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lost in wonderland

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Lost in... Costa Brava

Outubro 16, 2019

sempre que vamos de férias para algum lado, não consigo evitar de sentir uma certa "angústia" por antecipação (ou qualquer coisa no género).. fico com a sensação que não vão ser daquelas que ficam prá (nossa) história. a barra começa a ficar demasiado alta.. mas o que é certo, é que acaba sempre por subir ainda mais um bocadinho.

a conspiração cósmica esteve fortíssima nestas. começaram a ser épicas ainda antes de entrarmos no avião.

as "férias grandes" de 2019, à parte da semana da praxe em tavira, tinham que incluir uma desbunda qualquer. olhava para o mapa à procura de inspiração, suspirava, fazia "simulações" de voos, suspirava outra vez.. tava mesmo sem ideias. queria compensar a praia que não fiz em agosto (e já agora, aquela que também não fiz na primeira metade de setembro também). pensei nas baleares que nos faltam, mas os voos tavam caríssimos. pensei nos açores, mas tive medo aos furacões, não fosse algum lembrar-se a a passar por lá (e não é que passou mesmo? só errei na semana.. é como os números do euromilhões, saem-me sempre ao lado). ir para muito longe não me apetecia.. então olhei ali para uma zona do mapa em espanha, que reunia aquilo que eu queria, mais uns extras. tipo montanhas, e curvas..

costa brava, aqui vamos nós!!

ainda considerei irmos em modo de roadtrip, para esticar o carrito novo e ver como é que ele se porta nas curvas. mas depois comecei a simular os percursos, e assustei-me com a brutidade de horas ao volante.. se ao menos o homem tivesse carta para partilhar a xaropada de kms comigo (a sério que estava disposta a deixá-lo pegar no carro muhahaha).. tive medo de ficar tão cansada ao fim do dia, que nem conseguia curtir o passeio.. nem me apetecia perder dois dias das férias, só a chegar ao destino e regressar.. e depois já estava a começar a fazer demasiados desvios para ver cenas, precisava do dobro dos dias.. de volta aos sites dos voos.

de lisboa só existem (ou pelo menos foi o que me pareceu) duas companhias a fazer voos directos para barcelona, e a uma semana da data, a tap é quem tinha os voos mais em conta. é desta que experimento a tap, finally! tava a ver que não acontecia.

pena que houve um fuckup qualquer na altura que fiz a reserva.. e no dia seguinte tinha-se esfumado sem deixar rasto.. e entretanto, um dos voos, já estava bastante mais caro. a ideia da roadtrip voltou para cima da mesa. cagamos pró avião, metermo-nos no carro e siga para bingo.. o homem estava confortável com essa opção..

..ou então, apanhávamos um voo da ryanair a partir do porto. mesmo com os bilhetes do expresso, a coisa ficaria muito em conta.. siga!!

alojamento só reservamos a primeira noite. o resto decidimos ir marcando pelo caminho, para não estarmos presos nem a destinos, nem a horários - luxos de fazer férias fora da época alta. 

to be continued...

Lost in... Paris

Junho 10, 2019

vou já tirar aqui uma coisa do caminho - nunca tive grande interesse em conhecer paris, não era uma cidade que me seduzisse, e à parte da torre eiffel, não tinha mesmo curiosidade... mas fomos convidados para participar numa hackathon lá, com todas as despesas pagas. era parva se recusasse.

tão, já que íamos para lá, vamos aproveitar o fim de semana para conhecer um bocadinho da cidade, né?

foram cinco dias, e muita sola gasta. a mi band diz que dei 71 mil passos, qualquer coisa como 46km. mas a verdade é que voltei de lá a pesar 1kg a mais. croissant much? é uma possibilidade 🤔 se bem que os croissants tugas dão 15 a 0 aos franceses!

marquei algumas cenas no mapa, que até fazia questão de ver ou fazer, mas não fiz trabalho de casa nenhum. nem sequer sabia que titulo de transporte era o mais adequado para uma estadia de 5 dias. havia de correr bem. lol

voamos pela transavia, para orly. à chegada não deu para reparar, mas ao regresso deu para perceber porque é que está quase em último lugar na lista dos piores aeroportos do mundo. fora a falta gritante de transportes públicos para lá e as poucas opções para comer, as instalações até são porreiras, mas em termos de organização, fiquei com a impressão que é uma anedota. mas lá chegaremos.

nas duas primeiras noites, ficamos num ibis perto da praça de la bastille, que até não foi mau de todo. para as outras duas em que estávamos por nossa conta, encontramos um hotel engraçado e relativamente "barato", no bairro de pigalle, que tinha muita coisa marcada no mapa naquela zona.

estávamos à espera de um quarto minúsculo, colorido, com uma varanda típica, mas quando nos apresentaram as nossas instalações, no rés de chão e sem varanda, não era bem aquilo que tinhamos em mente... entramos para uma sala de estar, com um sofá em pele enorme; seguia-se o quarto, com as paredes pintadas de escuro, cama king size, e o tecto por cima dela salpicado de leds a imitar estrelas; e por fim a casa de banho, que devia ser maior que os quartos normais do hotel, e tinha uma banheira de SPA (que lhe demos uso, POIS CLARO!!).. a nossa reacção àquele cenário foi, "o..k.. este quarto já viu coisas......." 

tinha 3 TVs - uma na sala, outra no quarto, e outra no wc, voltada para a banheira... um número perturbador de caixas de kleenexes espalhadas pela sala e quarto.. e estava preparado para 4 pessoas... bom, ninguém te mandou escolher um quarto no distrito da luz vermelha lá do sitio LOL
uma diária naquela suite é mais cara que aquilo que pagamos por duas noites. overbooking is a bitch muhahahah

a parte da hackathon foi fixe, estávamos distribuídos por equipas constituídas por pessoas de vários países e valências diferentes, com um objectivo em comum. tudo malta fixe. e duas jantaradas valentes. de resto, aproveitamos todos os minutos livres para desbundar pela cidade, de dia e de noite. mas lá chegaremos. 

fiz umas compritas interessantes. felizmente que espaço livre na mochila era muito limitado e não dava para abusar. e tinha sido TÃO fácil loll

atacamos uma livraria japonesa e foi impossível sair de lá de mãos a abanar. trouxe um livro de kanji assim pró grosso, e tive que invocar o meu mantra de SOS "eu consigo viver sem isto" até às exaustão, para resistir ao artbook do 30º aniversário de dragon ball 😞

batemos as todas lojas geeks, cheias de merchandise de anime e manga perto da avenida da republica lá do sitio, onde há disso porta sim, porta sim. e omg, foi uma experiência TÃO DOLOROSA não sair de lá carregados de figuras e t-shirts e peluches e tantas outras merdelices.

ia perdendo a carteira cabeça na uniqlo (quando é que crls abrem uma loja cá??), ainda vim de lá com uma carga valente, a minha mochila ia rebentando as costuras muhahahah

para além do francês, que já estava bolorento mas sempre ia servindo para comunicar, quem se fartou de dar à língua em japonês foi o homem (montes de japoneses em paris, parece que têm uma pancada pela cidade). não perdia uma oportunidade, e ainda foram umas quantas, entre o restaurante de ramen, a livraria japonesa, e uma rapariga que encontrou num café.
já tinha lido, e testemunhei: só depois de tentarmos arranhar francês e eles/nós não percebermos é que fazem um esforço, fónix.. eu cá nunca faço cara feia quando um cámone fala comigo em inglês 😠

tivemos uma demonstração da cortesia francesa (NOT!!), apesar dos nossos esforços para falar a língua, e ser cordiais. ao comprar um pack de 10 bilhetes de metro, a puta da máquina só deu 8.. e o sacana no fulano que estava no guiché ao lado, a dizer que era impossível, como uns modos como se o estivéssemos a tentar engrupir. grande cabrão. entretanto li outras experiências com este tipo de bilhetes.. não fomos os únicos a ter sarilhos com eles, e com o atendimento humano no metro. pqp...

houve coisas que gostei, e houve coisas que não gostei. não fiquei com particular vontade de voltar lá tão cedo, mas já aprendi que nestas coisas não vale a pena deixar nada escrito na pedra. não me senti particularmente segura em certas zonas. nunca andava com nada à vista e mesmo assim tive receio de ser assaltada. 

mas vá.. correu tudo bem, e não foi mau de todo.

Lost in... Londres III

Janeiro 31, 2019

que é como quem diz, apanhaste-lhe o gosto, agora tás sempre lá metida! lulz vá, é só a terceira vez em três anos 😅

não há escape possível, londres é uma cidade do caraças. já andávamos com vontade de regressar lá havia uns meses, quando apareceu a derradeira desculpa. e como era daquelas coisas que tinha que acontecer, o universo conspirou a favor. consegui uns voos com um preço bastante interessante, vaga no hotel que queria, e bora nessa!

depois apercebi-me que ir para londres no final de janeiro não era lá uma ideia muito brilhante.. se quando tivemos lá em novembro tava um frio cabrão, em janeiro provavelmente nem íamos conseguir sair à rua 😱

...mas desta vez nós tínhamos algo a nosso favor: experiência!!! 

o maior problema é o choque térmico entre o exterior, que está gelado, e o interior de qualquer sítio onde se entre, que dá para estar em manga curta. a solução é camadas.. mas poucas, que nem eu nem ele apreciamos andar enchouriçados em roupa. as duas primeiras camadas seriam térmicas e bastante finas e leves, a terceira seria uma camisola normal, e por cima daquilo tudo, um casaco de penas. depois os acessórios, luvas, gorros, e para o pescoço, o homem sugeriu buffs.

tão e que melhor sitio para ir às compras se não à secção de desportos de neve? oh yeah, não vai haver frio que nos pegue!!

a parte mais gira aconteceu dois dias antes da viagem, quando na call diária de equipa, nós relembramos que íamos tirar os dois últimos dias da semana. e nisto, o outro colega presente diz que também vai tirar os mesmos dias.

“ah e tal, vou aproveitar para ir até londres“
“olha que coincidência tão gira, nós também vamos para lá! vais quando?”
“na quinta, buéda cedo”
“OI? não me digas que também vais no voo das 6:40 da ryanair??”

nesta altura já ia uma granda algazarra na sala, quando ele confirma, apareceu malta de todos os lados a mandar-nos calar muahahah tão fixe!

a menos gira foi praí duas semanas antes da viagem. o homem apanhou uma gripe de caixão à cova, que se fez acompanhar das amigas do coração, as infecções respiratórias oportunistas. ora, se quando ele vai para londres, vem de lá sempre adoentado, ir para lá com maleitas respiratórias não era fixe... tão trata de curar essa merda!

andou a dar-lhe forte e feio nas drogas, e na véspera fez um exame e foi ao médico confirmar que o pior já tinha passado e não havia complicações. se não, ia viajar com tanto stress, que voltava de lá ainda pior.

to be continued...

Lost in... no Alentejo

Abril 30, 2018

provei e comprovei,

não há sitio mais bonito em todo o portugal para apreciar na primavera que pelo alentejo!

o final de abril e início de maio naquelas bandas, é simplesmente mágico. os campos verdes ficam cobertos de branco, amarelo, azul, roxo, cor-de-rosa, vermelho.. ou todas as cores à mistura. a brisa sopra fraca, impregnada com o aroma das flores silvestres.

campos papoilas glossopappus macrotus rosmaninho maior malmequer

o gado deleita-se com a erva viçosa que cobre os pastos, as cegonhas e as aves de rapina deslizam preguiçosamente pelos céus. os insectos andam doidos, os pássaros andam doidos. no silencio puro nas planícies, ou nas águas espelhadas das albufeiras, o tempo parece que pára.

ouguela ouguela albufeira do caia albufeira do caia

queria muito ser capaz de articular palavras que conseguissem descrever a dimensão da sensações que experimento ao perder-me pelo alentejo nesta altura do ano, mas não me é fácil.. não se explica, sente-se.

a felicidade está nas coisas mais simples. na delicadeza das pétalas de um malmequer, numa espiga de trigo embalada pela brisa numa seara infinita, na solitude da idílica paisagem, iluminada pelo sol resplandecente, na harmonia do canto dos pássaros... e nisto somos inundados por uma paz interior arrebatadora, por um calor reconfortante.. fechamos os olhos, inspiramos fundo, e deixamos tudo para trás, para apreciar aquele momento em toda a sua plenitude.

espiga de trigo searas searas olivais

álbum completo no sitio do costume

Lost in... Aldeias Históricas II

Abril 27, 2018

arranjei forma de encaixar as restantes aldeias histórias na rota das últimas férias. quatro delas são "próximas", sendo possível visitá-las num dia, bastava escolher alojamento num sitio estratégico... ou achava eu! cinco aldeias, em dois dias. não há fotos delas que andei muito preguiçosa nestes dias. ficou registado na memória :)

castelo rodrigo ergue-se imponente na paisagem, cravada em penedos de xisto. ao chegar lá em cima, a primeira coisa que sobressai é a vista. a nordeste estende-se até à porta do douro internacional, vê-se perfeitamente o enorme desfiladeiro que nos dá as boas vindas ao parque. a este, os olhos alcançam facilmente espanha.

tal como todas as outras aldeias, a sua história perde-se no tempo. vários povos ali viveram desde a idade média, e cujos vestígios estão inscritos em detalhes que conseguiram resistir ao seu passado tumultuoso. o castelo fazia parte da primeira linha defensiva dos limites do reino e foi palco de inúmeras invasões e batalhas. ainda assim, sobrevive até aos dias de hoje, como se de um único e grande monumento se tratasse, para manter a memória viva.

a traça medieval da aldeia está bem preservada, tem poucas ruínas a pedir restauro, e as ruas estão impecavelmente cuidadas e limpas. à parte das hordas de visitantes que chegam de autocarro, é um sítio muito pacato. talvez por não ter muitos habitantes, acaba por tornar-se algo impessoal, sem aquele feeling castiço das aldeias portuguesas.

almeida não está tão elevada no horizonte, mas está rodeada por uma fortaleza com um formato pouco habitual, em estrela de doze pontas. nunca tinha visto tal coisa. e a sua arquitectura é algo que mais facilmente encontramos no litoral, que no interior. era um impressionante sistema defensivo, a sua proximidade a espanha assim o exigia.

resguardada dentro das muralhas, a vila não tem um ar antigo. a fachada das casas é relativamente moderna, e são poucas as casas com paredes de pedra nua. não deixa de ser um sitio muito agradável para passear.

marialva debruça-se altaneira sobre o planalto. tal como as outras, as suas raízes vêm desde a pré-história, mas quase que se perdeu no tempo. a aldeia cresceu fora das muralhas, e nos últimos anos, as casas têm sido recuperadas. passaram a fazer parte de um núcleo turístico que está aos poucos a tomar conta do sitio, mantendo-o fiel às suas origens medievais, e preservando a sua história.

a única coisa que não achei piada aqui, foi a entrada no castelo ser paga. até agora ainda não tinha visitado uma aldeia histórica que cobrasse o acesso ao castelo. e muito sinceramente, não me apeteceu a pagar para ver ruínas - por muita história que tenham para contar, quando há tanto disso para ver gratuitamente por portugal fora..

gostava de ter gostado mais de trancoso como aldeia histórica, mas não achei nada de especial. é uma vila que cresceu para fora das muralhas, e dentro delas, os edifícios novos fundem-se com os antigos. não tem aquele charme medieval das aldeias mais isoladas, mas sim de típica aldeia portuguesa. o castelo está bem preservado, e a sul, a vista é interrompida pela cordilheira da serra da estrela, coberta de neve nesta altura do ano.

apesar passar sempre por belmonte quando vou para a serra da estrela, nunca me deu para parar. confesso que a vila não me despertava muito interesse. desta vez parei para riscar a última das aldeias históricas da lista.

pode ter sido muito importante para a nossa história, não duvido nem por um segundo, mas não cai na mesma categoria da aldeias outras que compõem a selecção. diria que é mais uma vila histórica, não se percebe bem onde começa e termina o centro histórico e não tem o charme de aldeia-monumento, a resistir estoicamente à eons no topo de um monte, isolada da civilização.

*

e assim dou por terminado o circuito das aldeias históricas de portugal. a parte I está aqui, piodão aqui, e linhares da beira algures por aqui. o que começou como curiosidade, tornou-se num desafio, que não descansei enquanto não ficou concluído, por aquilo que estas aldeias significam, e por aquilo que aprendi ao pesquisar sobre elas.

hoje podem parecer apenas ruínas abandonadas à sua sorte no topo dos montes, nos cantos mais recônditos de portugal, resquícios dos tempos de batalhas e conquistas que já ninguém vivo testemunhou, mas estão imbuídas de uma história incrível. daquela que determinou as nossas fronteiras, e demonstrou a coragem e determinação do nosso povo. recomendo *vivamente* conhece-las.

como as aldeias históricas se estendem por uma área considerável, e algumas em sítios bastante remotos, como é o caso de piodão, a melhor forma de visitar as aldeias é dividi-las por etapas, agrupado-as por proximidade, por exemplo,

- marialva / trancoso / linhares da beira
- castelo rodrigo / almeida / castelo mendo
- sortelha / belmonte
- castelo novo / idanha-a-velha / monsanto
- piodão

IMHO, três aldeias por dia é o cenário mais razoável. perdemos sempre muito tempo a visitar e fotografar todos os recantos, e a conduzir entre elas, e a parar noutros sítios pelo caminho, que nos agucem a curiosidade.

aqui fica o mapa, para terem uma noção da coisa,

 

Lost in... Minho, Trás-os-Montes e Beira Alta

Março 30, 2018

FINALMENTE FÉRIAS!! desde julho que não sabia o que isso era FFFUUUUUU... já estava a desesperar por uns diazinhos de desbunda, para meter as ideias de molho!

com o tempo armado em parvo, e com pouca vontade de sair do país, o programa de festas inspirou-se em lugares por onde já passamos, e que nos deixaram mortos de saudades mesmo antes de partir. assim como lugares que ficaram por visitar na mesma rota, e já agora porque não, descobrir locais novos onde coleccionar mais um camadão de saudades.

basicamente, revisitar lugares, reviver experiências, e sobretudo (tentar) descansar.

...embora descansar seja relativo quando conduzia uma média de 3 horas e meia por estradas que aumentam substancialmente as colónias de cabelos brancos que uma pessoa tem na cabeça... mas hey, se assim não fosse, deixava de reconhecer a minha pessoa muhahah

resultado: yet another epic road trip, que desta vez começaria lá bem no topo de portugal, contornaria o parque nacional da peneda-gerês, atravessaria trás-os-montes e o douro internacional, e circularia a beira alta. com etapas de condução planeadas para permitir passeios sem pressas e paragens imprevistas, e ainda assim, chegar a horas decentes aos destinos. contabilidade feita,

7 dias em viagem, 1795km percorridos, 24 horas ao volante

não havia de ter ficado com dores nos braços, e nas pernas, e nos joelhos, e nas costas, e no pescoço, e nos artelhos lol o caruncho que se instala com a idade é tramado -_-'

perdi alguns anos de vida em algumas "estradas", recuperei-os nos cenários incríveis por onde passamos, nos sítios fantásticos onde dormimos, na comida deliciosa que comemos, e na simpatia das pessoas com quem nos cruzámos.

ainda assim não fomos a todos os lugares que gostaríamos.. para isso seria preciso quase outra semana. o tempo ter andado manhoso foi o menos fixe, que eu tenho alergia ao frio, ao vento, à chuva. além disso, comprometeu o registo fotográfico do passeio. dias cinzentões não dão boas recordações (if it rhymes, it must be true :D), bah!

 

seguir para o dia 0 >

Lost in... Pedralva

Outubro 12, 2017

no fim-de-semana passado estive na terrinha e para aproveitar a tarde fantástica de domingo, peguei no homem e fomos ver as modas até às praias da carrapateira.

quis ir pelo caminho mais pitoresco, que é como quem diz, aquele que se faz por estradas de terra batida pelo meio dos montes, para fazer uma paragem na pedralva. já lá tinha passado há uns anos, mas foi ao início da noite e não deu para ver grande coisa desta pequena aldeia perdida na serra algarvia, recuperada há uns anos para se tornar numa espécie de complexo turístico.

de um monte de ruínas abandonadas, nasceu um conjunto de casinhas rústicas, muito castiças, e muito branquinhas. vista ao de longe, parece um oásis resplandecente na encosta do monte. para compor o retrato bucólico, não faltam gatos nem animais de quinta.

pedralva pedralva pedralvapedralva pedralva pedralvamedronhosvasogato

diria que para ser ainda mais charmosa, só lhe falta mesmo ruas mais floridas.

deu para perceber que é um sítio muito calmo, onde se vive muito devagar. a localização é brutal, ali paredes-meias com o parque natural do sudoeste alentejano e costa vicentina, e praias incríveis na vizinhança, que serviram de inspiração para o nome das casas. é atravessada com alguma frequência por forasteiros que andam a percorrer o caminho histórico da rota vicentina, e que encantados, acabam por abrandar para apreciar o casario :)

Lost in... Santa Luzia

Setembro 24, 2017

tenho que confessar uma coisa, tenho o coração divido entre tavira e santa luzia... não sei de qual gosto mais. tanto que temos um ritual obrigatório, as nossas visitas começam sempre em tavira, e terminam sempre em santa luzia.

tavira é uma cidade linda, luminosa, radiante, e cheia de vida. santa luzia quase passa despercebida. é uma pequena e pacata vila, onde permanece aquele charme tradicional, da arquitectura típica algarvia, das fachadas revestidas a azulejos nas combinações mais incríveis, e das buganvílias em cascata nas ruas estreitas.

está plantada nas margens da ria formosa, e tem as suas raízes no mar e na pesca. o aroma no ar não deixa enganar, é terra de pescadores. talvez por isso, é dos sítios onde melhor se come naquela zona. especialmente polvo, o ex-libris da vila.

ali os pores do sol são deslumbrantes. o céu funde-se com a água, espelhando a paleta de cores do crepúsculo, e o silêncio da ria, rompido apenas pelo canto das aves marinhas, faz parar o tempo e transporta-nos para outra dimensão. em noites de lua cheia, o cenário é ainda mais pitoresco, quase irreal.

santa luzia santa luzia

mesmo no pico do verão, na confusão do trânsito e das pessoas, santa luzia consegue manter-se serena. é um sítio mágico, onde se vive devagar. e na hora da despedida, um valente sacrifício ter que deixá-la para trás...

Lost in... Mallorca

Julho 29, 2017

tipo, a sério? com tanto sítio fixe para visitar e tu vais-te enfiar naquela que é capaz de ser a maior armadilha de turistas da europa? que falta de gosto, fónix..!

ò pra mim muhahahah tinha esta viagem alinhavada há 1 ano, era para ter sido o destino das férias do verão passado mas como só aconteceram em agosto, ficou em águas de bacalhau. e quase que também não acontecia este ano.. foi planeada em cima do joelho. entre voos e cinco pernoitas em sítios diferentes, demorámos 2 horas a marcar tudo... com dois dias de antecedência...

tinha tudo para correr bem, não tinha? :D

não quis cá saber de programas pré-fabricados em "resorts". tinha estrelas plantadas ao redor da ilha toda e seria muito penoso todos os dias voltar a base (been there, done that). assim determinamos as dormidas por etapas, distribuídas pelos quatro quadrantes da ilha, junto aos focos de estrelas. alugamos um carrito na rent-a-car que nos pareceu ter melhor relação preço-reviews e fomos em formato road trip.

pedimos o carro mais básico do catálogo, na expectativa de sair de lá montados no fiat 500 branquinho, com um vibe a condizer com a nossa aventura pela ilha. a desilusão nas nossas caras, quando o funcionário da rent-a-car nos informou que lá fora à nossa espera estava um ford fiesta 1.4 diesel... ooooooooh - que acabou por se portar à altura, especialmente nas montanhas e nas estradas de terra batida.. perdão, nas torrentes de cascalho em que nos metemos, e me proporcionou grandes e muito agradáveis momentos nas estradas maiorquinas. tinha 6605 km quando lhe meti as mãos em cima. fizemos 560km em 4 dias, e gastamos 30€ em combustível. not bad!

no último dia, skipamos uma zona que estava no roteiro, pois eu só queria era praia e caguei prás vistas. (quase) 5 dias souberam a pouco, passaram à velocidade da luz..

miraculosamente o universo não conspirou contra nós. estávamos preparados para o pior, e o pior nunca aconteceu.. quer dizer, fora os chiliques do corpo humano, que resolveram dar o seu ar de graça... no último dia andei à rasca de um dente (há 10 anos que os cabrões dos dentes não me davam chatices, timing do crl) e o homem apanhou a constipação do costume..

há muito para ver e fazer na maior das ilhas baleares. achava eu, na minha ignorância inocência, que 5 dias eram suficientes para conhecer a ilha.. apenas consegui raspar a superfície, e a correr... existem montes de sítios giros para visitar, e ficou muita coisa para trás.

quando o avião sobrevoou a cordilheira da tramuntana, fiquei logo a salivar. se há duas coisas que eu gosto nesta vida, é praia e montanhas.. e ali encontrei o melhor dos dois mundos. e não só!

passámos por (espécies de) praias maravilhosas. foi a primeira vez que me banhei nas águas do mediterrâneo, e fiquei instantaneamente fã. são deliciosas, em cor e temperatura (pelo menos na altura em que fomos).. quando entravamos era quase impossível sair. duas coisas onde passei mais horas (acordada) em maiorca: enfiada no mar e a conduzir.

a banda sonora foi providenciada pelo canto incessante das cigarras, malucas com o tempo quente. quase deixavam a malta surda, nunca as tinha ouvido cantar com tanta intensidade. às vezes íamos no carro de vidros abertos, a levar com vento quente na tromba, só para as ouvir.

o interior está salpicado de vilas e aldeias solarengas, muito pitorescas e cheias de charme. estão perfeitamente diluídas na paisagem, devido às casas serem na sua maioria feitas em pedra. ao entardecer, os tons quentes de castanho das paredes e dos telhados, ganham um dourado resplandecente magnifico. em cada uma delas, espreitava sempre uma torre de igreja por cima dos telhados. nas ruas apertadas em calçada da mesma cor das paredes, com plantas e flores a brotarem de todos os lados, não faltam esplanadas e terraços a convidar-nos para tapas e cañas.

atravessámos muitas que mereciam visita, mas como andávamos sempre a contra relógio, nem sempre dava para parar. fazer road trips é muito fixe, mas falha quando vamos com calendário para cumprir. ficamos com pouca margem para explorar à descrição todos os sítios que vamos encontrando pelo caminho.

passamos por uma porrada de sítios lindos, muitos deles terrivelmente maltratados pelo turismo excessivo. tal como no algarve, nota-se muita perda de identidade cultural, especialmente nas zonas costeiras mais concorridas. os restaurantes e o comércio estão orientadíssimos para o turismo, em alguns sítios nem se percebia que estávamos em espanha. esta parte faz-me uma certa alguma confusão.. acho que é perfeitamente possível preservar a autenticidade de um sítio, por muito concorrido que seja.. por algum motivo as pessoas começaram a ir para lá, não? 

aquilo é um paraíso, só que está tal modo infestado de pessoas que nem sempre se consegue apreciar devidamente a sua beleza. mesmo evitando as zonas mais turísticas, há sempre gente aos magotes (nós incluídos lol)..

memórias muitas, e algo que eu não sabia se tínhamos em nós: a capacidade de fazer uma viagem deste género, de forma tão despreocupada e cheia de improvisos, num pais estrangeiro. registei as zonas que mais gostei, e quero regressar para explorar com a devida atenção. ainda por cima está aqui tão pertinho de nós.

os capítulos desta saga vão estar divididos pelos locais onde acordámos e onde fomos adormecer. a ver se não me esqueço de nada, pois não tive tempo de apontar nada. foi sempre, sempre a abrir, à noite quando caía na cama ferrava a dormir 8 horas seguidas, tal não era o cansaço.

resta apenas saber se, a) vamos pagar uma pequena fortuna em roaming de dados, b) a melhor coisa que podia ter acontecido a quem se desloca pela europa é for reals! yay!! 5 dias pendurada no roaming de dados, com 0 de custos extra. fuck yea!

to be continued...

Lost in... London II

Maio 29, 2017

here we go again, here we go go go... *

e esta foi a segunda viagem que compramos pelos saldos da easyjet, em dezembro. ainda estávamos no rescaldo da viagem anterior, mas como voltei de lá a sentir que não tinha vivido a cidade devidamente, queria uma desforra a.s.a.p.

mas antes de continuar, tenho que deixar aqui uma reclamação à minha pessoa.. eu julgava que já tinhas aprendido, isa maria, que marcar voos para de madrugada, é uma péssima, péssima ideia. porque não dormes, porque andas grogue a manhã toda, e porque vais perder 4 horas preciosas da tarde a fazer uma sesta para recuperar minimamente... humpf!

e aquela manhã de sábado teve tudo para correr mal,

primeiro porque somos umas pessoas muito descontraídas e chegámos ao aeroporto quase em cima da hora do fecho do embarque, e porque nos esquecemos que para londres, temos que passar pelo controlo de alfândega.. e estava uma fila medonha para o controlo de alfândega, porque estavam apenas dois postos abertos, para dois voos para londres à mesma hora (vergonhoso, aquele T2 do aeroporto de LX), e estava todàgente em pânico, e todàgente a querer passar por cima uns dos outros. quase que dissemos bai bai à viagem. ainda assim, não fomos os últimos a entrar no avião (tugas lol) :D

e apesar do voo ter saído de lisboa à hora prevista, e ter aterrado em gatwick dez minutos antes da hora prevista, tivemos que esperar quase meia-hora na pista, à espera de slot para o avião estacionar.

não seria problema se não tivéssemos bilhetes comprados para um comboio que partia dali a 30mn. e ainda tínhamos que sair do aeroporto, e chegar à estação dos comboios, e levantar os bilhetes na máquina, e não fazíamos a mínima ideia de como era o processo porque era a primeira vez que íamos andar de comboio. bom, foi uma correria insana, mas conseguimos apanhar o comboio (até ao dia de hoje, ainda estou para saber como é que conseguimos tal feito).

yep.. nós dois somos aquelas pessoas que atravessam os corredores dos aeroporto correr, feitas parvas, porque cenas :P

às 10.30 da manhã estávamos a atravessar o tamisa, mas eu vinha tão concentrada nas 4!! chaminés da battersea station que nem dei por isso. apenas vi o tamisa uma vez, nos três dias que estivemos em londres. 


apesar de termos repetido algumas coisas, esta viagem foi completamente diferente da outra, sem planos, e sem horários nenhuns. a única coisa que fazia questão, era de ir a camden ver os mercados, de resto era para curtir a cidade como nos apetecesse, coisa que não aconteceu da outra vez, porque estava demasiado frio para andar na rua, e os dias eram minúsculos.. ideia de merda, ir a londres no inverno. nunca mais!!

agora, com luz até às oito e meia da noite, temperaturas mais suportáveis, e net no telemóvel, a história foi completamente diferente.. foi épico, a todos os níveis. voltei de lá definitivamente fã daquela metrópole \m/

repetimos principalmente comida. ramen no tonkostu do selfriges (fomos também ao shoryu, bestramen. ever!!); nandos; krispy kreme; fish and chips; voltamos ao regency cafe, para almoçar english breakfast. adoro aquele sítio, bué castiço, e adoro o cota que atende a malta. o tipo despede-se da clientela pelo nome, com aquela familiaridade reconfortante, típica de tasco de bairro que conhece os clientes desde sempre. quando saímos, e o cota despediu-se do homem pelo nome, fiquei de rastos :D

mal metemos os pés em lojas. ok.. fora as lojecas em camden lock, fomos à forbidden planet, ao japan center (ainda bem que não temos cá nada parecido.. era a minha ruína :D), a uma comic store perto do hotel, a uma h&m porque o homem calculou mal a bagagem e precisou de uma long sleeve, e ao john lewis à hora do fecho para ir buscar um chromecast. de resto, entramos no selfriges para ir comer, no boots buscar lenços e drogas (tá visto que o homem constipa-se sempre que lá vai), e no tesco comprar água (bargh) e alcagoitas.

estivemos quase... quase... para ir ver uma peça. íamos a passar numa das ruas principais do centro, quando vi a fronha do "bobby axelrod" na fachada de um teatro e dei uns saltos. fui pesquisar se havia bilhetes para o dia seguinte e havia.. mas.. tive medo de arriscar. não sou grande fã de teatro, e os bilhetes mais baratos não me garantiam que ia conseguir ver grande coisa da actuação do homem, e tive medo de dar o tempo por desperdiçado, enquanto podia aproveitar cada minuto na cidade. não me arrependo, mas por outro lado, ficou-me aqui um feeling de assunto inacabado :/

o voo para lá correu muito bem. apanhamos um bocadinho de turbulência, mas tudo suave, e o avião ainda cheirava a novo (o airbus nº 250). no regresso, saímos de luton com tempo relativamente bom, mas antes de aterrar cá, os pilotos tiveram que fazer umas piscinas.. parece que o aeroporto de lisboa esteve fechado uns momentos por causa do mau tempo e provocou fila.



to be continued...

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mIRC.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e (sempre que a preguiça não a impede) gosta praticar exercício físico.

mantém uma pequena bucket list de coisas que gostava de fazer nos entretantos.

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores:
#12   #11   #10   #9   #8   #6   #5   #4

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