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lost in wonderland

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Getting things done

Maio 24, 2019

a semana que se seguiu ao diagnóstico passou à velocidade a luz, entre dentistas e hospital.

no sábado fui ao dentista fazer uma limpeza, e na segunda fui extrair o dente manhoso (lol foi preciso um cancro para ir a correr tirar o dente.. só eu 😑), e na terça tive uma consulta off the record de ginecologia, para a médica ficar (e deixar-me) a par das coisas, que os exames de rotina tinham sido prescritos por ela.

como ainda estava por descobrir se a minha ponte interferia ou não com a ressonância magnética, na quarta fui tirar as teimas. mais uma vez, foi a incansável s. que safou o assunto. como os técnicos da RM também não tinham a certeza, mandaram-me ir lá para fazer um "teste". basicamente, enfiar a cabeça dentro da máquina em funcionamento, a ver se sentia alguma coisa de anormal. o lanyard da técnica servia de controle, que ao aproximar-se da máquina, era sugado lá para dentro. quanto à minha dentadura, não tugiu nem mugiu. carta verde para a RM!

na quinta tive a consulta de anestesiologia, e foi com essa médica que tive a conversa mais produtiva das últimas três semanas, super informal e descontraída, e que finalmente me deixou sossegada da minha vidinha. falamos de tudo menos de anestesia. assegurava-me a cada 2 minutos que estava muito bem entregue, eu às tantas devo ter interiorizado isso, que saí do hospital a sentir-me com menos duas toneladas de peso em cima.

quando cheguei a casa e contei isto ao homem, responde-me, muito presunçoso, "basicamente, aquilo que te ando a dizer há uma semana".. it's funny cause it's true 😅 

e finalmente na sexta, às 7.40 estavam-me e enfiar na monstruosa máquina, deitada de barriga para baixo, num ninho muito confortável e quentinho. tava a morrer de sono porque não tinha pregado olho e tinha um "xanny" no bucho (prescrito pelo psiquiatra, hem!!), quase que me deixei dormir durante o exame, com aqueles batuques ritmados da máquina. meia hora depois, estava feito. não foi tão chato como estava à espera.

agora, uma semana para saber o resultado da ressonância.

Isa vai ao ginásio: a favorita

Maio 23, 2019

tenho uma nova máquina favorita,

behold!!

recliner gym bike

a bicicleta estática reclinada!! 

ou como é carinhosamente apelidada por nós, a bicicleta dos velhos 😅

é TÃO fixe!! como ando bué preguiçosa no ginásio, e não me apetece passar mais do que 15 minutos na elíptica, e não me apetece a ir prá passadeira correr, e a bicicleta estática normal tem uma posição mais activa, logo menos prática para outras actividades. naquela posso estar comodamente sentadinha, com o telemóvel a frente da tromba, phones nos ouvidos, e ou leio, ou vejo séries no netflix, ou escrevo posts, ou tou no trollanço via whatsapp. é perfeita!! 

parece que não me mexo grande coisa, mas saio sempre de lá toda suada 💪

btw, dois anos bastante aldrabados de ginásio, fuck yeah!!!

Os culpados

Maio 22, 2019

torna-se numa obsessão encontrar os culpados, especialmente quando os nossos factores de risco são mínimos,

mas.. mas.. mas.. sou "jovem" (cof cof), tenho sido sempre saudável, é raro ficar doente (a não ser da cabeça muahhaha), tenho o peso, massa gorda e imc normais, não fumo, não bebo álcool, faço uma alimentação variada e que considero saudável, pratico exercício físico, sem ser do sol e dos monitores dos pcs, nunca levei com radiação no peito, e tenho 0 casos de cancro (seja ele qual for) na família directa... ok, tomei a pílula uma porrada de anos, e não tive filhos ou amamentei.. mas é SÓ ISSO!!!

uma pessoa fica furiosa com o próprio corpo, claro que fica! seu grandessíssimo camelo, trato tão bem de ti.. as batatas fritas, os donuts e os palmiers que sacrifiquei.. as horas que perco a malhar no ginásio quando podia estar muito bem esticada ao comprido no sofá a ver séries.. e é isto que recebo em troca??

A triste realidade é que,

“60-70% of people with breast cancer have no connection to these risk factors at all, and other people with risk factors will never develop cancer.”

in Risk Factors - National Breast Cancer Foundation

seriam os produtos de higiene pessoal? os ingredientes impronunciáveis dos shampoos, dos cremes, dos anti-transpirantes? seria de anos e anos a beber água engarrafada em garrafas de plástico? seria cozinhar a comida em panelas anti-aderentes? seria da pílula (que pelos vistos era das piorzinhas)? seria do cheiro plásticos do material de campismo, ou do carro ao sol? seria do wi-fi? das torres dos telemóveis? seria de usar soutien com armação?

seria....? seriam...? seria...?

a mente não pára, e é um exercício francamente inútil porque ninguém sabe ao certo porque é que aquilo aparece... temos a qualquer momento, gaziliões de células no corpo a dividirem-se de forma ordenada e controlada. só que por vezes, podem ocorrer alterações no código genético da célula durante a sua divisão, e a célula resultante ficar "avariada". ainda tem que dar muitas voltas (tipo aprender a camuflar-se das defesas do corpo), para conseguir instalar-se confortavelmente a fazer a sua vidinha, e criar uma situação potencialmente complicada.. ou então não, e até pode nunca vir a dar chatices. se existe uma situação onde ter "sorte" ou "azar" se aplica, é nesta..

também já me disseram que, julga-se existir uma relação entre o cancro da mama e um período de stress emocional muito intenso, como a morte de alguém que nos é muito próximo, um divórcio, um despedimento, uma daquelas situações que nos deitam abaixo...

eu não acredito em bruxas, mas de facto, desde o início do ano que o universo não me dava descanso. foi o carro, foi o gato adoeceu, foi o falecimento inesperado de um familiar, fui eu que aterrei, foi o homem que aterrou... andava à 5 meses em permanente estado de stress e ansiedade, com picos bem tramados... claro que pensando bem, se assim fosse, todàgente à face da terra andava à batatada com o cancro [e os estudos que têm sido feitos ainda não conseguiram provar a ligação].

[por enquanto] não se sabe. não vale a pena gastar energia atrás de suspeitos onde enfiar as culpas. essa energia é preciosa para os meses de tratamentos que se seguem.



e porque não quero causar pânico com os meus receios infundados,  

ingredientes dos produtos de higiene e beleza
embora a sua associação ao cancro ainda não seja clara, alguns químicos utilizados neste tipo de produtos causam desregulação endócrina, que pode interferir com o nosso sistema hormonal.  
a industria está bastante regulada no que respeita à utilização destes químicos, para que as marcas não ultrapassem as quantidades determinadas seguras. mas mesmo em pequenas doses, o uso continuado dessas substancias causa alguma preocupação. aprofundar o tema aqui e aqui (inglês)

o EWG’s skin deep e o INCIdecoder são duas bases de dados onde podemos consultar os ingredientes que compõem os produtos de higiene e beleza que usamos.

anti-transpirantes que contenham alumínio
os estudos que têm vindo a ser feitos sobre este tema não conseguem demonstrar a relação entre o uso destes produtos e o risco aumentado de cancro da mama. aprofundar o tema aqui (inglês) 

água engarrafada em garrafas de plástico
existem estudos demonstram que os químicos presentes nos recipientes de plástico podem passar para o seu conteúdo, mas são em quantidades muito pequenas, e geralmente consideradas seguras. apesar da controvérsia, ainda não existe evidencia clara que utilizar recipientes em plástico cause cancro. até porque os BPAs estão por toda à parte e é muito difícil evitarmos contacto com a substancia. aprofundar o tema aqui (inglês)

contraceptivos hormonais
aqui a porca torce o rabo..está provado que a utilização da pílula combinada aumenta o risco das mulheres desenvolverem cancro da mama e cervical. aprofundar o tema aqui e aqui (inglês)

cozinhar em panelas anti-aderentes
apesar de se considerar que a exposição às substancias anti-aderentes não é muito significativa, ainda se está a tentar perceber o seu impacto na saúde humana. aprofundar o tema aqui (inglês)

cheiro forte a plástico ( carro ao sol, material de campismo)
pois.. parece que andar a sinfar o benzeno não é uma coisa lá muito aconselhável. aprofundar o tema aqui e aqui (inglês) 

rede celular e wi-fi
têm-se feito muitos estudos científicos, mas até à data não existem provas em concreto. aprofundar o tema aqui , aqui, e aqui (inglês)

usar soutien com armação
não existe evidencia cientifica que o prove. ler mais (inglês)

resumindo, when in doubt, throw it out!

Let's get this party started

Maio 20, 2019

[ continuação desta manhã ]

assim que a s. (gestora oncológica) leu o relatório da biópsia, pegou no telefone e fez uma chamada que desencadeou um processo tão rápido que ainda hoje não parou de me surpreender. e o meu caso nem parecia ser nada por aí além. imagino que se fosse grave, teria levado um terço do tempo que levou. é impressionante ver uma equipa tão bem orquestrada, e tão empenhada em nos tratar da saúde.

dez minutos depois estava sentada diante uma médica especialista em senologia. examinou-me minuciosamente, e fez-me um interrogatório gigante sobre o meu historial de saúde. comecei a ouvir a falar em cirurgia (EEEEEK!!), quando ainda estava presa no loop "como é que arranjei esta merda?", ao que ela às tantas responde, de forma bastante honesta que,

"teve azar"

oh well... depois fiquei presa noutro loop, igualmente impossível de responder, "tão mas se encontraram este, quem é que me garante que não tenho, ou vou ter mais?”.

apesar da médica me assegurar a cada 2 minutos que o meu cancro estava sossegadinho no seu lugar, que para já não ia a lado nenhum, porque ainda não tinha adquirido a capacidade de se tornar invasivo, e que não ia precisar de fazer quimioterapia, eu não estava muito convencida... sei lá se durante a cirurgia não encontram mais qualquer coisa manhosa, ou o relatório da patologia traz más noticias? eu sou como s. tomé, preciso de ver para crer!

às tantas prestei atenção à folha de requisição de consultas e exames que ela estava a preencher, e deixei-me de loops quando li “psiquiatria” na lista. aproveitei logo para cravar uma consulta, se não a ansiedade matava-me primeiro que qualquer facção de células rebeldes a conspirar para me invadir o corpo. a médica achou muito bem.

depois veio a conversa da preservação de fertilidade1, pois existe um programa gratuito para doentes oncológicos. muito agradecida mas, "não vai ser necessário". se aos 38 não penso ter filhos, aos 44 ou 45 muito menos.. ocorreu-me algo que já vi relatado por algumas mulheres que não queriam ser mães, mas que quando surge uma situação em que de repente se vêm privadas dessa possibilidade, mudam de ideias. eu não mudei.

voltei ao gabinete da gestora com uma batelada de consultas e exames para marcar, e análises para fazer. ela tratou rapidamente de marcar aquilo tudo, e na mesma altura fiz logo o RX ao tórax, o ECG, e as análises. fiquei de descobrir se podia fazer a ressonância magnética, por causa da ponte dentária. ia ser o meu trabalho de casa durante aquela tarde.

aquilo era informação a voar por todos os lados, e eu a apanhar do ar... VÁ LÁ que o homem estava comigo e tomou as rédeas da situação. começou a anotar tudo e mais alguma, e a fazer checklists para que não escapasse nada. ainda guardo com muito carinho a nota que ele criou no google keep.

e numa manhã, o meu futuro a curto prazo estava traçado.

agora, descobrir se o material da ponte que tenho cravada na dentadura interfere com a máquina da ressonância magnética!

ao início da tarde estava a fazer chamadas para o consultório do dentista onde há 23 anos instalei a dita, a ver se por um milagre ainda tinham o meu processo. como seria de esperar, tal coisa já não existia, mas deram-me algumas informações que foram úteis na minha demanda. próximo passo, tentar falar com o laboratório de próteses que ainda estava no activo. telefonei para o sitio errado, mas apanhei um técnico que me disse que também fizeram muitas pontes para o meu dentista, e de acordo com a minha descrição, disse-me quais eram os materiais que certamente teria na boca. bom, a busca terminou ao fim da tarde, com a minha sis a ir ao laboratório do técnico que fez a minha ponte, mas também não havia ficha. e o dentista, ficamos a saber, mudou-se para outras paragens e teria levado tudo com ele. dead end!

entretanto tínhamos ido à clínica dentária onde o homem costuma ir, ver se algum dos dentistas me conseguia safar a coisa. fui atendida por uma dentista muito atenciosa e competente, que apesar de não conseguir responder à minha dúvida sem tirar a ponte para fora (nem pensar lol), reparou naquele desgraçado que me inchou a cara no ano passado (ah poizé! a isa não tinha chegado a tratar do assunto), e avisou-me que não era grande ideia iniciar tratamentos oncológicos com problemas nos dentes.. ops!

quando finalmente regressamos a casa, depois de um dia de emoções tão intensas, correias loucas, hospitais, dentistas, e telefonemas a dar cum'pau, estava de rastos.

a parte chata era que, sem nada que me ocupasse a mente, não parava de cismar "não estou a sonhar, esta merda tá mesmo a acontecer".. tava difícil de assentar, a ideia..



1 a preservação de fertilidade é um direito geral oferecido pelo SNS a todos os doentes oncológicos em idade reprodutiva, que corram o risco de infertilidade devido à doença ou aos tratamentos oncológicos. se o doente desejar ter filhos, deve falar com o médico sobre esta questão, de modo a ser rapidamente encaminhado para um centro de reprodução assistida. este processo deve acontecer antes de se iniciar qualquer tratamento oncológico.

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'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mIRC.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e (sempre que a preguiça não a impede) gosta praticar exercício físico.

mantém uma pequena bucket list de coisas que gostava de fazer nos entretantos.

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores:
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