Dia 5 // de Castelo Melhor a Longroiva

acordar com uma paisagem daquelas a entrar-nos pelo quarto a dentro é qualquer coisa.. e a calma daquele lugar? ficava na boa uma manhã (ou a tarde) inteira sentada na varanda, ou no sofá ao lado da janela, a ler um livro ou simplesmente a perder o olhar na paisagem.

douro

mas o melhor de acordar ali ainda estava para vir: o pequeno-almoço.. zomg.. clássico brunch de instagram, totalmente obsceno.. e delicioso!! enfardei até ao limite do estômago.. e mesmo assim sobrou mais de metade daquele banquete. podia não ser buffet, mas não faltava ali nada, o que não estava na mesa vinha da cozinha a pedido, e feito na hora (ovos, bacon, etc).

pequeno almoço banquete

aproveitamos o quarto até à hora de check-out e depois fomos dar um longo passeio pela quinta, até à beira do douro, depois pelas vinhas. a ventania era de tal forma potente que o rio parecia correr ao contrário. seria um dia impecável, se não fosse pelo vento..

casa do riodouro douro
quinta do vallado quinta do vallado
linha

a casa do rio é um daqueles sítios que não vou dizer "temos que lá voltar", vou dizer "vamos mesmo lá voltar", aquilo é um paraíso!

este é aquele dia das férias que deixo sempre em aberto, para dar margem a improvisos e surpresas. ou seja, não sabia onde e como iria acabar, se em casa, se num ponto qualquer ao calhas no mapa. opções eram mais que muitas, que ganhasse a melhor ideia!

ainda assim, queria passar por uns quantos sítios. portanto deixamos a casa do rio com destino a barca d'alva, logo ali ao lado, e pelo caminho mais curto. ainda parei para mirar o castelo de castelo melhor, mas para visitá-lo iria precisar de pelo menos uma hora, então deixei-o para a próxima visita... daquelas decisões que na hora parecem bem, mas depois uma pessoa arrepende-se e já é tarde demais, oh well..

ia tão fixada na paisagem, que deixei passar o desvio e fui parar à estação ferroviária de almendra. tipo.. de que servia uma estação no meio no nada, a km's e km's da povoação mais próxima? se calhar até se percebe porque é que aquele troço todo de linha férrea está desactivado..

douro douro

voltei para trás e lá encontrei o desvio que queria. não havia indicações, e os meus piores receios iam-se concretizar. através do google maps dava para ver que era um caminho agrícola de terra batida, mas eu tinha esperança que aquelas imagens de satélite tivessem altamente desactualizadas, e que a estrada entretanto tivesse sido asfaltada (a esperança é a ultima a morrer, certo?)... ou o google não me teria metido por lá? ou teria, à luz da minha suspeita que ele conhece o perfil de estradas onde costumo andar?

google, enquanto eu tiver o cascas não me mandes por estradas de terra batida, ouviste??? o bicho já não tem idade para essas farras.

não tinha já tido uma experiência desagradável no dia anterior, querem lá ver.. dispenso outra hoje!! mas a volta que teria que dar, era estupidamente longa e decidi arriscar.. tive sorte que não apanhei muita lama, mas apanhei um susto ou outro com derrocadas e uns ramos derrubados das árvores pelo vento. a puta da estrada parecia interminável, quando voltei a ver o asfalto agradeci ao universo por não me ter pregado nenhuma partida. puf!!

o cais de vega de terron estava bastante pacato, mas o dia não estava grande coisa, acabamos por não ficar lá muito tempo.

despedimo-nos do douro internacional, com um até muito breve, espero, e seguimos para sul, com a aldeia histórica de castelo rodrigo na mira. fiz umas quantas paragens em miradouros, para ir esticando ao máximo a despedida daquela paisagem que tanto gosto.

trás-os-montes

a parte mais interessante das viagens é notarmos a morfologia da paisagem a mudar lentamente. à medida que íamos deixando a região do douro, fomos gradualmente deixando de subir e descer montes, as curvas atenuaram, a vinhas, as amendoeiras e as oliveiras desaparecem do horizonte. blocos redondos de granito, e vegetação rasteira passa a dominar na paisagem.

não me vou alongar sobre castelo rodrigo, vou deixar isso para mais tarde. só tive pena que a tarde estava limpa, mas realmente desagradável por causa do vento e do frio. podia ter apreciado melhor a aldeia e a paisagem.

seguia-se almeida. idem idem, aspas aspas. mais uma vez fomos sabotados pelo vento, que soprava cada vez com mais força. o carro parado abanava por todos os lados, e não conseguíamos estar na rua mais de 5 minutos, por causa do frio e da ventania..

por aquela altura ainda não sabíamos como ia terminar o dia. o hotel que havíamos tentado umas horas antes estava cheio, e ainda não tínhamos tido oportunidade para abrir o booking e analisar as nossas hipóteses. entretanto, e já que estava perto de vilar formoso, aproveitei para ir atestar o carro (eu não resisto muhahahah) apesar de ainda ter 1/4 do depósito.

tava ali, e tava a começar a ficar seriamente dividida... o que é que me impedia de seguir caminho e ir acabar as férias em salamanca? era só uma horinha.. ou então era uma horinha de volta para a zona das duas aldeias históricas que não conseguimos alcançar naquele dia... decisions, decisions... mas o que é realmente fixe, é ter deixado de existir roaming na união europeia, e nós estarmos ali, no estacionamento da galp de fuentes de oñoro, agarrados aos telemóveis, a decidir se havíamos de seguir para salamanca, ou algures nas redondezas de marialva e trancoso, ou para casa.

porque eu estava com medo de rapar frio em salamanca, apesar da ideia de acabar o dia a comer churros com chocolate quente aquecer-me a alma, e porque o homem apanhou um quartinho no longroiva hotel, um dos alojamentos que por acaso considerei para a 5ª noite (mas descartei porque sou parva e liguei mais às fotos que à descrição do hotel), acabamos por voltar para portugal.

uma hora depois estávamos a chegar a longroiva. diz que havia uma piscina exterior com água naturalmente aquecida à nossa espera. e não era mentira, não senhora. eram 8 da noite, cá fora estavam 5ºC, lá dentro 38ºC. que meia hora tão maravilhosa. não há palavras...

o cenário era mais ou menos este,

snow monkey

(macacos da neve a banharem-se em fontes termais a 40ºC, copyright © jigokudani yaen kōen)


já sair da água, com uma diferença de 30 graus para a rua, é que.. FFFUUUUUUU!!!

deram-nos um quartito todo catita, no edifício principal. ficava um bocado afastado da piscina e do restaurante, mas era um preço que não me importei de pagar, pelo charme dos meus aposentos :D. o hotel é composto por um edifício clássico e um anexo ultra moderno, com quartos e bungalows. muito, muito giro, e ainda cheirava a novo. fun fact: o hotel foi desenhado pelo mesmo arquitecto das eco/tree houses do parque das pedras salgadas.

jantamos no restaurante do hotel, comi um polvo à lagareiro impecável. fiquei fã do azeite da quinta vale d'aldeia, cuja produção pertence aos proprietários do hotel.

nessa noite o homem decidiu que queria voltar a fazer geocaching, então passamos o resto da noite a instalar a app e a ver que caches podíamos fazer no dia seguinte. pena não se ter lembrado isto na primeira noite, em melgaço. a quantidade de caches fixes que deixamos escapar, baaaah!

Dia 4 // de Picote a Castelo Melhor

para compensar o dia anterior, este estava a transbordar. quis descer o douro internacional, e continuar uma tarefa muito interessante que ficou por terminar na outra volta, miradouros. tinha uma lista com seis que queria muito visitar. por azar, foi também o pior dos dias que apanhamos, com chuva, frio, e vento forte. PQP!!

vou reformular, o dia estava verdadeiramente merdoso...

acordamos para um dia cinzentão, bem foleiro. nada fixe quando o objectivo é passear, e mirar desfiladeiros com centenas de metros de altura.

descemos à cozinha para preparar o pequeno-almoço, que só não correu melhor porque estas almas não sabem operar máquinas de café domésticas, e não tinham todas as ferramentas a que estão habitadas para preparar comida, e perdeu-se tempo precioso com os improvisos. enfim, lá se fez, e terminado o pequeno-almoço, subimos para ir arrumar a tralha e metemo-nos a caminho, que se fazia tarde.

estavam previstos seis miradouros. mas como estávamos em picote, mesmo à entrada do caminho que vai dar ao miradouro da fraga do puio, e a meia dúzia de passos de lá, aproveitamos para mirá-lo. o anfitrião da casa tinha-nos dito que aquilo tinha ardido tudo, e que não estava muito bonito de se ver. de facto, até a plataforma em madeira do miradouro ardeu, e estava tudo queimado quase até à água. acho que só não pareceu pior porque o dia estava cinzento, a condizer com a paisagem :(

miradouro fraga do puio

picote tinha ainda mais casas recuperadas que há dois anos, está a ficar um sitio *muito* giro.

dali demos inicio à aventura do dia, seguindo a todo o vapor para nordeste, até aldeia nova / aldinuoba, ver as vistas a partir do miradouro de são joão das arribas.

imponente, para descrevê-lo numa palavra só. se não estou em erro, foi o mais alto dos miradouros que visitamos naquele dia. ali o douro corre numa estreita garganta, de paredes escarpadas ásperas e contornos muito acidentados, e a vista é incrível tanto a montante como a jusante. acabamos por nos demorar, que aquele sitio é de cortar a respiração, e ficamos sem forças para sair dali :D

miradouro são joão das arribas

de seguida fomos até miranda do douro, onde também passamos mais tempo do que aquilo que estava nos planos. não há nada a fazer, que as vistas ali também são impressionantes.

e ainda hoje tenho sonhos húmidos com um palmier coberto com chocolate que comi na pastelaria mirandesa, onde também tínhamos lanchado há dois anos hi hi hi

mais abaixo no mapa, passamos pelo miradouro da freixiosa. nesta altura o vento não estava a facilitar muito a vida, e aquele miradouro não é para fracos do coração lol aqui o douro corre mais à larga, e a paisagem não é tão acidentada, mas não deixa de ser brutal.

miradouro da freixiosa miradouro da freixiosa

seguia-se o miradouro de picões. este era o mais desafiante por causa do caminho até lá. tinha chovido a manhã toda, e a estrada de terra batida estava encharcada, e cheia de depressões profundas causadas por veículos pesados. eu tentei, a sério que tentei. mesmo a arriscar atascar o cascas na lama.

por acaso não me estava nada a apetecer ficar com o carro atascado ali, já vinha há umas boas dezenas de metros com o coração nas goelas por causa disso. evitei vários buracos e poças de água como se fossem minas terrestres, em que uma manobra mal feita e tinha que ir à procura dum velhote com um tractor para me tirar o carro dali pra fora... atirei a toalha ao chão quando aquilo começou a deixar de ser um estradão e transformou-se num rio, e eu falei e disse "nope nope nope.. puta que pariu, caguei!" e não andei nem mais um metro.

e agora, voltar para trás? HA HA HA HA!

o caminho era estreito e murado, só cabia um carro. até conseguirmos inverter a marcha em porto seguro foram uns metros valentes de marcha-àtrás, com uma precisão cirúrgica para o carro não ficar encalhado. isto é material para me dar ataques de pânico instantâneos... quando aquela provação terminou, podia ter deixado o carro estacionado na aberta, e ter percorrido a pé as poucas centenas de metros que faltavam até ao miradouro.. mas o estado do caminho, e a chuva a ameaçar cair, e o tempo precioso que perdemos a não cometer nenhum fuck up com o nosso estimado automóvel, desencorajaram-me de perder mais tempo ali, e quis voltar à segurança do asfalto.

anyway, foi a maior aventura do dia lol

porque já se estava a fazer tarde, também o miradouro do castro castelo dos mouros também ficou para uma próxima, com muita pena minha.

seguiu-se o miradouro do carrascalinho, já sob de uma tarde verdadeiramente desagradável. o sitio é lindíssimo, a vista é desafogada, e as aves de grande porte pairam ali preguiçosamente. interessante que parecem imunes à chuva e ao vento.

por fim, e já quase ao cair da noite, ainda consegui levar-nos ao miradouro do penedo durão. foi o miradouro mais humanizado que visitamos. o acesso é impecável, tem um parque de estacionamento enorme, e montes de espaço para merendas. e tem uma paisagem magnífica, de perder a vista.

na volta anterior, estive parada lá em baixo a contemplar a vista, e a olhar cá para cima, a imaginar como seria fixe subir aquele penhasco, pouco antes de atravessar a barragem que se vê dali, saucelle, para explorar o douro internacional do lado espanhol. diria que é naquele ponto que o douro começa a amansar, e segue um percurso mais calminho até à foz. e é também ali a recta final em que aquele magnifico rio serve de fronteira entre portugal e espanha.

a descoberta do dia é que é possível descer o douro internacional e visitar uma série de miradouros em apenas um dia. basta começar cedo. preferencialmente com colaboração da meteorologia.. fiquei absolutamente fodida pelo falhanço dos dois miradouros, e pelo tempo horroroso que não me deixou desfrutar melhor os que consegui alcançar.. não ha milagres, acontecem sempre falhas nos planos, por melhor que sejam as intenções e a nossa determinação.

dali fomos a todo o vapor para torre de moncorvo, jantar na taberna no carró, restaurante que nos tinha sido altamente recomendado. não havia menu, era sentar e esperar que a comida começasse a aterrar na mesa. e foi tanta a comida, que nós, que chegamos lá mortinhos de fome, às tantas já estávamos os dois a entrar em pânico muhahaha

começou por pão e azeitonas, uma tábua de queijo curado e enchidos, depois uma alheira de mirandela assada nas brasas, depois uma omelete de espargos, depois cogumelos recheados, e terminou com uma bruta posta mirandesa, acompanhada por arroz de grão e salada de azedas. minha nossa senhora da assunção, que puta da barrigada. não sobrou espaço para sobremesas, por mais delicioso que fosse o aspecto delas... saímos de lá a rebolar.

o último salto do dia seria prá lá de vila nova de foz côa, até à casa do rio. havia duas formas de lá chegar: 30km por curvas, ou 35km por estrada direitinha, a duração da viagem era idêntica. a parte chata foi que confiei no routing dos mapas do google, e não é que o cabrão mandou-me ir pela estrada das curvas? cá pra mim, devem ter lá no meu perfil que eu gosto de estradas "cénicas"... só pode!! e acredito que aquela estrada até seja muito agradável de conduzir, pela vista... mas de noite não se vê a ponta dum chouriço.. ainda por cima, curvas era a última coisa que me estava a apetecer depois de uma refeição daquelas, humpf!

chegar até à casa do rio também foi um desafio "interessante". uma sucessão de curvas apertadas, com um declive assustador, e escuridão total. o meu instinto dizia-me que era melhor segurar bem o carro, que o douro corria lá em baixo.. a que altura e distância, era uma incógnita. depois de dois pavorosos km, chegávamos finalmente à casa.

primeira impressão da coisa.. tinha sido mais esperta se tivesse cagado nos miradouros, e fosse directa de picote para aquele sítio. zomg... chegar lá às nove da noite foi um crime!

a melhor descrição que consigo fazer do alojamento é, a casa de campo de alguém com muito bom gosto. e papel. não se pouparam nos luxos. a decoração da sala de estar era de um tremendo bom gosto, numa combinação harmoniosa entre elementos de design moderno e rústico. os tons quentes da fraca iluminação envolviam-se com música chill out, a finalizar o ambiente perfeito. tinha um conforto intimista encantador.

o quarto, dos mais bonitos, confortáveis, e acolhedores onde já dormi. amplo, luminoso, forrado a madeira pintada de branco com um ar de casa de praia, ao fundo uma pequena sala de estar com sofás em pele e uma lareira suspensa, que não foi preciso acender porque o ar condicionado tomava conta do assunto.. e a cama.. uma nuvem autêntica. e tudo salpicado com pequenos arranjos florais silvestres frescos. acho que aquele quarto anda ali taco a taco com a casa da árvore, que só ganha porque é a casa da árvore lol

casa do rio casa do rio casa do rio

só podia ser a recompensa por aquele dia frustrante. quando reservei aquela maravilha, nunca imaginei o que me esperava, as fotos não lhe fazem justiça. 

os anfitriões, de uma simpatia desconcertante. acabamos por ficar até perto da meia noite na sala, entre conversas, chás, vinhos do porto e bolos caseiros.

again, como já vinha a ser trend, e numa rara ocasião (segundo nos foi dito), tivemos a(quele sonho de) casa só para nós :D

 

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Dia 3 // de Pedras Salgadas a Picote

este foi de longe o dia mais preguiçoso das férias. conseguimos uma horinha extra na casa da árvore, e depois do check out demos um passeio demorado pelo parque. estivemos a inspeccionar a "nossa" faia, que infelizmente não parece ter crescido muito.. oh well, pode ser que daqui por 10 anos esteja da minha altura.

primaver hera treehouse

já não conseguimos marcar massagens para aquele dia, mas por volta das três, fomos abancar no spa. estivemos a rodar o circuito da piscina, banho turco e sauna, até começarmos a ficar com a pele das mãos a parecer uma ameixa seca. a minha pele adora aquela água, nas horas seguintes fica sequinha, macia, e luminosa que é um mimo ♥

quando achamos que já tínhamos demolhado mais do que suficiente para um dia, iniciamos lentamente a retirada, para aproveitar bem os últimos minutos ali. de caminho para o carro lanchamos na casa do chá, e despedimo-nos do parque das pedras salgadas.

dali foram duas horas até mogadouro, onde iríamos jantar. tenho a dizer que o IC5 é uma estrada à maneira, tranquila e com umas vistas do caraças. não foi a primeira vez que a cruzei, e vou sempre de queixo caído com a paisagem envolvente.

na lareira, a posta soube-me melhor da outra vez, deve ter dias... e desta não havia salada de merugem, porque o inverno demorou a aparecer.

e como não encontrei nada interessante para pernoitar em mogadouro, fomos dormir a cerca de 30km dali, em picote, aldeia já nossa conhecida do raid anterior. ficamos numa casa típica da aldeia muito, muito fixe, e toda por nossa conta :D 

o quarto era super acolhedor, decorado em tons quentes da terra, e a cama ultra confortável. andávamos a ter sorte com as camas (sim.. este é o tipo de coisa que começa a ganhar muita importância à medida que vamos ficando idosos lol), naice!

 

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Dia 2 // de Campo do Gerês a Pedras Salgadas

depois do check out da pousada, andamos às voltas pelo campo do gerês. era difícil de acreditar que depois de uma noite daquelas, o dia estava tão bem disposto. 

não sei como é aquele sitio durante a época alta, mas nesta altura, é super calmo. não andava por ali quase ninguém, apenas um habitante ou outro. pena a placidez daquele cenário ser cortada pelo som de uma moto-serra, cujo ruído feroz ecoava pelo imenso vale. os incêndios não pouparam o parque e as limpezas estavam em curso. não ouvi a sinfonia de passarinhos que tão ansiosamente esperava - uma das melhores recordações que guardei de lá.. talvez porque ao contrário da outra visita, nesta a primavera estava atrasada. as árvores desnudas e o tempo manhoso não deve agradar à passarada.

a dada altura passamos por um rebanho de ovelhas muito conversadoras. ele era BÉÉÉÉÉÉÉ pra cá, ele era BÉÉÉÉÉÉÉ pra lá, numa chinfrineira desgraçada. não devem achar piada a estranhos lol demoramos ali uns minutos, a "conversar" com elas, mas às tantas decidiram ignorar-nos e piraram-se de volta pro estábulo.

dali seguimos para a vila do gerês, pela estrada mais curta, e mais cénica. dizem as más línguas que eu um dia maldisse aquela estrada.. como é que fui capaz de emitir tal barbaridade. a estrada é maravilhosa - dantesca, principalmente na vertente a noroeste, mas maravilhosa lol

tão e absorver esta paisagem, num dia brutal como este? devolve-nos anos de vida, garanto!!

gerês gerês 
(onde está o wally? lol)

da vila seguimos em direcção a cabril. passamos pelas cascatas do tahiti e paramos na ponte sobre o rio toco, para apreciar a água a correr pelos calhaus arredondados. acabamos por ir subindo, e subindo, porque bateu uma vontade doida de nos enfiarmos pelo monte adentro. mas não dava.. nem estávamos preparados, nem tínhamos tempo. se no dia anterior já tinha picado o bixo pelas saudades das caminhadas na peneda, ali ficamos mesmo com ganas de dar à sola. tá visto que precisamos de orientar uns dias para caminhar pelo gerês :D

rio toco rio toco

ao regresso, um pastor que estava por ali meteu conversa connosco durante uns bons minutos. estava acompanhado por dois cães muito preguiçosos, e aguardava pacientemente que a centena de cabras que tinha lá cima no monte a pastar, decidisse que estava na hora de regressar. vida mais solitária aquela.. não necessariamente má, mas solitária.

a paragem seguinte foi na ponte da misarela, que escapou no assalto ao gerês em 2012. percebe-se perfeitamente porque é que dizem a ponte foi construida pelo diabo... os tomates de aço que a malta da idade média tinha.. a ponte cravada naquele santuário natural, parece um cenário saído de um filme de fantasia, é surreal!

ponte da misarela ponte da misarela rio rabagão

infelizmente não sobrou tempo para fazer um desvio e visitar pitões das júnias e tourém. foi dos maiores desgostos das férias... mas tínhamos um SPA a chamar por nós. custou-me pa cacete deixar o gerês para trás.. aliás, custa sempre.. morro de amores por aquele parque. parava em cada curva para me despedir dele lol

gerês gerês  
de caminho para pedras salgadas, circundamos a albufeira alto rabagão a sul, para ver se a aldeia de vilarinho de negrões ainda se mantinha a tona, depois das chuvadas de março. em março de 2014, com um inverno muito seco, estava muito mais longe da água. ainda assim não estava tão cheia como esperava, ainda cabia ali uns litros valentes de água.

vilarinho de negrões

eram cinco e meia quando finalmente chegamos ao destino deste dia: o parque das pedras salgadas, onde a casa da árvore estava à nossa espera. gostei tanto, MAS TANTO de voltar àquele sítio.. ok, não tinha passado assim taaaanto tempo como tudo isso da visita anterior (dois anos e um dia, para ser exacta), mas still.. estava com umas saudades malucas... por mim ia lá todos os anos, tipo peregrinação. há quem vá a fátima, eu ia às pedras salgadas, dormir na casa da árvore e demolhar as peles na piscina do spa hi hi hi

treehouse

estava tudo tal e qual, até o menu do restaurante. quando volto a um sitio costumo ter uma sensação que me deixa um bocado baralhada, parece que não passou tempo nenhum desde desde a última vez que lá estive. acrescentou também aquela sensação quentinha e reconfortante, que às vezes até provoca arrepios pelo corpo, e nos deixa ligeiramente excitados. sinto-a sempre quando reencontro pedacinhos de coração que vou deixando espalhados por aí.

o jantar na casa de chá correu ainda melhor que na visita anterior. o homem repetiu as bochechas e eu fui no robalo. ambos os pratos estavam impecáveis. ganda repasto!! terminou assim :D''''


dessertporn

cena fixe da noite. por esta altura o meu estimado marido já estava a mandar um certo vibe a homem das cavernas. sei que ele gosta pouco de fazer a barba, mas eu cactos, só plantas. e juro pés juntos que tinha trazido uma gilete para ele, mas na bolsa das toileteries nem sinal dela... como não encontrei nenhum kit de barbear no wc, disse-lhe para ligar para a recepção a perguntar se tinham. entretanto como tínhamos reserva para jantar, não esperamos pela confirmação.

algures entre as entradas e o prato principal, a empregada aparece na nossa mesa. vinha trazer um recado - uma caixinha com o kit de barbear. se isto não é atenção ao cliente, não sei que será! eu estava apostada que quando regressássemos do jantar, aquilo ia estar pendurado na porta. mas ao que parece, como não estava ninguém na casa para receber, telefonaram para o restaurante a perguntar se estávamos lá, e foram entregar. tão bom!

 

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Lost in... Minho, Trás-os-Montes e Beira Alta

FINALMENTE FÉRIAS!! desde julho que não sabia o que isso era FFFUUUUUU... já estava a desesperar por uns diazinhos de desbunda, para meter as ideias de molho!

com o tempo armado em parvo, e com pouca vontade de sair do país, o programa de festas inspirou-se em lugares por onde já passamos, e que nos deixaram mortos de saudades mesmo antes de partir. assim como lugares que ficaram por visitar na mesma rota, e já agora porque não, descobrir locais novos onde coleccionar mais um camadão de saudades.

basicamente, revisitar lugares, reviver experiências, e sobretudo (tentar) descansar.

...embora descansar seja relativo quando conduzia uma média de 3 horas e meia por estradas que aumentam substancialmente as colónias de cabelos brancos que uma pessoa tem na cabeça... mas hey, se assim não fosse, deixava de reconhecer a minha pessoa muhahah

resultado: yet another epic road trip, que desta vez começaria lá bem no topo de portugal, contornaria o parque nacional da peneda-gerês, atravessaria trás-os-montes e o douro internacional, e circularia a beira alta. com etapas de condução planeadas para permitir passeios sem pressas e paragens imprevistas, e ainda assim, chegar a horas decentes aos destinos. contabilidade feita,

7 dias em viagem, 1795km percorridos, 24 horas ao volante

não havia de ter ficado com dores nos braços, e nas pernas, e nos joelhos, e nas costas, e no pescoço, e nos artelhos lol o caruncho que se instala com a idade é tramado -_-'

perdi alguns anos de vida em algumas "estradas", recuperei-os nos cenários incríveis por onde passamos, nos sítios fantásticos onde dormimos, na comida deliciosa que comemos, e na simpatia das pessoas com quem nos cruzámos.

ainda assim não fomos a todos os lugares que gostaríamos.. para isso seria preciso quase outra semana. o tempo ter andado manhoso foi o menos fixe, que eu tenho alergia ao frio, ao vento, à chuva. além disso, comprometeu o registo fotográfico do passeio. dias cinzentões não dão boas recordações (if it rhymes, it must be true :D), bah!

 

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Trás-os-Montes e Alto Douro // a desforra

no terceiro e último dia de passeio, acordamos como suposto no coração de trás-os-montes, em mirandela.

o que não era suposto foi no dia anterior termos regressado de espanha tão tarde, e o abel não servir jantares aos domingos. e como eu queria *mesmo* ir à posta, tinha que ser à hora de almoço, porque à de jantar contava já ir a meio do caminho de casa.. algo que iria alterar drasticamente o roteiro daquele dia. mas quanto a isso, vacinada já eu estou lol

depois de umas passeatas pelo centro de mirandela, onde ficamos deslumbrados com a serenidade do tua,

 

estava na altura de nos fazermos ao asfalto, ver o que ficou para trás na aventura anterior.

passámos por macedo de cavaleiros, e depois continuamos pela parte rural até à barragem do azibo, para semi-circular a zona. a albufeira do azibo é um sitio porreiro para se passar umas horas. tem praias fluviais, equipamentos aquáticos para alugar, percursos pedestres, etc. percebe-se porque estava tão concorrida naquela bonito dia de primavera.


dali seguimos pela A4 a todo o vapor, lançados a gimonde. chegamos lá por volta da uma e meia e não foi bonito.. estavam mais de 50 pessoas à nossa frente, e já não estavam a aceitar reservas.. é caso para dizer, que nem à terceira foi de vez :P

já que ali estávamos, aproveitamos para dar umas voltas pela aldeia,

 

e depois fui desmistificar os pombais, naquela zona existem bastantes. a maioria estão em terrenos privados, pelo que não me consegui chegar perto de um dos recuperados. mas fiquei satisfeita por ter-me aproximado de um sem ter levado com chumbo no lombo, por invasão de propriedade muhahaha



seguia-se valpaços. provavelmente devido ao feriado, estava completamente deserto. também suspeito que estivesse muita gente em casa, ou espalhados pelas praias fluviais das redondezas, para fugir ao calor. btw, fiquei algum tempo a olhar para este monumento, a tentar perceber se era mesmo assim, ou se estava vandalizado. ri-me um bocado, não se chateiam comigo, valpacenses, não foi por querer :)



terminada a volta por valpaços fiquei indecisa se havia de ir para chaves ou vila real. como já conhecia chaves, meti-nos a caminho de vila real, já orientados para casa.

...e tá visto que ainda não terminamos os nossos assuntos por esta bela região. mental note: visitar trás-os-montes em finais de abril / maio é mais interessante que março. o tempo está mais quente, e as árvores estão começam a ganhar copa, a paisagem está ainda mais bonita!

Trás-os-Montes e Alto Douro // dia 5

infelizmente não dava para esticar mais, o algarve estava à nossa espera. não só porque havia um sobrinho prestes a vir ao mundo, como aquele certame magnifico que eu não perco por nada deste mundo, e que me faz ter problemas de espaço na arca frigorifica durante uns tempos, a feira do folar de barão de são joão. grande timing, o do puto!

começamos a longa despedida de trás-os-montes com uma paragem rápida para admirar o castelo do algoso cá de baixo. parece minúsculo, mas não deixa de ter um ar completamente badass. muita coisa marada devem ter testemunhado aquelas muralhas. consigo imaginar gente a rebolar por aquele penhasco abaixo que é uma alegria. até oiço wilhelm screams LOL

castelo de algoso castelo de algoso

depois passamos por vimioso para ir comprar umas alheiras. dali seguimos para a feira do folar de izeda. eu tenho uma "cena" com feiras do folar, tá visto. tinha reparado no cartaz no restaurante em mogadouro e pensei que era uma pena não conseguir ir... mas consegui muhahahh win \m/

a caminho de izeda, uma breve paragem para apreciar a ponte romana. não que tivesse visto poucas nos últimos dias, mas são bonitas e não me matava perder uns minutos, estando tão perto da passagem.

ponte de izeda

aqueles folares é que não são bem a minha cena, salgados e cheios de enchidos, mas é a tradição dali. saímos da feira carregados com dois folares enormes, um pão de azeite, bolos económicos, mel, mais alheiras e um chouriço de mel. tudo caseiro. not bad!

feira do folar de izeda feira do folar de izeda

dali seguimos por estradas de curvas intermináveis até ao tua, algumas duas horas de tortura ao volante. ainda que tivéssemos que fazer umas quantas paragens para apreciar as vistas, que aquilo é pornográfico. mesmo.

Untitled Untitled

quando finalmente cheguei ao topo do tua, cujas curvas quando vistas do mapa, dão assim um certo frescor na barriga, já vinha tão anestesiada que nem dei por elas..

Untitled

para mais tarde recordar, que este vale daqui por uns anos vai estar cheio de água..

e do tua fomos ao pinhão. e eu consegui escolher a pior estrada de todas, por ser a mais curta. uma municipal que segue pelo meio dos socalcos de vinha, onde só cabe um carro (e mesmo assim, o google andou por lá, ah valentes). foi agressivo, mas o pior ainda estava para vir..

quando chegamos a casal de loivos, havia a indicação que pinhão era pela direita.

"mas o GPS diz que é pela esquerda" insiste o homem. 

ora essa, se o GPS diz, quem sou eu para duvidar!

pois... devia ter duvidado, pela longevidade saudável do meu coração...

não sei se alguma vez me vou esquecer do terror que foi descer a rua da calçada. uma rua em calçada já muito polida, estreita, que desce 300 metros quase a pique pelo monte abaixo. eu lembro-me de uma estrada parecida àquela, na madeira. mas muito mais curta e muito menos assustadora. se me falhassem os travões, só parava a meio do douro.. mas lá que era cénica, era!

foi triunfal, para que nunca me esquecesse da dureza daquela terra, e do que sofrem as populações para se deslocarem de uns sítios para os outros. do pinhão até régua, pela nacional 222, conhecida por ser a estrada mais agradável do mundo para conduzir, foi um doce. uma recompensa à maneira pela minha resistência.

n222

paramos em peso da régua para ir comer qualquer coisa, que ainda não tínhamos almoçado e a fome era mais do que muita, e aproveitar para comprar mais recuerdos. desta vez vinho, que o homem não queria sair dali sem um par de garrafas das terras do grifo, a quinta que mais nos impressionou na viagem toda. uma paisagem daquelas tinha que ter um sabor do outro mundo, pena eu não conseguir atinar com vinho :(

e foi ali, sentados no bar da estação de comboios de peso da régua (funny story lol), a "lunchar", que demos a odisseia transmontana por terminada. cansadíssimos, cheios de pena por ter acabado, mas a rebentar de emoção pela épica dimensão do passeio.

achava eu que podia acordar nos confins do norte de portugal, e ir dormir nos confins do sul de portugal, mas ter misturado a viagem de regresso com passeio, foi demasiado. quando cheguei a casa às onze da noite já tremia por todos os lados e não era de frio. tinha que descansar umas horas antes de fazer mais três centenas de km..

notas finais, em jeito de resumo:

a quem goste de turismo da natureza, aconselho plenamente uma demorada viagem por trás-os-montes e alto douro. tem áreas incríveis de paisagem em estado bruto, áreas agrícolas cuidadosamente geridas, vida selvagem, transborda história e tradição, as gentes são genuínas e gastronomia deliciosa.

o meu roteiro foi definitivamente ambicioso para o cinco dias, e apesar de ter tentado optimizar a viagem ao máximo, existem sempre coisas que nos escapam. ou porque demoramos mais tempo nalgum sitio e fica tarde, ou porque surgiu mais um ponto de interesse, ou porque demoramos mais tempo nas deslocações que o suposto, entre outros detalhes que não temos em conta quando se planeiam viagens.

as duas zonas que mais tinha interesse em conhecer, o montesinho e douro internacional, merecem ser devidamente desfrutadas. três dias no montesinho seria o ideal, já o douro internacional + planalto mirandês, precisa de quatro ou cinco. e apesar de ainda assim ter conseguido ver muita coisa, (como é costume) regressei com a sensação que ficou muito para trás.. algo que não é necessariamente mau :)

sofri um bocado ao volante, com tanta curva e subida e descida, e estrada apertada. mas adorei cada minuto, cada um dos mil quilómetros, assim como cada golfada de ar puro que inspirei, cada vista que queimei nas retinas. voltava (voltei!) para lá a correr :D

apesar dos inúmeros cantinhos que ainda me faltam pelo meio, é uma honra conhecer portugal de norte a sul, de de este a oeste. era um desejo antigo, que finalmente vejo realizado. temos um país fantástico, vale tão a pena explorá-lo.

last but not least, o registo fotográfico completo da passeata está no sítio do costume

 

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Trás-os-Montes e Alto Douro // dia 4

...eeeeeeee tivemos que voltar para trás!

nossa sorte é que aquele dia estava livre para o que desse e viesse. inicialmente tinha previsto subir e conhecer alfândega da fé, mirandela, macedo de cavaleiros e mais qualquer coisa. só que não.. não estava preparada para deixar o douro internacional assim sem mais nem menos, queria continuar a deliciar-me com aquelas paisagens obscenas.

mas antes de atacar a estrada, aproveitamos para conhecer torre de moncorvo. demos um agradável passeio pelas ruas centro e fizemos uma coisa pouco habitual, visitar uma igreja. mas sendo o ex libris, tinha que ser :)

o que gostei mais de ver em moncorvo não foi propriamente na vila, mas umas centenas de metros acima, na mata do concelho. a vista majestosa que se tem do miradouro de santa leocádia quase até ao infinito, que é de fazer uma pessoa esquecer-se de respirar. não cabe inteira nos olhos, é preciso começar com o queixo sobre um dos ombros e ir rodando lentamente a cabeça, depois repetir o movimento em sentido inverso. e repetir, e tornar repetir, até garantir que apanhamos todos os instantes que se perderam nos pestanejares.

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quando finalmente conseguimos quebrar aquele feitiço, voltamos à nacional 325 e seguimos em direcção a freixo de espada à cinta. completamente deslumbrados pelas paisagens que surgiam a cada curva. amendoeiras, oliveiras, e laranjeiras cobriam os montes e tornavam aquele cenário muito familiar. quase a fazer lembrar o algarve.

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ao passarmos por barca de alva ficámos maravilhados com a placidez aquele recanto, e naquilo de era suposto ser uma "visita de médico", demos largas ao ócio. fomos até ao outro lado da fronteira apreciar o imenso espelho proporcionado pela fusão das águas do rio águeda com as do douro. não apetecia nada sair dali.

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retomamos a direcção a freixo de espada a cinta, por uma estrada incrivelmente cénica, e eu sem puder desviar os olhos do volante. fazíamos paragens praí a cada 5km para poder absorver devidamente a paisagem.

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não chegamos a espada à cinta, saltamos para espanha no salto de saucelle, que eu tinha uma estrelinha num sitio altamente refundido, mas que prometia. a minha entrada no parque natural de arribes del duero foi triunfal. aquilo é uma subida quase a pique, por estrada apertadíssima, com curvas igualmente apertadíssimas, e quase sem protecções laterais. ia por ali acima a tremer por todos os lados, com medo de me despistar e ir a rebolar até lábaixo.. cada vez que vinha um carro na minha direcção até rezava o pai nosso. às tantas, já bem no alto, um sacana aparece-me em cima numa curva. não me borrei toda com o susto por um triz, e saiu-me do fundo das goelas um FILHA DA PUTA!! bem furioso. nesse mesmo instante, o homem desmancha-se a rir.. porque eu vinha com o vidro aberto. porque o outro vinha com o vidro aberto. e porque passamos tão junto, é provável que lhe tenha acertado com uns quantos gafanhotos na tromba : /

salto de saucelleUntitled

apanhámos um engarrafamento de espanhóis no mirador del fraile. uma confusão maluca, entre carros e caravanas e pessoas. saiu tudo à rua naquele dia, e pelos vistos, foi-se tudo enfiar no mesmo sitio.

mirador del frailesalto de aldeadávila

não sou grande fã de barragens mas fiquei assim, a modos que um bocadinho obcecada com esta bisarma. diz que é a barragem espanhola com maior produção de electricidade e eu não duvido. se tivesse mais tempo, tinha ido também ao miradouro da iberdrola, ver aquele paredão colossal mais de perto. assunto inacabado, pumba!

o planalto do lado espanhol é bastante parecido ao nosso, as aldeias é que não são tão bonitas. mas também apreciei bastante conduzir por aquelas paragens. funny thing, nas duas horas que andámos por lá, não vi um único carro com matricula tuga, e um hermano que se meteu connosco no miradouro, ficou assim meio incrédulo, como se fossemos do outro lado do mundo, em vez da outra margem do douro. ca raio...

entramos em portugal por bemposta, e ali tivemos que tomar uma decisão que não dava para adiar mais, onde dormir naquela noite. três coisas que aprendemos na hora seguinte:

- fome e cansaço levam a más decisões;
- as aparências iludem;
- lá porque o alojamento tem 8 e qualquer coisa no booking, não significa necessariamente que seja "óptimo".

o universo curvou-se perante nós, e num tom condescendente repleto de sarcasmo disse, "meus amigos, já tiveram demasiadas boas experiências com alojamento, ora tomem lá um chungoso para equilibrar a balança".

como é que hei-de colocar a coisa... o ambiente não era só "rústico", como cheirava a "rústico". especialmente o quarto. as almofadas eram duras como sacos de pedra, e o barulho do mini-bar, do ar condicionado, e da ventax do wc iam dando comigo em maluca, a pontos de termos que desligar aquilo tudo para conseguir ter algum silêncio. custei a adormecer naquela noite, logo aquela que precisava de mais descanso para enfrentar os 500km de estrada do último dia. safou-se o jantar, a comida era boa e as doses bem servidas, mais nada. não se entende, a localização é porreira, o edifício por fora é bonito. aqueles quartos é que já levavam uma granda volta.

 

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Trás-os-Montes e Alto Douro // dia 3

...agora eu estava lixada. havia uma porrada de sítios que achava que mereciam ser visitados mas por termos marcado o alojamento daquele dia bastante longe da zona, não ia conseguir ver tudo.. bah!

btw, a água da terra fria, não é fria, é gelada! ia congelando as mãos a lavar a loiça do pequeno-almoço lol

depois de um breve encontro com um burro mirandês, dissemos adeus à pacata aldeia de caçarelhos e partimos para espanha, encher a pança da mula do carro. o passeio do dia começava junto à fronteira, pela rua das eiras.

passamos por umas quantas aldeias, mas foi a partir de infainç / ifanes que a coisa começou a ficar curiosa. as placas à entrada das localidades tinham dois nomes, precisei de passar por umas quantas até que se me fez luz na cabeça. era o nome em mirandês, que surgia por cima do nome português. muito respeito por este detalhe. o que achei piada nestas aldeias é que quase todas tinham museus, ou infraestruturas antigas preservadas para dar a conhecer como se vivia ali noutros tempos. e eu sem margem de tempo para visitar. outra coisa que gostei de ver é que quase todas têm casas de alojamento local. hint, hint!

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subitamente a paisagem modificou-se. os terrenos alisaram, as curvas atenuaram, o horizonte expandiu-se. estávamos no planalto mirandês e eu delirei com aquelas estradas. o dia estava perfeito para passear.

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alcançamos a paradela e seguimos até ao miradouro da penha das torres. este não só é o primeiro lugar em portugal onde se vê nascer o sol, como é onde o duero se junta a nós e se torna também no douro. depois do planalto, o recorte dramático na paisagem provocado pelo leito do rio é simplesmente brutal. demorava-me uma eternidade neste sitio fantástico, se pudesse.

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dali fomos até miranda do douro ver as vistas...

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...e de miranda do douro a picote, mirar um dos meandros mais bravos que o douro cavou

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nesta altura, eu, que sou mais de oceanos e nem por isso ligo muito a rios, estava completamente assombrada por aquela força bruta da natureza que era o douro. e tenho que admitir que vê-lo todo estrangulado por barragens dá-me um certo desgosto. aquele vale profundo de escarpas massivas e gargantas apertadas não surgiu por acaso..

picote está muitíssimo bem preservada e é um sitio muito agradável de visitar. as suas origens remontam à pré-história, e é possível ver vestígios dessa altura. outro detalhe interessante é que aqui, também as placas com o nome das ruas surgem com o nome em mirandês e português.

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seguia-se o castelo de algoso, com passagem por palaçoulo, a terra das facas. também queria passar pela aldeia de uva, para desmistificar as tais casinhas curiosas que tinha visto no dia anterior na cova da lua - que graças ao guia da terra fria, sabia agora que eram pombais. existem centenas deles um pouco por toda a região transmontana, embora a maioria esteja em ruínas. uva seria o sítio a visitar, por ter a maior concentração destas peculiares estruturas, e da maior parte delas estar recuperada.

foi incrível o tempo que demorei a chegar a algoso. quando olhei para o mapa e pensei que era um "tirinho"... o tanas!! o que eu não esperava é que a geografia se tivesse alterado tão drasticamente entre o palaçoulo e algoso. demorei três vezes mais tempo a lá chegar do que previa. e com isto, não parei em uva e só vi os pombais ao de longe. outro assunto inacabado, meh..

mas ter apanhado o pôr do sol no castelo de algoso, foi magnifico!

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aliás, o castelo é magnifico. está construindo no topo de um penhasco massivo, que cai a pique umas boas dezenas metros. a vista é de cortar a respiração, não aconselhável a quem sofre de vertigens.. tipo eu!

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fomos tramados pelo horário de inverno, já estava fechado e não foi possível visitar o interior das muralhas :(

a pernoita do dia seria em moncorvo, mas fizemos uma paragem em mogadouro para jantar n’a lareira. íamos finalmente provar a grande especialidade da região, a posta mirandesa. yay!

o tamanho do naco de carne em questão assustava-me. por mim, dividia uma posta com o homem e ficava cheia, mas o chef da lareira garantiu-nos que quando é bom, come-se com gosto e não sobra nada. então venha daí uma posta e uma costeleta, sem medos!

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a carne, grelhada à frente dos nossos olhos, veio acompanhada por uma espécie de gratinado de batata lascada, e salada selvagem de marujinha (merugem), uma planta silvestre que cresce nesta altura do ano, perto de água corrente. tão tenrinha, e fresquinha e deliciosa que era :D’

...e zomg!! que carne fabulosa. o homem tinha razão, não sobrou nadinha. ainda que o estômago estivesse em perigo iminente de explosão he he he

quando chegamos a torre de moncorvo estávamos de rastos, os dois dias frenéticos de passeio estavam a começar a fazer mossa no corpo. quem disse que passear não cansa?

e seria o quarto do dia o elo mais fraco das pernoitas?

nop, mais uma excelente escolha. we’re definitely on a roll! o edifício tinha sido recuperado recentemente para alojamento, mas ao contrário dos anteriores, era de arquitectura moderna e decoração minimalista. o quarto era espectacular, super acolhedor, e a cama, divinal!

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desliguei assim que aterrei no vale dos lençóis.

* estadia e refeição patrocinada pela minha estimada conta bancária

 

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Trás-os-Montes e Alto Douro // dia 2

o menu do dia era ambicioso. conhecer o parque natural de montesinho, visitar umas quantas aldeias, fazer uma bucha em gimonde, e se tivéssemos tempo, acabar o passeio em bragança. isto tudo até por volta das seis, para não chegarmos muito tarde ao destino do dia, caçarelhos, que fica já em pleno planalto mirandês.

(porque infelizmente ainda não dominamos o conceito de deitar cedo e cedo erguer) deixámos tuizelo por volta do meio dia. agora sim, a aventura ia finalmente começar \m/

com neve nos picos da sanábria e vento a soprar de norte, o parque de montesinho parecia um frigorífico. mas o cenário compensa o desconforto.

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então, a isa tem uma *certa* obsessão com fronteiras. aquela linha muitas vezes imaginária fascina-a de sobremaneira, mas não sabe bem explicar o porquê. e como é lógico, estando tão perto, não ia perder a oportunidade de andar a roçar-se nelas.

por exemplo este troço de estrada, que segue os contornos da nação:

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não existe aqui nada, não tem nenhuma atracção especial. a paisagem é bonita mas nada do outro mundo. no entanto perdemos aqui mais tempo do que aquele que quero admitir, aos saltos entre os dois lados. portugal.. espanha.. portugal.. espanha.. portugal.. espanha.. muhahahah adorei!

fronteira

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uns kms mais a frente, um cenário muito caricato ao dobrar uma curva: um cemitério na localização mais estratégica de sempre (com o devido respeito aos que lá repousam). que é como quem diz, uma distracção na estrada e vais directo à tua última morada!

a próxima paragem seria a barragem da serra serrada, no topo do parque. para alcançá-la passamos por uma aldeia com um nome brutal, cova da lua, e que eu me arrependo muito de não ter parado para conhecer melhor. aqui vi a umas casinhas que me despertaram a curiosidade. semi-redondas, baixinhas, com o telhado de esguelha, e sem janelas, apenas uma pequena porta. mas tinha pela frente demasiados km para estar a fazer paragens não programadas e não quis arriscar..

seguiu-se uma etapa em modo off-road. se há uns anos não me chateava mesmo nada enfiar o carro em estradas de terra batida, agora, com o carro a fazer oito anos e já com mais de 150k km no motor, começo a ficar com medo de grandes cavalgadas - algo que me rende gozos da parte do homem, que antes era badass e agora estou feita uma coninhas e assim. anos.. anos de dedicação!

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funny thing. ia visitar uma barragem, acabei por visitar duas. é que a primeira que encontrámos, a barragem de veiguinhas, é recente e nem sequer aparece no google maps.

e que belas vistas, tanto uma como outra, renderam!

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apanhamos vários estrangeiros a caminhar por estas terras. fiquei invejosa.

próxima paragem: aldeia do montesinho. esta é clássica. ir ao montesinho e não ir à aldeia do montesinho era como ir a roma e.. you get the picture. esta aldeia é um postal. está bem preservada, as habitações em xisto ou granito, têm sido reconstruídas respeitando a traça tradicional. foi aqui onde pude ver pela primeira vez as casas típicas transmontanas que, segundo o que aprendi na escola primária, têm dois pisos. no de cima é onde vivem as pessoas, no de baixo é onde guardam o gado, para ajudar a aquecer a casa. ou qualquer coisa nessas linhas, já foi há muito tempo que andei na primária. quase 30 anos *gulp*

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entretanto passámos por uma série de aldeias, mas não houve oportunidade de parar porque já se fazia tarde e eu ainda não tinha chegado aquela que mais queria conhecer, rio de onor.

quando andei a lamber o mapa, tropecei numa aldeia no extremo nordeste transmontano que parecia ser atravessada pela fronteira. eh lá! eu tinha que ir ver aquilo com os meus próprios olhos e especialmente, ouvir os habitantes. que língua se falaria ali? português? espanhol? portunhol?

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são duas aldeias diferentes, rio de onor e rihonor de castilla, e independente de pertencerem a países diferentes, a população não liga muito à divisão e vive em comunidade, partilhando entre si, recursos naturais e infraestruturas. a parte portuguesa está mais habitada, e está (muito) melhor preservada que a gémea espanhola, que está a cair aos bocados. em relação a línguas, no lado espanhol ouvimos falar espanhol, no português, português. de riodonorês nem um pio :(

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entretanto encontrei um post que explica muito bem a divisão entre as duas aldeias.

tinha dado dois paços em espanha, quando vi este painel informativo sobre a zona:

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decidi trollar o homem:

"olha lá mor, estamos na serra de la culebra"

wait for it... wait for it.. waaiiii...

"enrique, estas aqui?" ... "e tu? siempre como culebra!" quando começa com isto não consegue parar tão cedo muhahahah não se calou na meia-hora seguinte, pelas ruas derihonor, a dizer que ia bater à porta e perguntar se o enrique estava. tão bom (para quem não apanhou a referência, fica o link)!

aquilo que mais me belisca, é que nestas aldeias, apesar o lufa-lufa dos seus habitantes, vive-se muito devagar. parece que o tempo é infinito. e o contacto com a natureza é qualquer coisa.. uma corsa saltou do meio do nada para o meio da estrada e desapareceu novamente para o meio do nada. fiquei maravilhada. só faltou ver um lobo.

dali seguimos por guadramil, uma aldeia do mesmo género de rio de onor, mas ainda mais isolada, como se tal coisa fosse possível. arrepio-me de pensar em como será viver num sítio tão remoto. ok, bragança não fica assim tão longe como tudo isso.. mas é uma zona muito desolada.

chegamos a gimonde demasiado tarde para almoçar e demasiado cedo para jantar no abel, mas como estávamos a morrer de fome acabámos por ir petiscar uns enchidos numa tasca ao lado. e porque fomos descaradamente cobrados à turista estrangeiro, não ganharam novos clientes.

ainda raspámos em bragança mas como já se estava a fazer tarde e ainda tínhamos uma hora de caminho até caçarelhos, acabamos por não parar. três assuntos inacabados, posta n’o abel, e visitar cova da lua e bragança. quatro, se juntarmos uma caminhada pelo percurso do porto furado.

estava eu a comentar com o homem, enquanto esperávamos pela nossa anfitriã, que pelo valor da dormida daquela noite, caçarelhos ia ser o elo mais fraco das pernoitas. mas depois a dona do alojamento chegou, abriu a porta e disse que a pequena, mas muito acolhedora casa, já com a lareira acesa e tudo, estava por nossa conta.

oi?

não deu para perceber bem quando fizemos a reserva no booking, mas aparentemente, não era um quarto, era a casa toda! quarto, sala, e cozinha, abastecida com pão fresco, ovos, leite, iogurtes, queijo, fiambre, sumo, doces café, chocolate, chá e toda a panóplia necessária para cozinhar... por 40€? sabem aquela sensação que estamos a roubar alguém sem estarmos a roubar? foi por ai.. acabámos por pagar um bocadinho mais do que o suposto porque a consciência não deixava. uma pena do caraças só ficarmos lá uma noite.

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also
, a dona da casa emprestou-me um guia da rota da terra fria que me veio complicar o esquema.. passei o resto da noite a marcar estrelas no mapa, de sítios que seria interessante conhecer. oh my...

* estadia patrocínada pela minha estimada conta bancária

 

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'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mIRC.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e (sempre que a preguiça não a impede) gosta praticar exercício físico.

mantém uma pequena bucket list de coisas que gostava de fazer nos entretantos.

de resto, é ler o blog :D

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores:
#11 #10 #9 #8 #6 #5 #4

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