A minha orquídea de estimação II

tá comigo há doze anos, e apesar de já ter estado à beira do falecimento várias vezes por negligência, a resistência dela nunca pára de me surpreender!

a última vez que me lembro dela florida foi em 2013, quando mudamos. depois ficou meio abandonada e cheira-me que deve ter entrado em depressão ou coisa parecida, que nunca mais floriu. há coisa de dois anos acabamos por trazê-la connosco, já nas últimas, a ver se ainda tinha salvação. o ambiente onde vive agora não é muito fixe para ela, mas contra todas as expectativas (e bastante desengonçada), este ano...

orquidea
tão orgulhosa da minha bixa 😍

Lost in... no Alentejo

provei e comprovei,

não há sitio mais bonito em todo o portugal para apreciar na primavera que pelo alentejo!

o final de abril e início de maio naquelas bandas, é simplesmente mágico. os campos verdes ficam cobertos de branco, amarelo, azul, roxo, cor-de-rosa, vermelho.. ou todas as cores à mistura. a brisa sopra fraca, impregnada com o aroma das flores silvestres.

campos papoilas glossopappus macrotus rosmaninho maior malmequer

o gado deleita-se com a erva viçosa que cobre os pastos, as cegonhas e as aves de rapina deslizam preguiçosamente pelos céus. os insectos andam doidos, os pássaros andam doidos. no silencio puro nas planícies, ou nas águas espelhadas das albufeiras, o tempo parece que pára.

ouguela ouguela albufeira do caia albufeira do caia

queria muito ser capaz de articular palavras que conseguissem descrever a dimensão da sensações que experimento ao perder-me pelo alentejo nesta altura do ano, mas não me é fácil.. não se explica, sente-se.

a felicidade está nas coisas mais simples. na delicadeza das pétalas de um malmequer, numa espiga de trigo embalada pela brisa numa seara infinita, na solitude da idílica paisagem, iluminada pelo sol resplandecente, na harmonia do canto dos pássaros... e nisto somos inundados por uma paz interior arrebatadora, por um calor reconfortante.. fechamos os olhos, inspiramos fundo, e deixamos tudo para trás, para apreciar aquele momento em toda a sua plenitude.

espiga de trigo searas searas olivais

álbum completo no sitio do costume

ZOMG!!!

15 anos


15 anos passaram desde aquela aborrecida semana de janeiro, em que achei que isto dos blogs era giro, e queria ter um também, ainda que não tivesse grande utilidade. nestes 15 anos muita coisa mudou na minha vida, e estou-me eternamente grata por ter criado aquela página de internet aparentemente inútil. se estou! de outra forma não teria este precioso registo de memórias, que o tempo haveria de apagar. entre outras constatações,

ter um blog há tanto tempo é não reconhecer aquela pessoa que escrevia aquelas coisas ao inicio - e ainda dizem que as pessoas não mudam.. nã, q'jeite. adoro quando vou vasculhar os arquivos, e esbarro em montes de cenas que já não me identifico nem um bocadinho. às vezes fico chocada, tipo "wtf.. quem é esta pessoa?? eu escrevi mesmo isto??" 😳

ter um blog há tanto tempo, das duas uma, ou é sinal de teimosia, ou de resiliência. em retrospectiva, já resistiu a pelo menos duas extinções anunciadas da blogosfera, e a várias modas. e ainda assim tem-se aguentado fiel àquilo que sempre foi, um reflexo de quem o escreve. nunca lhe quis dar uma direcção, nem torná-lo numa obrigação, porque sei que a partir desse momento, iria perder piada toda. o segredo da longevidade tem sido esse mesmo, não levá-lo muito a sério. escrevo as merdas que me apetece, quando me apetece, e como me apetece.

se bem que nestes últimos anos, admito que me contenho mais do que gostaria. os tempos são outros, existe muito mais exposição, e cada vez menos tolerância. as pessoas são mais rápidas a fazer juízos de valor, do que a tentar perceber ou contextualizar aquilo que estão a ler. e longe de mim ofender alguém com aquilo que escrevo por diversão.

mas quando me ponho a ler os primeiros anos,  bate-me umas brutas saudades daqueles tempos, quando escrevíamos o que nos apetecia (por mais estúpido que fosse), sem nos preocupar com o que pensavam de nós. a internet era um lugar muito diferente, muito mais descontraído.

anyway, o saldo é muito positivo. em 15 anos escrevi 2254 posts. o número pode não impressionar muito, mas noves fora nada, são cerca de 150 por ano. não é nada mau! e como a maioria deles são lençóis gigantes, tenho uma "certa" curiosidade em saber quantas palavras já debitei por aqui, deve ser um número giro. e ainda era mais giro se contasse com as páginas intermináveis de rascunhos que fui coleccionando ao longo dos anos, que nunca irão ver a luz do dia.

visitas já lhes perdi a conta há muito tempo. não ligo muito, diga-se de passagem, o que interessa são todos os que entraram na minha vida por esta porta.

e por isso mesmo, malta que continua a passar por aqui ano após ano, activos ou lurkers, quem está de parabéns são vocês, por irem me irem aturando os humores, /me bows 😍🙌

venham outros 15!!!

Enigma da banheira

queriamos aproveitar o primeiro fim-de-semana comprido de dezembro pró relax. faz dois meses que não vamos para fora do quintal, e nem sequer comemorámos os aniversário de outubro como mandam as regras. a localização não interessava, apenas o hotel. para além de ter bom aspecto e não nos levar à falência, tinha que preencher dois requisitos obrigatórios:

1. ter spa
2. ter banheira (bonus points se fosse no quarto)

começamos pelo norte e fomos descendo, mas talvez por ser um bocado em cima da hora, não estávamos a encontrar nada que nos aguçasse o apetite. às tantas chegámos à conclusão que o melhor era irmos para um dos nossos habituais.

google, mostra-me imagens da banheira da suite do hotel xpto.

não mostrou, raio da única banheira daquele hotel parece ser um segredo mais bem guardado que o de fátima, bah! mas no meio de tanta foto de banheira, estava lá uma que chamou a atenção. eh lá, ondé isto? são teotónio, a sério? não sabia de nenhum hotel com spa por aquelas bandas. pera lá, acho que já passei por cima deste hotel ali no booking..

não seria a zona mais imediata, mas why not? não chegamos a ir para lá este ano, há 8 anos que as nossas férias ou fins-de-semana de verão passam sempre por lá, portanto estávamos em falta.

tão, vai-se a ver, o enigma nature & water hotel não tinha uma, mas sim duas suites com banheira no quarto. e estavam ambas disponíveis. a questão agora era acertar em qual das suites reservar, para ficarmos com aquela que tinha a banheira com a melhor localização... e depois havia uma terceira, cuja banheira não ficava no quarto, mas a vista era qualquer coisa... bom, na verdade não foi preciso pensar muito :D

not gonna lie, a brincadeira não saiu barata.. mas por zeus, as fotos não lhe faziam justiça (nem as minhas vão fazer).. tive a mesma sensação que na penthouse em tróia, não quero dormir para não perder um segundo disto.

A-D-O-R-E-I a suite. não só tinha uma vista brutal e parecia maior que o nosso apartamento, como estava super quentinha e super confortável, estava bem equipada, a casa de banho era ENORME, e a minha banheira prometida superou todas as expectativas. só lhe faltava acesso directo ao spa, que ficava mesmo por baixo do quarto hi hi hi

quarto quarto banheira banheira quarto

se pudesse, mudava-me para lá sem pensar duas vezes. oh yeah!

abanquei no sofá, em frente à janelona e declarei aquele pedaço o meu reino. passei lá umas horas valentes!

sala chillin

fun fact: haviam duas tv's na suite, uma na sala, e outra perto da cama. não chegámos a ligar nenhuma delas.

a vantagem de estar numa zona que conhecemos tão bem como as costas da mão, é que não andávamos malucos por ir explorá-la. ok, os dias estavam brutais (apesar de gelados) e demos as voltinhas da praxe, mas deu para descansar e conseguimos aproveitar o hotel ao máximo.

ah e verdade, tínhamos um terraço muito fixe, com uma vista impecável, e que ainda proporcionou uma tarde bastante interessante lol

terraço

tivemos uma sorte tremenda com a lua, quase cheia e incrivelmente luminosa. a luz prateada do luar banhava a paisagem de tal forma, que não resisti a fazer umas longas exposições, na tentativa de guardar uma recordação daquele cenário mágico. tiveram que acontecer dentro de casa, porque estava 1ºC na rua aquela hora brrrrrr...


luar sala banheira

a banheirada ao luar pode não ter sido tão épica como no jacuzzi da penthouse, mas não se ficou nada atrás. 

deixaram-nos fazer late check out, o que nos deu duas horinhas extra para nos despedirmos daquela delícia. ainda assim custou... é para repetir, sem sombra de dúvida.

quarto

no geral, gostamos bastante do hotel. não é muito grande, está desenhado em linhas contemporâneas, em socalcos, a acompanhar o declive da encosta. está numa localização genial, tem uma vista do caraças para a serra de monchique, e é super calmo. o spa é pequeno, mas muito maneirinho, e o pequeno-almoço não é mau. apesar de ser recente, já vai pedindo alguma manutenção, espero que estejam atentos às sugestões que a malta deixa, só têm a ganhar com isso :)

Web Summit 2017

este ano conseguiu ser ainda mais intenso. muito mais talks para ver, muitas startups para stalkar, e muito mais pessoas para contornar nas piscinas entre pavilhões.

havia mais um pavilhão, os palcos eram maiores e tinham mais espaço para sentar pessoas, o espaço estava muito bem decorado, o som estava bom (melhor que no ano passado, vá), os galões da delta à borla continuam a salvar vidas. a parte de haver controlo de segurança para entrar, por um lado era fixe, por outro provocava umas filas horrorosas. a comida continua a ser o calcanhar de aquiles. muito cara e nada de especial.

web summitweb summit

das cerca de 60 talks que me interessavam, consegui assistir a 18 completas, apanhei umas quantas a meio ou quase a terminar, e desisti de algumas que afinal não eram nada daquilo que prometiam. nos próximos tempos vou andar ocupadinha a ver as que me escaparam.

apanhei alguma treta, mas também apanhei muita coisa brutalmente esclarecedora. o desafio que levei para este web summit foi totalmente superado. três dias daquilo e vim de lá a espumar. e com muito para escrever.

vi talks na sua maioria relacionadas com a indústria dos média, mas também sobre marketing, AI e machine learning, blockchain, cryptocurrency, sociedade e privacidade, e startups.

deu para perceber que a nossa privacidade está em risco, que as plataformas sociais e os googles da vida já sabem mais sobre nós, que nós próprios, e que é urgente regulamentar muito bem a forma como as empresas recolhem, armazenam e utilizam os nossos dados.

que as nossas vidas hoje em dia são totalmente regidas (e manipuladas) por algoritmos e que nem sempre é pela positiva. nunca ouvi a palavra algoritmo repetida tanta vez na vida - and mark my words, num futuro não muito distante, todos os males do mundo vão ser atribuídos aos algoritmos...

das mais interessantes - e assustadoras que vi, foram dadas pelo director digital da campanha do trump, que explica como foi possível ganhar as eleições através das redes sociais, um feito sem precedentes na nossa história, e que ensina muito sobre a vulnerabilidade das pessoas nas redes sociais e a facilidade como são manipuladas.

acho sinceramente, que qualquer pessoa que se preocupe minimamente com a sociedade e o rumo que o mundo está a levar, devia ver algumas destas talks.

deu para perceber que existe muita tecnologia emergente a trabalhar no sentido de concertar o mundo ou pelo menos tentar remediar o estrago que andamos a fazer desde há vários anos - mas que não há tecnologia no mundo que seja capaz de alterar as coisas menos positivas da natureza humana, e que devíamos focar-nos também nisso.

unicorns

e pró ano espero novamente estar por lá!

11 de Novembro de 2017, às 00:12link do post comentar

Jovem que vais ao Web Summit

se vais lá pela primeira vez, achei que gostasses de levar umas dicas na bagagem, para que possas tirar o melhor proveito daquela que é considerada a maior conferência sobre tecnologia do mundo. e não, não estão a exagerar, aquilo é mesmo insano!

então,

- se possível, regista-te logo no primeiro dia (segunda, dia 6);

- vai cedo (e sai cedo), para evitares confusão nos transportes públicos;

- vais andar muito, e estar muito tempo em pé, leva roupa e calçado confortável;

- tenta decorar em que pavilhões ficam os palcos, vais ter que fazer muitas piscinas entre eles. atenção que há palcos que mudam de nome todos os dias;

- mantém-te hidratado/a, anda sempre com uma garrafa de água contigo;

- não esperes por estar aflitinho/a para ir ao wc, se não arriscas um acidente enquanto esperas na fila para chegar à sanita;

- leva dinheiro na carteira, que as caixas de multibanco fazem filas gigantescas;

- tenta não almoçar a horas normais, se não vais apanhar filas incríveis para comer, e uma enorme javardice nas mesas;

- não tenhas receio de falar com pessoas, é para isso que este evento existe, é para isso que as pessoas lá vão;

- faz o trabalho de casa: consulta do directório de participantes / startups, assinala pessoas com quem queres falar;

- se ires expôr a tua startup, vais ter que dar folga a toda e qualquer timidez que tenhas, e transformar-te num tubarão de RP, sorri;

- atenta nos meetups que acontecem ao final do dia, são óptimas formas e conheceres pessoas com os mesmos interesses. prepara-te para palmilhar muito pelas ruas do coração de lisboa;

- escolher talks no web summit pode ser um exercício *muito* ingrato, pois existem várias a decorrer em simultâneo, e às tantas ficamos sem saber a quais assistir. tem em conta que a maioria das talks têm uma duração curta (~20 minutos) e mal riscam a superfície, cumprindo o propósito de dar um overview sobre assunto, de expandir horizontes, mas sem entrar em detalhes específicos, logo não ensinam por aí além. arrisca sair da tua zona de conforto, foca-te naquelas sobre temas relevantes, dos quais não tenhas grandes conhecimentos. as outras podes sempre vê-las mais tarde.

- utiliza a app do evento para marcares todas as talks que te interessam. não te importes que algumas se sobreponham, convém teres talks de backup caso aquelas que decidas ver esgotem ou não revelem grande interesse

por fim, também podes ler sobre a minha experiência no ano passado :)


vemo-nos por lá!

31 de Outubro de 2017, às 10:00link do post comentar ver comentários (3)(3)

Nihon...go!

aulas de japonês. eis algo andava para acontecer há mais de 15 anos, ou seja, desde que vim cá para cima. só que tem sido uma daquelas coisas adiadas indefinidamente, ou porque o tempo não dá para tudo, ou porque fica fora de mão, ou porque cenas - as desculpas esfarrapadas do costume.

de um momento para o outro, o homem lembrou-se que queria começar o curso este ano. pesquisou, perguntou, e decidiu. estava mesmo determinado. já eu não tava com feeling prá coisa, mas nada que o impedisse de ir sozinho.

chateou-me até mais não para ir também, e eventualmente venceu-me pelo cansaço.. como eu sei o que a casa gasta, e sei que vai ser muito difícil (se não impossível) atinarmos com os horários para encaixar as aulas e o estudo, não quis ter nada com o assunto, ele tratou de tudo. se a coisa se falhar, não quero cá responsabilidades lol

sinceramente estou um bocado de pé atrás. não sei se tenho cabeça (ou melhor, memória) para me meter a aprender uma língua nova..

não que o japonês seja totalmente novidade para mim. ali pelos vintes, um bocado empurrada pelo anime&manga, comecei a tentar aprender por conta própria. sacava lições na net, arranjei livros de actividades e dicionários para me ajudar, e passava os intervalos das aulas a decorar as tabelas e hiragana e katakana e a tentar decifrar mangas em japonês. ainda tenho algum vocabulário na ponta da língua, e a esperança secreta que o meu cérebro consiga ir à cave e encontrar alguma coisa por baixo das camadas de pó. nunca deixei de ver anime na versão original nestes anos todos, o que ajuda a manter familiaridade com a língua (apesar de estar longe do ideal.. é como os putos passarem horas em frente ao disney channel e depois começarem a falar igual às personagens histéricas das merdas que vêem, cheios de tiques irritantes).

fast forward até à primeira aula,

apresentações feitas, malta, digam olá à tabela de hiragana! say whaaaaat...?? logo na primeira aula, assim a frio? que selvagem! pois é, temos uma semana para emborcar aqueles 46 "rabiscos"... e o FDP do meu cérebro não se lembrava de 98% daquilo... até me doeu a barriga... ainda vai ser mais desafiante do que temia.

hiragana

há malta de todas as idades na turma, e duas pessoas mais velhas que eu e o homem, vamos ver como a coisa corre para os quatro mais cotas. a professora é japonesa e fala 50/50 tuga/japonês. dá um jeito do caraças conhecer algumas das palavras que ela está sempre a usar.

daqui a 9 meses veremos se aquilo do "burro velho não aprende línguas" é verdade ou não :D

Down the memory lane... IRC

(porque a malta à medida que vai ficando idosa gosta cada vez mais de perder-se as avenidas da memória) há uns dias a conversa escorregou para o IRC, e a criação dos serviços da PTnet, e os tempos dourados da internet por dial-up. o IRC era um fenómeno, e talvez das coisas que mais nostalgia trazem a quem viveu a internet naquela altura. era um sítio muito fixe para se estar. a malta entrava, chamava a lista de canais, e juntava-se àqueles cujas as temáticas ou locais interessavam. aos poucos entrava-se nas conversas do canal, mandávamos umas bocas uns aos outros, e depois as conversas continuavam em privado,

oi
ddtc
m/f
idade

quantas amizades e relações não começaram assim?

depois havia as novelas. cada canal tinha as suas. principalmente por causa da "ditadura" dos OPeradores, e da sede pelo poder. o @ era a coroa, o simbolo da elite, e o fruto mais apetecido. logo a seguir vinham os +voice, (que tecnicamente não valiam de nada, a não ser que o canal fosse moderado) mas a malta não se importava de lamber o cu aos OPs só para esta mais acima na lista de nicks. quem tinha voice era sinal que tinha friends in high places, literalmente.

às vezes aconteciam rixas épicas, e a malta acabava kickada ou banida. alguns revoltavam-se, criavam novos canais, levando consigo outros dissidentes. também havia muita guerrilha. um exemplo disso eram os takeovers. a malta organizava-se, desatavam a floodar todàgente que estava no canal para fora da rede, e depois um dos atacantes tornava-se OP e concedia a graça aos compinchas. enquanto a ordem não era restaurada pelos donos do canal, eles tinham os seus 15 minutos de glória, que eram aproveitados para mudar a descrição do canal, e talvez encher aquilo com bonecada em ascii art.

haviam uns users que estavam sempre ligados, dia e noite, sempre muito quietos e pouco participativos. só respondiam se nos metêssemos com eles. eram os bots, o seu propósito era ajudar a manter o canal. alguns tinham truques porreiros.

ocasionalmente acontecia uma cena (pouco) fixe, chamada netsplit. quando a malta começava a abandonar os canais em massa, era sinal que um dos nós da rede se tinha desligado e estávamos isolados. nesta altura também havia corrida para ser OP do canal, que durava enquanto a rede não era restabelecida, o que podia durar uns minutos.. ou umas horas.. ou uns dias.

longas noitadas agarrados ao teclado, a conversar ou a kitar o cliente de IRC, com comandos e cenas, para automatizar o acesso, tipo identificar o nick e entrar nos canais habituais. entretanto começaram a aparecer uns scripts que vieram apimentar as coisas. metiam na mão de qualquer pato bravo a possibilidade de nukar e floodar aquele user que não morríamos de amores, era uma animação :D

de quando em quando, ou porque a rede estava instável ou porque a PTnet estava adormecida e estávamos simplesmente aborrecidos, íamos até lá fora, à undernet, ou à DALnet, ou à EFnet, ver as modas. mas era chato estar sempre a alternar entre servidores.

depois haviam as famosas jantas e os meets, organizados pelos canais, onde a malta tinha oportunidade de conviver fora da rede com as pessoas que estavam por trás dos nicks. muitos acabavam por descobrir que afinal a _V4n3SsA_ não tinha cabelo comprido, nem olhos azuis, nem vestia copa 34DD. era, de facto, loira e media 1.80m, mas tinha demasiado pêlo na cara  e uma corcunda pouco atraente.

grandes tempos *suspiro*

apercebi-me, de repente, que fez por estas alturas 20 anos que me liguei à net e ao IRC pela primeira vez. mais de metade da minha vida.. não vou cair no cliché de rematar isto a dizer que estou velha.. tipo ya, tá todàgente morta de saber isso.. vou cair sim no outro cliché, aquele sobre a rapidez com que o tempo passa, sem darmos por nada. 20 anos é MUITO tempo.. mas na minha cabeça, nem por isso..

o IRC ainda existe, mas já está muito distante daquele IRC que conhecíamos e amávamos, mesmo com todos os defeitos que tinha. it's true what they say, tudo tem o seu tempo :')

Ghost In The Shell

não me vou esticar muito, nem fazer uma analise muito profunda ao filme, mas é capaz de haver um spoiler ou outro, so be aware!

estava praticamente às escuras, não vi trailers, não li teorias, e ignorei as polémicas. não ia com expectativas nenhumas, e ao contrário do que temia..

..gostei!

ainda não tive tempo de atacar as reacções que o filme está a ter nas hordas de fãs mais agarrados, mas do pouco que me passou pelos olhos, já deu para perceber que divide opiniões. esta é a minha.

a história é uma autêntica manta de retalhos, do manga, dos filmes (original e a sequela), da série, e provavelmente dos jogos também. recriaram muitas das cenas mais icónicas do filme original, mas sem a mesma ordem de acontecimentos ou contexto. e tem muitas hints de outras obras, como appleseed, star wars e o matrix, e quero muito acreditar que aquela referência ao fígado resistente de álcool (entre outras) veio directamente do neuromancer - que é só a base de muitos dos filmes de cyberpunk (incluíndo o próprio ghost in the shell) que apareceram na década de 90 e que incompreensivelmente, ainda não foi transformado em filme.

não se foca no mesmo tema (inteligência artificial), nem é tão profundo (apenas roça as questões filosóficas que são levantadas pela definição do ser humano num mundo tecnológico) como o material original, mas para agradar ao máximo número de pessoas, suponho que tenham jogado pelo seguro e contar uma história de vingança (quase) básica.

mas apesar de tudo, acho que o trabalho de casa foi bem feito, e conseguiram um resultado muito bom. o ambiente é diferente daquele que esperava (imaginei que recriassem a cidade de uma forma mais sombria e decadente, não tão "blade runner", mas perto), mas o filme está visualmente impecável, sem falhas. é daqueles que merece ser visto em 3d/imax, para não se perder a sensação de profundidade que muitas cenas têm. suspeito que no meio daqueles hologramas todos que pairavam sobre a cidade devem existir centenas de easter eggs e memes. apanhei alguns, como o doge, mas era demasiada informação para processar. tenho que vê-lo mais vezes :D

gostei muito da participação do takeshi kitano, de longe o melhor cast do filme, deu um excelente aramaki, e de se darem ao trabalho de mostrar como o batou recebeu as modificações cibernéticas, especialmente os olhos, que são o seu trademark. a major da scarlett, apesar de visualmente deslumbrante, saiu algo frágil e emocional e não me conseguiu convencer totalmente.

ghost wid in the shell

a banda sonora não é tão épica como a do kenji kawai, mas era muuuuito difícil superá-la. faz uma curta aparição nos créditos finais, que sabe a pouco mas é melhor que nada. contudo, espalhados pelos 107 minutos de filme, existem muitos detalhes sonoros que soam bastante familiares.

o final não é lá muito "japonês", e acho que deve ser a parte mais "tremida" deste filme, mas termina onde começa o original de 1995, e eu respirei de alivio por hollywood não ter arruinado outra das minhas obras-primas favoritas, como fizeram com o total recall e com o robocop. puf!

2 de Abril de 2017, às 22:33link do post comentar(2)

Madrid // Food

depois de instalados, time to hit the streets!

íamos lançados a uma recomendação que tínhamos para tortillas e croquetas no bairro da universidade (malasaña), só que àquela hora, aquela e nenhuma das outras tascas que levava no roteiro para tapear tinha a cozinha aberta. vai daí, fomos atacar na maior das armadilhas de turistas em madrid - isso mesmo, o mercado de san miguel. fomos directos ao balcão do qué bonito es panamá para mim testar uma teoria. a de que os pimentos padrão que eu compro nos supermercados (incluindo o supercor) são altamente falsificados. e não tardamos muito a constatar que de facto, unos pican y otros no.. é uma verdadeira lotaria!

à primeira dentada que o homem deu num deles, por sinal o maior que estava no prato, foi como se tivesse trincado um jalapeño. ele tem uma *certa* tolerância para picante, e ficou aflito. desconfiei estava a gozar comigo, até porque daqueles que eu ia devorando, alguns picavam, mas nada de muito agressivo.. até que chegou a minha vez de trincar um jalapeño pádron.... PUTA QUE PARIU!!! parecia feito de lava incandescente, até ou ouvidos me doeram. só trinquei um terço do bicho e ia morrendo. o homem comeu o resto e disse que o primeiro ainda tinha sido pior. mas eu comi o segundo maior do prato e esse saiu totalmente inofensivo, vá-se lá saber. a partir dali, se comi algum picante, não consegui perceber porque tinha a boca completamente inflamada.

cada vez tou mais viciada em pimentos padrão. a gulodice foi tanta que só me lembrei de fotografar a pratada quando apenas restavam os pés. era praí o dobro das doses que costumo fazer em casa e desapareceu tudo em minutos.. mas vieram deste cesto :D



na foto a cor deles parece ser verde.. mas eu só consigo ver vermelho lol

seguiu-se o obrigatório cone de jamón, umas croquetas de jamón (nada más, apesar de ser "pa turista"), e umas tapas de bacalao, e demos o raid por terminado. tínhamos que guardar espaço porque o homem queria passar no tal sítio recomendado.

dali demos a volta da praxe. seguimos pela plaza mayor, depois atravessar o mar de gente na praça do sol, onde isto aconteceu, depois a muito custo, devido à torrente humana, subimos a fuencarral até meio, onde cortamos por ruelas mais tranquilas até à calle pez. malta, a sério não se queixem da confusão de turistas em lisboa.. podia ser pior.. muito pior!!

a ementa do pez tortilla tem apenas tortillas e croquetas, mas em variedades bastante criativas. nunca tinha provado uma tortilla com aquela combinação de ingredientes - tomate seco, manjericão, e parmesão. as croquetas também fugiam aos sabores que se encontram nos sítios para turistas (frango com caril, queijo azul, lasanha vegetariana, vitela mexicana, e outros que já não me lembra ou nem faço ideia o que era lol). não quis enfardar muito porque tinha o jantar marcado para dali a umas horas e era fixe ter um espacinho para ele.. então ficou combinado voltarmos na noite seguinte, para provar as variedades todas. o homem tá viciado naquilo!



voltámos a atacar as 10 da noite, para a paella da desforra, no mesmo restaurante de há 4 anos atrás. saímos de lá a rebolar..



e como se não tivéssemos já comido suficiente, ainda fomos à chocolateria san ginés, que eu precisava de tirar outra teima. os sacrifícios que uma pessoa faz em nome da ciência..

san ginés vs valor



veredicto: os churros do san ginés são melhores, mas o chocolate da valor é mais saboroso. ou seja, fico na mesma, tenho que ir aos dois sítios muhahahah

sinceramente, não sei onde guardei tanta comida naquele dia..

o pequeno almoço de domingo foi na dunkin' donuts, este não podia falhar. aqueles gajos já se despachavam com a tasca de lisboa.. não que eu me importe de ir ali a madrid comê-los :D



não sou a maior fã de comida azul, mas este tipo tava-se a rir para mim

a coisa menos espanhola que comemos (para além dos donuts) foi um cachorro, no gourmet experience do el corte inglés, onde fomos ver as vistas ao 9º andar. não era mau de todo, mas os do frankie’s são melhores. mas as batatas é que eram assim qualquer coisa :D'''

nessa noite voltamos ao pez tortilla para o prometido rodízio de croquetas e para mais tortilla. este deve ser um daqueles sítios que não aparecem nos roteiros. das duas vezes que lá estivemos, aquilo estava sempre a deitar pessoas para fora, e nem sinal de estrangeiros, só nós.



acho que só não trouxe uns quilinhos de recuerdo, porque andamos pa cacete naqueles dois dias..

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mIRC.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e (sempre que a preguiça não a impede) gosta praticar exercício físico.

mantém uma pequena bucket list de coisas que gostava de fazer nos entretantos.

de resto, é ler o blog :D

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores:
#11 #10 #9 #8 #6 #5 #4

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