna, e a parte de trás do joelho da outra 😐

vá lá que tenho seguro de acidentes pessoais...

Há vinte anos atrás

Setembro 11, 2021

o mundo mudou. em NY as torres caiam, e em LX uma nova etapa na vida de uma jovenzinha começava.

hoje faz 20 anos que me mudei cá "pra cima", de armas e bagagens, sem intenções de regressar ao sítio onde nasci e cresci. lá bem no fundo, sempre senti que era aqui que pertencia, e não lá. foi a decisão mais importante que tomei na minha vida, e também a melhor. não faria nada diferente. 

Follow Up III

Setembro 11, 2021

março já costumava ser um mês agitado porque a sis (e agora o sobrinho também) fazem anos, porque começa a primavera, porque a hora muda, porque gosto de fazer férias nesta altura, e por aí em diante. só que por causa das coisas, desde há uns anos para cá passou a ser ainda mais agitado — é a altura em que faço os exames de rotina anuais, para nos certificarmos que a fruta não criou bicho outra vez, e se a terapia hormonal não faz mais do que é suposto. 

mas este ano consegui elevar a coisa a outro nível. basicamente, tirei o mês de março para sofrer.

em fevereiro, na consulta semestral de higiene oral, levei nas orelhas pela terceira vez consecutiva, porque o siso que eu já devia ter tirado por ter uma cárie muito difícil de alcançar, ainda ali estava, e provavelmente já a afectar o dente do lado. desta vez decidi dar ouvidos à higienista porque desde há um par de meses que andava com sensibilidade naquela zona, e podia ser essa a causa. tão saí do consultório com a extracção do siso marcada.. para março!

se é para sofrer, sofre-se tudo de uma só vez, né?

eis que chega março, e cá estou eu novamente recostada na cadeira de dentista. ainda a médica não tinha começado o processo, já me estava a dar uma novidade. ao observar o RX panorâmico que eu tinha acabado de tirar, apercebeu-se de uma mancha que estava ali no lugar vago de um dente (que já saiu há mais de 20 anos), e que tinha que sair, para se perceber o que era.

oh, que surpresa. tenho uma cena dentro mandíbula 🥱 (srly, nesta altura do campeonato já nada me surpreende)

o siso, esse, coitado... assim que ela lhe cravou o alicate, demorou dois minutos a ser desalojado. e de facto tinha uma cárie um bocado foleira. saí do consultório com menos um dente do que entrei, e uma requisição para fazer um tac à mandíbula.

tanto drama que andei a fazer por causa de ir tirar a merda do siso, não custou nada. bah!

entretanto, aproveitei a desculpa do tac para marcar uma consulta com a minha médica assistente, que é uma querida, e que para além do tac e de um MAPA [monitorização ambulatória da pressão arterial] por causa das queixas que lhe fiz (e do registo das medições que lhe mostrei), sobre a minha pressão arterial andar um bocado abusada, também achou que eu estava há muito tempo sem ter as vísceras inspeccionadas. então mandou-me ir fazer umas ecos e rx. mas isso marquei para o mês seguinte, que neste já tinha areia demais na camioneta. 

como marco os exames de rotina no final ou início do ano, consigo sempre umas datas porreiras. ressonância magnética, mamografia + eco mamária, eco pélvica e análises tudo feito em dois dias seguidos. e tudo dentro da normalidade. por acaso o relatório da RM vinha demasiado denso para o meu gosto, mas parecia estar tudo tranquilo (e só revela o quão minuciosa a médica é). o tac fiz uns dias depois.

deixei o pior para o fim, aquele exame que eu sempre soube que havia de chegar o dia em que teria de o fazer, mas que por acaso não estava a contar com ele tão cedo... uma colonoscopia.

digamos que estava bastante motivada para fazer este exame. no espaço de um ano estávamos com 3 casos de cancro colorrectal na família, e eu até já tinha uma prescrição para fazê-lo desde o primeiro... já diziam os antigos, quem tem cu, tem medo. vai daí, marquei-o também para março, why not?

ao contrário da endoscopia digestiva alta, que sou obrigada a fazê-las sedada porque a minha faringe é por demais sensível, e qualquer coisa que se aproxime remotamente dela desencadeia logo um festival de reflexos de vómito, a endoscopia digestiva onde o sol não brilha era outra história. 

quando marquei este exame fiquei a saber que, por querer fazê-lo consciente, tinha as minhas opções muito limitadas. por alguma razão (que havia de descobrir mais tarde muhahaha) os médicos preferem os pacientes tranquilamente a dormir, enquanto lhes vasculham as entranhas.
bom, desse por onde desse, eu queria MESMO estar acordada durante o exame. não só pela oportunidade única de olhar para dentro do corpo em alta definição, como se tivesse ali alguma cena marada in the making, queria testemunhar em directo o achado e ver o endoscópio em acção. pancadas da minha costela maluca da ciência 🤷‍♀️

descobri também que teria que fazer um teste de covid dois dias antes, ou então não havia colonoscopia para ninguém. epá, já que estamos numa de enfiar cenas, bora lá!

a colonoscopia é um exame muito temido, não só pela sua natureza... delicada, como também pela preparação violenta a que obriga. e eu fiz aquilo que faço sempre quando estou perante um desafio, defini uma estratégia para sobreviver à coisa com menos PTSD possível. iria começar dois dias antes do recomendado, não fosse a coisa correr mal. fui gradualmente deixando de comer alimentos com fibra ao longo de uma semana, para na véspera não ter muito que limpar. tinha os passos todos marcados no calendário.

a pior parte deste processo, é que eu quando tenho fome, sou uma pessoa muito má de aturar…

anyway, o pior ainda estava para vir. 12 horas antes do procedimento, tinha que começar a beber aquela cena intragável que transforma as tripas duma pessoa numa mangueira de alta pressão. as histórias de horror que tenho ouvido sobre estas mistelas 😰

eu estava psicologicamente preparada para aquilo ter um sabor horrível. mas a minha definição de horrível não foi suficiente... aquilo eram vários níveis de horrível. meio litro dum líquido espesso, tão doce, mas tão doce que tava com medo que me desse diabetes. tinha que beber aquilo em meia-hora, e na meia-hora seguinte, tinha que emborcar um litro de água. e depois repetir o procedimento.

se a primeira parte já foi fodida — demorei mais 15mn que o suposto para beber aquela porcaria toda, e lá pro fim tava ver que começava a mandar aquilo fora pela extremidade errada, a segunda parte foi um real suplicio.

o segundo preparado conseguia ser ainda mais horrivelmente doce (como se tal coisa fosse sequer possível!!!), mais espesso, e ainda mais penoso de beber. e não tardou muito a acontecer exactamente aquilo que não era suposto. cada golo que dava, lá vinha o gregório. tentei meter gelo naquilo, não ajudou grande coisa. beber água imediatamente a seguir funcionava um bocadinho melhor. 

em vez de 30mn, estive 3 horas a tentar beber aquilo, e boa parte nem sequer chegava ao destino. 3 horas sentada na sanita a sentir-me miserável, enquanto tentava distrair-me com a miséria alheia, lendo comentários de pessoas a descrever as suas preparações no reddit.

às tantas desisti. já não conseguia beber mais. deixei praí 100ml no shaker, ainda que aquilo já estivesse mais do que diluído na água do gelo, mas eu tinha chegado ao meu limite. a preparação não estava ideal, mas com sorte era o suficiente para não abortarem a missão, e eu ter que passar por aquilo tudo outra vez dali a uns dias.

às 8 da manhã estava finalmente a preparar-me para a acção. o pior já tinha passado, agora vinha a parte fixe da coisa. quando me levaram para a sala do exame, vi 5 copos para amostras alinhados em cima do balcão, e pensei cá para mim, "espero que sejam suficientes". enquanto o enfermeiro e a médica ultimavam os detalhes para iniciar o exame, eu lutava com o monitor cardíaco a ver se conseguia baixar dos 100BPM. coisa complicada naqueles dias.

aaaaand... UP WE GO!!! pensei o procedimento fosse muito mais desconfortável, ok... é um bocado estranho sentir o tubo a remexer lá dentro, mas não doía nada. o único incómodo era quando começava a insuflar, e o corpo em vez de deixar sair o ar, prendia-o, e eu tinha activamente que expulsá-lo... não era nada constrangedor muhhahahah e mesmo assim, eu ainda conseguia tornar a situação pior — cada vez que tinha que executar a manobra, emitia um “aaaaaaahhhhhhhhh” de alivio 🤣🤣🤣

o tubo entrou. o tubo andou às voltas. o tubo saiu... e nem um pedacito de tripa para amostra. nada, nicles.. parecia novinha em folha, tinha um aspecto incrivelmente saudável, rosarinho, resplandecente. por um lado fiquei triste porque sei que a sonda é tipo uma canivete suíço, e eu queria ver aquilo em acção, como vi em vários videos no youtube. por outro, senti muito orgulho de mim e da minha canalização imaculada.

e
apesar de ser bastante invasivo, e de estar acordada durante o processo todo, foi dos exames que mais gostei de fazer. pela tecnologia, pelo profissionalismo e paciência da médica e do enfermeiro. a médica foi impecável, não só ia respondendo às perguntas que eu fazia cada vez que o endoscópio dobrava uma esquina, como ia explicando o exame à medida que ia acontecendo. o enfermeiro assegurava-se que eu estava confortável. tentei não fazer muitas piadas parvas, mas elas acabam por sair assim sem eu ter controle sobre isso 😶, também não senti desconforto nenhum após o exame, nem passei o resto do dia toda grogue.

para ser sincera, a verdadeira tragédia nem foi ter passado uma semana bastante desagradável às contas da colonoscopia... foi ter passado quase uma semana a comer pouquíssimo, e nem a merda de 1kg ter perdido 😡

e pronto. se nos entretantos não acontecer nada que o justifique, é para repetir daqui a 5 anos.

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mIRC.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e (sempre que a preguiça não a impede) gosta praticar exercício físico.

mantém uma pequena bucket list de coisas que gostava de fazer nos entretantos.

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores:
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