Web Summit 2017

este ano conseguiu ser ainda mais intenso. muito mais talks para ver, muitas startups para stalkar, e muito mais pessoas para contornar nas piscinas entre pavilhões.

havia mais um pavilhão, os palcos eram maiores e tinham mais espaço para sentar pessoas, o espaço estava muito bem decorado, o som estava bom (melhor que no ano passado, vá), os galões da delta à borla continuam a salvar vidas. a parte de haver controlo de segurança para entrar, por um lado era fixe, por outro provocava umas filas horrorosas. a comida continua a ser o calcanhar de aquiles. muito cara e nada de especial.

web summitweb summit

das cerca de 60 talks que me interessavam, consegui assistir a 18 completas, apanhei umas quantas a meio ou quase a terminar, e desisti de algumas que afinal não eram nada daquilo que prometiam. nos próximos tempos vou andar ocupadinha a ver as que me escaparam.

apanhei alguma treta, mas também apanhei muita coisa brutalmente esclarecedora. o desafio que levei para este web summit foi totalmente superado. três dias daquilo e vim de lá a espumar. e com muito para escrever.

vi talks na sua maioria relacionadas com a indústria dos média, mas também sobre marketing, AI e machine learning, blockchain, cryptocurrency, sociedade e privacidade, e startups.

deu para perceber que a nossa privacidade está em risco, que as plataformas sociais e os googles da vida já sabem mais sobre nós, que nós próprios, e que é urgente regulamentar muito bem a forma como as empresas recolhem, armazenam e utilizam os nossos dados.

que as nossas vidas hoje em dia são totalmente regidas (e manipuladas) por algoritmos e que nem sempre é pela positiva. nunca ouvi a palavra algoritmo repetida tanta vez na vida - and mark my words, num futuro não muito distante, todos os males do mundo vão ser atribuídos aos algoritmos...

das mais interessantes - e assustadoras que vi, foram dadas pelo director digital da campanha do trump, que explica como foi possível ganhar as eleições através das redes sociais, um feito sem precedentes na nossa história, e que ensina muito sobre a vulnerabilidade das pessoas nas redes sociais e a facilidade como são manipuladas.

acho sinceramente, que qualquer pessoa que se preocupe minimamente com a sociedade e o rumo que o mundo está a levar, devia ver algumas destas talks.

deu para perceber que existe muita tecnologia emergente a trabalhar no sentido de concertar o mundo ou pelo menos tentar remediar o estrago que andamos a fazer desde há vários anos - mas que não há tecnologia no mundo que seja capaz de alterar as coisas menos positivas da natureza humana, e que devíamos focar-nos também nisso.

unicorns

e pró ano espero novamente estar por lá!

11 de Novembro de 2017, às 00:12link do post comentar

Jovem que vais ao Web Summit

se vais lá pela primeira vez, achei que gostasses de levar umas dicas na bagagem, para que possas tirar o melhor proveito daquela que é considerada a maior conferência sobre tecnologia do mundo. e não, não estão a exagerar, aquilo é mesmo insano!

então,

- se possível, regista-te logo no primeiro dia (segunda, dia 6);

- vai cedo (e sai cedo), para evitares confusão nos transportes públicos;

- vais andar muito, e estar muito tempo em pé, leva roupa e calçado confortável;

- tenta decorar em que pavilhões ficam os palcos, vais ter que fazer muitas piscinas entre eles. atenção que há palcos que mudam de nome todos os dias;

- mantém-te hidratado/a, anda sempre com uma garrafa de água contigo;

- não esperes por estar aflitinho/a para ir ao wc, se não arriscas um acidente enquanto esperas na fila para chegar à sanita;

- leva dinheiro na carteira, que as caixas de multibanco fazem filas gigantescas;

- tenta não almoçar a horas normais, se não vais apanhar filas incríveis para comer, e uma enorme javardice nas mesas;

- não tenhas receio de falar com pessoas, é para isso que este evento existe, é para isso que as pessoas lá vão;

- faz o trabalho de casa: consulta do directório de participantes / startups, assinala pessoas com quem queres falar;

- se ires expôr a tua startup, vais ter que dar folga a toda e qualquer timidez que tenhas, e transformar-te num tubarão de RP, sorri;

- atenta nos meetups que acontecem ao final do dia, são óptimas formas e conheceres pessoas com os mesmos interesses. prepara-te para palmilhar muito pelas ruas do coração de lisboa;

- escolher talks no web summit pode ser um exercício *muito* ingrato, pois existem várias a decorrer em simultâneo, e às tantas ficamos sem saber a quais assistir. tem em conta que a maioria das talks têm uma duração curta (~20 minutos) e mal riscam a superfície, cumprindo o propósito de dar um overview sobre assunto, de expandir horizontes, mas sem entrar em detalhes específicos, logo não ensinam por aí além. arrisca sair da tua zona de conforto, foca-te naquelas sobre temas relevantes, dos quais não tenhas grandes conhecimentos. as outras podes sempre vê-las mais tarde.

- utiliza a app do evento para marcares todas as talks que te interessam. não te importes que algumas se sobreponham, convém teres talks de backup caso aquelas que decidas ver esgotem ou não revelem grande interesse

por fim, também podes ler sobre a minha experiência no ano passado :)


vemo-nos por lá!

31 de Outubro de 2017, às 10:00link do post comentar ver comentários (3)(3)

Web Summit

acabei de passar 3 dias enfiada no web summit, e ainda estou assim um bocado zonza com a experiência. isto vai sair a quente, e provavelmente ainda com muita adrenalina a circular no sistema :D

por acaso nem estava à espera de calçar lá. os bilhetes são caros como o raio (e não percebia muito bem se valia a pena o investimento), e já cheguei tarde aquela história dos bilhetes gratuitos do women in tech. até ao dia em que a startup em que trabalho ter entrado numa competição e ser seleccionada para ir lá vender o peixe. de repente, o web summit estava na agenda.

não sabia muito bem o que esperar do evento. sabia que era sobre tecnologia, mas com uma forte componente de empreendedorismo, e que o networking era assunto sério. às tantas, o "web" ali no nome até induz um bocado em erro.. aliás, nem sequer faz grande justiça à verdadeira natureza daquele evento.

da primeira vez que abri a app e fui ver o calendário das conferências, assustei-me logo! eram alguns oito palcos a bombar uma insanidade de talks. da selecção que fiz, cheguei a ter mais de três no mesmo slot horário. nem sabia como havia de gerir aquilo.. deixava-as ficar lá para ter algumas de backup.

mais assustada fiquei, quando ao segundo dia cheguei lá e depararei-me com aquela confusão de gente, vinda dos quatro cantos do mundo de propósito para estar ali. os pavilhões da FIL estavam divididos entre palcos, áreas de exposição e de reuniões, e havia uma imensa massa humana, em permanente movimentação, a velocidades inconstantes e direcções erráticas - um pesadelo para atravessar três pavilhões em menos de 5 minutos. era quase impossível acabar de ver uma talk no pavilhão 1, e ter outra a começar dali a 10 minutos no pavilhão 3 e chegar lá a tempo.. ir para o palco central (no meo arena) então, era para esquecer.



ao fim de umas quantas talks dentro das minhas áreas de interesse, comecei a perceber que o 20 minutos de duração mal riscavam a superfície do tema que abordavam e era quase uma perda de tempo. eram superficiais, e apenas estavam a validar o que eu ja sabia/fazia, sem ensinar nada de novo...

...e foi aí que me bateu: isto não é para mim, é para quem não conhece nada deste assunto. estão aqui milhares de pessoas, das mais variadas industrias, com os mais variados interesses e backgrounds. é impossível isto ser um evento muito técnico.

percebi que não devia limitar-me a talks dentro das minhas áreas de interesse, mas sim a temas que não têm nada a ver comigo, e que também são relevantes. porque não estava ali nada que não fosse relevante, apesar de superficial. 

ajustei a agenda do terceiro dia, e foi então que percebi a importância poderosa daquelas "snack" talks de 20 minutos. estas talks têm o propósito de nos fazer expandir os horizontes. para nos apercebermos das dificuldades e desafios que as outras áreas e industrias enfrentam (e que no fundo não são muito diferentes dos nossos), as abordagens que estão a tomar, e os resultados que estão ter, and so on!

e retiravam-se sempre lições importantes. fartei-me de tirar notas. aprendi mais numa talk sobre a industria automóvel, que numa sobre usabilidade, por exemplo.

para não falar que, com aquela confusão toda, a nossa capacidade de atenção é muito reduzida. 20 muitos é o tempo ideal para sermos expostos a outras realidades (ainda que de uma forma muito sucinta), e evitam o factor "ca granda seca, quando é que isto acaba". perfeito!

com tanta coisa boa para ouvir, acabei por não conseguir dedicar muito tempo às centenas de startups que lá estavam representadas, e que todos os dias rodavam. e cheira-me que perdi muita coisa interessante..

o networking é de facto um dos grandes pontos altos. milhares devem ter sido os cartões de visita trocados durante esta semana que passou. e acontece não só durante o evento principal, mas como também nos eventos satélite que inundaram os bares e restaurantes da zona central da cidade, nos últimos dias. era giro ver a malta na rua com o badge ao pescoço (eu incluída lol). 

also, a quantidade de caras conhecidas que encontrei durante os três dias que lá estive, também me deixou muito contente :D

o quarto e último dia estava reservado para exposição do nosso projecto, e apresentá-lo a quem estivesse interessado. das nove da manhã às seis da tarde, em pé, a falar ora em português, ora em inglês, quase non-stop. éramos 5 e não tínhamos mãos a medir. de vez em quando rendiamo-nos uns aos outros, para descansar as pernas e a garganta, aproveitar para comer qualquer coisa, e já agora, apanhar uma talk durante o processo. felizmente estávamos ao lado de um dos palcos com algumas das talks mais relevantes do dia. tou aqui com as pernas e as costas todas estropiadas, amanhã não me dou mexido, mas valeu totalmente a pena. foi brutal!!



tivemos uns vizinhos americanos porreirissímos e cheios de genica, que abordavam as pessoas de uma forma genial "can i interest you in a rock?" e ofereciam uma pedra. tão, mas tão bom! ao fim do dia estavam tão mortos como nós, mas estavam super contentes com o resultado da exposição. diziam que tinham beneficiado com a nossa vizinhança, porque havia sempre ali montes e gente a parar. eu partilho da mesma opinião, eles também prendiam muita malta. os vizinhos ucranianos é que não se safaram tão bem.



da perspectiva das startups, também fiquei a perceber a verdadeira importância do web summit. é uma oportunidade incrível para projectares o teu produto, de ganhares clientes e investidores, de trocares ideias com outras pessoas, para inclusive melhorar/afinar aspectos que nunca te ocorreram. em inicio de vida, isto vale ouro!

os stands estavam estrategicamente posicionados perto da passagem para os palcos e os participantes que as iam ver, tinham que passar por lá e acabavam por ver a exposição. se o teu produto lhes despertar curiosidade, elas vão querer saber mais sobre ele, e tu vais potencialmente arranjar bons contactos. aqui já estou a falar por experiência própria. o desafio agora é saber manter e usar esses contactos.

e ainda bem que é só um dia de exposição.. são sei se aguentava três daquilo!

organizar um evento àquela escala deve ser uma coisa de loucos. agora consigo compreender o preço dos bilhetes (apesar de reconhecer que não são adequados às carteiras portuguesas). tudo impecável, desde a decoração e organização do espaço; temas bastante relevantes nas conferências, bons speakers e hosts com o trabalho de casa bem feito; exposições bem planeadas e bastante dinamizadas. tudo sem grandes atrasos e bastante afinado.

a única parte menos boa foi talvez devido ao elevado número de participantes, que tornava as deslocações no recinto penosas, e formavam filas incríveis para comer ou para usar os wcs. e três dias só a comer porcarias, vá!



resumindo, sinto que tive a experiência web summit completa. desde o evento principal (enxurrada de talks, a exposição, o networking, etc) aos meetups e after parties, e dou-me por muito grata de ter tido a oportunidade de participar. conseguiu ser overwhelming e ao mesmo tempo uma verdadeira surpresa, e espero muito voltar lá para o ano que vem \m/

 

11 de Novembro de 2016, às 02:14link do post comentar ver comentários (22)(5)

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mIRC.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e (sempre que a preguiça não a impede) gosta praticar exercício físico.

mantém uma pequena bucket list de coisas que gostava de fazer nos entretantos.

de resto, é ler o blog :D

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores:
#11 #10 #9 #8 #6 #5 #4

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