Down the memory lane... IRC

(porque a malta à medida que vai ficando idosa gosta cada vez mais de perder-se as avenidas da memória) há uns dias a conversa escorregou para o IRC, e a criação dos serviços da PTnet, e os tempos dourados da internet por dial-up. o IRC era um fenómeno, e talvez das coisas que mais nostalgia trazem a quem viveu a internet naquela altura. era um sítio muito fixe para se estar. a malta entrava, chamava a lista de canais, e juntava-se àqueles cujas as temáticas ou locais interessavam. aos poucos entrava-se nas conversas do canal, mandávamos umas bocas uns aos outros, e depois as conversas continuavam em privado,

oi
ddtc
m/f
idade

quantas amizades e relações não começaram assim?

depois havia as novelas. cada canal tinha as suas. principalmente por causa da "ditadura" dos OPeradores, e da sede pelo poder. o @ era a coroa, o simbolo da elite, e o fruto mais apetecido. logo a seguir vinham os +voice, (que tecnicamente não valiam de nada, a não ser que o canal fosse moderado) mas a malta não se importava de lamber o cu aos OPs só para esta mais acima na lista de nicks. quem tinha voice era sinal que tinha friends in high places, literalmente.

às vezes aconteciam rixas épicas, e a malta acabava kickada ou banida. alguns revoltavam-se, criavam novos canais, levando consigo outros dissidentes. também havia muita guerrilha. um exemplo disso eram os takeovers. a malta organizava-se, desatavam a floodar todàgente que estava no canal para fora da rede, e depois um dos atacantes tornava-se OP e concedia a graça aos compinchas. enquanto a ordem não era restaurada pelos donos do canal, eles tinham os seus 15 minutos de glória, que eram aproveitados para mudar a descrição do canal, e talvez encher aquilo com bonecada em ascii art.

haviam uns users que estavam sempre ligados, dia e noite, sempre muito quietos e pouco participativos. só respondiam se nos metêssemos com eles. eram os bots, o seu propósito era ajudar a manter o canal. alguns tinham truques porreiros.

ocasionalmente acontecia uma cena (pouco) fixe, chamada netsplit. quando a malta começava a abandonar os canais em massa, era sinal que um dos nós da rede se tinha desligado e estávamos isolados. nesta altura também havia corrida para ser OP do canal, que durava enquanto a rede não era restabelecida, o que podia durar uns minutos.. ou umas horas.. ou uns dias.

longas noitadas agarrados ao teclado, a conversar ou a kitar o cliente de IRC, com comandos e cenas, para automatizar o acesso, tipo identificar o nick e entrar nos canais habituais. entretanto começaram a aparecer uns scripts que vieram apimentar as coisas. metiam na mão de qualquer pato bravo a possibilidade de nukar e floodar aquele user que não morríamos de amores, era uma animação :D

de quando em quando, ou porque a rede estava instável ou porque a PTnet estava adormecida e estávamos simplesmente aborrecidos, íamos até lá fora, à undernet, ou à DALnet, ou à EFnet, ver as modas. mas era chato estar sempre a alternar entre servidores.

depois haviam as famosas jantas e os meets, organizados pelos canais, onde a malta tinha oportunidade de conviver fora da rede com as pessoas que estavam por trás dos nicks. muitos acabavam por descobrir que afinal a _V4n3SsA_ não tinha cabelo comprido, nem olhos azuis, nem vestia copa 34DD. era, de facto, loira e media 1.80m, mas tinha demasiado pêlo na cara  e uma corcunda pouco atraente.

grandes tempos *suspiro*

apercebi-me, de repente, que fez por estas alturas 20 anos que me liguei à net e ao IRC pela primeira vez. mais de metade da minha vida.. não vou cair no cliché de rematar isto a dizer que estou velha.. tipo ya, tá todàgente morta de saber isso.. vou cair sim no outro cliché, aquele sobre a rapidez com que o tempo passa, sem darmos por nada. 20 anos é MUITO tempo.. mas na minha cabeça, nem por isso..

o IRC ainda existe, mas já está muito distante daquele IRC que conhecíamos e amávamos, mesmo com todos os defeitos que tinha. it's true what they say, tudo tem o seu tempo :')

Down the memory lane... The Prodigy

a propósito dos 20 anos do lançamento do fat of the land,

algures no final do verão de 97, emprestaram-me umas cassetes de vídeo de anime da manga entertainment, que tinham um videoclip promocional com uma música brutalissima. comentei isso quando as devolvi ao dono, e por uma daquelas conspirações cósmicas, não só ele sabia como se chamava a música - voodoo people, de banda que eu nunca tinha ouvido falar chamada the prodigy, como tinha o CD onde ela vinha e prontificou-se a emprestar-mo.

nunca tinha ouvido nada como aquilo, fiquei completamente assombrada com o som daquele álbum... 

mal devolvi o CD, antes que ficasse desgastado de tanto rodar no meu discman lol fui a correr ao disco d'ouro (a única loja em lagos que tinha um catálogo minimamente decente de música) meter as mãozinhas num exemplar do music for the jilted generation para mim.. quando reparei que havia outro, o experience. passado dois dias fui buscar esse também. e foi nessa segunda visita que descobri outro ainda, o fat of the land, acabadinho de chegar. não tardei muito a ir buscá-lo também :D

três CDs numa semana, like a boss!

os prodigy foram a banda sonora que marcou a minha (r)evolução pessoal. tenho finais de 97, 98 e 99 completamente associados à música destes três álbuns. sempre que os oiço, tenho altas flashbacks.

apesar da banda ter continuado a lançar álbuns, IMO não voltaram a conseguir um som tão épico como aquele que marcou os três primeiros. especialmente o music for the jilted generation, que até aos dias de hoje, continua a ser o meu álbum favorito deles.

foi também por causa destes moços que tive o meu primeiro ataque de pânico. daqueles lixados, em que achamos que vamos morrer naquele momento, em que o coração descontrola-se e deixamos de conseguir respirar, começamos a suar quente e frio por todos os poros, e desatamos a vomitar incontrolavelmente. aconteceu pouco antes do concerto deles começar, no festival do sudoeste de 2006 (warning: fucking huge post).

estava na fila da frente, agarrada à grade, a segurar o meu lugar como se a minha vida dependesse disso.. e dependia, porque atrás de mim, tinha um tsunami medonho de festivaleiros em fúria. o homem estava atrás de mim, com os braços cravados na grade a proteger-me daquela massa humana, e eu a pensar "vou morrer aqui, esmagada contra a grade". e o concerto ainda nem tinha começado... nisto, senti que ia perder os sentidos e homem teve que me arrastar de lá para fora (acho que até aos dias de hoje ainda não me perdoou lol).

já vieram cá uma quantas vezes, mas essa foi a única vez que os vi ao vivo. assisti cá atrás, junto à régie, mas não é a mesma coisa. aliás.. em 2006 já não era a mesma coisa. quem me dera tê-los ouvido nos finais dos 90...

quando é que caralho inventam uma forma de viajar no tempo? tenho uns quantos concertos que *preciso* de ir assistir!!

1997: memórias

tinha três coisas na minha vida: internet (irc, e estava a dar os primeiros passos no webdesign), música, e dragonball. e não queria saber de absolutamente mais nada!

nesse ano, tinha duas tardes livres no horário da escola. nesses dias vinha para casa à hora do almoço, comia qualquer coisa passava a tarde ou agarrada ao pc (tinha uma colecção valente de diskettes cheias de imagens - que hoje em dia seriam do tamanho de selos, e clips de vídeo e áudio em *rm/a e *wav's), ou às minhas colecções de cartões e bugigangas que ia comprando relacionadas com o vício, ou esparramada num puf, à espera das 5 da tarde para ver dbz, a ouvir música ou a dormir.

tinha o rádio sempre sintonizado na ant3na, e uma cassete sempre enfiada no deck, e ia fazendo mix tapes com o que apanhava nas emissões e curtia. air, deepdish, robbie robertson, são coisas que descobri nessa altura (que me lembra), e sempre que as ouço, sou recambiada para o passado, viagem no tempo instantânea.

uma vez acordei a meio da sesta, ao berros, com uma cãimbra na perna. a sis veio a correr em meu auxilio, e quando se apercebeu do que era, esticou-me a perna de uma forma que me fez passar a dor.. mindblown!!

gravava sempre o episódio, para rever uma, duas, três... as vezes que fossem preciso :D às vezes fazia pipocas e o arc do freeza parecia interminável. pqp!!

tinha o quarto forrado a posters, fazia scrap books (que ainda hoje existem), e desenhos para vender aos putos na escola, e para entrar em concursos para ganhar cassetes de video com OVAs de DBZ - e ainda ganhei umas quantas. bons tempos aqueles lol

8 de Maio de 2017, às 21:38link do post comentar

Down the memory lane... 1997

este foi (até então) o ano mais marado da minha vida.

não sei se terá sido motivado pela saída da adolescência (fiz 18 nesse ano), essa fase obscura da nossa existência, se foi o vício que me fez sair da casca, mas parece que vi "a luz" e comecei a sentir-me viva pela primeira vez na vida. só sei que foi granda reviravolta, a todos os níveis.

tanto que até os professores notaram. era aquela miúda tímida, com ar enfezado, que se arrastava pelos corredores e entrava na sala muda e saía calada. sentava-me sempre nas filas de trás, ao lado da janela e passava metade das aulas a olhar para a rua, perdida no vazio. não queria saber de nada nem de ninguém.. e no ano seguinte (a repetir o 10º ano), era ameaçada de ir prá rua porque não calava nas aulas. parecia que tinha levado uma mega injecção de adrenalina.. andava eléctrica, não parava quieta, nem calada. nem parecia a mesma pessoa. a única coisa que não mudou é que continuava a detestar a escola com todas as minhas forças muhahahah

não tinha uma vida muito fácil naquela altura, e estou genuinamente surpreendida por assim de repente, ter começado a recordar aqueles tempos com mais nostalgia do que alguma vez acreditei ser possível.. quando ouço músicas que ouvia naqueles tempos, e tenho aquelas trips temporais, até fico com o estômago enguiçado.

e o receio de me esquecer destes tempos esta-se a tornar numa cena.. daí que tenho que começar a registar as memórias que ainda vou conseguindo trazer ao de cima.

isto de envelhecer é interessante. não é fixe.. mas é interessante.

22 de Fevereiro de 2017, às 23:48link do post comentar

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mIRC.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e (sempre que a preguiça não a impede) gosta praticar exercício físico.

mantém uma pequena bucket list de coisas que gostava de fazer nos entretantos.

de resto, é ler o blog :D

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores:
#11 #10 #9 #8 #6 #5 #4

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