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lost in wonderland

lost in wonderland

Coisas e cenas

Setembro 04, 2015

como vocês não sabem, que eu não vos disse, na semana passada andei novamente por terras algarvias (há vidas boas) e vi uma coisa que me fez ter fé na humanidade. a humanidade continua a dar provas que tem uma imaginação que desafia todos os limites e enquanto assim for, a continuação da espécie está assegurada. imaginação para o negócio, entenda-se.

vi adultos a pagarem para se enfiar numa piscina de lama, no meio de um sapal, sob o pretexto que aquela água barrenta é benéfica para a saúde devido à elevada concentração de minerais (atenção que eu não duvido dos benefícios anunciados, mais que não seja por ignorância na matéria). gabo-lhes a coragem. quem não metia um pé lá dentro era eu*, mesmo que me garantissem que saía de lá com uma aparência 10 anos mais nova lol

pretty sure é que o gin que alguns estavam a bebericar é capaz de anular o efeito desintoxicante da coisa, mas pronto.

* mas eu sou aquela pessoa que é incapaz de entrar em águas que não deixem ver onde se pisa, tipo barragens e lagos

 

Episódios da vida no campismo III

Setembro 03, 2015

duas semanas de campismo em quatro parques diferentes é coisa para render histórias até aos dias do fim. devia anotá-las, especialmente os detalhes, mas férias são férias. aqui ficam as mais engrassadas, ou pelo menos as que ainda me lembro (e que não chocam muito as pessoas lol)

numa solarenga manhã na esplanada da piscina, testemunhei o verdadeiro pequeno-almoço de campeões: um tipo a empurrar uma napolitana de chocolate, ora com uns golos de coca-cola, ora de café, temperando a refeição com umas baforadas de nicotina. a noite deve ter sido agitada para precisar de tanto power logo pela manhã :D

música ao vivo durante o banho, que luxo.. ou então não : / uma miúda cantava em altos berros com aquela vozinha estridente que faz ranger os ossos, e não. se. calou. um. minuto! não sei como é que a mãe conseguia aguentar aquilo, que tortura.. also, não foi a única vez que apanhei putos a cantar.. o que é que se passa com os putos agora que deram em andar sempre a cantar?

o sossego da última mijinha da noite foi interrompido pela camonada do surf, que tomou os balneários de assalto e em grande algazarra. comecei a trocar SMS's com o homem, a mandar vir com o cagaçal produzido pelas bifas mais as conversas de chacha que prali iam. parece que no lado dele a coisa estava mais interessante, ou deveria dizer, quente: havia pinocada no duche, com claque a torcer e tudo. só faltou aplauso quando a actuação terminou.

regressávamos à tenda depois do passeio nocturno, já na hora de silencio (meia-noite), quando reparamos que a malta do acampamento ao lado estava *novamente* a acender o fogareiro. estas pessoas simplesmente não paravam de comer!! aquilo parecia a grande farra. comiam, comiam, comiam.. mal os seguranças meteram os olhos naquilo foram logo mandar apagar o fogo. são horas de dormir, não de fazer churrasco!

num dos parques havia sanitas ao ar livre (? yah..). como argumento para me convencer a pernoitar lá, o homem garantiu-me que arriava o calhau numa, à vista de todàgente, e que eu podia gozar com ele à vontade. não cumpriu, humpf.. (mas com razão, vá.. acontece que aquelas pias serviam para despejar os depósitos das caravanas lol)

se em s. miguel ficámos desconfiados que havia uma máquina de mandar calar a malta (ouvia-se um "shhhhh" a cada 15mn), em tavira a hora de silêncio era anunciada por altifalante:

"sôres campistas, são vinte e três horas, vai dar inicio à hora do silêncio. obrigado"

haviam lá uns moços muito espertos, que pela calada da noite passavam uma extensão até às tomadas dos balneários, e ao raiar do dia iam recolhe-la. não é mal pensado, não senhora..

mas o que é mesmo bonito de se ver nos campings é aquela malta que carrega *tudo*, até a iluminação vintage da sala. não consegui fotografar aquele candeeiro cheio de braços e ornamentos, com muita pena minha..

na primeira manhã que acordamos em s. miguel, tínhamos um carreiro de formigas a passar alegremente pela tenda. se calhar já remendávamos os buracos, não? fomos comprar gafa e tratamos do assunto. mas no dia seguinte, as gajas tinham voltado, não se percebia bem por onde. mas nada a fazer, que eu recuso-me a fazer linhas de pó branco à volta da tenda. além disso sou eu que estou lá a mais, não as formigas.

o problema resolveu-se por sí só, com a chegada dos campistas de fim-de-semana. um acampamento espalhafatoso assentou ao nosso lado, e trouxeram comida. muita. as formigas adoraram!
era acordar a ouvi-los a barafustar, que nem no carro a comida estava a salvo da gula das formigas muhahahah faziam barulho mas livram-nos da praga, é caso para dizer, há males que vêm por bem :D

tenho uma relação um bocado complicada com crianças e desconfio que elas topam qualquer coisa de estranho.. põem-se embasbacadas a olhar para mim duma forma tão creepy que me apetece ir a correr buscar um exorcista (só não sei bem se para mim ou para elas).

das várias situações menos confortáveis que os pequenos humanos me proporcionaram nestas férias, esta leva o prémio: a caminho do balneário, passei por um puto a rezingar em francês com os irmãos ou que eram, por não o deixarem brincar com eles. viu-me e calou-se instantaneamente.
pouco depois apareceu à porta do balneário, a uns passos de mim, que estava abancada no lavatório junto à entrada a escovar os dentes. e ali ficou, a fitar-me como se fosse uma atracção num zoo (parecia assustado e tudo). este puto era uma fotografia. os bracitos apertavam junto ao peito um ursinho peluche desbotado, tinha as faces húmidas da choraminguice e ranho ressequido no nariz.. e estava com soluços.

por momentos considerei pregar-lhe um susto a ver se aquilo lhe passava, mas depois achei que era capaz de ser má ideia.. imaginei-o a desatar num berreiro desgraçado e ir fazer queixinhas aos progenitores, e que estes não ficassem contentes com a minha (boa) acção, e eu não falo a língua para explicar que era só para livrar o amoroso petiz dos soluços. além disso, suspeito que assustar uma criança não é coisa muito adulta de se fazer. suspeito também que talvez eu ainda não seja totalmente adulta. mas isso é outra história :D

e para terminar, achievement unlocked: atingi finalmente o nível máximo de descontracção no campismo, andar pelo parque em t-shirt e cuecas. é tão. libertador (também andei em bikini, mas aquilo ali é praia anyway)!

Cenas

Setembro 02, 2015

às vezes pergunto-me como vão os putos reagir no futuro, ao facto dos pais terem partilhado publicamente fotos suas desde que nasceram. eu não ia achar piada nenhuma e não falo sem conhecimento de causa. os meu pais têm filmagens minhas em miúda e para além de não gostar de vê-las, não me sinto particularmente confortável com a ideia de que outras pessoas as vejam. sendo a primogénita fui bastante fotografada em bebé (tal e qual como é hoje, embora em muito menos quantidade que os tempos eram outros e a coisa saia cara) e podem crer que dou graças por não existir internet naquela altura (por muito castiço que seja um pai em sunga com a sua filha ao colo no meio da horta lol)!

mas depois vejo sessões fotográficas, com os putos, OS PUTOS!! todos excitados a dizerem aos pais, "vais partilhar? faz assim e assado e não te esqueças da hashtag #fotografiaperfeita"...

um puto que provavelmente ainda não sabe ler, já sabe o que é uma hashtag. chego à conclusão que não vale a pena gastar energia com o assunto: eles crescem com aquilo nas vidas deles, estão habituados e pelos vistos até gostam da ideia. hoje são os pais, amanhã são eles a encher a net com selfies, porque é que raio haveriam de ficar melindrados no futuro?

Pág. 2/2

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mIRC.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e (sempre que a preguiça não a impede) gosta praticar exercício físico.

mantém uma pequena bucket list de coisas que gostava de fazer nos entretantos.

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores:
#12   #11   #10   #9   #8   #6   #5   #4

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