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lost in wonderland

lost in wonderland

Episódios da vida doméstica I

Novembro 07, 2019

no domingo segunda chegámos da terrinha a altas horas da noite. vinha a planear ir directa para a cama, só que isto de ter dois gatinhos é muito giro, mas também dá trabalho. havia que tratar deles antes de ir dormir.

os ditos gatinhos estavam, como de costume, doidos de alegria com o regresso dos seus humanos, pois já não iam morrer à fome, nem à sede (agarraram-se logo as duas ao bidé, apesar de terem uma taça cheia de água 😑), como tinham wc cheio de poias e torrões de chichi que não se limpa sozinho.

nestas lides ainda perdi uns bons 15 minutos. depois fui meter as minhas coisas em ordem. enquanto isso, os gatinhos resolveram gastar toda a energia acumulada do fim-de-semana passado a dormir, àquela hora insana...

no meio das correrias loucas, uma atrás da outra, e durante voo a diagonal por cima da cama, a pirralha projecta um vomitado liquido que molhou tudo à sua volta 😐 tão às quatro da manhã, ainda tive que andar a mudar a roupa à cama, e a limpar o edredão e o colchão...

...opá! 

Episódios da vida nas férias

Setembro 29, 2018

há coisas que só acontecem em restaurantes com mesas corridas.

dois casais perfeitamente desconhecidos ao início da noite, tagarelam como se fossem velhos conhecidos. uns são alemães, outros franceses. elas conversam em francês, eles em inglês. quando a noite acabar, muito provavelmente nunca mais se voltarão a encontrar.

neste cenário, a comida é desbloqueador de conversa. chegam os pratos dos primeiros, os segundos (possivelmente esfomeados) babam, e metem conversa de circunstância. de seguida, o tema passa para as viagens e a conversa flui. é sempre assim.

nesta história em particular, há um terceiro casal, o último a juntar-se à mesa de seis. este casal de tugas afinfa-se com um pote de arroz de marisco servido ainda a fervilhar, que deixa os outros dois casais sem pio, espantados com o tamanho da refeição que duas pessoas tão pequenas (pelo menos em comparação com eles) vão consumir. especialmente os franceses, que estão mesmo ali ao lado, quase que lhes escorre a baba para dentro do pote.

mas ainda não é desta que os franceses, à semelhança do que fizeram com os alemães, metem conversa com os tugas. continuam a falar com os alemães, enquanto vão jogando um rabo de olho aos tugas e ao pote de arroz.

à terceira menção se sintra, como se fosse o ex-libris de portugal, o tuga começa a ficar agitado. a tuga nota que ele está em pulgas de se meter na conversa, como de costume.

cinco minutos depois, estão três casais, perfeitamente desconhecidos, em amena cavaqueira. as conversas desenrolam-se em inglês, francês (porque a francesa só compreende francês), e até espanhol. muitas sugestões de lugares fantásticos para visitar são trocadas.

entretanto o arroz de marisco vai desaparecendo lentamente. no final, quando o pote vazio é recolhido, quase que batem palmas, impressionados com o estômago dos tugas.

o jantar não terminou sem torta de batata doce e amêndoa repartida por todos e um brinde com ginginha. e um "quando passarem por [inserir o nome do local aqui] venham visitar-nos" que também se pode traduzir num "até sempre". há malta fixe!

Episódios da vida no campismo III

Setembro 03, 2015

duas semanas de campismo em quatro parques diferentes é coisa para render histórias até aos dias do fim. devia anotá-las, especialmente os detalhes, mas férias são férias. aqui ficam as mais engrassadas, ou pelo menos as que ainda me lembro (e que não chocam muito as pessoas lol)

numa solarenga manhã na esplanada da piscina, testemunhei o verdadeiro pequeno-almoço de campeões: um tipo a empurrar uma napolitana de chocolate, ora com uns golos de coca-cola, ora de café, temperando a refeição com umas baforadas de nicotina. a noite deve ter sido agitada para precisar de tanto power logo pela manhã :D

música ao vivo durante o banho, que luxo.. ou então não : / uma miúda cantava em altos berros com aquela vozinha estridente que faz ranger os ossos, e não. se. calou. um. minuto! não sei como é que a mãe conseguia aguentar aquilo, que tortura.. also, não foi a única vez que apanhei putos a cantar.. o que é que se passa com os putos agora que deram em andar sempre a cantar?

o sossego da última mijinha da noite foi interrompido pela camonada do surf, que tomou os balneários de assalto e em grande algazarra. comecei a trocar SMS's com o homem, a mandar vir com o cagaçal produzido pelas bifas mais as conversas de chacha que prali iam. parece que no lado dele a coisa estava mais interessante, ou deveria dizer, quente: havia pinocada no duche, com claque a torcer e tudo. só faltou aplauso quando a actuação terminou.

regressávamos à tenda depois do passeio nocturno, já na hora de silencio (meia-noite), quando reparamos que a malta do acampamento ao lado estava *novamente* a acender o fogareiro. estas pessoas simplesmente não paravam de comer!! aquilo parecia a grande farra. comiam, comiam, comiam.. mal os seguranças meteram os olhos naquilo foram logo mandar apagar o fogo. são horas de dormir, não de fazer churrasco!

num dos parques havia sanitas ao ar livre (? yah..). como argumento para me convencer a pernoitar lá, o homem garantiu-me que arriava o calhau numa, à vista de todàgente, e que eu podia gozar com ele à vontade. não cumpriu, humpf.. (mas com razão, vá.. acontece que aquelas pias serviam para despejar os depósitos das caravanas lol)

se em s. miguel ficámos desconfiados que havia uma máquina de mandar calar a malta (ouvia-se um "shhhhh" a cada 15mn), em tavira a hora de silêncio era anunciada por altifalante:

"sôres campistas, são vinte e três horas, vai dar inicio à hora do silêncio. obrigado"

haviam lá uns moços muito espertos, que pela calada da noite passavam uma extensão até às tomadas dos balneários, e ao raiar do dia iam recolhe-la. não é mal pensado, não senhora..

mas o que é mesmo bonito de se ver nos campings é aquela malta que carrega *tudo*, até a iluminação vintage da sala. não consegui fotografar aquele candeeiro cheio de braços e ornamentos, com muita pena minha..

na primeira manhã que acordamos em s. miguel, tínhamos um carreiro de formigas a passar alegremente pela tenda. se calhar já remendávamos os buracos, não? fomos comprar gafa e tratamos do assunto. mas no dia seguinte, as gajas tinham voltado, não se percebia bem por onde. mas nada a fazer, que eu recuso-me a fazer linhas de pó branco à volta da tenda. além disso sou eu que estou lá a mais, não as formigas.

o problema resolveu-se por sí só, com a chegada dos campistas de fim-de-semana. um acampamento espalhafatoso assentou ao nosso lado, e trouxeram comida. muita. as formigas adoraram!
era acordar a ouvi-los a barafustar, que nem no carro a comida estava a salvo da gula das formigas muhahahah faziam barulho mas livram-nos da praga, é caso para dizer, há males que vêm por bem :D

tenho uma relação um bocado complicada com crianças e desconfio que elas topam qualquer coisa de estranho.. põem-se embasbacadas a olhar para mim duma forma tão creepy que me apetece ir a correr buscar um exorcista (só não sei bem se para mim ou para elas).

das várias situações menos confortáveis que os pequenos humanos me proporcionaram nestas férias, esta leva o prémio: a caminho do balneário, passei por um puto a rezingar em francês com os irmãos ou que eram, por não o deixarem brincar com eles. viu-me e calou-se instantaneamente.
pouco depois apareceu à porta do balneário, a uns passos de mim, que estava abancada no lavatório junto à entrada a escovar os dentes. e ali ficou, a fitar-me como se fosse uma atracção num zoo (parecia assustado e tudo). este puto era uma fotografia. os bracitos apertavam junto ao peito um ursinho peluche desbotado, tinha as faces húmidas da choraminguice e ranho ressequido no nariz.. e estava com soluços.

por momentos considerei pregar-lhe um susto a ver se aquilo lhe passava, mas depois achei que era capaz de ser má ideia.. imaginei-o a desatar num berreiro desgraçado e ir fazer queixinhas aos progenitores, e que estes não ficassem contentes com a minha (boa) acção, e eu não falo a língua para explicar que era só para livrar o amoroso petiz dos soluços. além disso, suspeito que assustar uma criança não é coisa muito adulta de se fazer. suspeito também que talvez eu ainda não seja totalmente adulta. mas isso é outra história :D

e para terminar, achievement unlocked: atingi finalmente o nível máximo de descontracção no campismo, andar pelo parque em t-shirt e cuecas. é tão. libertador (também andei em bikini, mas aquilo ali é praia anyway)!

Episódios da vida no campismo II

Setembro 02, 2014

a grande probabilidade de não haver outro fim-de-semana com condições para acampar este ano fez-me querer arriscar a galé em agosto. sabia perfeitamente ao que ia e não estava muito preocupada.. há pouca coisa que as nossas mad skills de campistas não consigam dar a volta :D

sábado. chegámos lá, largamos a tenda no sitio do costume e fomos directos para a praia, que estava a abarrotar. nada que não se resolvesse com uns minutos de caminhada pelo areal fora, até um spot onde não houvesse vivalma num raio de cinquenta metros. 
às sete fechamos a loja e fomos logo fisgados ao jantar, antes da enchente. às 10 da noite estávamos de banho tomado e abancados no bar da piscina, muito bem acompanhados por umas somersby geladinhas e amendoins. zero de stresses! 

mentira.. houve um stress: o meu chuveiro favorito tinha o mecanismo de água quente avariado, tive que ir ao do lado. buáááááá!!

mas recuando umas horas no tempo.. enquanto esperávamos que o restaurante começasse a servir, às sete e meia, assistimos um grupo de tugas espertalhões a tentar a sorte.

ao chegar, deram de caras com uma pequena multidão junto à entrada principal e foram sentar-se numa mesa mais afastada, perto de uma das portas laterais que por acaso estava aberta. pouco depois, as cozinheiras começam a servir o jantar aos salva-vidas e seguranças do parque. os nossos amigos acharam que esperar era coisa para falhados e não vão de modas, entram pela porta lateral como quem não quer a coisa, e metem-se na fila para serem servidos. a malta que estava cá fora ficou um bocado aborrecida.. quer dizer, estamos ali pacientemente a cumprir as regras, e os outros entram e tão-se a cagar pró resto do mundo.. tá mal!

já estavam de tabuleiro na mão quando foram topados pelos seguranças. toma lá raspanete e ordem para voltar lá para fora, ide esperar como os demais. e só assim por causa das tosses, um deles ficou a guardar a entrada para ver se não havia mais alguém armado em carapau de corrida. gostei de ver.

entretanto, meia-noite. acaba a música ao vivo providenciada por uma banda de covers que até se safava e começa o êxodo para a praia. como esperado, a festa continuava lábaixo no bar. uma barulheira por aquele parque fora que só visto, apesar de já estarmos no suposto horário de silêncio.. virtudes do mês de agosto.

já na tenda e enfiada debaixo do edredão, ainda puxei do kindle mas o som da ondulação embala-me de tal forma que meteu comigo a dormir em menos de nada, apesar da algazarra que ia lá fora. 

mental note: tenho que arranjar uma daquelas máquinas de sons naturais, a ver se isto do mar também funciona com insónias!

por volta das três e meia da manhã despertei. o corrupio entre a praia e o parque era incessante.. se as pessoas podiam andar de madrugada por lá sem incomodar ninguém, bastando para isso reduzir o volume da voz e evitar gritos e gargalhadas sonoras, podiam.. mas enfim, não seria a mesma coisa.

no meio das vozes havia um barulho repetitivo que me estava a incomodar… possivelmente um puto de chinelos nos pés a correr de um lado pró outro, xlac-xlac-xlac e não havia maneira de parar…
à minha terceira ameaça passiva, que dali a nada saltava pra fora da tenda e mandava-lhe uma chapada nas trombas, o homem informa-me que "não é puto nenhum, são os gajos da tenda ao lado a pinar (com f)" ahh.. ok.. tá bem..

ainda tiveram naquilo uns valentes minutos até que às tantas chegaram à conclusão que sexy time na tenda é uma actividade de risco, maus jeitos acontecem com bastante facilidade e podem resultar em lesões dolorosas muhahaha anyway, entre o martelanço e os cochichos acompanhos de risadas que se seguiram, venha o diabo e escolha.

tampões prós ouvidos. tampões prós ouvidos. tampões prós ouvidos. tampões prós ouvidos. se repetir isto muitas vezes pode ser não me esqueça da próxima vez que vir acampar nesta altura.

eventualmente a galhofa acalmou o suficiente para que eu caísse novamente no sono. naquilo tudo, o que me mais me estava surpreender era não ouvir música em altos berros como bem me recorda de agostos anteriores, ouvia-se apenas uma leve batida, que se diluía no barulho do oceano.

conta o homem que pouco depois, acordou comigo a gemer de aflição. devia estar a ter um dos meus famosos pesadelos induzidos pelo campismo, mas que por acaso não tenho memória dele (uma pena), quando ouve um comentário vindo da toca dos coelhos:

"quem é que se põe a fazer (qualquer coisa que ele não percebeu lá muito bem, mas subentende-se) às cinco e meia da manhã?"

olha'mestes! tão duas horas antes távam prai num bate-chapa de tal modo furioso que parecia que vinha aí o armagedão e a vossa salvação dependia disso, mas as pessoas ao lado (ainda que não fosse o caso) já não podiam fazer o mesmo porque o barulho incomodava? que lata!

já o dia começava a raiar quando fui novamente acordada por uma zaragata entre um grupo de putos e os seguranças.. era só berros e ameaças e o caneco. há malta que realmente só está bem é metida em desacatos #YOLO!

depois disso só voltei a despertar às 11 da manhã com o chinfrim da criançada dum acampamento ali perto. podia ter sido pior lol

Episódios da vida no campismo I

Agosto 24, 2013

apesar de ser uma actividade que adoro, compreendo perfeitamente porque razão só a palavra é suficiente para causar suores frios a muita gente.. não é coisa para todos os estômagos, especialmente em época de enchentes.

 

para começar, as vergonhas e os pudores têm que ficar em casa. num parque pejado de campistas, privacidade, nem que seja para dar um peidinho (não que eu tenha problemas em que os oiçam :D) é um conceito que pura e simplesmente, não existe.

 

(e se não conseguem ouvir alguém a mandar uma cagada ruidosa enquanto escovam os dentes, nem vale a pena sequer considerar a ideia, campismo não é para vocês muhahaha) 

 

a boa notícia é que só faz confusão ao principio, depois a malta habitua-se. juro lol

 

srly, ultrapassado o constrangimento inicial, torna-se numa experiência absolutamente libertadora :D por exemplo, uma das coisas que mais gozo me dá quando estou acampada, é pela manhã, quando saio da tenda e vou meio a cambalear em direcção aos balneários, ensonada e ofuscada pelo sol, apesar dos óculos escuros na tromba.

é ver-me a atravessar o parque em calças de pijama e t-shirt largueirona, toda desgrenhada e babada, com um ar completamente ressacado. ninguém liga um piço. pelo caminho cruzo-me com pessoas que ainda estão mais à vontade do que eu, que ainda me dou à chatice de vestir calças. mas agrada-me a naturalidade com que se anda pelo parque, só de t-shirt e cuecas ou em pelota pelos balneários e se passeiam rolos de papel higiénico caçados no sovaco.

 

also, podermos andar uma semana inteira sempre com a mesma roupa que ninguém liga :D

 

adiante!

 

tenho plena noção que acampar em pleno agosto é tramado - gente aos magotes, confusão, filas*, barulho, etc - ainda assim decidi arriscar. se se tornasse insuportável tinha bom remédio.

 

o parque eleito para estas férias foi o de s. miguel, a dois passos de odeceixe. a destacar, a sua localização, sombra fornecida por pinheiros, piso macio e sem grandes irregularidades, instalações porreiras, estacionamento exterior enorme, e o esquema de pulseiras à festival de música é de longe mais fixe que cartões de acesso. contudo tem alguns pontos menos positivos:

 

é barulhento.

 

fica situado paredes-meias com a N120, uma estrada bastante movimentada dia e noite. e apesar de não ser permitido levar animais, os cães da povoação ali perto encarregam-se de fornecer som ambiente 24 horas por dia.

mas imperdoável foi (é?) mesmo o horário para a recolha da reciclagem. amigos, oito da manhã não é uma boa hora para despejar o vidrão. puta que pariu!

 

é pequeno.

 

não consegue oferecer o isolamento que os campistas anti-sociais como nós procuram. a zona mais afastada da entrada é a zona favorita da malta que leva o carro atrás, algo que eu, para além de não compreender, não aprecio.. quanto muito, leva-se o carro para descarregar o material, depois vai para o estacionamento. suponho que o comodismo fala mais alto..

 

fora isso, é um excelente sitio para assentar e conhecer as redondezas. fica situado próximo de praias lindíssimas, falésias incríveis, restaurantes fabulosos e povo simpático.

 

os parques de campismo são como organismos vivos, sempre em constante metamorfose. como neste o check out é até ao meio-dia, todas as manhãs havia gente a arrumar a trouxa e todas tardes o espaço aparecia reconfigurado. nuns dias tínhamos mais espaço para respirar, noutros távamos cercados por tendas, praticamente coladas à nossa, apesar da regra dos dois metros. 

 

apanha-se todo o tipo de campistas nesta altura. desde os boa-onda aos que não sabem dar férias ao stress - acordávamos muitas vezes com a malta aos berros, entre adultos e crianças e o cagaçal produzido pela preparação do pequeno-almoço (respeito pelos que dormem na tenda ao lado, esquece lá isso..) assim como carros a circular. dormir até tarde é praticamente impossível.. da próxima levo tampões para os ouvidos.

 

e se há coisa que quase todo o campista curte é assadas. no nosso pedaço não faltavam fogareiros.. se me esquecia de tirar a toalha da corda antes de irmos para a praia, quando chegávamos à noitinha, para além de ter a toalha a cheirar a fumeiro, conseguia adivinhar qual tinha sido o jantar da vizinhança.

 

a hora de silêncio é respeitada e o parque mergulha numa tranquilidade (interrompida apenas pelos carros a jardar pela N120 e os cães a ladrar na vizinhaça) quase absoluta. quase… é quando começa a hora do ronco!

 

as nossas passeatas nocturnas pelo parque incluíam breves pausas para apreciar a diversidade sonora dos ressonares que brotavam das tendas. uns pareciam que estavam a serrar lenha, outros pareciam traineiras, outros cavalos a relinchar. aquilo tudo combinado, parecia uma orquestra. ainda proporcionaram umas barrigadas jeitosas de riso - mudo, claro! 

 

eventualmente o universo achou que já tínhamos gozado o suficiente e pregou-nos uma partida. numa das noites em que estávamos completamente cercados por tendas, foi um festival: três roncadores natos, um de cada lado da tenda, e muitos outros ao de longe, cujo ressonar ecoava pelo parque. ora, em termos de ruído, dormir numa tenda ou dormir ao relento é exactamente a mesma coisa. tão, nessa noite adormeci embalada pelo ressonar daquela gente toda. em uníssono, produziam uma sinfonia estranhamente.. agradável LOL

 

.. e por descobrir ficou o misterioso "shhhhhhh" que se ouvia volta e meia depois da meia-noite. perguntámos a um vigilante do parque, que nos disse ser uma coruja.. duvido muito, cá para mim é uma máquina de mandar calar o pessoal muhahahah

 

já recomendava o parque antes e agora depois de experimentar, continuo a recomendar. mas evitem a época alta de agosto, para terem uma estadia mais descontraída e desafogada :)

 

*as filas são a menor das preocupações, basta não utilizar as instalações na hora de maior afluência. por exemplo, pequeno-almoço, nunca antes das 10h, e banhos só depois das 23h (ou então de manhã). it works

 

btw..

 

ò senhores da decathlon, tenho uma sugestão vos para dar!

nesta altura os campings estão a abarrotar de tendas adquiridas nas vossas lojas, diria que 8 em cada 10 são quechua, na sua grande maioria seconds, que abri-las todàgente consegue, mas fechá-las é outra historia.. o meu homem ajudou praí meia-dúzia de clientes vossos.

seria bem lembrado, vocês botarem colaboradores nos parques, para ajudar/ensinar a malta a fechar o raio das tendas (tipo serviço de assistência pós-venda), que aquilo é deveras frustrante.. bem sei que não precisam de publicidade, que o material fala por si, mas seria um golpe de marketing brilhante, hem.. que tal?

Episódios da vida na aldeia VI

Janeiro 23, 2013

há uma auto-estrada nova no quintal, paralela à A2 desde perto de almada (funchalinho) até coina, e em coina liga ao antigo IC 32 (que entretanto passou a ser designado por A33). como deve ter custado uma pipa de massa e os bolsos do estado estão cheios de traças, os seus 18km são portajados. 

percorrê-la custa a módica quantia de 1,70€ - QUANDO ali ao lado, pela A2, sai à borla. é uma estrada fixe porque ESTÁ SEMPRE ÀS MOSCAS...

a minha pergunta é.. para quê?

se a intenção era facilitar a vida às pessoas que moram nas zonas por onde passa a nova estrada, não podiam, sei lá.. construir uma mais pequena e sem portagens.. ou mesmo recuperar os acessos que já lá existiam? digam-me, vizinhos da margem sul, esse troço da A33 é-vos realmente útil, ou fogem dele como o diabo da cruz? 

Episódios da vida na aldeia V

Dezembro 21, 2012

quando no final de 2008 as obras do metro terminaram, metade da avenida afonso henriques e parte da nuno álvares pereira (as mais centrais de almada) ficaram com o trânsito condicionado devido à nova zona pedonal do centro da cidade, sendo apenas permitida a circulação de transportes públicos e veículos autorizados.

durantes os primeiros meses, a psp a controlava quem podia ou não passar e a malta não teve outro remédio se não respeitar aquilo. o centro acabou por perder trânsito, os engarrafamentos desapareceram (ou pelo menos deixaram de ser tão intensos), o ruído diminuiu ligeiramente..

mas isto de pouco servia a quem realmente importava: aos peões. a "zona pedonal" era uma ilusão, quando se passava por lá era bom que nos limitassemos ao passeio ou então arriscávamos ser atropelados pelos carros ou pelo metro.. jeitoso!

com o que a câmara não contava era que, ao condicionar o trânsito, em vez de trazer as pessoas ao centro, enxotava-as (que as pessoas só vão aonde o carro as leva). as lojas começaram a perder clientela e a fechar as portas, e com isto compraram uma guerra sem precedentes com os comerciantes.

entretanto os moradores e vistantes desesperavam com os percursos alternativos..

a mim era-me igual ao litro. devido à localização da garagem onde deixava o carro, não costumava utilizar as avenidas centrais com frequência.. mas também levei por tabela, pois o pessoal começou a engarrafar-se naquela que eu usava mais: a d. sancho. uma rua apertada, cheia de contornos manhosos, ladeada por escolas, infantários, centros médicos, pólos desportivos, etc.. resumindo: uma alternativa de merda e deixava moradores, condutores e demais utentes da via com os nervos em franja.. 

mas a policia foi deixando de controlar os acessos e a malta começou a arriscar, e a arriscar cada vez mais. às vezes entretinha-me a observar, da janela do quarto, quem tinha tomates para cruzar a afonso henriques até ao fim (existem passatempos piores, trust me :D). às tantas tornou-se "normal" circular por lá.

a "zona pedonal" tornou-se num transtorno também para mim, quando no inicio deste ano passámos a usar o carro para ir trabalhar e trocámos de garagem para uma mais próxima de casa. obrigava-me a dar voltas insanas para chegar ao centro sul.. uma perda de tempo brutal que me fez começar a arriscar atravessá-la.. se algum dia fosse agarrada, acartava com as consequências de bico calado e pronto. 

até que hoje, ao passar por lá, reparo que trocaram o sinal de trânsito proibido, por um aviso de prioridade aos peões e limite de velocidade...

 

WHOA!!

 

abriram oficialmente a zona ao trânsito, já se pode circular sem receios (excepto o de atropelar alguém, claro).. YAY!!

Episódios da vida na aldeia IV

Dezembro 19, 2012

há uns anos atrás passou-se qualquer coisa de estranho com a factura da água. de repente começamos a pagar 3€ e tal por mês e quando a empresa vinha fazer a leitura do contador (a cada 4 meses), aparecia uma batelada de guito em acertos..

aquilo começou a mexer-me com o nervos e acabei por ir ao centro de atendimento perguntar o que se estava a passar com a facturação. explicaram-me que o contador estava em modo "casa fechada".. oi?!

que merda vem a ser essa? quem meteu isso assim? é que nós não fomos de certeza. em resposta recebi um encolher de ombros.. mas lá rectificaram aquilo e durante os meses seguintes as contas voltaram ao normal.

até que a meio deste ano voltou a acontecer novamente, apesar do marido mandar as leituras do contador mensalmente.. desta vez não passa, lamento!

fomos lá fazer uma reclamação.. é que nem é por pagar pouco durante 3 meses e levar com a chapada do acerto.. é porque quando o fazem, há um pico de consumo e passamos para o escalão seguinte, que é como quem diz: paga-se mais!

são eles a jurarem a pés juntos que a alteração foi pedida, e nós a jurar a pés juntos que não o pedimos.. e porque raio haveríamos de o fazer, se saímos prejudicados com isso? e porque é que ignoraram as leituras que enviámos entretanto? e porque é que permitem fazer uma alteração destas num contrato, sem autorização expressa do titular e sem comprovativos nem nada? e não viam logo pelos valores "absurdos" da leitura que a casa devia estar habitada?

... há um nome para isto e é bem feio!

Episódios da vida na aldeia III

Abril 28, 2009

este domingo aconteceu-nos uma cena altamente!

para não estarmos o dia todo enfiados em casa, decidimos ir fazer umas caches aqui nas redondezas. foram apenas duas, mas mesmo assim ainda palmilhamos alguns 3km..

quando íamos a chegar a casa, o marido joga as mãos aos bolsos para tirar as chaves e...nada!

provavelmente tinham ficado perdidas algures durante o percurso, então decidimos faze-lo todo novamente.

sempre de olhos colados ao chão, chegamos ao local da primeira cache. era o sitio mais provável onde teriam ficado esquecidas, mas não encontramos lá nada. na segunda cache tivemos a mesma sorte..

com 6km no lombo, regressámos a casa cansados e de mãos a abanar. começámos inclusive a pensar mudar o canhão da fechadura, pois sabia-se lá onde andariam as chaves..

entretanto o marido logou os achados do dia, e pouco depois, quando estava a tentar decidir que canhão havia de comprar, recebemos um mail de um casal de geocachers, a avisar que tinham encontrado umas chaves junto de uma cache, e como o nosso nome era o último que constava no logbook, se por acaso não seriam nossas...

B-R-U-T-A-L!

trocámos contactos, para combinar um local onde eles nos pudessem entregar as chaves, e ficámos surpreendidos ao saber que a rapariga trabalha no edifício exactamente em frente de onde eu trabalho. granda coincidência!

...e pronto, hoje conheci a inês, e o marido já tem as chaves de volta :)

um grande, grande obrigado, pessoal!

Episódios da vida na aldeia II

Março 30, 2008

hoje quando saímos de carro notamos que o porta-bagagens tava aberto. fechamos e não ligamos ao sucedido, apesar de eu ter estranhado não ser preciso trancar. mas quando foi preciso abri-lo para largar lá umas coisas, a chave não entrava nem a meio da fechadura. um olhar mais atento e verificamos que alguém tinha forçado a fechadura e deu cabo dela, e nem se deu ao trabalho de fechar bem aquilo..

faz-me confusão saber que algum filha-da-puta forçou entrada ao meu carro, xaretou as minhas coisas, e foi-se embora deixando-me uma fechadura para arranjar...não me sinto confortável com esta ideia...

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mIRC.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e (sempre que a preguiça não a impede) gosta praticar exercício físico.

mantém uma pequena bucket list de coisas que gostava de fazer nos entretantos.

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores:
#12   #11   #10   #9   #8   #6   #5   #4

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