La casa de papel

a mid season da primavera terminou e finalmente arranjei tempo para o binge d'la casa de papel. como o hype já passou, todàgente já viu, e já se escreveu tudo o que havia para escrever, vou apenas deixar umas notas:

[ cuidado que pode ter spoilers!!! ]

- o torres é o MVP;

- shippei o denver e a srta gaztambide desde o tiro na perna;

- bonita história de amor também teria sido o helsinki e o arturito;

- a nairobi es la puta ama!!

- o berlín é a definição personificada de smooth criminal. quanta classe!

- a tokio é uma das personagens principais mais irritantes dos últimos tempos;

 - o oslo morreu, mas os seus pulmões continuaram a funcionar;

- el profesor traçou um plano milimétrico, previu todos os cenários possíveis de imaginar, obcecou com todos os detalhes.. só não contou foi com a pior das falhas: o factor humano (ele incluído);

- el profesor tão genial que é com a cabeça de cima, quase jodeu tudo quando começou a pensar com a de baixo;

- el profesor tem ar de nerd desajeitado, mas na vida real é um pão do crl. fazia!

- tão e a cruz que o moscú carrega, por ter abandonado a mulher agarrada numa rotunda, perto de onde vivia um dealer de caballo, e depois estava sempre a sonhar que ela limpava para-brisas nos semáforos? enredo digno de uma telenovela venezuelana, com legendas em espanhol então,  é de ir às lágrimas de tanto rir 😂

- como é que carajo as cuecas do arturito estavam tão brancas com aquele colete de bombas ao peito? 

- a miúda de famílias britânicas tinha um sotaque americano perfeito;

- coitados dos reféns, que nem a família ou amigos tinham lá acampados à espera de desenvolvimentos;

- nem quero imaginar os níveis de colesterol e glicémia daquela malta, depois de uma semana a comer pizzas e sandes em pão de forma;

- aqueles coños mereceram cada cêntimo que conseguiram imprimir!!

- wilhelm scream: check!

- os hombres españoles são assim tão brutos com as mulheres? joder..

- fiquei fascinadissima pela vastidão e criatividade dos insultos e dos palavrões em espanhol, nunca me tinha apercebido da riqueza do vocabulário carroceiro de nuestros hermanos, é verdadeiramente épico!

13 de Julho de 2018, às 21:30link do post comentar(1)

Abril, séries mil

tradicionalmente, a televisão americana tem duas seasons de séries. a fall season, que começa no outono e estica-se até quase ao final da primavera, e é quando estream as principais apostas dos canais, ou trazem de volta séries com grandes audiências, e com duração de cerca de 22 episodios. como o calendário incluí sempre algumas folgas (hiatus), de modo a preencher os buracos, as estações introduzem séries com metade dos episódios, a chamada mid-season. ora como filler, ora para ver se têm estofo para se tornar numa série maior, e entrar na fall season.


por causa disto, maio acabava por ser uma altura chata, pois andava sempre ali um nervoso miudinho no ar, sobre se as séries que seguíamos iam ter continuidade, ou se terminariam por ali. durante muito tempo, a única coisa que me dava alento no final do verão para receber o outono com os braços abertos, era saber que vinha aí uma porrada de coisas boas para ver na tv. mas isso começou a mudar desde há uns anos para cá...

entretanto o mundo começou a ficar viciado em séries, e o formato que funciona melhor para os papa-séries é o de curta duração, que por ser mais focado, é menos monótono e tem mais qualidade. outra vantagem é que em vez de se arrastar por 7 ou 8 meses, dura cerca de 3 (salvo o netflix e cia., que injecta a series à bruta no nosso sistema e arruína-nos a vida muhahaha), e vemos duas séries/seasons no espaço de uma. also, se não valer a pena, a malta não se chateia tanto com o tempo que perdeu a ver aquilo. 

para alimentar o consumo desenfreado, o calendário deixou de ser rígido, as séries vão sendo lançadas ao longo do ano, sem alturas especificas, tornando quase obsoleta a classificação de mid-season. agora é em todas as seasons, uma alegria!

e eu dou por mim mais ansiosa à espera do ano novo pelo regresso das minhas séries favoritas, do que do outono.. por acaso este ano não aconteceu bem bem no inicio do ano, foi mais no inicio da primavera.

tudo isto para dizer que nestas últimas semanas, regressaram billions, the expanse, e a derradeira temporada de new girl. westworld, the handmaid's tale, e colony estão aí a rebentar. de longe o mês mais rico do ano, serialmente falando. /me bate muitas palminhas. muitas das séries em que me viciei nos últimos anos são filhas da mid-season. podem ser curtas, e deixarem-me a sofrer praticamente um ano inteiro até voltarem, mas valem tão a pena!!

14 de Abril de 2018, às 13:01link do post comentar(2)

Séries em 2017

à semelhança do ano anterior, também neste vi pouquíssimos filmes, e fora aqueles que lhes dediquei posts (que foram apenas dois), nem me apeteceu a escrever sobre os poucos que vi (as in, começa-me a faltar a pachorra para filmes de super-heróis, que é aquilo que mais vou ao cinema ver). as séries continuaram a dominar!

tão, estas foram as cinco que mais gostei de ver este ano:

the handmaid's tale
declarei-a a minha série favorita do ano e ainda só íamos em junho, e não mudei de opinião. entretanto, e por causa da avalanche de emmy's que recebeu, tem sido bastante falada. 

the deuce
como saudosista dos anos 70's (apesar de só ter vivido dois meses neles), adorei o ambiente desta série, super realista, sem polimento nem artifícios. as personagens são ricas e estão belissimamente caracterizadas, vão-se desenvolvendo em banho maria ao longo da série, sem grandes pressas nem cerimónias.

dediquei-lhe um post depois de ter visto o primeiro episódio, e não desiludiu até ao ultimo. fechou com véu de nostalgia, aquela sensação agridoce de fim de uma era, em que as coisas nunca mais voltarão a ser como antes.

mindhunter
outra série de época, facto que quase passa despercebido se não fosse pela tonalidade esverdeada, dessaturada, e escura da fotografia, e pela tecnologia oldskool usada nos adereços. é inteligente, analítica, e muito cirúrgica. é de desenvolvimento lento, e nem sempre de digestão fácil, mas cada episódio entrega uma dose de intensidade e suspense que nos mantém agarrados.

para além da premissa, que do ponto de vista da psicologia é fascinante, as personagens, o que as movia e a química entre elas, foi o que funcionou melhor para mim nesta série.

high maintenance
começou no vimeo há uns anos, mas só este ano é que encalhamos nela. é. TÃO. FIXE! é terrivelmente hipster, desde a música, às personagens, os cenários, até ao enredo - a vida como ela é, simples e por vezes cruelmente aborrecida. há um episódio em particular que acabamos os dois a enxugar as lágrimas, por ser tão.. belo? não sei, puxou as cordas certas cá dentro. a segunda season começa em janeiro e mal posso esperar.

mr robot
apesar de já ir em três temporadas, esta continua a ser uma das minhas sérias paixões dos últimos anos, cada temporada tem saído mais intensa que a outra. o último episódio desta foi brutalmente intenso, teve uma sucessão de plot twists que não são apropriados para pessoas que sofrem do coração. ainda assim, de todas as temporadas foi a que menos pontas soltas deixou, como se pudesse terminar por ali. esperemos que não!

menções honrosas:

future man, terminator meets back to the future meets duke nukem. é um fartote. se gostam de jogos de porradaria, cenas gore-ish, fuckups temporais, e doses maciças de estupidez (juvenil), esta série tem o vosso nome!

the orville, to boldly go where no man has gone before. não tava à espera de gostar muito desta, foi um guilty pleasure, vá.. canaliza bastante star trek, e eu não consigo atinar com star trek nem à martelada. anyway, o seth macfarlane faz a festa com um arraial de clichés de sci-fi, umas piadas brejeiras, e aproveita a boleia para mandar umas chouriçadas aqui e ali. a única coisa que esta série precisa urgentemente é de encurtar o genérico. é penoso!!

e também:

american gods, better things, billionscolony (que está cada vez melhor), dark (chiliques temporais, adoro!!), dark matter (que infelizmente foi cancelada), preacherstranger things (que não achei tão fixe como a primeira season), the expanse (que está cada vez melhor), the grand tour, the man in the high castle, e the night manager.

28 de Dezembro de 2017, às 09:00link do post comentar(1)

The Deuce

atenção atenção, nostálgicos dos anos 70

saudosos do vinyl? ainda não recuperados do desgosto do seu cancelamento? então vão gostar de saber há uma nova série retro no pedaço. só que em vez de música e editoras, é sobre prostituição e porno. a coisa promete!

tem um ambiente ainda mais decadente e sombrio que o do vinyl, e é um bocadinho mais "pesada" e gráfica. já li por aí que a recriação do ambiente de new york do inicio dos anos 70 está bastante fiel, mas isso não posso confirmar porque lamentavelmente não estive lá. mas posso confirmar que os cenários, o guarda-roupa e os props estão soberbos, e parecem-me muito realistas.

ainda mal começou e a HBO já a renovou para uma segunda season.. vamos lá ver se não acaba cancelada como a outra.

21 de Setembro de 2017, às 18:00link do post comentar ver comentários (4)(1)

The Handmaid's Tale

do carradão de séries que aparece todos os anos, há sempre aquela que nos manda ao tapete, e nos deixa sem folgo.. ainda vamos a meio do ano, mas já decidi que a the handmaid's tale é a minha série do ano.

é um bocado forte e não faz bem o meu género, mas deixou-me pespegada ao ecrã (o homem até estranhou lol), incrédula a cada episódio que passava, de tão sinistra e cruel, e ao mesmo tempo de tão bem construida que está. a cinematografia cria um ambiente tão frio e intenso quanto a narrativa, e está cheia de detalhes realmente criativos, e cenas mudas que valem mil palavras.

retrata um futuro distópico onde a humanidade começou definhar, devido à infertilidade provocada por factores que não são bem claros (mas que segundo o livro onde a série é baseada, deve-se à poluição e às dst's), e aproveitando-se do cenário de guerra civil, um grupo extremista religioso tomou conta do poder dos estados unidos da américa. a sociedade é reorganizada por este regime segundo padrões baseados no velho testamento, e retira quase todos os direitos humanos aos seus cidadões, mandado a poderosa nação umas boas centenas de anos para o passado. quem não obedece às regras é sujeito a procedimentos desumanos, e quem se opõe ou tenta revoltar-se contra o regime, é assassinado a sangre frio para servir de exemplo.

as mulheres são o grupo que mais sofreu, e vivem especialmente oprimidas. não podem trabalhar (apenas em casa), não podem ler, nem conduzir ou fumar. obedecem ao marido ou ao dono da casa, e não podem mandar ou contestar absolutamente nada.

a história é-nos narrada por uma personagem feminina, que tem uma função muito "nobre", faz parte de um grupo selecto de mulheres férteis - as handmaids, que são colocadas em casa de famílias de poder, para gerar filhos pelas esposas inférteis. uma vez por mês estas mulheres sujeitam-se a uma "cerimónia" bastante humilhante, para tentar engravidar do dono da casa, enquanto a mulher deste está presente.

esta personagem, june.. ou melhor, offred (as handmaids assumem o nome dos "donos"), mostra-nos são só a rotina e as obrigações das handmaids, como também faz flashbacks que levantam a ponta do véu sobre alguns momentos na origem deste regime opressor, e sobre o seu passado.

há varias coisas aterrorizantes nesta história, mas a que salta mais à vista (e a mais desconfortável também), é que não relata assim coisas tão inéditas quanto isso.. para as encontramos, basta pesquisar nas raizes da nossa história, ou olhar com atenção para fora da nossa bolha.

não quero spoilar mais, porque é uma série que recomendo vivamente, apesar dos constantes murros no estômago.

Mid season 2017

já vai alta e este ano, por incrível que pareça, não estou a acompanhar nada de novo. o homem anda a ver legion, mas apesar dos efeitos visuais estarem geniais, ainda não me conseguir convencer.. 

..mas estou a gostar muuuuuuito de algumas estreias do ano passado, que regressaram a partir a loiça toda!

billions. foi das surpresas da mid season anterior que recebi com mais entusiasmo este ano, e não me está a deixar ficar nada mal. ainda está no início, mas já dá para adivinhar a quantidade de merda que vai voar em todas as direcções, quando ligarem a ventoinha :D

colony. a primeira temporada foi muito fixe, mas dava a sensação que se arrastava um bocado. parecia que as personagens andavam a correr em círculos, e os desenvolvimentos eram lentos. nesta redimiu-se dessas pequenas falhas. para além do ritmo ter aumentado como da noite para o dia, veio com um nível de violência inesperado, que às vezes até me dá a volta ao estômago.

lucifer. apesar de ter estreado durante a mid season, a segunda temporada recebeu um upgrade ao número de episódios, passou de 13 para 22, e estreou-se na fall season. está congelada até maio.

the expanse. se já achava inacreditável uma série de ficção cientifica tipo space opera ter aquela qualidade (ainda para mais, sendo uma produção do syfy), esta temporada está a arrasar a todos os níveis! as personagens estão mais afinadas, o enredo está cada vez mais intenso, e a qualidade dos cenários e dos efeitos especiais está soberba. passamos os episódios a apanhar o queixo ao chão.

8 de Março de 2017, às 10:00link do post comentar ver comentários (5)

The Night Manager

uma porrada de anos mais tarde voltei a ver uma série com o hugh laurie. passei os seis episódios baralhada com o homem. não consegui dissociá-lo do house, os tiques estavam todos lá, só não anda de bengala e está mais careca. e cheira-me que ele passou demasiado tempo na america e esqueceu-se de como se fala com sotaque britânico. tem piada, acho a voz dele mais harmoniosa quando fala americano (mas eu sou suspeita, adoro o sotaque americano). depois há o tom hiddleston (aka loki), que parecia estar tremendamente desconfortável no seu papel de espião recrutado à pressa. mas tenho o feeling que ele parece desconfortável em qualquer papel que calce.. deve ser o estilo dele.

no geral, esta mini-série vê-se bem. não é muito densa, tem suspense q.b., a cinematografia é impecável - às vezes mais parece que estamos a ver um filme, os locais de filmagem e cenários são definitivamente interessantes, tipo um 007 low budget. mas depois tem algumas inconsistências a nível de argumento, que quase arruínam a coisa. ao longo dos seis episódios vamos apanhando alguns momentos descompensados, que se formos picuinhas e decidirmos não suspender a descrença, é coisa para custar a engolir. o que mais me custou foi o plot device principal da narrativa, que enfraqueceu de tal modo o vilão - supostamente um dos homens mais perigosos e assustadores à face da terra, que a credibilidade dele quase cai por terra.

o desenvolvimento das personagens também podia ser mais interessante, assim como os motivos delas, tão parcamente elaborados, que pouco ou nada convencem. imo, os actores nem pareciam ter grande material para trabalhar as personagens, até me espanta como conseguiram arrecadar três globos de ouro..

é pena, porque havia ali muita substância, foi foi mal explorada e o resultado saiu um tanto superficial.

Dragon Ball

z.. z.. z.. ora bem, vou já avisando que o post que se segue não vai interessar a 99% de vós. mas sendo este tasco o principal registo que mantenho da minha vida, vão ter que papar com isto anyway :D

comecei a ver dragon ball do longínquo ano de 1996, depois de estar farta de ouvir falar na série, e de ver colegas da minha idade correrem para casa depois das aulas, para não perderem um segundo. não gostava de desenhos animados, mas a curiosidade mandou-me sentar à frente da tv, e ver uns quantos episódios para tentar perceber aquele hype todo...

...e quando dei por mim, estava absurdamente agarrada. obcecada, mesmo! não via mais nada pela frente se não aquilo. foi uma fase muita marada, que ainda durou uns anos. mesmo depois da série terminar e da febre começar a arrefecer, nunca me afastei muito daquele universo. nos entretantos fiz várias maratonas, e lia fic's e doujinshi's que ajudavam a preencher os vazios deixados pela série.

até que no ano passado começou o super, uma série totalmente nova, e canon. nada como aquele cagalhão do GT. os primeiros arcs não foram muito originais porque desdobravam os dois OVA's mais recentes. mas depois a coisa começou finalmente a abrir, e OMFG!!!

quem diria que 20 anos mais tarde, voltaria a dar por mim novamente viciadona na série. em parte pelo fanservice que a toei está a dar de bandeja. o meu OTP tem estado em grande e faz-me passar horas no tumblr (e noutros sítios mais refundidos), a seguir uma fandom completamente histérica (assim como eu hi hi hi).

acompanhar dragon ball em 2016 é completamente diferente de 1996. já não é preciso amontar VHSs, nem de me lembrar a programar o vídeo e deixar a cassete certa lá dentro. agora existe uma coisa muita fixe chamada internet! um episódio novo passa no japão, e duas horas depois aparece a fumegar nos torresmos. já para não falar que todos os episódios, de todas as séries, e OVAs estão à distância de um click. outra coisa brutal é a enxurrada de memes, gifs, e opiniões e teorias que se segue a cada episódio, e que mantêm a malta entretida até ao próximo.

also finalmente vi respondida uma questão existencial que tinha, desde há duas décadas: se a mim custava-me horrores a esperar um dia por um episódio novo (especialmente durante o arc do freeza, que aquilo nunca mais desemerdava), como teria aguentado aquela malta que só via uma vez por semana? devia ser uma tortura.. 

sim, é uma tortura!!! AAAAARGH!!!

estou a escrever isto no rescaldo daquele que é capaz de ser o episódio mais épico de todas as séries juntas (o 65º), e vai ser uma looooooonga semana, à espera de outro que se adivinha ainda mais épico. ando-me sempre a queixar que o tempo passa demasiado rápido.. pois esta semana espero que corra a mil à hora!! tou aqui que nem me aguento, à espera da próxima madrugada de domingo!! XD


há 20 anos era a minha sis que me acompanhava, hoje é o meu homem que atura a berraria. btw, o meu homem só é meu homem porque eu um dia decidi começar a ver dragon ball. não sei se o teria conhecido de outra forma, até porque existiam 300km a separar-nos. a minha madrinha de casamento só a conheci pelo mesmo motivo. e também foi por causa desta série que me aventurei no web design, que mais tarde viria a ser a minha profissão. só me trouxe coisas boas, esta série ♥

no fim-de-semana em que fui à terrinha, os meus pais tinham andado em arrumações e aproveitei para organizar a minha velhinha colecção, de material que adquiri entre 1996/2000, para ver se aquilo não leva sumiço. muito dinheiro gastava eu com o vicio lol tudo o que saía para o mercado com a estampilha do DB, eu comprava muahahaha. curiosamente, o item mais precioso que lá tenho não foi comprado. é um scrap book brutal, cheio de colagens e notas que fui fazendo ao longo de um ano. tão, mas tão bom!

Mr Robot

é nestes momentos que eu tenho pena de não saber escrever uma prosa decente, capaz de fazer justiça à obra de arte que é esta série..

a primeira season de mr robot ditou que as expectativas fossem altas. mas acho que ninguém estava à espera disto, ou sequer preparado para a viagem alucinante que foram estes 12 episódios..

isto não é uma série. é uma caça ao tesouro, um teste à concentração, um desafio à memória, um exercício de lógica, um murro no estômago.

a mestria do intrincado enredo tira-nos o folgo. não há pontas soltas. cada cena, cada fragmento de diálogo, cada elemento no cenário, até a escolha musical, tem uma relação. era preciso encontrá-la, ou então registá-la, porque ia ser necessária para compreender algum detalhe mais à frente. e porque o enredo desta season continua intimamente ligado ao da primeira, era preciso mantê-la fresca na cabeça.

os fãs mais techies da série não brincaram em serviço. vasculharam toda e qualquer linha de código que apareceu no ecrã, seguiram todas as pistas e obcecavam com os easter eggs e com as mensagens subliminares, analisaram ruídos suspeitos, chegando ao ponto de ouvir os episódios ao contrário para encontrar mensagens escondidas, que só serviam para intensificar ainda mais as teorias - e nem vamos falar das toneladas de teorias, e adendas às teorias que havia para digerir todas as semanas.

os timings dos eventos, as conversas enigmáticas, as cenas silenciosas, as referências, que serviam para confundir ainda mais. nada era deixado ao acaso, nada era coincidência. eram os 50 minutos mais intensos da minha semana. quando terminavam, sentia-me exausta, e completamente mindblown.

depois era correr para o reddit, chafurdar nas dezenas de posts que entretanto já tinham sido publicados com updates nas teorias, confirmar os detalhes, e as perguntas sem resposta que podiam ter escapado ou terem sido mal interpretados. foi brutal, no sentido literal da palavra.

a este elaborado mindfuck junta-se a magnificência dos planos, da fotografia, da banda sonora (que rendeu um emmy ao compositor), e a escolha musical que encaixa perfeitamente em cada cena.

quando este último episódio abre com a the hall of mirrors, dos kraftwerk, ia tendo uma coisa má! foi das músicas mais genialmente bem colocadas que tive o privilegio de testemunhar numa série. não só pela banda ser fundamentalmente conhecida pela cena tecnológica e robótica, como o som electrónico minimalista ter colado na perfeição com o cenário, e a letra resumir em poucas linhas os dilemas da personagem principal. fiquei arrepiada.

os actores conseguiram desenvolver personagens complexas e fortíssimas, com uma presença assombrosa no ecrã. intensas, profundas, e sem falhas. foram todos brilhantes, com prestações dignas de destaque. e gostei especialmente de terem sido as miúdas a carregar grande parte da acção desta season às costas.

e agora, temos pela frente nove longos meses, até que as perguntas que ficaram no ar comecem finalmente a ser respondidas (ou não!!). man....

23 de Setembro de 2016, às 21:32link do post comentar ver comentários (11)(3)

Dark Matter

é uma space opera, (espero não ferir susceptibilidades) muita rasca. começamos a vê-la no ano passado, num dia em que só podíamos estar realmente aborrecidos.

tal não era a fé que os produtores depositavam no projecto, que parecia ter sido financiada com restos do orçamento do ano anterior.. a começar pelo nível arrepiante de amadorismo dos actores, guião destrambelhado, diálogos de ir ao vómito, cenários pobretanas, e efeitos especiais manhosos. uma autêntica comédia, de tão má que era..

e foi com esse mindset que decidimos acompanhá-la. aliás, era a única forma de conseguir tolerá-la. passávamos os episódios inteiros às gargalhadas.

a série foca-se nas (des)aventuras de um bando de desajustados, que vagabundeiam pela galáxia ao sabor do destino, numa nave espacial toda badass. estão unidos pelas circunstâncias de um misterioso evento que lhes roubou as memórias, e o seu passado é o maior inimigo que enfrentam. está sempre ao virar da esquina, pronto a baixar-lhes as calças.

apesar de se passar no espaço, nunca se viu um ET numa das estações espaciais ou planetas onde esta malta pára.. pelos vistos a galáxia está totalmente habitada por humanos. os cenários exteriores resumem-se a bosques depenados e armazéns abandonados, do tipo daqueles que podemos encontrar nos arredores cidades. mas enquanto a risota valer a pena, manda vir!

acontece que ao longo dos episódios, coisa começou lentamente a melhorar e quando demos por nós, já não a víamos pelo gozo, mas sim porque nos dava gozo. o desempenho (de alguns) dos actores estava a melhorar, o desenvolvimento das personagens seguia a bom ritmo, e a química entre elas a funcionava muito bem. as trapalhadas do gang decorriam com mais ou menos inspiração, os clichés continuavam a ser o prato do dia, mas o mistério era sólido quanto baste para nos deixar ansiosos pelo próximo episódio. a pontos de termos receio que fosse cancelada.

contra todas as probabilidades, conseguiu conquistar uma nesga do coração dos fãs do género, e ganhou uma fanbase com dimensão suficiente para o canal decidir continuar a apostar nela. 

a segunda season, que terminou agora, saiu mais madura, mais confiante, com menos oportunidades de gargalhadas, e com (um bocadinho de) mais qualidade. e alguma coisa eles continuam a fazer bem, porque já tem terceira season confirmada. e nós vamos ficar a salivar à espera dela, resultado do cliffhanger de fim de tempor(r)ada.



não deixa de ser um guilty pleasure, mas tenho cá para mim, que ainda se vai tornar numa série de culto nas trincheiras nerds :D

19 de Setembro de 2016, às 01:07link do post comentar ver comentários (8)

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mIRC.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e (sempre que a preguiça não a impede) gosta praticar exercício físico.

mantém uma pequena bucket list de coisas que gostava de fazer nos entretantos.

de resto, é ler o blog :D

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores:
#11 #10 #9 #8 #6 #5 #4

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