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lost in wonderland

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Carcinoma Ductal In Situ

Junho 21, 2019

eis o nome do bicho que me calhou na rifa.

o carcinoma ductal in situ [CDIS] é um conjunto de células cancerígenas confinadas ao interior dos ductos (os canais que transportam o leite entre os lóbulos e o mamilo). estão lá aconchegadinhas, a fazer a sua vidinha, mas ainda não desenvolveram a capacidade de se infiltrar nos tecidos circundantes. por isso, é considerado como uma lesão não-invasiva ou pré-invasiva, o estádio 0, numa escala que vai até ao VI.

a boa notícia é que, para se tornar invasivo (e causar estragos a sério), este tipo de cancro ainda precisa de sofrer a mutação que lhe permite deixar o seu meio e conseguir desenvolver-se noutro.

a má notícia é que, ainda não se descobriu qual é o mecanismo que está envolvido nessa mutação, e não se consegue prever a sua evolução. pode ser sempre uma lesão não-invasiva, como de um momento para o outro, pode tornar-se invasiva.

e por causa disto, existe muita controvérsia e discussão à volta desta doença. porque a ciência médica sabe que muitos cancros de mama invasivos (ou infiltrantes) [CDI] originaram de um CDIS, os médicos abordam este tipo cancro de forma pro-activa, ainda que sujeitando parte das doentes a tratamentos desnecessários [sobre-tratamento].

acredito que seja um diagnóstico ingrato para um médico. por um lado pode estar a submeter a paciente a tratamentos em excesso, e arriscar outros problemas no futuro; por outro, ao poupar a paciente a esses tratamentos, pode arriscar outros muito mais agressivos no futuro.

quanto a mim, tenho a dizer que fico aliviada por os médicos abordarem o CDIS com seriedade e partirem logo prá acção. não é que não compreenda a questão do sobre-tratamento, que compreendo sim senhora, inclusive as mulheres diagnosticadas com CDIS que optem pela vigilância activa, ou que decidam apenas fazer a cirurgia, compreendo e respeito - cada um sabe o que é melhor para si. mas se me tivessem perguntado se preferia uma abordagem conservadora, tipo ir controlando a evolução do bicho, a minha resposta seria obviamente,

"NEM PENSAR! quero isto fora, e quero isto fora, JÁ!!"

agora, "ah não, que maçada fazer uma operação, mais esses tratamentos todos, que ainda me vão por doente mazé. vamos esperar para ver o que acontece". e numa mamografia anos mais tarde, o médico dizer "olhe miga isto a modos que cresceu e não está com bom aspecto, tem que levar ordem de despejo". e uma cirurgia que podia ter sido uma tumorectomia1, torna-se numa mastectomia2. e vai-se a tirar e já é um carcinoma invasivo. e vais ter que gramar com uns quantos ciclos de quimioterapia, para jogar pelo seguro. e retiram-te um ou mais gânglios axilares, mesmo arriscando problemas de mobilidade no braço para o resto da vida, para se certificarem se ele por acaso não começou já a enviar tropas para explorar o resto do território. e anos mais tarde, aparece-te uma "mancha" no fígado (ou nos pulmões, ou nos ossos, ou no cérebro) porque umas células sacanas escaparam à razia dos químicos todos que te andaste a encharcar e agora, olha, cancro secundário da mama no fígado, estádio IV, e uma grande probabilidade de tratamentos chatos para o resto da vida... vade retro!

se tenho uma possível bomba relógio dentro do corpo, não quero saber de esperar.. tenho 38 anos, for fuck sake, por enquanto é só cirurgia conservadora, radioterapia, e hormonoterapia. um passeio no parque comparado com os outros tratamentos...

informação detalhada sobre o CDIS (inglês)


 

1 tumorectomia é a cirurgia conservadora da mama. o cirurgião remove apenas o tumor, e algum de tecido saudável em redor (margens). podem também ser removidos os gânglios linfáticos axilares, para ver se as células cancerígenas já entraram no sistema linfático.

2 mastectomia é a cirurgia que remove todo o tecido mamário. existem vários tipos de mastectomias, que poupam mais ou menos tecidos (pele, mamilo,gânglios linfáticos axilares). o procedimento é feito de acordo com as características do tumor, ou como medida de profilaxia.  

Viajar leve

Junho 17, 2019

respondi ao apelo do triptofano, que precisava de dicas sobre como viajar com pouca bagagem, e o texto acabou por sair tão completo que seria um desperdício ficar enterrado nos comentários do post. tão fui repescá-lo, dei-lhe umas sacudidas, e adicionei-lhe mais umas coisas úteis. tão, bora lá!

trolley de cabine / mochila

quer seja trolley ou mochila, deve ser o mais minimalista possível, que é como quem diz, sem bolsos e compartimentos interiores que ocupem volume. no caso da mochila, é muito importante que seja bastante leve.

ambos os formatos têm prós e contras. a mochila é mais prática e oferece melhor mobilidade, mas pode dar cabo das costas ao fim de algum tempo, e não leva tanta coisa. o trolley  leva mais coisas e vão melhor acondicionadas, é muito confortável para "carregar", mas nas transportadoras low cost corremos o risco de ir parar ao porão, pesa bastante se tivermos que acartá-lo em escadas, faz algum barulho a rolar pelas ruas, e por vezes torna-se complicado andar com ele pelo meio de multidões, ou nos transportes públicos.

pessoalmente prefiro viajar com mochila, porque não tenho stresses durante o voo, vai sempre juntinha a mim, arrumada por baixo do banco da frente. por isso, é muito importante que seja confortável. alças largas e bem acolchoadas, as costas ventiladas, para não andarmos com as costas sempre suadas, e o tamanho deve ser adequado à nossa estatura física. convém sempre testar o peso da mochila antes da viagem, e evitar ir no limite do confortável.

eu tenho uma da herschel porque sou uma ganda hipster e vou atrás das modas (vá, não é má de todo e "só" pesa 765gr), mas a marca que vejo mencionada mais vezes em sites sobre backpacking é a osprey.

quando a ocasião pede o trolley, enfio uma mochila pequena (destas) lá dentro, porque às vezes as companhias low cost implicam com duas peças de bagagem, e dá um jeitaço para andar com as tralhas atrás.

um conjunto de bolsas de arrumação (tipo estas do ikea), para roupa e acessórios, dá uma ajuda fantástica para a manter a ordem na mochila. prefiro bolsas mais pequenas, porque assim separo melhor a roupa.

para guardar a roupa suja, levo um saco hermético, que cabe nas bolsas de arrumação.

vestuário

roupa em tecidos sintéticos de alta performance é imensamente mais prática para usar em viagem. é leve, arejada, ocupa menos volume, não ganha rugas, aguenta mais tempo sem ser lavada, e seca rápido. a alternativa natural é roupa em lã de merino. é um tecido de origem animal, tem naturalmente boa regulação térmica, é bastante absorvente e elimina a humidade da pele, e porque tem propriedades anti-microbianas mantém os cheiros desagradáveis longe, seca rápido, e aguenta bastante até precisar de ser lavada. é cara pa crl, mas quem usa, diz que é do melhor.

tão e o algodão? nope, roupa de algodão pode ser muito fresca, mas não é uma boa escolha porque ensopa facilmente em suor, o tecido húmido pode causar fricção na pele, começa a cheirar mal rapidamente, e demora muito tempo a secar.

quanto a mim, tou ultra fã de roupa desportiva causal. faço a brincadeira com umas calças destas. não vos passa pela cabeça quantos dias as tive a uso sem precisarem de ser lavadas. são inacreditavelmente confortáveis. e o homem tem uns calções que tanto servem para ir jantar a um restaurante, como dar um mergulho no mar. fora que as levo vestidas, apenas carrego com um par de calças extra (igualmente leves), e se for caso disso, uns calções.

existem algumas marcas desportivas com calças, calções, saias e vestidos, para além das partes de cima (t-shirts, camisas, camisolas, etc), feitas em tecidos sintéticos, mas com cores neutras e estilos que se adaptam perfeitamente ao dia-a-dia, sem parecermos somos doides do fit. é uma questão de chafurdar um bocadinho nos sites (ou lojas) das marcas. fora das desportivas, é a uniqlo que anda a dar cartas no que respeita a roupa apropriada para viagens, que não estoire com orçamento num par de calças. infelizmente, a marca ainda não abriu nenhuma loja em portugal.

roupa interior e meias também deve ser tudo em micro-fibra, pelos mesmos motivos (não ocupa muito espaço, seca rápido, etc). recentemente experimentei da linha AIRism da uniqlo e ZOMG... AMO!! o homem também ficou completamente rendido. estão secas 10mn depois de saírem da máquina. normalmente não levo mais do que 4 pares de cuecas e meias.

se vamos para climas mais frios,

convém incluir uma camisola ou casaco polar, e um corta vento fino para vestir por cima do polar. ou então, levar um casaco de ultra leve de penas. cá em casa existem da benetton e decathlon e ambas as marcas estão aprovadas.

no inverno passado descobri o mundo fabuloso (e quentinho) da roupa interior térmica. passei o inverno todo enfiada em leggings de ski da decathlon, e singlets termoreguladoras da impetus, e apenas com roupa fina por cima. nem dei pelo frio. visto que para viajar, é sempre indicado vestir-nos por camadas, se irmos para um local frio, uma blusa interior térmica, uma blusa normal, e o casaco de penas (fino ou grosso), é suficiente. tou curiosa com a roupa interior térmica da uniqlo, a ver se é este ano que experimento.

descobri ainda que os buffs são a melhor coisa para proteger o pescoço do frio. bastante mais práticos que andar com lenços ou cachecóis atrás.

ah, não esquecer um par de luvas e um gorro.

toalha, a não ser quando vou acampar, raramente levo. se tiverem que levar, as toalhas de micro-fibra (tipo estas da decathlon) são a melhor opção. são super leves, não ocupam espaço, e mantêm-se dobradas graças ao elástico que trazem para o efeito, e secam rápido.

calçado

não existe melhor que ténis (sapatilhas para a malta mais a norte) para caminhar, seja no betão ou empedrado dos passeios das cidades, seja em asfalto ou em terra batida. são leves, respiram bem, e não existe calçado mais confortável. existem montanhas de modelos, para todos os gostos. ou mais arrojados, com cores berrantes e formas alienígenas, ou mais casuais, em cores neutras, que se adaptam para várias ocasiões e tipos de vestuário. porque virou hábito o pessoal usar ténis no dia-a-dia, as marcas já têm bastante escolha. pro tip: não se armem em forretas com os ténis!!!

um par de chinelos de borracha tipo havaianas é obrigatório levar na bagagem.

higiene pessoal


acho que todàgente tá cansada de saber, que apenas podemos transportar no máximo 10 frascos de 100ml (1 litro no total) na bagagem de cabine, não vale a pena falar nisso. devido a esta limitação,

raramente levo gel de banho, os alojamentos costumam ter sempre disso. 100ml de champoo e 100ml de condicionador costumam ser suficientes para o comprimento do meu cabelo. mas se for necessário libertar espaço na bolsa de higiene pessoal, podemos optar por levar champoo e condicionador sólidos (a lush tem ambos).

gosto pouco.. melhor, não gosto nada de tirar os cremes e hidratantes das embalagens originais, por isso recorro às embalagens de 100ml. nem todas as marcas têm os cremes neste formato, mas nada que não se descubra numa (para)farmácia. protector solar é frequente encontrar em embalagens de 100ml.

existem tubos de pasta de dentes em embalagens de viagem (25-40ml), mas as marcas pagam-se do formato. se não existir problemas de espaço, o tubo habitual de 75ml vai comigo. 

quando a viagem tem uma duração superior a 5 dias, torna-se indispensável levar uma pequena barra de sabão, porque:

a) não precisamos de ir tão carregados com demasiada roupa, basta irmos lavando aquela que foi connosco
b) não é fixe andar a carregar roupa suja e mal-cheirosa dentro da mala/mochila durante tantos dias

eu tou fã do sabão de côco (tipo este ou este), porque limpa muito bem, e como é suave, serve para todos os tipos de roupa. e caso falte o gel de duche, é o melhor sabão que podemos usar na pele. existe uma marca de sabão all-one (dr bronner), que tenho alguma curiosidade, mas ainda não experimentei.

pro tip
: sabonete é uma porcaria para lavar roupa. been there, done that!

outros acessórios

há coisas que são indispensáveis, e não ocupam espaço na mala/mochila, por mais minimalista que seja:

tampões para os ouvidos
seja para usar durante o voo, ou se tiver o azar de ficar num alojamento barulhento, ou simplesmente para usar em qualquer situação que o barulho me comece a incomodar.

máscara para dormir
quem não consegue dormir com claridade deve ter este acessório. é do melhor para pregar olho quando estamos num ambiente iluminado e queremos descansar sem perturbações.

toalhitas de limpeza 
normalmente compro packs pequenos de toalhitas de bebé, que são mais baratas, maiores, e mais resistentes que as toalhitas dos crescidos. dão jeito para tudo, limpar as mãos, a cara, os pés, o rabo.. tudo!! as minhas favoritas são as da chicco.

gel desinfectante para as mãos
porque metemos a mão em muito sitio duvidoso, e pode dar jeito em falta de sitio para lavar as mãos.

hidratante / bálsamo para lábios
o ambiente na cabine dos aviões, ou quartos de hotel com ar condicionado seca a pele dos lábios que é uma coisa parva.

protector solar para lábios
como tenho tendência a ganhar herpes labial quando apanho com sol forte na cara, protector labial com factor 50+ é imprescindível em qualquer lado. costumo usar o anthelios da la roche-posay, que é transparente e não deixa os lábios brancos.

corta unhas
às vezes dá um jeitaço para cortar outras coisas que não unhas.

tão, e tecnologia? e entretenimento?

smartphone é o melhor amigo do viajante minimalista! qualquer aparelho de média gama consegue perfeitamente libertar a maior parte da traquitana extra da bagagem. e se não irmos em trabalho, os computadores ficam em terra. 

mapas / GPS
a não ser que vão para algum local remoto, onde a civilização mal chegou, esqueçam lá o papel, o google maps será o vosso guia. existem mais mapas, mas eu só posso falar daquilo que conheço, e o google tem ali um serviço absolutamente útil para quem viaja. para além do mapa, dos pontos de interesse, sugere percursos, dá informação sobre transportes públicos, e dá para marcar sítios onde queremos ir.

máquina fotográfica
a não ser que vamos para uma expedição fotográfica, um smartphone com uma câmara decente chega perfeitamente para tirar aquelas fotos e vídeos de recuerdo que mais ninguém quer saber de ver. há muito que deixei de andar com o equipamento fotográfico atrás. aquele que uso, cabe-me no bolso.

...mas!

se fizermos questão de fazer um bom registo fotográfico da viagem, não temos que ir propriamente dito carregades com equipamento pesadíssimo atrás. marcas como a sony, a panasonic, ou fuji (entre outras) têm máquinas compactas profissionais, que tiram fotos com bastante qualidade, é fazer o trabalho de casa. se me perguntarem a mim, hoje em dia, usar DSLRs (em viagem) já entra no espectro do masoquismo.

bloco de notas
os moleskines são muito fofos, mas o google keep (ou o docs) para guardar notas chega e sobra.

livros
não vale a pena carregar livros em papel ou e-readers, quando o kindle (e o kobo) tem app para continuarmos a ler no telemóvel.

filmes/séries/música
com os serviços de streaming e a adopção universal de (freewifi , nem vale a pena pensar muito no assunto. quanto muito temos que nos preocupar em guardar algumas coisas para vermos/ouvirmos offline (voos, etc).

e ainda serve também para planear viagens, criar roteiros, fazer a gestão dos voos, reservas em alojamentos, controlar a segurança dos cartões bancários, como armazena (digitalmente, of course) todo o tipo de documentos que podemos necessitar, e ainda nos safa na tradução, para evitar pedirmos algum prato esquisito, que nos dê vómitos lol. mas a dar tanto uso ao telemóvel espero, é melhor levamos um power bank atrás 😆

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mIRC.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e (sempre que a preguiça não a impede) gosta praticar exercício físico.

mantém uma pequena bucket list de coisas que gostava de fazer nos entretantos.

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores:
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