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lost in wonderland

lost in wonderland

Se ele não fosse assim... #40

Setembro 18, 2020

isa passou meia-hora a tentar enfiar umas tralhas numa caixa. por mais voltas que desse, não havia forma de caber lá tudo... entretanto o homem aparece.

"não dá!", admito, derrotada.
"dá cá isso!" responde-me, todo presunçoso.
"claro que tinhas de tentar... nunca acreditas em mim...", *suspiro*

5 minutos depois, com tudo arrumadinho na caixa, volta-se para mim com aquele sorriso labrego,

"nunca duvides do meu poder de encaixe..."

anos... anos de dedicação 🤨

Se eu não fosse assim.. #7

Agosto 17, 2020

há uns dias tive que ir comprar um par de havaianas novas, que o cãozito mais novo dos meus pais divertiu-se a roer uma das chinelas, e quando dei pela falta dela já era tarde demais. e já se sabe que verão sem havaianas não é verão.

ia lançada para fisgar umas da mesma cor, lilás, mas depois comecei a olhar para aquela panóplia de cores linda e a ficar assoberbada com tanta possibilidade de escolha... tava complicado até ter reparado numas cinzentas, e agarrei-me logo a elas. o homem continuava a vasculhar o expositor enquanto ia perguntando se tinha a certeza, se não queria esta ou aquela cor. ò amigue, eu por mim levava um par de cada cor, mas não pode ser..

e respondi-lhe num tom bastante determinado que, "não! quero as cinzentas, que é como tudo o resto na minha vida..."

mal o som da minha voz se dissipou no ar, ouvi uma risada abafada mesmo atrás de mim. espreitei por cima do ombro e vi a funcionária que nos estava a acompanhar meio atrapalhada, por não ter conseguido controlar a gargalhada sorrateira.

achei piada à reacção dela, afinal de contas eu disse aquilo no gozo e o homem nem sequer ligou, assim não se desperdiçou a piada. mas depois fiquei a pensar nas ambiguidades da vida. há uma grande probabilidade da rapariga ter interpretado o sentido figurado das minhas palavras, e deve ter ficado a pensar que a minha vida era "cinzenta”..

a cena é que o meu comentário não podia ser mais literal!

então, vejamos... a decoração da minha casa é predominantemente brancos ou cinzentos. o sofá é cinzento, mas todos os móveis são brancos. as cadeiras da secretária são brancas e cinzentas. todos os candeeiros são cinzentos. 90% do meu guarda roupa é branco, preto e cinzento. os lençóis são todos brancos, mas as toalhas são praticamente todas cinzentas (tenho algumas brancas). o wc, o tabuleiro e as taças da comida dos gatos é branco e cinzento, o tapete é cinzento. os computadores são cinzentos. tenho um gato cinzento. as únicas excepções são a loiça e o carro, porque de resto...🤨

4 down, DONE!!!

Julho 14, 2020

foi no dia 3 de janeiro, ainda muita gente andava a curar a ressaca da passagem de ano, que tive a primeira demonstração da bosta que este ano ia ser.

regressávamos do trabalho, quase, quaaase a chegar a casa. trazíamos um colega connosco, a quem damos boleia com muita frequência. também é daquelas almas que fica até às tantas no escritório, e acabamos por sair quase sempre juntos. como ele vem para os nossos lados, é um pequeno desvio que não nos importamos de fazer.

parei numa fila de trânsito, que desde há vários meses se gerava naquela zona, por causa dumas obras de santa engrácia, que nunca mais tinham fim. o homem e o colega conversavam animadamente, eu estava atenta ao fluxo do trânsito, mentalmente a esfregar as mãos por estar prestes a enfiar-me no pijama e passar o resto da noite a vegetar no sofá, quando a sensação mais surreal da minha vida acontece.

não é fácil meter aquele filme por palavras.. num momento estava tudo na maior das descontracções, noutro somos atravessados por uma força esmagadora, acompanhada dum estrondo ensurdecedor. lembro-me de ter sido projectada para a frente, de ser violentamente travada pelo cinto de segurança, e de não conseguir respirar durante vários segundos. os músculos devem-se ter contraído todos ao mesmo tempo, que corpo ficou tão rígido que era doloroso.

desorientada, olho para o homem, que estava em total estado a pânico, a perguntar o que tinha acontecido. estávamos os três completamente atordoados.. ninguém se apercebeu o que tinha acabado de acontecer, até que um de nós teve a clareza de notar que tínhamos tido um acidente.

nisto, apareceu-me uma pessoa ao lado, a bater no vidro. eu, cheia de tonturas, mais para lá do que para cá, baixo o vidro a ver o que ela quer. pergunta se estamos bem, e diz-me que lhe bati.

"bati?" oi.. como é que isso é possível? sempre que paro atrás de alguém na estrada, costumo deixar a uma distância generosa, tipo 2 ou 3 metros.. diz-me ainda que tentou arrancar mas que não foi a tempo. e eu ainda tava presa na primeira parte, "a sério que bati?" jura?

assim à vista desarmada, não tinha ferimentos, mas comecei a sentir uma dor intensa nos gémeos, e se já estava a ver tudo a andar à roda, senti-me a perder as forças, como quem vai desmaiar. o colega diz que é melhor sairmos do carro, não vá haver combustível espalhado e o cenário incendiar-se. saltamos os três para fora do carro como se tivesse transformado em lava naquele momento.

quando saí fora do carro e vi que tinha um camião porta-contentores enfiado na traseira do meu carro, pensei em voz alta "FODA-SE..... como é que estamos vivos, caralho??"

PUTA!

QUE!

PARIU!

se podia ter sido só um "beijinho", chapa amolgada e uns plásticos rachados, que o carro é tão alto que o outro nem aos faróis traseiros lhe chegava, podia.. mas não era a mesmo coisa... até porque pelos vistos, comigo as coisas nunca acontecem por menos. só levamos com algumas 15 toneladas pelas costas 😐

a traseira do carro simplesmente desapareceu. não sei como é que o colega que ia atrás não ficou feito num oito.. aliás, se calhar até sei, não tinha o cinto posto e vinha agarrado aos dois bancos da frente, porque se tivesse preso ao banco de trás, se calhar o resultado tinha sido outro.. mas que o habitáculo aguentou a colisão incrivelmente bem, não restam duvidas.

e de facto a matricula dianteira (a traseira estava dentro das entranhas do camião) estava rachada, por isso sim - bati no carro da frente. sabe lá o senhor que está no céu durante quantos metros fui arrastada com o embate.

[ele há coisas do demo.. por estas alturas, era para estar a publicar um post sobre o primeiro aniversário do meu bólide azul florescente, e o quanto gosto dele.. e em vez disso, tou a relatar o seu falecimento.. ]

o fulano que nos passou a ferro estava completamente - e quando digo completamente, digo COMPLETAMENTE histérico! parecia uma barata tonta, de um lado pro outro, numa estada de 3 faixas, com carros a passar de ambos dos lados, a berrar a sua triste sina aos deuses (porque aparentemente não foi a primeira vez que aquilo lhe aconteceu). amigue, se há aqui alguém que deva estar fodido com o universo, se calhar sou eu, não??

sempre imaginei que, no dia em que isto me acontecesse, ia sair do carro, a espumar-me toda de raiva e a gritar histericamente com a besta que me bateu, a chamar-lhe todos os nomes e mais alguns.. mas não.. estava perfeitamente calma.. zen quase!

ainda não havia seis meses que tinha o carro, mas estava zen. podia ter morrido ou ter ficado gravemente ferida, mas estava zen.. estava mazéra em choque, só podia!

bom, e agora? mékie? chamar a policia, chamar o reboque, assinar participações.. nisto passa por nós, uma das melhores pessoas que tenho na minha vida, que ao reparar no desgraçado do carro que tinha sido enrabado pelo camião, parou ali e ficou comigo até aquela provação acabar, ajudando naquilo que conseguia ❤️

não sei como, mas conseguimos sacar a tralha toda que tínhamos na mala - tipo, a mochila do homem com o portátil lá dentro, mais a minha mochila com os headphones novos, casacos, entre outras cenas, sem um arranhão.

entretanto o homem e o colega seguiram para o hospital ali perto. já eu, passei quase 3 horas ao frio e cheia de dores, a ter que tratar daquela cangalhada toda com a polícia e o reboque. o tipo do reboque, veio confirmar a quilometragem do carro comigo, não queria acreditar que ainda só tinha 7 mil km.. olha, somos dois!

duas faixas fechadas.. um trânsito medonho.. policia.. bombeiros.. reboques.. ca'puta de confusão.. 

no hospital, reparei que tinha um hematoma e uma raspadela na testa. olha que giro, não me lembro de ter batido com a cabeça em lado algum.. e por acaso até nem me estava a doer a cabeça. doía-me a cervical, a lombar, o peito, os gémeos das pernas, e a alma. a cabeça não. fiz TAC e tava tudo normal, assim como os vários RXs que fiz às outras partes. o médico que me atendeu era um porreiro, tantas PPMs (piadas por minuto) caneco!

cheguei a casa, enfiei-me finalmente no pijama e aterrei no sofá. era mais ou menos assim que tinha planeado acabar aquela noite.. excepto que mais cedo, sem o corpo todo dolorido, e com o carro na garagem.. 

tanto eu como o homem ficamos com dores horrorosas nos gémeos (ele custava a andar), que dias depois se transformaram em hematomas gigantes. já o colega não se queixou das pernas.. não percebíamos o motivo disto, até que me meti a ver vídeos de crash tests e descobri: levamos com o ferro de ajuste da posição do banco. ouch!

por três vezes já tive muito perto de bater a bota. quando levei com o taco de basebol na cara, uns centímetros mais a cima e não sei se estava cá hoje... quando estava prestes a me afogar numa praia deserta, se não fosse a minha irmã ter conseguido safar-se e ter-me jogado a mão.. e naquele dia, se o fulano tivesse demorado mais uns segundos a aperceber-se que o trânsito estava parado, e me tivesse batido com mais velocidade. é uma sensação de merda, quando nos apercebemos o quão fácil é ir desta para melhor, não recomendo.

...e a puta da burocracia para resolver um imbróglio destes? ZOMG!!

depois.. covid cenas, tudo aterrado, serviços administrativos estatais (e não só) que em plena pandemia não aceitam documentos nem assinaturas digitais, e foi preciso esperar por cartas, imprimir documentos para assinar, demoras para cá, demoras para lá, só em junho é que dei esta salganhada finalmente por terminada.

a minha seguradora portou-se TÃO MAL, mas TÃO MAL, que jurei nunca mais fazer seguro algum com eles. e adivinhem em qual é que fiz o seguro novo? na do culpado (como era para ter sido logo desde o inicio) lol!

mas nem tudo é mau, vá! carro novo, modelo actualizado de fresco, com umas melhorias bastante simpáticas. embora ainda tivesse que largar uns euros valentes para cobrir a diferença entre a indemnização da seguradora e o valor ligeiramente mais alto do carro. mas nota 20 para o pessoal da toyota, foram impecáveis, esperei menos de duas semanas pelo carro e consegui negociar as mesmas condições de crédito que tinha.

cabrão do universo, que não me deixou chegar aos 20 anos de encartada sem um acidente no cadastro 😡

Resuming

Julho 11, 2020

bom.. deixa lá limpar o pó aos cantos do tasco, que isto assim ao abandono nem parece coisa minha * cof cof * ainda por cima com tantos limões para fazer sumo.. mas a modos que fui atingida por uma combinação de falta de tempo e pouca vontade para escrever.

neste momento era para estar em espanha, de molho numa qualquer praia da costa brava, a carregar a bateria, porque três dias de mad cool já fazem mossa em pessoas idosas como nós... mas por causa do coronapocalypse estou em casa, e ainda não bati com os costados num areal este ano.

não é que ainda esteja confinada, porque no mês de junho fui mais vezes aos algarves que no ano passado inteiro. foi uma sorte não ter apanhado corona, não só porque andei enfiada em hospitais, como o resultado daquela famosa festa em lagos podia ter sido muito pior do que foi.

tenho andado ocupada com assuntos que jamais me passaria pela cabeça ter que os resolver, mas o universo tem um sentido de humor tão diabólico, que uma pessoa às tantas já nem liga.

entretanto,

o último dos assuntos cabeludos ficou finalmente resolvido, YAY! esta brochada foi uma das razões pelas quais ainda não desunhei o relato da última viagem de 2019, que aconteceu no início de dezembro, e foi épica... de certeza que já me esqueci de muita coisa, bah!

o home office aconteceu, e tá muito fixe. tão fixe que quando estamos em casa, estamos quase sempre agarrados aos computadores. à parte disso, continuamos a dar-lhe forte e feio nas limpezas e bricolagem, cá em casa e não só. o homem até já fez portas para os móveis de uma cozinha. not bad!

as gatas tão completamente pegajosas, em vez de estarem fartas dos humanos sempre metidos em casa a fazer barulho e arruinar-lhes as rotinas, parece que agora já não conseguem estar umas horas sem nós. a pirralha tá a fazer um ano connosco, e nem por isso tenho falado na delicia que este bicho é apesar de às vezes me dar cabo do juizo 😻 

finalmente os centros comerciais abriram, e os pombos já não andam tanto por aqui. chegaram a ser seis.. SEIS!!! pombos.. fizeram uma bela duma javarice na pala do prédio, e por azar não tem chovido para lavar aquela merda toda. ainda dão o ar de sua graça, mas há várias semanas que não vejo mais de dois ou três.

Corona Shots #23

Maio 29, 2020

77 dias de confinamento. ou 11 semanas. ou 2 meses e 16 dias… e continua!

nunca passei tanto tempo fechada em casa, nem sequer quando era criancinha. os gatos já não se devem lembrar como era a vida antes de terem os humanos por perto 24 horas por dia (ou quase).

apesar das porcarias que voltaram a ter permissão para entrar cá em casa (primeiro os donuts, depois as bolachas, os waffles e os muffins, e por fim as tortas da dan cake), e da total ausência de exercício físico (fora as compras, os passeios higiénicos, e as horas passadas nas limpezas, vá), o peso está razoavelmente controlado. está em valores de dezembro passado, o que significa que estão cá dois kg a mais.

não há parte nenhuma da casa que não tivesse sido revirada, algumas partes mais do que uma vez. parte da mobília foi rearranjada para posições jamais consideradas (tipo, a mesa da sala ao contrário e o sofá colado à janela 😱), e pelos vistos nem tão cedo voltam aos lugares originais, if ever. até porque o home office vai mesmo acontecer, está encomendado. realmente, a casa é para viver, não para tentar "parecer bem" lol

já vamos em 5 pombos.. e agora não tem chovido 💩

tou a morrer por uma escapadinha ao alentejo. ai jazus, se estou… se bem que com este calor, não é uma ideia lá muito inteligente...

o "novo normal" já se está a tornar normal. apesar de ao início me fazer uma certa confusão ver as pessoas todas a usar máscara, já é uma coisa que faz parte da rotina e já nem ligo a isso. as pessoas já saíram quase todas da toca, e o trânsito já voltou praticamente à confusão do costume. faz-me ter saudades de abril. entretanto, já voltamos a frequentar restaurantes e pastelarias. 

o sanytol já voltou às prateleiras dos supermercados. assim como o álcool. temo que até a pandemia terminar, as minhas mãos vão apanhar uma cirrose com tanto esfregar gel hidroalcoólico.

2020 achou que conseguia ser mais engrassade que 2018, aka o annus horribilis, e está a ser muito bem sucedido. curiosamente, parece-me que está muita gente a queixar-se do mesmo, e não tem nada a ver com o coronapocalypse.

bingo

3 DOWN, 1 to go!!!

Maio 19, 2020

quase, QUASE a dar a odisseia dos assuntos cabeludos por terminada. já lhe consigo ver o fim, FFFUUUUUU!

para estabelecer o compasso temporal deste episódio, importa referir que aconteceu num fim-de-semana em meados de novembro passado - já lá vão seis meses...

a nossa vida é uma balbúrdia tão grande, que às tantas cai no ridículo.. a sério!

tão gastamos o sábado todo a tratar de merdas, a ver se tínhamos o domingo completamente livre, que eu tinha posts para escrever e mails pa responder, e queria estar nas calmas.

isa: "ahh, tão fixe, temos o domingo todo livre"
universo: "hold my beer!"

por volta das seis da tarde, íamos a sair de casa, quando o homem assim que fecha a porta, diz

"...UPS!!!!"

a chave tinha ficado na fechadura... do lado de dentro...

ok.. don't panic!! não faltam chaves sobresselentes cá fora. vou ao carro buscar a minha. pode ser que a chave esteja direita na fechadura, e consigamos abrir a porta.

quando vivíamos em almada isto era o prato do dia, não faltam episódios de termos ficado fechados do lado de fora, e ter que pedir ao vizinho para deixar saltar a varanda. em lisboa nunca tinha acontecido, porque o canhão tinha - aprendemos nós às custas deste infeliz episódio - uma protecção, para evitar que acontecessem estas situações. só que uns meses antes, o homem trocou o canhão por outro mais xpto, com chaves anti-cópia e whatnot.. e quando lhe venderam o canhão novo, aparentemente esqueceram-se de mencionar esse pequeno "detalhe", e que existia outra versão do mesmo com a tal protecção.

porque já tínhamos testado, sabíamos perfeitamente que com a chave do lado de dentro, só conseguimos abrir a fechadura se a chave estivesse direita. um bocadinho de esguelha e já foste!!

foi o caso..

o homem deu uns safanões valentes na porta, com a chave metida, a ver se a chave do outro lado se mexia e nada.. andei a dar-lhe cabo da cabeça para arranjarmos uma fechadura biométrica toda croma, mas ele não quis saber de modernices de segurança duvidosa muhahahah agora se calhar tinha dado jeito, não? 😬

plano B

ok, vamos tentar abrir a porta recorrendo a certos e determinados truques, que envolvem cartões e cenas. pelo menos nos filmes costuma funcionar em segundos. meia-hora depois, todo suado e com os dedos descascados devido à violência infligida na porta, o homem dá-se por vencido e desiste.

plano C

telefonar ao piquete da empresa onde compramos o canhão. que nem demorou muito a aparecer, mas mal entrou no prédio, começou logo a ver a vida a andar para trás... a dele e a nossa!

"pois, se for igual a uma situação que já tivemos aqui, vai-lhe sair caro" (as in porta nova caro)... FFFFFFOOOOOODASSSSSSE!!!!

ele bem tentou, e nada. tal não é a espécie, que mesmo só no trinco, NÃO! ABRE! só escavacando porta... o piquete foi-se embora sem ter conseguido fazer o serviço, e sem cobrar nada. menos mal.

plano D

partir o vidro mais pequeno de uma das janelas. mas.. não podia ser o homem a fazer isso, não fosse alguém topar a cena e chamar a polícia, e o homem ir parar à esquadra. não era assim que eu planeava acabar aquele fim-de-semana.

siga falar com os bombeiros. os bombeiros estavam confiantes que iam conseguir abrir a porta sem problemas nenhuns... já nós, não estávamos tão confiantes.. mas vá, siga que tá-se a fazer tarde.

os bombeiros não tardaram muito a chegar. o problema foi terem que esperar pela PSP, para testemunhar a abertura da porta. ainda tentaram pedir autorização para avançar, mas sem policia no local, nada feito.

nesta altura o nosso vizinho do lado já estava em casa, e confirmava o pior dos nossos receios, ia ser praticamente impossível enganar aquela fechadura..

uma hora depois, eis que a PSP aparece. a acção podia finalmente começar!

dois bombeiros latagões a violentar a nossa pobre porta... eu e o homem tivemos que ficar de costas voltadas, porque não podíamos aprender os métodos usados pelos bombeiros.. que suponho não serem muito diferentes daqueles que o piquete das chaves nos tinha demonstrado horas antes 🤷‍♀️

como eles já sabiam que não queríamos a porta arrombada, não tardamos muito a ouvir "olhe, vamos seguir com o plano b" i.e entrar por uma janela...

😭😭😭 um minuto de silêncio pela minha janela. cabrão do mercúrio retrogrado!

eu, que estava no interior do prédio, até me doía a alma com as porradas que os bombeiros tavam a dar no vidro, e aquela merda não havia maneira de partir. ecoava pela rua e sentia-se no prédio todo. pelos vistos, até os vidros são filhasdaputa..

10 minutos depois, entrei finalmente em casa. parecia um cenário de guerra..also, a primeira coisa que os bombeiros mal viram ao entrar, foi o estendal com a nossa roupa interior toda estendida.. oh gawd... 😖

e agora limpar esta merda toda... chão da cozinha estava coberto de vidros. não sei como é que as gatas não se cortaram.. deu uma trabalheira danada limpar aquele estrago todo. 

casa finalmente limpa, e janela isolada para não entrar frio nem vidros, nem as gatas irem para lá meter o bedelho. era quase meia noite.. PQP, lá se foi o meu domingo sem fazer a ponta dum corno 😫

agora vem a parte em que eu me vejo obrigada a concordar com os comentadores de bancada — ninguém gosta de trabalhar neste pais! é a única explicação para o tempo que demoramos até a janela voltar a ficar funcional.

ao fim de uma semana, e com vários contactos feitos para orçamentar a substituição do vidro, e nada.. radio silence. tornamos a contactar. uns afinal não faziam aquele tipo de serviços, outros não trabalhavam com aquele tipo de vidro, outros ficaram de enviar orçamentos que nunca chegaram.

passa-se uma.. duas semanas... sem novidades. dezembro é aquele mês que fica a meio gás e ninguém dá resposta. janeiro.. bom, janeiro foi para esquecer.. em fevereiro o homem retoma os contactos, e dispara mails para todas as vidreiras do país que trabalham com aquele tipo de vidro. teve UMA resposta. é que nem nos armamos em esquisitos. só que até mandarem alguém cá a casa, tirar as medidas ainda demorou umas semanas. depois mais umas semanas para mandarem o orçamento. sinalizamos o serviço, com previsão para dali um mês. entretanto, mete-se o coronapocalypse... OPÁ!! 

hoje, vieram finalmente instalar o vidro. já posso abrir a janela outra vez, YAY!

ao menos esta salganhada toda serviu para me deixar mais descansada da vida. mais rápido chega cá a policia do que conseguem meter o nariz dentro de casa. é preciso fazer a puta dum estradalhaço...

por fim, coisas que eu gostava de ter sabido - e podia ter sabido, se lesse com atenção as merdas que assino,

temos dois seguros que prestam assistência ao lar, e que têm especificamente um serviço de abertura de portas. em tendo isto na apólice, a primeira coisa de deviamos ter feito, era telefonar para a assistência, para ser o seguro a abrir a porta e/ou acartar com as despesas que resultassem disso.

como só nos lembramos do seguro depois do estrago feito, quando tentamos activar a apólice para cobrir os danos, eles responderam que nada feito, porque é considerado uma quebra voluntária. esquece lá que tenho provas da polícia e dos bombeiros como não foi, eles não querem saber. puxa da carteira e não bufes!

bom.. e com isto, acabaram-se-me as desculpas para não lavar os vidros 😔

Follow Up II

Maio 18, 2020

passaram-se dois anos desde que recebi aquele diagnóstico cretino. aproveitando a efeméride, aqui fica o relato do segundo follow up, que aconteceu entre fevereiro e março.

um ano e seis meses pós-radioterapia,

este ano tinha no menu vários exames: ressonância magnética, mamografia, eco mamária, eco pélvica. marquei-os com bastante antecedência, consegui fazê-los todos no mesmo dia, embora a horas diferentes. foi um vai-e-vem ao hospital o dia todo. isto, a vinte e poucos de fevereiro, já o corona era assunto do dia.

para além desses, também cravei uma osteodensitometria, para saber se o tamoxifeno está a ter algum impacto nos ossos, que eu leio coisas, e depois boa sorte aos médicos em me demover de fazer exames lol

depois tinha um painel de análises bastante compostinho, com marcadores tumorais e tudo. estava a tentar deixar as análises para próximo possível da consulta, mas entretanto o coronapocalypse começou a manifestar-se e fui a correr fazer as análises, antes que me lixasse. mesmo assim, já foi bastante arriscado, porque estava montes de gente para recolha naquela manhã, muitas pessoas já a usar máscara. por causa disso, no dia seguinte iniciei o isolamento profilático voluntário.

senologia. ainda não tinha consulta marcada, mas a caminho de outra consulta não relacionada com o assunto, cruzei-me com a médica e falei-lhe nisso. por sorte ela tinha a agenda livre para aquela manhã, e consegui fazer logo a consulta. se não fosse isso, provavelmente hoje ainda não tinha tido esta consulta.

exames impecáveis. mama com muito bom aspecto, apesar de ainda (!!!) estar ligeiramente inchada (por mim pode ficar assim para sempre lol), e até daqui a um ano!

oncologia. gosto muito desta consulta e de falar com a médica, levo sempre montes de dúvidas para esclarecer.. se bem que o sacana do coronavírus monopolizou a conversa quase toda..

o tamoxifeno já deixou de ser assunto, porque já tou tão habituada a conviver com os efeitos secundários, que já passou a ser o novo normal.

os exames e análises não levantam preocupações nenhumas. até daqui a seis meses!

btw, ainda tenho a pele da zona irradiada ligeiramente escura. se ao menos o bronzeado do sol durasse tanto tempo...

vá lá que nem tudo em 2020 são más noticias!

Se ele não fosse assim... #39

Maio 14, 2020

tive que fazer uma devolução nas instalações de uma transportadora, ali prós lados do aeroporto.

..."tive" que é como quem diz, conduzi até lá! depois fiquei no carro à espera, enquanto o homem foi largar o pacote.

não tardei a começar a receber mensagens dele pelo whatsapp, muito provavelmente a stressar com qualquer coisa (como de costume).

como tinha o carro ligado, e o telemóvel ligado ao carro (para o android auto funcionar), recebi as mensagens no ecrã do carro e clickei no "play" para ouvir.

a primeira mensagem vinha escrita em português, e foi lida pela senhora brasileira do google,

"estes gajos estão-se a cagar para usar máscara"

ao ouvir a mensagem, em alto e bom som, a minha primeira reacção foi, “fooooda-se, o som tá buéda alto, deve ouvir-se lá fora!!!”

a segunda foi deitar os dedos ao botão de volume. só que não aconteceu aquilo que estava à espera... aparentemente não se consegue baixar o volume do assistente do google, eeeeeek!!!

mas mudei imediatamente de sintonia quando me apercebi que a segunda mensagem, "WTF" foi falada em inglês… OI? 

o assistente usa línguas diferentes consoante a língua em que vem escrita a mensagem?? 🤯 vamos já testar isto!! comuniquei ao homem a minha descoberta, e pedi-lhe para mandar mais duas mensagens, uma em português e outra em inglês.

calha que o conteúdo da primeira mensagem que ouvi dois minutos depois, não é apropriado para transcrever aqui (e o nível deste blog não costuma ser muito alto muhahahaha), mas eu ri-me que nem uma javarda, enquanto rezava para que ninguém estivesse a passar perto do carro naquele momento 🤣

a segunda dizia "you’re welcome" e atestava a minha descoberta :D

entretanto vem mais uma, e outra, e outra. eu só me ria, e nesta altura já estavam dois gajos num muro perto do carro. eu podia ler no telemóvel, mas continuava a ouvir pelas colunas do carro.

às tantas ele manda uma mensagem em espanhol, a ver se também pegava. E SIM, foi narrada em espanhol! LOL graças à la casa de papel ficamos bastante versados em obscenidades em espanhol, esta mensagem foi um prato. aliás, cada uma que chegava era melhor que a anterior.

por fim veio uma em japonês, narrada em japonês. tá brutal, sim senhora.

depois o homem lá conseguiu despachar a encomenda, e a diversão acabou. contou-me que me estava a ver a rir pela janela, e por isso não parava de mandar mensagens para mim ouvir, às quais eu respondia em texto. que sacanão!

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mIRC.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e (sempre que a preguiça não a impede) gosta praticar exercício físico.

mantém uma pequena bucket list de coisas que gostava de fazer nos entretantos.

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores:
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