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lost in wonderland

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Let's get grillin’ I

Agosto 12, 2019

quando regressei de férias, o seguro ainda não tinha dado luz verde porque o pedido seguiu com uma informação em falta, e teve que ser re-submetido. e assim se passou mais uma semana. estava bastante satisfeita que o verão tinha tirado férias aqui do pedaço, o que tornava aquela provação mais fácil de engolir. até que o cabrão se lembrou de aparecer...

...e chegou todo de uma só vez!

ah poizé, mas tu agora não podes apanhar sol filha, por isso esquece lá a praia. NÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOO... que castigo tão cruel, que piada tão podre, que mal fiz eu ao universo para ficar privada da altura do ano que mais gosto, PUTA QUE PARIUUUUUU!!!

21 sessões, todos os dias da semana, à mesma hora, durante o mês de agosto praticamente todo.

entretanto, comecei com a rotina dos hidratação. é recomendado (pelos fabricantes dos cremes lol) começarmos a aplicar creme hidratante uma semana ou duas antes do inicio da radioterapia. estava indecisa entre dois, o ureadin rx rd e o sativa m-tex, ambos específicos para pele irradiada. então comprei os dois e fui usando alternadamente, até chegar à conclusão que o sativa tava 10 a 5 no ureadin, e passei a usar apenas o sativa, que tinha que encomendar na farmácia sempre que terminava uma embalagem. muito baratinho, este creme. vou acreditar que faz milagres. três vezes ao dia. de manhã, imediatamente a seguir à sessão de radioterapia, e ao deitar.

na primeira sessão, a enfermeira deu-me uma bata descartável, com indicação para trazê-la todos os dias, para evitar desperdício. concordo muito com aquela medida. por mim, nem bata usava.. mas ninguém me queria meio desnuda a atravessar o corredor entre os vestiários e o bunker, que são tipo, 5 metros. bah!

a primeira sessão foi interessante. os meus olhinhos trataram de imprimir no cérebro todos os detalhes daquela sala refundida, protegida por uma porta estupidamente grossa. para além do acelerador linear [AL], que era um bocado diferente daqueles que tinha andado a ver em fotos e vídeos, haviam monitores, e câmeras, e maquinetas que emitam lasers pregadas ao tecto. em frente ao AL, e também pregado ao tecto, estava uma bisarma que apelidei de "máquina da CC" (capsule corporation) por causa o logotipo, que projectava uns gráficos muita marados no meu tórax. pelo que percebi, é um engenho que serve para parar a radiação imediatamente, caso o paciente se mexa.

foram 3 pessoas para dentro da sala comigo. fizeram-me uns rabiscos no peito, ajustaram aquela cangalhada toda ao milímetro, confirmaram tudo e um par de botas. e depois, uma das pessoas diz-me,

"agora vamos lá fora fazer umas contas. é preciso que não se mexa" e eu não me mexi. entretanto aquela história começa a rodar à minha volta, para um lado e para o outro, a ranger por todos os lados, parecia que se ia escangalhar toda em cima de mim. praí 3 minutos depois, aquela tropa toda regressa ao bunker.

“já está despachada!”

"já??" 

oi.. tão não iam só fazer contas e assim? tão levei logo uma dose de radiação, assim, a frio, e nem dei por nada? não pode! mas sim, aparentemente aquilo é muito rápido, e ainda passou ser mais rápido, porque na primeira sessão perdem algum tempo com ajustes e a rabiscar a pele, e nas seguintes não.

uma aplicação generosa de creme assim que chegava ao vestiário e tava feito. como sou despachada, nem 10 minutos perdia lá dentro, depois de ser chamada. a parte chata era ter as sessões durante a tarde. tinha que me meter no trânsito para ir do trabalho até ao hospital, e voltar novamente.

entretanto no final da primeira semana aconteceu um contratempo, e os tratamentos no hospital foram suspensos. mas como a malta que faz RT não pode interromper o tratamento, fomos reencaminhados para outros centros.

Radioterapia

Agosto 09, 2019

antes de fazer o relato da minha experiência na tostadeira humana, deixem-me falar um bocadinho sobre esta terapia, que é utilizada há mais de 100 anos para tratar tumores. então,

o que é a radioterapia?

é um tratamento local, que utiliza radiação para danificar as células cancerígenas.

divide-se em dois tipos: radioterapia externa e braquiterapia (radioterapia interna). cerca de metade dos doentes oncológicos são submetidos a este tratamento. uns como terapia adjuvante, outros como terapia única, outros como terapia paliativa. em algumas situações, a radioterapia é o único tratamento necessário.

na radioterapia externa, é utilizada radiação ionizante (tipo raios-x on steroids) gerada por uma máquina gigante chamada acelerador linear. é administrada a uma determinada distância, com o doente imobilizado, para evitar quaisquer movimentos involuntários que afectem a precisão do feixe. na braquiterapia, é colocada uma fonte radioactiva no interior do corpo, no local do tumor.

a radioterapia externa sujeita o paciente a uma rotina um bocado aborrecida, uma vez que a dose total de radiação é dividida em fracções, para ser administrada diariamente, ao longo de algumas semanas.

a quantidade de radiação é medida em grays (Gy), e a varia consoante a extensão da doença, as características do tumor, e o estado geral do doente. existem várias técnicas para aplicá-la. as mais avançadas, que abordam o tumor com maior precisão, são: 3D-CRT1, IMRT2, V-MAT3, IGRT4, SBRT5, IORT6 e gating respiratório7. a técnica a utilizar varia de acordo com cada caso clínico, e é decidida durante o plano de tratamento.

o serviço de radioterapia costuma ficar numa zona refundida do edifício. a sala onde a está o acelerador linear é conhecida por bunker, e tem um nível de protecção insano. a equipa deste serviço é composta por médicos especialistas em radioterapia, físicos médicos, dosimetristas, técnicos de radioterapia, e pessoal de enfermagem.

como é que a radioterapia funciona?

a radiação vai provocar pequenas quebras no ADN das células. as células cancerígenas crescem e dividem-se mais rapidamente que as células saudáveis, mas não têm capacidade de se regenerar. e quando são expostas à radiação, não conseguem reparar os estragos, acabando por morrer.

as células saudáveis que também são afectadas pela radiação, fazem o que é suposto: regeneram-se, e continuam o ciclo.

[a partir deste ponto, falo especificamente sobre radioterapia externa no cancro da mama]

porque é que preciso de fazer radioterapia?

a radioterapia serve para eliminar todas células cancerígenas que possam ter ficado para trás durante a cirurgia, aumentando substancialmente a sobrevida das doentes.

todas as doentes submetidas a cirurgia conservadora devem fazer radioterapia, devido ao risco de recidiva local, que pode acontecer mesmo que o tumor tenha sido totalmente removido e com margens limpas. as pacientes submetidas a mastectomia, poderão ter que fazer este tratamento, devido à possível invasão da pele, músculo, e gânglios linfáticos.

quando é que tenho que fazer este tratamento?

geralmente, inicia-se entre 4 a 6 semanas após a cirurgia.

fazer radioterapia dói?

não, se sente absolutamente nada. vá.. quanto muito, podemos ter uma ou outra sensação de picada, nada de especial mesmo. custa mais manter-nos imóveis na posição em que estamos deitadas, do que a parte da irradiação em si.

como é administrada?

estamos deitadas em cima de uma mesa, desnudas da cintura para cima, (in)comodamente instaladas numa estrutura chamada imobilizador, que mantém as costas ligeiramente inclinadas, os braços apoiados por cima da cabeça, e os joelhos levantados. entretanto a mesa move-se até à posição definida no plano de tratamento.

de seguida, os terapeutas ajustam a nossa posição ao milímetro. existem vários lasers projectados sobre nós, e os pontinhos que temos tatuados no tórax têm que estar muito bem alinhados com eles. esta parte costuma demorar mais tempo que a irradiação em si, é preciso uma certa paciência.

terminado o posicionamento, ficamos sozinhas na sala, e momentos depois, o acelerador linear move-se ao nosso redor. consoante a técnica que está a ser utilizada, pode demorar mais ou menos tempo, mas normalmente demora entre 5 a 10 minutos. (se não estivermos a fazer radioterapia com a técnica de inspiração máxima sustentada) podemos respirar normalmente, mas não podemos fazer nenhum movimento. mas se por acaso acontecer algum movimento involuntário, worry not, que existe um processo automático que interrompe o feixe de radiação imediatamente .

esta rotina repete-se todos os dias da semana, durante cerca de seis semanas.

vou ficar radioactiva após a sessão? 

não, porque a fonte de radiação não está no nosso corpo.

mas.. se radiação é cancerígena, o tratamento não me vai provocar cancro?

a radioterapia pode aumentar ligeiramente o risco de se desenvolver outro cancro, é um dos seus efeitos secundários. é um factor que pesa na avaliação de cada caso clínico, mas se os médicos recomendam este tratamento para o nosso caso, é porque o benefício supera os riscos.

que efeitos secundários posso esperar?

à medida que o tratamento avança, podemos começar a notar algumas alterações, na pele e na mama. a maioria resolve-se nas semanas seguintes após o tratamento terminar.

cerca de duas semanas após o inicio dos tratamentos, a pele na zona irradiada pode começar a ficar avermelhada, com aspecto de queimadura solar. ao mesmo tempo fica sensível e seca, e pode dar comichão. mais para a frente, podem começar a surgir bolhas ou a pele começar a descamar. o pêlo cai e deixa de crescer. é provável que a pele escureça na zona irradiada. 

a mama pode sofrer algumas alterações físicas. os danos causados pela radiação nos vasos linfáticos pode dificultar a circulação linfática e provocar acumulação de liquido nos tecidos (linfedema), e a mama incha. pode ganhar firmeza, porque o tecido pode endurecer e perder alguma elasticidade (fibrose). e porque a radiação pode fazer com que o tecido mamário se contraia, pode ficar mais pequena.

se tivemos feito radiação nos gânglios axiliares, podemos desenvolver linfedema no braço, que pode limitar o movimento das articulações.

fadiga é um efeito secundário que costuma estar associado, mas é mais devido à penosa rotina, do que o tratamento em si.

a longo termo podem surgir problemas nos pulmões, coração, ossos, nervos, ou até cancro. importa mencionar que as técnicas utilizadas actualmente limitam bastante a exposição de radiação dos orgãos vizinhos. o resto, é uma questão de mantermos vigilância activa.

[ nota: se alguém entendido na matéria ter tropeçado nalguma informação errada, pedia o enorme favor de me corrigir. thanks in advance! ]


 

1 3D-CRT (radioterapia conformacional 3D), esta técnica molda o feixe de radiação à forma do tumor, para fornecer uma distribuição de dose com a forma do tumor, poupando os tecidos circundantes.

2 IMRT (radioterapia de intensidade modulada), é uma técnica avançada de 3D-CRT, em que o feixe de radiação é dividido em pequenos segmentos com intensidades variáveis, poupando ainda mais tecido em redor. pode necessitar de planeamento adicional no inicio de cada sessão, que pode tornar os tratamentos mais demorados.

3 VMAT, arcoterapia volumétrica modulada, é uma técnica avançada de IMRT, que para além de distribuir a dose com o formato do tumor, e utilizar múltiplos feixes com intensidades variáveis, mantém uma rotação contínua (arco) à volta do doente, diminuindo a duração do tratamento.

4 IGRT (radioterapia de imagem guiada), outra técnica avançada de 3D-CRT, que recolhe imagens antes do início de cada dose de radiação, para o técnico verificar a posição do tumor, e se necessário fazer ajustes à trajectória do feixe, para aumentar a precisão.

5 SBRT (radioterapia estereotáxica), é uma técnica utilizada no tratamento de pequenos tumores, geralmente em locais pouco acessíveis. a dose total é menos fraccionada, e o doente recebe uma dose mais concentrada de radiação em cada sessão.

6 IORT (radioterapia intra-operatória), técnica que consiste numa dose única e elevada de radiação, administrada durante a cirurgia.

7 gating respiratório, técnica em que a radiação apenas é emitida durante uma fase do ciclo respiratório do doente, quando o tumor se encontra na posição pretendida para a irradiação.

Consulta de Radioterapia

Julho 03, 2019

não tinha menos dúvidas com a radioterapia [RT], do que com a hormonoterapia, pois também li e vi umas coisinhas menos agradáveis sobre este tratamento. a consulta decorreu nas calmas e durou montes de tempo.

mais uma vez massacrei a médica com perguntas e dúvidas, salpicadas com doses generosas de piadas. não tenho problemas nenhuns que as pessoas fiquem a pensar que tenho um parafuso desapertado. 

a médica explicou-me para que serve este tratamento, porque é que preciso dele, como é administrado, e como é feito o acompanhamento. explicou-me os possíveis efeitos secundários, e como é que a pele costuma reagir à radiação,

  • esperar uma queimadura tipo escaldão, e possível irritação da pele (radiodermatite)
  • descoloração da pele
  • o pêlo na zona irradiada cair
  • poderia sentir algum cansaço com o avançar das sessões

mas para mim, a parte que mais me interessava daquela conversa toda era… os CREMES!!

quero a minha pele bem tratadinha durante esta história toda. o que é que posso usar, o que é que não posso usar. tinha andado a ler TUDO sobre cremes, já tinha a minha lista, e queria afiná-la. acontece que a médica era liberal quanto à minha escolha de creme hidratante, apenas fez algumas advertências:

  • só não podia usar um creme com metais pesados na sua composição (tipo o halibut, que tem óxido de zinco), de resto podia usar qualquer um
  • que não besuntasse creme nas três horas antes da sessão de RT
  • nada de depilar a axila, nem usar desodorizantes e anti-transpirantes (por causa dos metais)

caso a pele começasse a empolar e a ficar com mau aspecto, seria necessário uma pomada especifica, com cortisona. mas até lá, não nos vamos preocupar com isso.

quando o assunto é radioterapia, a pele acaba por ser a principal preocupação, porque a queimadura é o efeito mais visível, mas também porque causa um *certo* desconforto, e pode até ser doloroso. é preciso ter alguns cuidados,

  • evitar roupa justa, para não causar fricção na pele, usar antes blusas largas
  • tomar banho com água morna
  • no banho, utilizar um gel suave, sem sabão, e nada de coisas abrasivas, tipo esponjas e poufs
  • deixar a pele secar ao ar, ou apenas passar a toalha levemente
  • é completamente proibido coçar
  • evitar dormir sobre o lado irradiado

perguntei se podia ter um pote de gel de aloé vera no frigorífico, para aliviar-me, caso sentisse a pele a arder, e ficar maluca com a comichão. podia.

porque a minha segunda grande preocupação era saber se podia ir à praia, fiz várias perguntas neste departamento. as recomendações foram,

  • nada de apanhar sol na área irradiada, e usar um chapéu de aba larga ou um lenço no pescoço quando saísse à rua. sol, só depois de ter passado um ano, até lá, evitar.. iria ter que pensar em soluções para as férias
  • meter protector solar, mesmo que vestisse uma t-shirt
  • se tomasse banho no mar (devidamente protegida), evitar molhar a zona do peito, por dois motivos, primeiro porque o salitre podia ser irritante para a pele, segundo, não podia apagar os rabiscos para guiar os técnicos durante a RT.

perguntei ainda se me deveria preocupar com pneumonite por radiação, ao que ela respondeu que as técnicas utilizadas actualmente limitam bastante a exposição dos pulmões à radiação, mas que uns meses depois do tratamento, iríamos inspeccionar os pulmões.

verão.. sem depilar o sovaco, nem poder usar anti-transpirante.. tasse! o copo meio cheio, é que a radioterapia ia fazer o pêlame cair (zomg, fiz uma piada GENIAL com isto, deixei uma técnica de RT de incrédula a olhar para mim, até que se apercebeu que eu tava brincar).

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mIRC.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e (sempre que a preguiça não a impede) gosta praticar exercício físico.

mantém uma pequena bucket list de coisas que gostava de fazer nos entretantos.

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores:
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